quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Uma lamentável cena de pugilato
Em Guimarães, onde não se come peixe. O robalo tinha para aí uns dois quilos, era do mar, grande, e demorou a assar. Não é qualquer pessoa que assa bem um peixe daquele tamanho, por isso há que ser um homem da faina. O empregado disse logo “esse mais pequeno é de viveiro, como a dourada”. Eu não percebo, respeitando, a opção pela dourada. Nem quando é ‘ao sal’. Foi alimentada a farinhas, viveu sem desfrutar da paisagem do fundo dos mares e andou a curta vida toda à cabeçada com as outras douradas. E raramente sabe a alguma coisa. Mas que é um belo negócio, deve ser. Aquele robalo também foi, para o restaurante, mas o dinheiro foi muito bem empregue. Chegou-nos aberto ao meio, escalado, amarelo por dentro e do outro lado com a pele quase seca e estaladiça mas não estorricada, gigante, a cabeça e o rabo de fora da travessa. Sem azeite ou limão, apenas com o sal que levou na grelha, soube genuinamente a peixe, a um peixe que não é gordo, que é branco e suculento. Que é o mesmo que dizer: ‘soube’, por oposição a ‘não ter gosto’. O bom robalo acompanha-se só com vinho branco, que as batatas, os legumes ou a salada podem bem esperar e seguir depois, à laia de entretenha até que os outros acabem, e o Prova Régia foi uma bela descoberta, ali de Bucelas, monocasta arinto, fresco, frutado, embora um pedacinho ácido, com apontamentos pouco habituais de maracujá e suor humano, e isto já escreve o crítico Pedro Gomes, porque eu não senti nada disso nem cheirava mal, o de 2006 melhor que o de 2007 — sim, foram duas garrafas — e se for comprado no supermercado, que também lá o há, sabe trezentos por cento melhor, na exacta proporção da metidela de unha dos estabelecimentos de restauração e comércio de bebidas, pois é um vinho muito em conta nas grandes superfícies. Na Barraca, em Burgau, a caminho de Vila do Bispo, há bom peixe fresco, turistas ingleses parvos e barulhentos, e “monkfish with rice” que é arroz de tamboril. Fica junto à praia, bem lá em baixo, não tem nada que ver que não seja a vista de mar, a luz é fluorescente e os guardanapos de papel, não há cá requintes. Nem há peixe: há pêxe. De resto, os dias em Lagos foram, desta vez, assim: menu único. Se tinha espinhas ou concha, comia-se. Sardinhas — há todo um conhecimento sobre a subespécie que habita as águas do Algarve, diferente das que se encontram cá por cima, mas que eu não domino a não ser na constatação do palato —, amêijoas, batatas de molho frio, mexilhões e melão branco. E pela primeira vez um misto algarvio: alfarroba, amêndoa e figo, três camadas diferentes de cor e de sabor, cuja ordem e proporção não recordo, dispostas numa forma baixa das que se usam para as tartes, uma sobremesa servida à fatia e que não é doce mas é saborosa pelo contraste intenso do figo, que é escuro e tem grainhas, do travo levemente amargo da amêndoa, e do aroma frutado da alfarroba — é o melhor que consigo, à distância de dias. Ficaram adiados os perceves, os salmonetes ou as cavalas. Enfim, para uma outra vez, que não sei quando será. Antigamente era uma vez por ano e logo um mês inteiro. Eram as férias, quando as coisas tinham outro cheiro, outras pessoas, outros ritmos, outros afazeres de cá e de lá. Era outra vida. Afugentar as gaivotas na Meia Praia às oito e meia da manhã, comer melancia depois do almoço, dormir a sesta, andar de bicicleta, os cães e a padaria, brincar na rua até tarde, ouvir o comboio ao longe nas noites quentes de calmaria. Depois cresce-se, as pessoas desaparecem, mudam-se as vontades e as coisas parece que perdem sentido. Mesmo com maiores facilidades em ir e estar. Só que as facilidades não são nada. Lagos, no entanto, continua sendo uma cidade bem bonita. Como Guimarães, que nos surpreendeu a todos pela convivência entre a jovialidade das gentes e a antiguidade dos espaços. É também de onde temos a maior parte das fotografias destes dias porque depois, na aldeia de Carvalhais, andaremos todos muito ocupados a (tentar) dançar e a máquina, embora à cintura, nem sairá da bolsa. Reza, contudo, que nem foi por alguma bolsa que, no Convívio, dois sujeitos se pegaram à pancada por volta das três da manhã, hora de muita cerveja bebida, na fila para a casa de banho. O Convívio é uma associação cultural que explora um bar e passou-se tudo diante do João. Se tivesse sobrado para o lado dele tinha apanhado, que os reflexos já estavam cansados. Uma lamentável cena de pugilato que deu por terminada a festa, um duelo de pôr-do-sol com discos na vez das pistolas, daqueles que recua dez passos e dispara o teu melhor hit do rock de sempre com didjeis de dois bares a ver quem animava mais. À custa dos boxeurs terminou antecipadamente às cinco da manhã, uma boa hora para ir comer hambúrgueres ao tio Júlio, que nunca fecha mesmo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

eisdruxúla? nem nunca ouvi falá
Suspeito que o Malato também não e isso não faz dele menos homem. Mas eu também não o conheço. Eu nunca fui à televisão. O João já foi umas três vezes, tirando as outras em que participou como actor numa série. Destas três vezes foi fazer coisas sérias. Ontem, por exemplo, foi lá falar das notícias dos jornais. Acho que isto, acho que aquilo, gostei de ler isto e esta fotografia é muito boa porque. O João foi convidado porque faz filmes. É realizador. E é meu amigo. E enche-me de orgulho. Ele e outra malta, cá dos nossos, que fazem filmes com ele e sozinhos. Mas filmes dos bons, que eles não brincam em serviço. Como os taxistas. Gente séria. Faça oito, preciso do recibo, e ele escreve sete euros e cinquenta e cinco cêntimos. Eu sou um mãos largas. Esta noite deixei no bar do São Jorge cinquenta cêntimos, para facilitar os trocos. E não bebi mais uma cerveja por isso. Venha cá buscar daqui a pouco — iá, lembraste-te? Gosto de dar. Um pouco como o António Costa. O tipo agora mandou pintar de amarelo e rodear de pilaretes de plástico uma série de lugares de estacionamento para motas um pouco por toda a cidade. Agradecido. Ou agradado? Não, isso é como teria ficado se não tivesses cancelado o encontro à hora, depois de me ter virado do avesso para chegar, aliás, depois de ter chegado!, depois de uma maratona, depois de ter faltado a duas pessoas derivado da saída tardia e ter ficado chateado com isso, era mesmo o que me estava a apetecer, um chá frio e conversa à janela. Em vez disso, uma sande de panado ao balcão com dois motoristas e um brasileiro a ouvir o Malato da televisão. A resposta era ‘lâmpada’. Mas eu também me estou a cagar pró acordo ortográfico, portanto, estamos quites. Não volto a discutir gramática misturada com mostarda e cerveja. Mais mostarda do que cerveja, no bigode, próximo do nariz, que é onde a mostarda não pode estar.


