quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

«A intensa leveza dos dias»
A excelência da TSF presenteia-nos com uma belíssima revista do ano.
Aqui

terça-feira, 28 de dezembro de 2004

BP-5/12
Tornei-me solidário com este movimento, logo desde que me chegaram as suas iniciativas.

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Estes posts deram origem a uma polémica de plágio, pelo jornal Público. Assunto sem dúvida interessante, também, mas não é isso que quero transmitir hoje.

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Ah e tal...

«O directo não pára porque a redacção quer notícias, mas as notícias não existem. Três repórteres revezam-se no dizer de coisa nenhuma. Cedo, nada mais há para dar conta que dos carros que passam, dos táxis que chegam. Quem vem lá? Será um arguido? Um advogado? Um magistrado? Câmara e jornalista fixam-se num táxi que acaba de chegar. A expectativa cresce, até ser substituída pelo desalento: "Por acaso é uma colega nossa", diz a jornalista Maria João Ruela, num comentário que deixa adivinhar a consciência do ridículo a que se está a prestar.»
João Manuel Rocha
Público 04Dez2004

terça-feira, 30 de novembro de 2004

Parece que sabiam

«Dezembro, por tradição, é um mês de grande acalmia política, em que os portugueses estarão virados para si próprios, para as suas famílias, e para as festas de apaziguamento interior que o país bem precisa. Será assim?»
Luís Delgado,
Diário Digital 28NOV2004
texto completo aqui


«A realidade continua a ultrapassar a ficção. Quase não passa um dia sem que o Governo proporcione aos portugueses mais uma trapalhada. O Governo não, que as trapalhadas têm quase sempre o mesmo epicentro: o centro do Governo, os próximos de Santana Lopes, o próprio primeiro-ministro.»
José Manuel Fernandes,
Público 29NOV2004
texto completo aqui


Jorge Sampaio vai dissolver Assembleia da República
hoje

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

:)

domingo, 21 de novembro de 2004






quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Porque partiste o candeeiro, morto?











quinta-feira, 11 de novembro de 2004

Quatro boas razões...
...para não ficar em casa. Aqui.

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

Da gestão das empresas, em Portugal
Perante um passivo final de 2003 na ordem dos 87 milhões de euros e de uma soma com custos e perdas que ascendeu a 51 milhões de euros (1/3 deste valor adjudicado a custos com pessoal e ¼ com amortizações), a Administração do Porto de Lisboa (APL) nomeou cinco novos directores de serviço, cinco novos chefes de divisão e cinco novos chefes de serviço, o que por si só orça 350 mil euros por ano (sem contar com pessoal para estes departamentos).

Convém lembrar que o presidente e o administrador da APL foram, também eles, recentemente nomeados, e que o porto de Lisboa tem operado uma redução do número de funcionários, contra um aumento das chefias (40 chefias, actualmente, sem contar com equiparados em gabinetes ou comissões).

Tudo isto resulta num aumento da burocracia, dos papéis a circular, do tempo de decisão e da desmotivação dos funcionários.

Esta administração do porto de Lisboa criou, no entanto e ao invés da há muito esperada Divisão de Logística, uma Divisão de Animação e Eventos. Uma clara aposta na imagem, tendo como pano de fundo a “devolução do porto aos lisboetas”.

Todos estes aspectos contribuem para: mostrar o irrealismo das metas propostas pelo Governo (reduzir até 2006 o tempo médio de despacho em 50%; quadruplicar o movimento de contentores nos portos até 2015; auto-suficiência portuária em 2005); para mostrar como as instituições públicas (ou de capitais públicos), mais do que servir o país e os cidadãos, servem para albergar amigos, comparsas e conhecidos; para tornar mais clara a desgraçada tendência nacional para mudar tudo sempre que mudam os executivos e as tutelas; para ilustrar o desinteresse crescente dos cidadãos por aquilo que deveria ser do interesse de todos.

Excertos do texto de Jorge Costa,
em Carga e Transportes
Público, 08Nov2004 (indisponível online)
A sobrevivência dos mais aptos
A insistência no uso do termo “adaptação” quando se refere a teoria darwinista da evolução das espécies faz-me confusão. Ainda mais quando se diz que os animais “fazem adaptação” através da mutação (como se esta fosse voluntária), ao longo das gerações. E transpor isto para as teorias da comunicação, pior. Porque as pessoas se podem adaptar, adaptar as formas de comunicação; mas os animais não se adaptam para uma sobrevivência – isso era o que dizia Lamarck.