Porra, tenho mesmo que ir buscar o relógio ao relojoeiro.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Eu às vezes repito-me
Isto dos manifestos é como contar manifestantes nas ruas. Há um procedimento — não se lhe pode chamar método — que consiste em, de olho direito fechado, que melhora a mira, juntar um grupinho de dez cabeças e tentar reproduzi-lo pela mancha total de cabeças. Deu vinte grupinhos semelhantes ao primeiro? São duzentos manifestantes. Deu entre trinta e cinquenta? São cerca de quatrocentos. Deu bué e enchem assim tipo uma avenida? São cem mil e são professores. Falível, portanto. Um bocado como contar a malta que escreve e subscreve manifestos aos partidos políticos. E em pouco mais de um mês surgiram seis — o livro do Pedro Santana Lopes, “a cidade é de todos”, ed. Leya, não conta, ok? Seis manifestos ou cartas abertas, subscritos por vinte e oito economistas, por catorze intelectuais, por dezenas de personalidades ligadas à cultura, e hoje por mais de sessenta pessoas — arrisco reduzi-los a pessoas — que assinam uma “carta de católicos” aos partidos. Vistos os nomes, quando os há todos e não apenas aquilo das personalidades como fulano de tal, uma dúzia são repetentes e os outros são os primos convencidos ao jantar.

Os repetentes, os que assinam vários manifestos, são sempre ex-qualquer coisa, ex-ministro, ou actual-qualquer coisa, como deputado, geralmente deputado independente eleito nas listas do PS, professor universitário, presidente desta associação ou fundação, músico ou qualquer outra coisa que lhes dê relevância. São figuras com visibilidade e isso faz parte da lógica do manifesto. Ou então são os que chumbaram de ano, que há tempos que tentam chegar a algum lugar, sem sucesso. Invariavelmente estão ligados aos partidos. Mas são poucos e são sempre os mesmos. Há um mês estive no congresso da SEDES, essa referência pela antiguidade e por nunca se ter transformado em partido, por recolher um leque de personalidades de relevo, por publicar umas “tomadas de posição” e tal. O congresso tinha menos gente que algumas aulas daquelas cadeiras mesmo chatas lá na faculdade, onde nem reprovar por faltas era incentivo suficiente. Poucos, muito poucos. Poucos mas com peso, porque tudo estremece quando tomam posição. Mas poucos. E todos, ou quase todos, com uma coisa em comum: currículo no exercício da cidadania, quase sempre com início naquele pedaço da nossa história que foi o regime não democrático ou os tempos da transição — os tempos da urgência em ter posição, em agir, em fazer coisas. E já me estou a repetir.

Eu não tenho nada contra os manifestantes dos manifestos. Mesmo que sejam os mesmos dos partidos, das associações, dos blogues, das colunas nos jornais, dos espaços de debate e comentário nas televisões, de todo o espectro mediático, de toda a opinião publicada — não, nunca vi, nem sei bem se quero ver, o novo programa do Pacheco Pereira (ai jesus, vénia, não é?...) na SIC Notícias —, os mesmos das tertúlias, das palestras e das conferências, das apresentações de livros ao final da tarde, das inaugurações, dos comissariados, de tudo e de nada. Nada contra. É que, no final, se até eles ficarem quietos isto deixa de existir. Mas onde é que vocês estão, pá? Sim vocês. Onde é que nós estamos? Alguém quer fazer alguma coisa? Ninguém quer agitar esta merda? Está muito calor, é? Olha que no final até é divertido, porra...

domingo, 19 de julho de 2009

Eu nunca estive em Santo Tirso, eu ando a ler sobre cidades
Não sei se existe algum segredo para cozer bem camarões, mas prometo averiguar. Camarões é aquela coisa que eu até gosto de comer, se fritos com alho, ou cozidos e servidos com sal, limão e gelo, na esplanada aqui de casa, à tarde e acompanhados de cerveja gelada, mas que bem dispenso fazer. Um pouco como os bolos: comer sim, fazer não. Sei que há receitas simples e boas, mas mesmo assim. Depois, dá nisto: a minha avó fazia um bolo de leite que nunca mais comi, a minha mãe faz um de laranja que há anos não como e o de chocolate, grande e fofo, já só lhe recordo a imagem da forma quase a transbordar. A torta de laranja vai pelo mesmo caminho, mas desta sei que a receita do chefe Silva foi acrescentada de precioso saber e de um creme para o recheio que não lhe pertencia mas que se revelou imprescindível para o Natal. O Natal perdeu a cor, já não sei em que ano. Mas recordo-me de folhear Teleculinárias que custaram dois escudos e cinquenta centavos. Também não sei em que número está a receita da torta e em que noutro a do recheio. Nem tão-pouco onde estão as revistas. Mas tenho na memória que o salame de chocolate leva bolacha Maria da Triunfo e vinho do Porto na prata, e que o bolo de bolacha, para ser sério, se faz com manteiga. Já o arroz doce... bem, ando farto do que se vende no bar do senhor Rui, agora que voltei a comer por lá, e não esqueço o cheiro daquele que fazia a dona Regina. Também me recordo de a ver passar a roupa a ferro. Eu passo as minhas camisas a ferro. Ando é preguiçoso, ou então é do calor, e deixei de fazer as maratonas de domingo à noite, o que me obriga a engomá-las de manhã, meio à pressa. Engomar, que é como quem diz.

Adoro o teu sorriso. Ficava horas a olhar para ele. Sorrisos como o teu só existem nas cidades. Nas cidades onde as pessoas vivem e trabalham, onde andam a pé, onde se encontram e onde dão encontrões. A boa cidade é aquela de onde as pessoas saem para ir passear quando conscientemente não querem passear na cidade, porque na boa cidade as pessoas não saem para ir dormir a outro lado, nem chegam de fora pela manhã, porque é ali, na boa cidade, que vivem. A boa cidade é a cidade de Baudelaire, a cidade dos entusiastas, onde se baixam as defesas porque se sente em casa, onde se sendo entusiasta se entusiasma com o que se vê acontecer dentro daquela porta, por detrás daquela montra, naquela rua, naquele sítio àquela hora, sítios e pessoas que fazem a boa cidade, onde um pouco de caos humano nas ruas nos faz esbarrar contigo e com os outros, boa confusão sem buzinas nem fumos, ou pelo menos sem se estar dentro dos automóveis que buzinam e deitam fumo, boa confusão que cria laços onde se pode ser caçado, tropeçar, onde se pode ser curioso, onde se pode observar, provar, saborear. Não, eu não ando a ler manifestos autárquicos. Podia andar, mas não ando. E não ando só porque depois tinha de escrever que o Terreiro do Paço, aos domingos, é das pessoas mas o Martinho da Arcada tem as portas fechadas, ou tantas outras coisas — isto estava a correr tão bem.

Diz que em Santo Tirso há um doce, ou um bolo, não sei bem, porque nunca estive em Santo Tirso, que se chama limonete. Eu não conheço, mas vou tentar provar. Já tenho o mapa para chegar à confeitaria Moura.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Da bifana, ou como detesto que uma mulher me deixe pendurado
Uma bifana grelhada faz logo diferença. Não só porque é mais saudável, no que há de saudável numa bifana no pão, mas porque sabe diferente. Uma bifana para levar à grelha deve ser temperada com sal, uma pitada pouca de pimenta, alho esmagado e sumo de limão. Ah e tal o sumo de limão usa-se é no peru e noutras aves — aqui não há dogmas. Depois é levar à grelha, deixar corar e virar na hora certa, que é aquela antes de a bifana ficar seca, rija e estorricada. A grelha preserva o sabor. A grelha deve ser de arame, mas isto qualquer assador de verão já sabe. Evitem uma bifana mal passada, porque é porco e porque não sabe bem, mas nunca peçam “bem passada, se faz favor”, que isso é deitar por terra todos os cuidados anteriores. Também não se pode ceder à tentação de comprar bifana barata, e isto já fica à consideração dos players do sector — haverá poucas coisas piores que uma bifana cheia de nervuras ou de gordura, e se tiver dúvidas, senhor gerente, pense em si, na sua fominha, na hora avançada, e numa trinca à pitbull que não larga, não larga, não larga. Não é fixe. O papel do pão não pode ser desprezado. Não deve ser carcaça, não pode ser bola de mistura muito maçuda — neste blogue faz-se língua — e não deve ser torrado, mas deve, sim, ter pouco miolo que deve ser apenas aquecido e nem pensem em tostar a côdea, que isso estraga a fofura. É que há uma série de inconvenientes numa bifana estaladiça e um deles é a mostarda a espirrar, algo que é de evitar, sobretudo se tivermos em conta que a bifana antecede o cinema, o concerto, o teatro, os copos ou coisa que o valha na sua qualidade de refeição rápida, e para essas coisas todas convém ir impecável, mais ainda se não houve tempo para passar em casa para um duche depois de um dia de árduo labor. A mostarda, dizia, é de amores e por mim é bastante. Há quem não aprecie e eu respeito, assunto encerrado. Agora, não me dêem é mostarda sem rótulo, que eu não vou nessa. Com jeito pode juntar-se umas fatias de queijo flamengo — o edam é magro e aquele muito amarelo dos hambúrgueres serve para isso mesmo, hambúrgueres — e temos uma bifana com queijo, ou um ovo estrelado, bem passado, para a gema não emporcalhar tudo, ou ainda cebola levemente refogada, mas tudo separado, hein?!, uma bifana com cada coisa, bem entendido. A bifana acompanha-se com imperial e dois euros e sessenta, vá lá, dois euros e oitenta, é mais do que um preço aceitável. Nada disto acontece na Portugália, onde até a bifana mergulha no molho de manteiga. Tudo isto acontece na Bela Ipanema, o oásis em tempo de Indie Lisboa, de festa do cinema francês, brasileiro, africano, ou de um concerto, ao lado do São Jorge, caraças que já não vou conseguir jantar e estou super atrasado — calma. Fecha à meia noite, há que saber que a cozinheira só trabalha até às onze, e mesmo com casa cheia o serviço é rápido e simpático. Esqueçam, no entanto, o pastel de nata: a massa é grossa, pouco folhada, tem demasiada gordura, e o recheio sabe a Maizena — quem te avisa, teu amigo é. À confiança na sopinha de agrião. Pode pagar-se com senhas Euroticket. Para tirar o cheiro a alho, Sagres.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Passaram duas semanas desde que te vi e o que eu queria mesmo era ser o Lourenço Viegas
Qual é o segredo de umas boas migas? O alho? O limão? O azeite? Os coentros? Faz hoje duas semanas que há umas migas óptimas no Sinal Vermelho. Ali tudo vai bem com migas. Fica no Bairro Alto, próximo da Severa. É perguntar. Eles são minhotos — e eu tenho má memória — e parece que isso é fundamental. Quer dizer, admito que a doutrina possa divergir neste ponto para o Alentejo, que os alentejanos também as sabem fazer. Se és alentejano e proprietário de um belo restaurante, faz-me umas migas e convida-me, a caixinha dos comentários está aí para isso. Agora, e para que não haja dúvidas, as sardinhas são algarvias. Como as cigarrilhas são cubanas e Partagas. É daquelas coisas. Até sardinhas eu como acompanhadas de umas migas daquelas. Menu de verão — e esta já dei de barato. Como a minha receita de ovos mexidos com cogumelos frescos, para comer à uma da manhã, que tenho espalhado por aí, e que n’A Travessa se chama ‘ovos mexidos com cogumelos selvagens’ e serve-se antes da perdiz, que custa uma pipa, mas vale tanto a pena. É que n’A Travessa, do Convento das Bernardas, tudo é bom, e o campeonato é outro, o das notas amarelas. Mas como dessas não há muitas para sair amiúde a Filipa teve uma bela ideia, que foi a ideia da Tânia, que está feita para um grupinho que experimente umas três entradas, uns três pratos e beba vinho a copo. Para petiscar ao domingo à noite está tudo estragado: só se sai de lá para fechar a casa. Na Taberna Ideal, na Rua da Esperança, quem sofre é a segunda-feira, não há fé que lhe valha. E como eu tenho má memória não recordo o nome, nem das entradas, nem daquela coisa de milho com bacalhau. Aliás, já nem sei se era milho e bacalhau. É por estas, e por outras, que nunca serei um Lourenço Viegas. O Lourenço Viegas é o crítico da Time Out. Se calhar é um gajo mais famoso que isso, mas eu não saberei. Eu não compro a Time Out, mas volta e meia aparece uma aqui em casa. Ao início, há um ano?, comprava. Tinha na memória, a mesma que é má, as críticas — eram mais crónicas, mas pronto — do Miguel Esteves Cardoso à volta de pratos, mercados, restaurantes e cozinhados, e o Lourenço Viegas fez-me comprar a revista só para voltar a ler excelente prosa sobre comida. Quer dizer, é de dias, como dos pratos. Mas, meu, gosto muito do teu trabalho. E já agora: alguma vez escreveste sobre O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo? Que ideia é aquela da bolacha, ou do suspiro, a meio do bolo pá? O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo ainda carece de uma segunda prova — será quando te levar uma fatia ao Carmo assim de surpresa, Cátia, está prometido — mas à primeira digo que, no limite, é o melhor de Campo de Ourique. Mais que isso é arriscar um bocado: como ir aos bolos da João XXI às três da manhã com um apetite gigante de pastéis de nata e esperar que sejam bons. Lá está, é arriscar. Por outro lado, seguro seguro é o croissant doce do Careca. Pequeno, quentinho, o açúcar por cima meio derretido, com queijo e manteiga e um copo de leite frio, só para o lanche, que de manhã é uma bomba e pode até enjoar, e o croissant do Careca não merece isso. Para enjoadinho já basta o dono, um tal de senhor António, raça do homem. Rua de Pedrouços e tal, virar à direita no coiso — se não der é porque são betos e vêm de Cascais, e então é à esquerda — e procurar o toldo a dizer ‘pastelaria do Restelo’. Sim, eu sei, fui ao engano várias vezes. E limpem a baba porque à terça-feira está fechado. Já o Rosa Doce não fecha. Quer dizer, deve fechar, mas deve ser praí ao domingo. Portanto, hoje de manhã é de aproveitar. O melhor croissant de Lisboa é ali, com queijo, com fiambre, misto, a acompanhar com sumo de laranja. Não é folhado, não é massudo — eu acho que isto não existe —, é meio por meio. De passagem pela João XXI vale a pena. O João XXI é o Papa português, o Pedro Hispano, que morreu algures no século XIII — já disse acima que a memória é má — quando um tecto de uma igreja lhe caiu em cima. Obras sem projecto licenciado dá nisso. Costa? Santana? Em Outubro estou lixado, é o primeiro ano que voto em Lisboa, caraças. Olha lá, e tu não achas que duas semanas é muito tempo? Vê lá se dizes alguma coisa. Bem, mas porque é Verão e se a sede apertar, bebam água. Não vale a pena pedir dois sumos naturais no Frutalmeidas porque o docinho, o docinho da fruta, bem entendido, só dificulta. O truque é mesmo beber os dois copos de suminho — acontece-me quase sempre não conseguir ir embora ao fim do primeiro — e o terceiro copo, cinco ou dez minutos depois, ser de água. Confiem em mim. Se, como eu, acharem que um euro e quarenta por um copo de sumo de laranja é muito, e se acharem, como eu, que o que se cobra por um copo de sumo de laranja em Lisboa ou em Portugal é insultuoso, porque diz que neste país se produzem das melhores laranjas de que há palato, que são vendidas ao desbarato pelo produtor, então anotem: dois euros por um sumo de morango não é mal empregue; o sumo de ameixa, que não há sempre, é muita bom; o de pêra é um clássico — percebem a necessidade do copo de água? — e depois é ao gosto do freguês, não há que enganar. E os pastéis de massa tenra? Sim, fazem um bocado de azia, mas são porreiros. Mas porquê o que é ‘porreiro’ quando se pode ter o que é mesmo bom? Antes de dormir: leitinho, meio gordo, fresco; um copo; para beber a tragos espaçados. Se não gostas de leite podes voltar ao início desta crónica e não começar a ler. Na minha cozinha mando eu.
Goodbye Amélie
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain? Goodbye Lenin? Esquece tudo. Nasceu o rock. Yann Tiersen agora é rock. O violino tocou três vezes e não mais de uns três minutos sem distorção. Agora é tudo guitarras. Que pinta.