As girafas têm o pescoço comprido porque as acácias são altas e então a girafa adaptou-se e desenvolveu um pescoço mais comprido; e depois, pelo princípio da transmissão dos caracteres adquiridos, perpetua-se; e as acácias foram crescendo para fugir às girafas; e isto é (numa abordagem ridícula, é certo) Lamarck.

Darwin disse que somente o mais apto sobrevive. Darwin formulou que a variabilidade é intra-específica (através da mutação, da deriva genética, etc) e daí se selecciona, naturalmente, o indivíduo mais apto. Se este se reproduzir, garante a manutenção da espécie. Ou seja: existiram girafas de pescoço grande e pequeno, umas sobreviveram e outras não; o mesmo para as acácias.

Cuidado com “adaptação”. Obrigado Raul.

segunda-feira, 1 de novembro de 2004

Esta mistura não está bem feita
Jim Jarmush filmou conversas que se têm em volta de café e cigarros. Gosto de café. Não devia gostar de cigarros. Gosto de cinema. Não gostei, especialmente, do filme – faltaram Samuel L. Jackson e John Travolta, discutindo carne de porco na alimentação diária.

Gosto do audio e do visual. E do audiovisual em movimento. Tenho o cinema e o cinema documental – este que, por acaso, passou em Lisboa e eu não vi – como iogurtes de pedaços para o crescimento, o interior. Intelectual ou cultural; individual sim. Ou não pertencesse a uma das gerações do computador. Há delas que são “do livro”, porque era aquele o meio privilegiado de informação. Outras, onde me incluo, são “do computador”, que é o primeiro livro a ser folheado.

Mas também sou das pessoas. Há tempo que tive consciência de um processo de reconhecimento do indivíduo que sou. Dos gostos, das preferências, dos hábitos, isto sem me conhecer bem. Gosto de escolher os filmes que vejo, por exemplo, e de assumir as consequências. Gosto de ter consciência disso. Com as pessoas é diferente, porque não as escolho. Ninguém nos escolhe.

O que me escreveste fez com que desligasse o telefone – fecho essa janela para o meu pequeno mundo, num gesto simbólico de falsa reclusão e que tanto mais significa que o que verdadeiramente quis que significasse no momento em que carreguei no botão e pousei o pequeno objecto em cima da mesa, não lhe tocando mais, como se fosse uma daquelas cartas que trazem más notícias. Só volto a abrir quando o despertador tocar. Porque o que disseste é verdade e sei que te magoei. E isso é um sufoco.

Gosto de pessoas. Invariavelmente me cruzo com alguém que me influencia bastante. Que altera o rumo da minha vida. Ou que contribui para que me detenha um pouco mais olhando a esquerda e a direita, antes de seguir, e escolher. Sem qualquer ordem específica posso recordar-me de algumas letras e efeitos mas há umas poucas que ficarão para sempre gravadas na minha memória.

Uma, fomos a Braga. Apesar da Primavera estava frio e foi a segunda vez que fui acima do Douro, mas acaba sendo a primeira porque a outra não conta porque é só desta que me lembro. O que ali nasceu não mais se quebrou. Outra, foi bem aqui, em Lisboa. E foi quando descobri o coelho da Alice, que corria na estação do metro. Foi também a primeira vez que olhei para dentro de mim.

Estas pessoas que nos ficam, ficam-nos porque trazem sempre uma primeira vez. O princípio fotográfico é mágico por essa mesma razão: só existe uma vez, a primeira.

E pela primeira vez li Almada Negreiros e li de Almada Negreiros uma fotografia genial que escreveu. Como quando a tiramos e depois nos detemos a olhar e a ver. É assim:

«Tinha um pescoço horrível, sem ligação da nuca com as costas. Uma cova em triângulo entre as homoplatas e a falha do pescoço. E aqui a cor era ordinária. Porém, a nuca perfeita de redondeza, nem saliente, nem retraída. O tronco era uma verdadeira maravilha. Era todo o segredo da sua formosura. Os seios hediondos, partidos, duas excrescências inutilizadas. O busto curto mas sólido. Os ombros grandes e largos, levemente subidos. Os braços apertavam desde o ombro até ao pulso por uma forma ridícula e sem distância. As ancas cerradas, entre menina e mulher. A linha dos ombros mais larga do que a das ancas, conforme a robustez do tronco. O ventre, bem posto, era contudo mais admirável do que formoso, mais escultural do que atraente. O umbigo, o sexo, as virilhas, era tudo infantil, inocente. As coxas é que rompiam audaciosas. A cor das coxas era clara e a do ventre incomparavelmente menos clara. Via-se que era filha de uma pessoa muito branca e de outra bastante morena. Mas a mistura não estava bem feita: a sua pele ia desde o mármore rosa-pálido até ao tijolo sujo. As costas, genialmente bem divididas por um único vinco, firme, vertical, helénico, separando duas metades simétricas, amplas, até aos rins longos. Umas nádegas de rapaz. As pernas, se tinham algum atractivo, não pertenciam contudo à maravilha daquele tronco, esse acaso feliz da natureza. As barrigas das pernas, grosseiras, saltimbancanescas. Os joelhos estropiados. Os pés horríveis, o pior de tudo juntamente com as mãos. Estas davam a impressão de não fecharem, desajeitadas, incompletas, mal terminadas, falhas de paciência. Os dedos não se punham direitos. As unhas roídas até para lá do meio. Enfim, as extremidades péssimas. Dir-se-ia que a desordem da sua vida ia dar cabo daquela obra-prima da natureza e começara já a sua destruição pelas extremidades.

A cabeça também era incompleta, mas tinha qualquer beleza que se ligava com o tronco. A testa pequeníssima ao alto e ao largo. Bons cabelos lisos, mal começados na frente, com remoinhos. As orelhas pobres, minúsculas e engraçadas. Uma boca ingénua, sem a sua maldade, e um jeito pândego ao canto da direita. Autentica boca de rua. Bons dentes, curtos, já separados, e as gengivas gastas. Os olhos míopes não davam o encanto que prometiam. O nariz pequeno e perfeito. O perfil desde o fim da testa, com a boca fechada, até ao busto, era formidável de inteireza e de carácter meridional, peninsular, português. Bastante viril e sem por isso ser masculino. (…)

A diferença entre o perfil e a frente era esmagadora. Ela tinha escarrada num focinho animal a triste vida que levava. A fisionomia era canalha e grosseira, e o seu perfil nobre e puro, não cabia ali.»

A miuda do filme da Sofia Coppola era bonita. Branquinha, mas bonita. Não percebi, contudo, qual o fetiche da roupinha colegial. Assim como certamente não vou perceber, amanhã, o Fernando Luís a dizer «a gaja é minha filha», pá.

quarta-feira, 27 de outubro de 2004

IRC, IRS, IVA, IA, IC, CA, SS, TSU... e "não há almoços grátis"
«Sou contra as portagens, porque contribuem para a opacidade fiscal. Pagamos IRC. Pagamos IRS. Pagamos IVA. Pagamos imposto automóvel e imposto sobre o combustível. Pagamos contribuição autárquica e segurança social. Pagamos taxa social única e imposto sobre o tabaco. Pagamos taxas de televisão e de rádio. Pagamos imposto de selo, imposto sobre circulação de veículos e impostos alfandegários. Imposto sobre sucessões e doações e muitos eteceteras que a maioria de nós nem imagina. Por cada imposto cobrado, há imensos impressos, imensos regulamentos internos e imensos funcionários públicos dedicados à cobrança desse imposto. Tantos impostos diferentes traduzem-se num aumento de custos e de burocracias perfeitamente desnecessários. Quanto não se pouparia se, em vez de tantos impostos, se cobrassem apenas uns três ou quatro? Por que há tantos impostos? Por uma razão muito simples. A administração pública não quer que nos consciencializemos dos impostos que pagamos.»
Luís Aguiar-Conraria, no seu blog.