- Moço, tenho um bilhete.
A que horas é?
- Nove.
Oito e meia lá?
- Oito e quarenta e cinco.
Feito.
- Compra-me uns rissóis.

(depois de sair no jornal republico a crítica do Rui. o Rui é o homem que perdeu o Cem Anos de Solidão na primeira jornada do inter-rail e isso diz tudo de bom sobre o texto que ele vai escrever)

sábado, 27 de junho de 2009

Intro
O que raio é um blogue? “Uma espécie de pudim instantâneo” ou “nada do outro mundo”. José Saramago. Olha, hoje trato-te por tu. É que foi nisso que pensei a dezanove de novembro de dois mil e três. Hoje já bebiamos um copo, só para te pedir, José, que me contasses outra vez aquela coisa de, “se o Romeu da história tivesse os olhos de um falcão provavelmente não se apaixonaria pela Julieta, porque os olhos dele veriam uma pele que não seria agradável de ver, porque a acuidade visual do falcão, cujos olhos Romeu teria, não mostrariam a pele humana tal como nós a vemos”.

domingo, 21 de junho de 2009

The trees were mistaken
- Vocês já eram namorados na altura?
Não. Na altura já éramos amigos. As pessoas insistem em achar que somos namorados, o que fazer? E depois tenho de enxotar australianos em Belgrado. É a minha sina. Mas eu até gosto.

this is a story, some kind of a story
this is a story about a boy and girl,
a girl and a boy, a boy.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Manhattan
ele says - no fundo a vida é como os filmes do woody allen
eu says - então eu estou num que ainda está em pré-produção

terça-feira, 2 de junho de 2009

Peixinhos


Ando praqui suspenso.

domingo, 24 de maio de 2009

(desde que voltei que) durmo do lado esquerdo da minha cama
Comecei por dormir no chão, no colchão que comprei quando me mudei para esta casa, mas no chão, num metro e quarenta por dois de colchão no chão. Pensei que fosse dormir todo esticado, talvez na diagonal, espaço não faltava, mas fiquei-me pelo lado direito. Acho que o colchão até ganhou a minha forma. O colchão não e lá grande coisa, foi baratucho para o que custa um bom colchão, e não é de molas — detesto colchões de molas — e também não é daqueles assim altos.

Quando comprei a cama esqueci-me de levar também a trave central. Só dei por isso quando estava a montá-la, a armação toda de pé, o topo, as traves laterais, o fundo, os tensores nos quatro cantos, tudo pronto e a pouco mais de uma hora de ter de sair para o cinema, a dez minutos de casa. Sim, há um cinema nas traseiras de minha casa e mais dois aqui perto. Meti-me no carro e fui correndo à loja comprar a puta da trave, que por alguma razão de logística sueca não está junto das outras peças da cama. A minha cama é igual a milhões de outras pelo mundo, dizem que é a mais vendida. Foi sorte a Cátia não ter ficado chateada por eu ter chegado em cima da hora e pouco ou nada termos falado antes da fita. Ainda lhe devo um bolo de chocolate, o melhor do mundo — não posso fazer por menos. À uma da manhã desse dia de semana o meu quarto estava de pernas para o ar, o caos em torno de uma bonita cama sem estrado e sem colchão. No entanto, com a simplicidade de um lego e uma porradinha aqui, outra ali, ainda estreei uns lençóis verdes e acordei muito mais bem disposto.

Durante meses dormi ao meio da minha cama. Como não gosto de almofadas, há uma que fica sempre de fora e a outra não fica debaixo do meu pescoço mais do que até estar quase a cair no sono. Eu sei que ressono, mas só um bocadinho. A coisa boa de uma cama grande é não ter de me esticar ou levantar para deixar o livro na mesa de cabeceira ou no que lhe fizer as vezes. O bom de uma cama grande é que o livro pode logo ficar ali ao lado. Se depois acordamos em cima dele e a capa está amarrotada, isso são outros quinhentos.

Agora durmo do lado esquerdo da minha cama. Acho que há já uns meses. Tenho o hábito de adormecer ouvindo música com uns headphones. Durante anos tive um walkman com rádio digital. Tinha seis posições de memória e a antena três era a primeira. As outras já não me recordo. Sei, isso sim, que fiquei perito em mudar a cassete de olhos fechados, às escuras, debaixo dos lençóis. Tenho verdadeiras relíquias em cassete, que um dia tenho de ir buscar ao meu quarto antigo para as levar à rádio e passar umas noites a digitalizar aquelas gravações. Às vezes deixo-me adormecer ao som da europa lx — o francês embala. Ultimamente tem sido o disco do jp simões ao vivo no são luiz, ou fleet foxes, ou os do costume, miles davis ou keith jarret. Às vezes o governo sombra, graças aos podcasts.

Não sou gajo de dormir de lado. Geralmente durmo de barriga para baixo. Mas quando tenho insónias viro-me sobre o lado direito. Sempre fico de costas para a janela e o quarto parece mais escuro. Fechar o estore até abaixo dá quase sempre mau resultado. Quando tive de acordar às quatro e um quarto da madrugada comprei um aparelho temporizador para ligar ao candeeiro. Conto isto a toda a gente e toda a gente se ri, mas aquilo ajudou-me muito. Programava-o para ligar o candeeiro dois minutos antes de o despertador tocar para que quando abrisse os olhos já houvesse luz no quarto. Só assim não adormecia.

Não sei porquê, mas venho dormindo do lado esquerdo da minha cama.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A vida espectacular de


Já se adivinhava. Il Divo, prémio do júri em Cannes no ano passado, é um belo filme. Giulio Andreotti é um personagem e tanto: foi primeiro-ministro de Itália por sete vezes, protagonista de vários escândalos políticos, suspeito de ligações à Máfia e de financiamento ilegal de partidos, entre outras coisas menores. O realizador, Paolo Sorrentino, é júri no festival de Cannes este ano.

Não sendo novo, foi o melhor filme que vi no Indie Lisboa 2009.

domingo, 12 de abril de 2009

O Benicio é um belo Che
Em mais de quatro horas de fita não há, que me recorde, um grande plano de Che. Há, isso sim, Che fora de plano, de costas cortado pela cabeça, porque o que interessa é mostrar o que envolve e como envolve Che. Não se vê um combate espectacular e não se vê a tomada de Havana, antes a sobriedade e dureza da luta de guerrilha. O que mais surpreende é a expressividade deste Che.

Do actor
Sério, pensativo e ponderado. Doente e em sofrimento por causa da asma — é que até inspiras mais fundo e procuras sentar-te melhor na cadeira. Irado, excitado em combate, frio no fuzilamento, poderoso em Nova Iorque. Motivador, desalentado e amedrontado perante a morte.

Da cor
O jovem Che encontra-se com outros exilados no México e adere ao movimento: em tons azulados. O médico, o professor, o soldado, o estratega, o braço direito de Fidel — que pena não vermos mais de Demián Bichir, impressionante de tão parecido — e o subalterno de Fidel nos dois anos passados nas montanhas, o impiedoso que ordena os fuzilamentos: em tons de verde. O comandante e ministro, homem poderoso e da confiança de Castro, a recepção em Nova Iorque, as entrevistas, o discurso nas Nações Unidas: a preto e branco. O sonho boliviano que se desmorona — aprendeu-se com a derrota de Batista, os Estados Unidos intervieram, a Bolívia não é Cuba e também os homens eram menos e pior preparados; e faltaria o estrega Fidel e o apoio do PC? —, o cerco nas montanhas, a morte: em tons de amarelo. Se o olhar de Che era como o olhar deste Che, então percebe-se.

Da história
O filme de Steven Soderbergh é muito bom e merece ser visto. Che é um personagem controverso e este é apenas mais um filme — que fique bem claro.

Dos anos em Havana, no poder, nos tribunais sumários, nada se conta. Da captura e da morte, do breve interrogatório, da escolha do seu carrasco, do que com ele conversou, do cadáver presente ao presidente Barrientos, conta-se uma versão, não necessariamente a verdadeira — isso interessa? Tudo é minimalista. Não tem banda sonora, nem sequer tem longos diálogos ou discursos. Tudo é lento.

Da resposta
Entre o herói e o mito — o vilão só aparece no final, quando um oficial cubano aparece em La Higuera, aliado das tropas bolivianas, arquitecto da sua captura, e lhe diz que ele mandara fuzilar o seu pai em Havana e também por isso ele estava ali —, não sei onde fica este filme. O Benicio del Toro, sim, fica na minha galeria de notáveis actores.




Che Guevara na 19ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Dezembro de 1964. United Nations TV.

sábado, 11 de abril de 2009

Ao Zé Manel, ao Henrique e ao João
Da próxima vez que me cruzar convosco vou cravar-vos uma boleia. É que suspeito que vos ando a pagar a gasolina.

Dois meses de jornais, comprados pela malta aqui de casa, foram hoje para reciclar. A bem das árvores e tal.

E depois ficam sempre mais uns quantos pra recortar...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pedroso, o maratonista
“Se tiver a confiança dos almadenses, os oito anos que vêm da minha vida serão dedicados a pôr Almada no futuro”, disse Paulo Pedroso na apresentação oficial da sua candidatura à câmara de Almada, o bastião comunista da margem Sul do Tejo.

Faz sentido. Os primeiros quatro como vereador, os outros quatro como presidente da câmara. A corrida de Paulo Pedroso a Almada é uma corrida de fundo, para preparar as eleições de 2013, às quais Maria Emília de Sousa já não pode concorrer.

É “o maior desafio político da minha vida”, diz, e disso não há dúvidas. Está em causa o renascimento de Pedroso para a política, depois da Casa Pia. E o programa, no que toca à “reconquista do rio e do mar”, condiz com o slogan do primeiro cartaz: “terminar a obra que ninguém começou”. Assim de repente só me lembro do Ginjal, da Margueira/Lisnave e da Costa da Caparica que, carecendo de intervenção, recuperação e aproveitamento — é um facto —, me parecem demasiado óbvias fatias de um bolo de cimento que ansiosamente se quer comer. Gulosos.

A oficialização da candidatura, na Incrível Almadense — os 800 e tal lugares da Academia seriam demais e suspeito que o PCP nunca lhe arrendaria o espaço —, teve direito à dramática banda sonora do filme “África Minha”, muita pompa e circunstância, contra as difamações do processo Casa Pia; teve o apoio dos notáveis do partido, Soares em vídeo, Vera Jardim em pessoa, um leque de secretários de Estado e até a eurodeputada-em-tempos-desalinhada Ana Gomes; e o financiamento de Jorge Coelho (?), que afinal não esteve presente (Ferro Rodrigues também não apareceu, porquê?). O empenho do PS em ganhar Almada em 2013 é muito sério. E o peso de Pedroso no partido também.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Regalias de um deputado
Com um vencimento base mensal que é metade do que recebe o Presidente da República, e com café a 25 cêntimos na Assembleia da República, onde uma sandocha também custa 40 cêntimos de euro, o deputado dispõe do único bar que permanece aberto no parlamento depois das seis e meia da tarde.