É acerca das portagens nas SCUT e do argumento "não há almoços grátis". Vale a pena ler.
«um desinvestimento de efeitos brutais no ensino superior público»
«… o Governo PSD-PP resolveu, à margem de qualquer debate sobre tão transcendentes questões [processo de Bolonha], adoptar como critério de reforma a versão mais drasticamente desinvestidora, desqualificante e destruidora do ensino superior público. O Estado passaria a financiar unicamente o primeiro grau do ciclo de estudos superiores, reduzido a três anos. Entregaria ao mercado a subsistência dos mestrados e doutoramentos: só quem tivesse capacidade financeira para pagar as propinas proibitivas exigidas para a cobertura das despesas dessas pós-graduações teria acesso a elas.»
Fernando Rosas, 27Out2004 in Público
(não consta da edição online)

O texto, intitulado “Bolonha ou a regressão do ensino superior”, merece leitura atenta. Depois de se ter hipotecado todos os ramos do país, pela falta de apoio ou financiamento, ou pela carga fiscal existente nas mais diversas áreas deste Portugal, hipoteca-se também o ensino superior. Para quê ter gente formada?

terça-feira, 26 de outubro de 2004

Descrédito irreversível do Diário de Notícias
«Os membros eleitos do Conselho de Redacção, confrontados com a inacreditável sucessão de acontecimentos que têm posto o Diário de Notícias na primeira linha da actualidade informativa, pelos piores motivos, manifestam por este meio a sua extrema preocupação pela situação do jornal, que tende a desacreditar-se irreversivelmente perante a opinião pública por razões alheias à vontade, à intervenção e à actuação dos seus jornalistas. (...)

É indesmentível o clima de contínua desmotivação da Redacção perante a evidente degradação da capacidade interventiva da Direcção na elaboração diária do jornal (...)

É evidente a perda de qualidade editorial do DN, patente na elaboração de muitas primeiras páginas. (...)

É preocupante que um dos primeiros actos de gestão da nova Administração tenha sido a abertura de um processo de «rescisões amigáveis», com o objectivo declarado de dispensar mais jornalistas, à semelhança do ocorrido em 2002, que em nada contribuiu — antes pelo contrário — para a resolução dos graves problemas estruturais que têm acelerado a degradação do Diário de Notícias. (...) »

Comunicado do Conselho de Redacção do DN, hoje veiculado pelo Público-Última Hora. Texto integral aqui.

sábado, 23 de outubro de 2004

Sugestão
«Este DocLisboa é uma proposta de oposição construtiva. Sabemos que a actual oferta cultural é pobre, sabemos que as instituições políticas responsáveis por tutelar a qualidade desta oferta não cumprem as suas funções. Por isso, vamos mostrar durante uma semana aquilo que gostaríamos ver regularmente nos cinemas e no prime time dos canais de televisão.»
Cinema documental na Culturgest, ainda para mais a preços convidativos: entre 2,00 e 1,50 euros.
Info em www.doclisboa.org

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

Uma grande nabice
«As portagens nas Scut's são uma grande nabice. As vias de comunicação são, historicamente, um factor desenvolvimento, e no caso português mais se justificava.»
Aconselho a leitura, do texto e dos comentários, aqui.
Eles é a indústria da noite, os processos, as penhoras...
E muito mais?

Noticiou o DN que os bens do gabinete do reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) vão ser penhorados. A acção foi decidida pelo Tribunal do Trabalho, em resolução de um processo levantado por uma professora da instituição, que deliberou o pagamento de uma indemnização no valor de 100 mil euros a seu favor. Ao que parece, a UCP não cumpriu com o contrato que tinha com Maria José Craveiro, passando a pagar-lhe à hora e acabando por despedi-la sem justa causa, depois de ela ter começado a sua tese de doutoramento.

A notícia original está aqui e mereceu uma chamada na primeira página na edição daquele dia do DN. O Público e o Diário Digital, tanto quanto sei, noticiaram posteriormente, porém sem acrescentar dados novos. O Público, de que é director José Manuel Fernandes - que também colabora/lecciona na UCP -, refere o assunto apenas na sua edição on-line "Última-Hora". [Um aparte: responderá isto à sua questão, Professor?]

Mas pela (minha) blogosfera fora, também se escreveu sobre o assunto, nomeadamente no Barnabé.

Ainda no Barnabé se pode ler, mais abaixo, o seguinte:
«Que seria de nós, na verdade, sem os professores da Católica? O negócio é o seguinte: nós contribuímos generosamente para uma instituição que cobra caro pelos seus serviços, foi e continua a ser protegida da concorrência. Em troca, recebemos uns cromos inestimáveis como Braga da Cruz, Mário Pinto ou César das Neves.»

Voltando ao texto publicado pelo DN, cito o seguinte:
«Ao que o DN apurou, existe algum mal-estar entre alguns docentes (...). Motivo de críticas também tem sido o facto de o director da Faculdade de Ciência Humanas, Mário Pinto, ser simultaneamente presidente do Conselho Científico sem que detenha os graus de mestre ou de doutor, contaram ao DN vários docentes.»

Eu apenas digo: interessante e investigável, o comportamento da UCP – nas suas variadas vertentes.
Novas mudanças no Grupo PT
O Jornal de Negócios avançou, há dias, com a notícia de que Clara Ferreira Alves será a nova directora do Diário de Notícias. A verificar-se, seria a primeira mulher no cargo, em cento e alguns anos.

Na edição desta semana, o Expresso confirma e acrescenta Pedro Rolo Duarte como sub-director.

Hoje, o Diário Económico desmente: «O presidente da comissão executiva da PT (...) desmente qualquer decisão no sentido de mudar o actual director do Diário de Notícias»

Em que ficamos?
A liberdade de expressão tem destas coisas
«Miguel Sousa Tavares tem a certeza que Marcelo Rebelo de Sousa saiu da TVI por pressão do Governo. Mesmo assim continua comentador. Que saudades de Francisco Sousa Tavares.»
António Ribeiro Ferreira,
in DN nº1273

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Ecos de um fim-de-semana impresso

[o “caso” Marcelo Rebelo de Sousa] «É um ‘case study’ para quem se interesse pelo liberalismo e suas perversões. Ou para quem estude jornalismo e tenha ilusões.»
Pedro Rolo Duarte,
DNa 15Out2004


«Acho que a música chill out é bastante fria, é uma coisa que funciona bem como música ambiente mas, se queremos emoções diferentes na música é preciso ir procurar outras coisas, outra música.

(…) jazz dos anos 50 e 60, que me influencia bastante e tem um lugar muito importante no meu coração e na minha vida.»
Nicola Conte,
em entrevista ao DnMúsica, sobre o seu novo disco, Other Directions

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

«Mas, pior que tudo, é um dia Paes do Amaral ter que se haver com um Presidente da República que despediu da própria empresa.»

Curiosa, a crónica de António Freitas de Sousa, no Diário Económico (08Out2004)

quinta-feira, 7 de outubro de 2004

«Ele [Jorge Sampaio] não percebeu o tipo de gente a que deu posse»
Miguel Sousa Tavares,
in Público 07Out2004

De longe, o melhor que já li, em relação ao XVI Governo Constitucional português.
Mas há mais:


«(...) persistem em Portugal dois males antigos que fazem com que sejamos uma democracia pouco liberal. Primeiro, porque as tentações de os governos controlarem a informação não desapareceram, antes recrudesceram com o actual Executivo, e o império da PT- criado sob o PS, alimentado e protegido pelo PSD - permite ter uma terrível arma de intervenção capaz de condicionar mesmo os grupos privados, na televisão e não só.
(...) um governo acossado e fraco, desorientado e acéfalo, incapaz de resistir à tentação da manipulação e desesperado por não perceber que o mal não está em quem divulga as más notícias, mas em quem lhes dá origem: eles próprios.»
José Manuel Fernandes,
in Público 07Out2004


«Se somarmos a tudo isto o controlo da televisão e da rádio públicas, que já vinha do anterior Governo, as mudanças que se estão a dar nas chefias no grupo Lusomundo dependente da PT, colocando todo seu sector mediático sob o controlo de Luís Delgado, um jornalista cuja promoção não tem outra explicação que não seja o seu proselitismo político, usando instrumentos que o PS preparou com o mesmo objectivo de controlo, o panorama é preocupante. Existem ainda suspeitas de pressões políticas e económicas sobre os grupos empresariais de comunicação, para que se "portem bem", escassamente conhecidas fora das administrações do sector e escapando ao escrutínio público.
(...)
Mais uma vez se verifica que o nosso estado tem uma presença excessiva na comunicação social, que tudo está demasiado partidarizado e que quem tem o poder nunca o cede e usa-o. O PS fê-lo, o PSD está agora a fazê-lo.
(...)
Quando um membro do Governo apela a que a Alta-Autoridade para a Comunicação Social interfira na liberdade de opinião, tal como é expressa numa televisão privada, está a exigir censura do que lhe é incómodo.
(...)
Marcelo é previsível nas suas críticas e nos seus silêncios, nos seus venenos e nos seus ajustes de contas, nas suas verdades e nas suas meia-verdades, só que uma coisa é ter do outro lado alguém convicto do que está a fazer, ou sabendo o que está a fazer, e outra alguém que se desintegra de medo perante o "professor".»
José Pacheco Pereira,
in Público 07Out2004