Para que não haja dúvidas, a letras douradas na parede branca lê-se “bar dos deputados”. No horário, a vermelho, afixado à porta, lê-se “bar dos deputados”. Na porta, numa folha colada com fita cola, a verde e em maiúsculas, “exclusivo para deputados”.

Repórter parlamentar só come depois das seis e meia se tiver levado merenda. É a casa da democracia.

terça-feira, 10 de março de 2009

Twitter
No dia em que desbloqueei o meu Twitter comecei a ser seguido por uma taróloga de Almada, por dois deputados (um do centro, outro da direita), por um pretenso líder partidário, por uma blogger muito cor-de-rosa e pela RTP.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Engraçado
Ontem foi Dia Internacional da Mulher. Hoje ouvi duas vezes na TSF um spot publicitário — que não sei se do Governo, se da Comissão Nacional de Eleições — que fala das mulheres na política, como são necessárias mais mulheres, e da paridade. Ontem o PS elegeu um novo Secretariado Nacional que desrespeita as quotas internas de paridade. É ler o que escrevi ontem, lá na rádio...

PS
Socialistas não cumprem quotas
O novo Secretariado Nacional do PS, eleito este domingo, Dia Internacional da Mulher, não respeita a quota mínima de 33 por cento de membros de cada sexo. Entre 11 elementos estão apenas três mulheres.

De acordo com o artigo 116º dos Estatutos do partido, os órgãos partidários e as listas a votação para esses órgãos “devem garantir uma representação não inferior a um terço de militantes de qualquer dos sexos”. Mas três mulheres entre os 11 lugares electivos do Secretariado correspondem a uma quota de 27 por cento. Com mais uma mulher a quota subiria para 36 por cento.

Vitalino Canas, porta-voz do PS, rejeita qualquer incumprimento dos Estatutos e diz que “a regra interna das quotas” é “cumprida integralmente”. Vitalino acrescenta que “em relação ao órgão executivo [o Secretariado Nacional], na nossa perspectiva as quotas também são preenchidas”.

Nos Estatutos está escrito que a representação de um terço de militantes de qualquer dos sexos só é dispensada em “condições excepcionais de incumprimento como tal caracterizadas pela Comissão Nacional”. Mas aos jornalistas e perante várias perguntas nesse sentido, Vitalino Canas não esclareceu se esta foi declarada uma situação excepcional.

Duas secretárias de estado e uma eurodeputada

As mulheres que compõem o Secretariado Nacional do PS hoje eleito são Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes, Idália Moniz, Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, e Edite Estrela, eurodeputada, que já integravam este órgão. Do anterior secretariado fazia parte Maria Manuela Augusto, deputada em situação de suplente, e reeleita em Fevereiro no cargo de Presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas.

Uma novidade neste órgão executivo do PS é André Figueiredo, chefe de gabinete de José Sócrates no partido, deputado municipal em Seia e vice-presidente da federação do PS da Guarda.

sábado, 7 de março de 2009

De volta à redacção, treze dias depois
Ia jurar que tinha ido de férias, mas afinal...

- Mário Nogueira: “Está tudo em aberto, até a greve à avaliação dos alunos”
- Primeiro-ministro palestiniano demite-se
- Car bomb kills eight in Pakistan
- Karzai agrees to delay elections
- Clashes in Sweden at Israel march
- Rusia reconoce que con Obama se puede ahora avanzar en el desarme
- Zapatero afirma que no va a permitir que la crisis afecte más a las mujeres

Tudo está na mesma.

terça-feira, 3 de março de 2009

Fiquei convencido
Avisaram-me que isto poderia acontecer. Convivi com a malta do Sócrates durante quase três dias e de tanto ouvir falar em novas oportunidades, melhorar as qualificações dos portugueses, escolaridade obrigatória de mais três anos, etc, decidi voltar aos bancos da escola. Quero ser como o Mário Vicente ou como o Jorge Silva. Já me inscrevi nos exames. Engenharia Civil here I go.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Pudim foi ao congresso do PS
Sócrates “é o maior”, um congresso vazio de política
A campanha eleitoral do PS começou este fim-de-semana em Espinho, no congresso do partido, um encontro que teve mais de comício do que de congresso.

José Sócrates teve o seu momento de aclamação neste congresso do PS, em Espinho, onde nada foi verdadeiramente discutido. Entre três moções gerais e algumas dezenas de moções sectoriais, nenhuma foi formalmente apresentada, à excepção daquela que Sócrates subscreve e que foi aprovada com mais de mil votos favoráveis e um voto contra. Discussão, nem vê-la.

Foto: Lusa
O secretário-geral foi elogiado por todos os lados, gabado várias vezes pelo presidente Almeida Santos — “o partido merece um líder assim” —, celebrado pelos seus camaradas ditos notáveis, solenizado pelos delegados e militantes de base. É o culto do chefe. Descendo à terra, houve até quem andasse a pedir autógrafos aos homens do partido: Edite Estrela e Augusto Santos Silva foram os primeiros.

A massa socialista chamada a este congresso esteve deslumbrada, apática e desinteressada, aparte os aplausos. Nas intervenções de três minutos, quase impecavelmente intercalando meia dúzia de anónimos e um notável, houve casos sofríveis e discursos que, parecendo encomendados, nem precisavam sê-lo. No púlpito a massa socialista agradece as auto-estradas — as SCUT, entenda-se, que são à borla — que “foram eles que lançaram” e acredita na campanha negra: uma delegada foi ler uns papelinhos e dizer que a crise no sector da comunicação social, com os despedimentos recentes, dita as notícias difamatórias só para vender jornais.

A julgar pela amostra militante, Sócrates vai capitalizar junto do povo a vitimização e as ignomínias em votos. O próprio atacou os jornalistas no discurso de abertura do congresso; frente às câmaras de televisão, Arons de Carvalho foi chamado a complementar e acusar directamente o Público e a TVI; quando intervieram António Costa, Santos Silva, Paulo Pedroso, Ana Gomes, Silva Pereira e tantos outros não se esqueceram de recordar e atacar os orquestradores da campanha, tão negra que culminou no apagão de sábado à noite que obrigou a interromper os trabalhos mais cedo.

Os 1.700 delegados foram escolhidos, bem ou mal, com um propósito: encenar o início da campanha eleitoral. E a “campanha negra” serve o propósito de pedir a maioria absoluta para que Portugal possa ser governado em “estabilidade”, lançando o fantasma da ingovernabilidade ou da indisponibilidade de Sócrates em caso de minoria, aliada àquela lógica perpetuada de que só com maioria se consegue um governo eficaz neste país. Nunca pensei que a democracia fosse um entrave à governação.