«(...) convém impedir que quem discorde fale. Já o núcleo do PSD do Norte, constituído, como se sabe, por algumas das maiores cabeças do país (estou a falar do tamanho, claro), tinha vindo mostrar toda a sua indignação com os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa. Não basta ser-se do partido do Governo, é preciso aparecer como porta-voz do pensamento do Governo. O que a médio prazo pode levar à esquizofrenia, dado que o Governo tem em si pensamentos diversos, e o próprio Santana Lopes pensa coisas diferentes no mesmo dia (o que mostra como é um espaço de liberdade e pluralismo). Desta vez, temos o extraordinário Rui Gomes da Silva, espaldado por Morais Sarmento num dos seus momentos menos felizes, a começar por exigir que se moderem os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Estes comentários são hoje uma verdadeira instituição nacional, e com o apoio de gente desnorteada como o referido ministro (vão lá arranjar "contraditório" para esta afirmação...) arriscam-se a valer tanto como um partido político. Cabeças mais atiladas devem ter explicado, aparentemente com êxito, que afirmações destas não se fazem e que Gomes da Silva estava a criar um caso político onde ele não existia. O que só se compreende porque Marcelo, ao comentar a constituição deste sempre surpreendente Governo, traçou um retrato pouco abonatório deste admirável governante a quem o país tanto deve. O caso veio acrescentar-se ao clima de proibições que se pretende instalar: regulação de horários de discotecas, proibição de mini-saias numa escola de Colares, e agora tentativa de impor a Marcelo um contraditório. E ainda veremos o PSD do Norte propor que cada comentador de um jornal tenha o seu contraditório - que poderá mesmo ser um polícia de serviço.»
Eduardo Prado Coelho,
in Público 07Out2004
(Toda a crónica de EPC está, aliás, deliciosa.)


Não consegui aceder ao DN na internet...


«O director-geral e de informação da TVI [José Eduardo Moniz] tem a esperança de voltar a ter Marcelo Rebelo de Sousa nos ecrãs da estação televisiva. José Eduardo Moniz disse, no Fórum da TSF, que espera que a saída do comentador político seja “um equívoco”.»
in TSF,
07Out2004


«(...) Pedro Santana Lopes transformou o adversário num herói. Criou uma celebridade, vestindo o lobo com pele de cordeiro.»
Raúl Vaz,
in Diário Económico 07Out2004

quinta-feira, 30 de setembro de 2004

A vida é um milagre
(um filme de Emir Kusturica)

O que há a dizer?

terça-feira, 21 de setembro de 2004

“Eu tenho, tu tens, ele tem, nós temos, vós tendes e eles têm”, é assim que leio no dicionário. Na puta da minha cartilha de Primária vinha errado. Mais ou menos assim: “eu terei, tu tens, ele tem, nós teríamos, vós tendes e eles têm”.
Sacana do Amaral!...

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

Este filme já passou na minha sala.
Como será que acaba desta vez?

terça-feira, 14 de setembro de 2004

Melhor proposta pode ir até aos 390,60 euros
Salário mínimo mais longe dos Quinze
O salário mínimo nacional português é muito mais baixo do que em Espanha e na Grécia. E continuará atrás, mesmo que o Governo aceite a proposta mais arrojada de aumento.
Agência Financeira

--- Adoro estas boas notícias...
Luís Delgado deverá suceder a Granadeiro na Lusomundo
«O administrador-delegado da Lusa, Luís Delgado, deverá suceder a Henrique Granadeiro na presidência da Lusomundo Media, que detém títulos como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o 24 Horas e a TSF.
Henrique Granadeiro foi nomeado presidente do conselho de administração da Fundação Portuguesa Telecom. A PT decidiu também criar um conselho editorial para a Lusomundo, que deverá ser dirigido, por Mário Bettencourt Resendes.»
Diário Económico, 14Set2004

--- Mas está tudo louco? Mais um tacho para o Delgado? Para o Luís Delgado? O Luís Delgado?

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

Lição de humanidade em 39 minutos, foi o que foi. O Homem é um ser social, mas socialmente egoísta e mostraste-me como contrariar isso mesmo. E como se deve começar por aqueles que estão mais perto. Porque o amor é transversal.