Os críticos do partido queixam-se de unanimismo que grassa no PS e as ausências de Alegre e Cravinho ainda entusiasmaram os jornalistas, mas só os jornalistas. Eu não percebo porquê. Num congresso onde não há discussão absolutamente nenhuma, que falta fazem dois militantes desalinhados e críticos da liderança?

A escolha de Vital Moreira para encabeçar a lista do PS às eleições europeias surpreendeu. O professor de Coimbra não milita, ele próprio se afirmou “socialista freelance”, mas é tido como uma figura da esquerda e um homem das ideias e defensor das liberdades e garantias. Uma aproximação à esquerda, pode dizer-se. Mas será um candidato agregador?

E, já agora, interessante será ver se Vital vai manter os espaços de opinião nos dois bastiões da “campanha negra”: o jornal Público, onde escreve há anos, e o TVI 24, onde foi apresentado como comentador — ele lá disse que vai ter de pôr termo a uns compromissos contratuais que tinha assumido recentemente.

Quanto aos outros nomes para as europeias, fica por se saber: Ana Gomes fica em Bruxelas ou vem para Sintra? Jamila Madeira candidata-se para o segundo mandato ou vem para as listas à legislativas? E Assis? E Sérgio Sousa Pinto? Sobre isto nada se soube no congresso — também não ajudou os jornalistas não terem acesso aos delegados.

No encerramento do congresso José Sócrates deixou um recado a Cavaco Silva: as eleições autárquicas devem realizar-se isoladamente. De resto, Sócrates deu a escolher aos portugueses: “Querem manter o rumo reformista ou regressar ao passado? Querem dar condições de estabilidade e governabilidade?” A campanha começou. Vemo-nos em Outubro.

domingo, 1 de março de 2009

O Pudim foi ao congresso do PS
O discurso final de José Sócrates foi de-pri-men-te
Para quem pede uma nova maioria absoluta, para quem é aclamado em total unanimismo, para quem afirma que é neste congresso que começa “a legitimidade democrática” do PS para governar de novo o país, para quem lidera um partido que nos últimos 15 anos apenas não governou durante três e hoje clama ser a “força da mudança”, José Sócrates falou durante 40 minutos e disse nada. Não deveria ter sido um discurso apoteótico? Eu julgava que sim.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Pudim foi ao congresso do PS
www.socrates2009.pt
José Sócrates prepara-se para falar às oito, durante os telejornais. Deverá anunciar o cabeça de lista do PS para as eleições europeias.

José Sócrates tem na sua mesa três pequenos monitores portáteis, que seguem os três canais de notícias da SIC, RTP e TVI.

Ainda hoje pode ser apresentado este endereço: www.socrates2009.pt (até agora só tem disponível uma página de registo, para se receber novidades) O designer deve ser primo de quem fez este: www.barackobama.com.
O Pudim foi ao congresso do PS
Aceitam-se apostas: quem é o primeiro a ir para Bruxelas? Vai saber-se no telejornal.
Entre os desconhecidos, durante a tarde discursaram as caras conhecidas do PS, ministros e ex-ministros, deputados e outros que tais. Os anónimos primeiro, aqueles que agradecem as auto-estradas construídas no seu concelho, e os conhecidos na contagem decrescente do telejornal, mas todos em uníssono: o partido está, realmente, unido.

A destoar, apenas um delegado. Foi ao palco dizer que não é normal um cão querer acasalar com outro cão ou “um galo com outro galo”. Foi claro: “não contem comigo” para “destruir a família, a base da sociedade”, e garantiu que foi apenas dar voz ao que muitos militantes pensam, mas não dizem, acerca da proposta de Sócrates para levar à discussão o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ouviram-se alguns tímidos apupos e a intervenção terminou com relativo silêncio na sala.

Mais de oito horas depois de abertos os trabalhos ainda não há um cabeça de lista para as eleições europeias, as primeiras de três a disputar este ano — e não falta muito, aliás, para terminar o prazo em que o Presidente da República pode decidir juntar às europeias alguma outra eleição.

Nos bastidores, isto é, na bancada da imprensa, fala-se de Ferro Rodrigues, António Vitorino e há até quem atire com Freitas do Amaral. Lá em baixo, na sala, onde estão as centenas de delegados, os jornalistas não podem entrar. Só se chega perto dos militantes socialistas à entrada do pavilhão quando eles saem — e se saírem pela porta da frente — para uma pausa para cigarro.

À falta do Tino de Rãs, houve um açoreano que cantou uma canção.
O Pudim foi ao congresso do PS
Ana Gomes: ela move-se
Ana Gomes considera que “é preciso acabar com as suspeitas de corrupção na classe política” e por isso pede que seja retomado o pacote Cravinho, um conjunto de medidas e alterações à lei para prevenir a corrupção, e sobretudo a instituição do crime de enriquecimento ilícito.

Numa das primeiras intervenções da tarde, à medida que os congressistas vão regressando muito lentamente do almoço, a eurodeputada socialista afirmou que a “campanha de ataque político e pessoal” a Sócrates demonstra que é precisa uma reforma da justiça. “Não podemos ignorar o estado e a morosidade da justiça”, disse.

O plano do antigo ministro João Cravinho, cuja rejeição, em 2007, coincidiu com a sua nomeação pelo Governo para administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres, propunha alterações ao Código Penal, nomeadamente o fim da distinção entre corrupção para acto lícito e ilícito, e que os superiores hierárquicos de funcionários acusados de corrupção pudessem ser responsabilizados penalmente pelo crime.

Tal como o líder do partido, Ana Gomes pediu o fim dos off-shore a nível europeu e nacional, incuindo na Madeira. O mundo está perigoso e está a mudar, afirmou, e em Portugal o PS é necessário para liderar esta mudança.

Em três minutos foi assim, e o futuro aconselha contenção nas palavras. Entre Bruxelas e Sintra, Ana Gomes já não está tão não-alinhada.
O Pudim foi ao congresso do PS – dia dois
Eu adoro o meu secretário-geral, eu sei quem são os malandros das campanhas negras
O congresso foi para o almoço, até às três da tarde estão interrompidas as intervenções de três minutos que qualquer congressista pode usar. Dezenas de caras vão desfilar durante a tarde e vão falar de tudo: saudar o líder do partido, malhar nas campanhas negras, partilhar os combates travados nas autarquias e lembrar o programa e as prioridades para os próximos quatro anos. Tipo desfile para as listas. Sócrates, na mesa atrás do púlpito, de mangas arregaçadas — e suspeito que de jeans —, assiste. Todos sorriem, todos estão felizes.