Vivo num eterno depois, quando deveria fazê-lo sim no agora. E como isso me incomoda. Tal como Miles, que adoro e bebo sempre, mas que é impossível fazer acompanhar de letras. Porque estas pedem acordes electrónicos e vozes quentes.

Há semanas que não leio os meus habituais de sábado. Há meses que não vou lá, com tempo de espreitar o mar e simplesmente respirar. Há muito que não te vejo.

domingo, 5 de setembro de 2004

É estranho, nevoeiro em tempo de verão. Tolda-me a visão, não vejo a poucos metros mais, mas não é claro como o de Dezembro ou Janeiro. Esse é água. Este é escuro. Não me recordo o dia em que se abateu tanto no vale como no pico, mas sei que não levanta. E já me perdi. Desde que chegou que não sei por onde ir.

terça-feira, 24 de agosto de 2004

...requesting some enlightenment...

sexta-feira, 30 de julho de 2004

«… as pessoas estão abananadas…»
Horário nobre na televisão portuguesa e no noticiário da SIC, a repórter, em directo, ao telefone de um local onde um forte incêncio lavrava, proferiu essa fantástica sequência de palavras. Ora, abananar é dar forma ou gosto de banana; aturdir; espantar; perder a energia; aparvalhar-se. É tudo isto, sim senhor. Mas, em jornalismo?

As vagas de incêndios têm esta particularidade, em Portugal: protenciam autênticos atentados ao jornalismo. Quando o país arde, é ver repórteres relatando horrores, em pânico e por isso sobressaltando quem os vê e ouve. Uma autêntica palhaçada. E palhaços são os editores e chefes de redacção que os destacam para aqueles cenários, para fazerem aquele tipo de reportagem. E palhaços são também aqueles ditos jornalistas que, com ou sem experiência, estão para ali fazendo e dizendo parvoíces, dificultando as movimentações, interrogando os populares das formas mais estapafúrdias, tossindo do fumo, louvando o Canadair e a descarga que fez mesmo em cima das suas cabeças vazias e agora molhadas.

Palhaçada: acto ou dito de palhaço; cena ridícula e burlesca; mascarada; grupo de palhaços.

sábado, 24 de julho de 2004

«sabiam que o que faziam nascia do que os desfazia»
Os Lamb vão acabar? Não me surpreende. É pôr cobro a um vazio criativo que há anos sofria, gritava e gemia em discos iguais e secos.

«A relação entre Andy Barlow e Louise Rhodes sempre foi volátil. Altamente instável. Perigosa para quem se encontrava à volta. O "background" musical era muito diverso: o multi-instrumentista vinha da área da electrónica de dança, a vocalista do folk. Ela é dez anos mais velha do que ele. Mas foi da dificuldade de relacionamento e das díspares expectativas estéticas que se construiu uma carreira tão singular como a do duo inglês.» Eurico Monchique, Y

Não se enganem: eu gosto, gostei, dos Lamb. Sobretudo quando os conheci e pela maneira como me chegaram - através de uma remistura dos Fila Brazillia para "Cotton Wool", no The Rebirth Of Cool vol.6, de 1996.

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Aula de jornalismo
"Manual" para uma entrevista: texto e áudio 
Em dia que para mim foi de World Press Photo no CCB e pouco mais, Amália faria anos e Carlos Paredes partiu - recordo-lhe "Verdes Anos" e logo me surge o ferry vagaroso no Tejo, ao fim do dia, de um dia em que lá ao fundo o céu fique alaranjado, atracando no cais da margem norte ou sul, que tanto faz pois a magia é a mesma.

Comprei jornais, dois, mas só lhes li umas poucas páginas. Fica para amanhã.

Durante uma hora e meia vi um clássico.

Noite dentro, cruzei-me com as duzentas e algumas páginas do Programa do 16º Governo Constitucional, aka A Palhaçada. Guardei-o, porque electrónico, mas sem motivo. Não o lerei, não.

Quase no fim de tudo, o arquivo de programas da TSF. Uma pérola! Disponível à distância de um clique e deveras interessante. A explorar.

E hoje soube a pouco *

segunda-feira, 19 de julho de 2004

«A política já tinha batido no fundo - faltava alguém que lhe atirasse terra para cima e nos explicasse  o que vale o nosso voto, o que vale o tempo perdido a ouvir um homem gritar "se eu ganhar eu faço..."»
PRD, DNa
 
Um excelente suplemento de imprensa e alguém que começo a ganhar o hábito de ler... e concordar. 

sábado, 17 de julho de 2004

O objectivo era fazer música, com toda a bagagem de quem já leva uns anos no ofício. O jazz, categorização que se não lhes impõem, veio porque os três gostam do género e porque queriam fazer música instrumental, em parte improvisada. “Esquece Tudo O Que Aprendeste” é o resultado, o disco de estreia dos DEP, colectivo formado pelos músicos portuenses Danim, Eduardo e Peixe. 
» i'm back in the business, here 
 
Nem o epíteto Cool serviu para aligeirar a faixa etária do público que na quente noite de 13 se deslocou ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para ouvir Jacinta, num excelente concerto no âmbito do Cool Jazz Fest (CJF). 
» and here 

sexta-feira, 9 de julho de 2004

«Mas agora, quando por fim nos disseram que a luz estava ao fundo do túnel, percebemos que a luz era, afinal, a de um comboio em sentido contrário pronto a dar-nos cabo do caminho. (...) Quem vem dentro desse comboio? Aparentemente, todos os que o apanharam em andamento no instante em que Durão Barroso decidiu emigrar. Na política, a arte de apanhar o comboio em andamento é uma habilidade própria de artistas de circo.»
PRD | DNa

domingo, 4 de julho de 2004

30x diazepam 10mg
Volta e meia e é o mesmo. As meias tintas. O costume.

Quando me confronto com isto, o estômago fica vazio, o coração abranda, os olhos param, as mãos apertam-se. Boneco de trapos e uma tesoura de autópsia que me corta e tira toda a espuma que me enche. Espuma de mar, volátil.

As interrogações, são as mesmas. E quantas...

Nada que o tempo não resolva, claro está. Já que não tenho coragem para o fazer. Cobarde.

A coisa que tem que ver com nada mas que acaba tendo que ver com tudo. Extraordinário, o processo, despoletado por uma insignificância material, que se relaciona com um terceiro e um grande prejuizo pessoal. E explicar, ter que descodificar, tentar tornar ligeiramente perceptível o impercebível, suportando-me em argumentos vazios, porque virtuais, mesmo apesar dos discos físicos e de uma caixa de alumínio. E que menor é tudo isto.

sábado, 3 de julho de 2004

one day, some day, what day?

sexta-feira, 2 de julho de 2004

«It's a social thing. It's not like we're drug addicts or something.»

Anything Else, 2003, Woody Allen

sábado, 26 de junho de 2004

«Quem não perceber a relação íntima
entre o cagalhão e o limão não percebe nada»

«(…) O que me traz aos ovos. Hoje em dia é proibido mencionar que as galinhas têm cu – mas têm. É por onde saem os ovos, desculpem lá. (...)»
Miguel Esteves Cardoso, DNa

E do DNa digo: foi premiado internacionalmente, mais uma vez, como excelente produto de imprensa que é.

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«(…) Nós somos um povo triste. Não sabemos rir. Não sabemos aplaudir. Não sabemos incentivar as pessoas. Somos um povo triste e envergonhado e isso não sei de onde é que vem. Os espanhóis são alegres, têm as castanholas. Nós ouvimos o fado em silêncio. “Silêncio que se vai cantar o fado”! Quando o que nós deveríamos fazer era falar muito. Mas não sabemos improvisar. Qualquer brasileiro fala praí uma hora, que nunca mais acaba. Nós não.»
Eládio Clímaco, em entrevista à 365

E da 365 digo, neste #15, que outro também não conheço: artistas armados ao pingarelho, a 10 mil exemplares todos os meses. É barrete que não enfio outra vez.

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Que é feito da Paula Moura Pinheiro?
Digo eu, da Grande Reportagem

E da GR digo: ainda não terminei.

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Continuam a faltar: All Jazz, Volta ao Mundo, Egoísta, Epícur, Sábado e Os Fazedores de Letras #58, assim que me lembre.

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É aproveitar, isto e o Euro, porque os próximos meses serão:
- um website e uma revista, num desafio pessoal extremamente aliciante, além de muito duro;
- voltar a escrever sobre jazz, sobre música (e começa já com uma entrevista, na 3ª-feira, a um novo colectivo jazzístico) para um meio de comunicação electrónico, o que me deixou tremendamente motivado;
- pouca praia, pois então.