António Costa, número dois na linha de sucessão, pediu esta manhã em Espinho uma nova maioria absoluta, porque não há possibilidade de alianças à direita nem à esquerda. O Bloco de Esquerda, pessoalizou, e julgando pela experiência na câmara de Lisboa, é um partido parasita. A direita, essa, nem vê-la. Resta, por isso, um PS “responsável”, disse Costa.

O deputado e ex-secretário de Estado com a tutela dos meios de comunicação social, Alberto Arons de Carvalho, às câmaras da TVI 24, em directo, resolveu chamar os bois pelos nomes e apontou os orquestradores das sucessivas campanhas negras de que Sócrates tem sido vítima. Os opositores do regime são o jornal Público e o seu director, o noticiário das sextas-feiras da TVI, e as jornalistas da estação Manuela Moura Guedes e Ana Leal. Na minha agenda já apontei: em 2012 renova-se a licença de emissão em sinal aberto.

Alegre ainda não apareceu. Ana Gomes fala esta tarde.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O Pudim foi ao congresso do PS – dia um
Contra os malandros e pelos portugueses, maioria absoluta, se faz favor
Apesar das campanhas negras, José Sócrates quer governar Portugal durante mais quatro anos, manter a tendência reformista apoiada por uma maioria absoluta, que pediu, e travar um duro combate pela “decência democrática”.

foto: Estela Silva, Lusa
“Quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal com as suas campanhas, nem nenhuma televisão com as suas manipulações, nem nenhum cobarde que se entretenha a escrever cartas anónimas”. Arrumados os casos Freeport e declarada a urgência de “um combate decisivo a travar pela decência da democracia”, a abrir o congresso do PS, e depois de agradecer o apoio dos socialistas, foi neste tom que José Sócrates repetiu que desde que governa o país tem sido vítima de várias campanhas difamatórias, promovidas por aqueles que ao longo de quatro anos não conseguiram vencê-lo e por isso atacaram a sua honra e dignidade através de “campanhas negras” que foram “desmascaradas e desmentidas”. E que disto “os portugueses sabem bem”.

Ataques pessoais à parte e porque a crise económica mundial é o principal desafio do presente, tal como está na sua moção e como já havia dito no parlamento, Sócrates afirmou que a Europa deve liderar a eliminação dos off-shore, a bem de uma maior transparência e regulação nos mercados. A prioridade no combate à crise, disse, é o desemprego e por isso prometeu fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proteger o emprego dos portugueses.

As grandes orientações do PS para a próxima legislatura passam por medidas que promovam a justiça social e o alargamento da escolaridade mínima obrigatória para 12 anos, como forma de adequar as qualificações dos portugueses às exigências da economia actual. Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo Sócrates rejeitou, novamente, tratar-se de oportunismo político ou de uma proposta virada para as minorias, preferindo dizer que é uma “convicção” do partido que “o país ficará melhor sem mais esta discriminação”.

O PS, disse o seu secretário-geral, é o grande representante da “esquerda moderna, moderada e progressista”, e criticou a actuação da oposição pelo que classificou de demagogia de quem “não tem responsabilidade governativa”. No PS, aliás, não há excluidos, nem perseguidos, nem silenciados, disse.

Volvidos 43 minutos de um discurso sem novidades, Sócrates, limpando o suor da testa com a mão, renovou o pedido de uma nova maioria absoluta, o que lhe valeu uma longa ovação de pé.

Manuel Alegre, a voz mais crítica do partido e representante da ala esquerda do PS, não esteve na abertura do congresso. Pode ser que, depois dos prestigiantes apelos, venha amanhã às dez da manhã, que é quando, afinal, isto começa.
Fantasporto, dia dois — em busca do Castelo do Queijo, fui a Leixões e acabei em Ramalde
A ponte Dom Luís I pode atravessar-se a pé. Ela estremece à passagem do eléctrico no tabuleiro superior, vagaroso, e nós a caminhar ali mesmo ao lado num passadiço em chapa de aço que se precipita não sei quantas dezenas de metros no Douro. Afinal, Gaia e o Porto têm sol e esta é a primeira vez que venho cá nesta altura do ano e não apanho chuva. Mas isso não quer dizer que não se apanhe banhos: vai um mergulhinho no “Delta”?



Esta fita do húngaro Kornél Mundruczó, premiada pela crítica em Cannes, obrigou-me a sair da sala em menos de quarenta dos cem minutos — um festival de cinema é mesmo assim, para mim. A narrativa desenvolve-se de forma lenta, a sobre-representação, quase teatral, fez-me mexer demasiado na cadeira e as trocas de olhar cheias de desejo, carnais e silenciosas, entre irmão e irmã, nem me apoquentavam assim tanto, não fossem elas tantas e tão longas. Acredito na minha intolerância, dado não ter dormido na noite anterior, mas nem o início com a matança do porco me provocou fosse o que fosse. E as sinopses do Fantasporto continuam a ser escritas com os pés: “Na beleza selvagem e tranquila, um labirinto de pequenas ilhas e de canais. O rio, esse, pertence aos aldeãos de uma aldeia isolada do mundo. Um jovem que dali saíra na infância, busca o que resta da família. Descobre a mãe e uma irmã que desconhecia e decide construir uma casa junto ao delta. Um conto belo e trágico de rejeição mas também de amor.” Justiça seja feita: granda banda sonora.

Porto sem chuva é de aproveitar e porque de cada vez que venho cá acima me cinjo sistematicamente aos mesmos lugares, a baixa, a ribeira, a foz e Serralves, desta vez descobri a praça do Marquês de Pombal. É que está mesmo ali, ajardinada e com uma bonita e modernaça igreja, e há lá uma tendinha que não recordo o nome onde a diária, ou o prato do dia para os lisboetas, custa três euros e meio, é grande e muito saborosa, a julgar pelos rojões que comi.

Matosinhos e Leixões conheço como a palma da minha mão... A seca que tu apanhaste é que, enfim... Lá se resolveu depois, entre covas e sinais.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Fantasporto, dia um — terror, só no meu quarto
O cinema sul-coreano vive de umas narrativas muito lentas e explicadinhas até ao detalhe, às voltas e às voltas, como o Hansel & Gretel, do Pil-Sung Yim, que com menos uns quarenta minutinhos até teria sido muito bom. Como o hostel que marquei. Poderia ter sido bom, mas há alturas na vida de um homem em que partilhar um quarto de beliches com quatro francesas mochileiras que afinal eram só duas, que francês só havia mais um e tinha barba, e a outra era japonesa, há alturas em que partilhar um quarto de beliches cheirando a suor e mofo até se faz. Mas há alturas em que não. Já fiz o meu interrail.



Por isso às sete da manhã ainda foi uma meia de leite escura e um croissant com queijo, ali no Bella Roma, depois de termos corrido e fechado, uma a uma, as capelinhas todas da baixa do Porto, onde a mini ainda custa cinquenta cêntimos e há umas coisas que são os Panikes: com ovo, chocolate ou queijo e fiambre. Eu e o Filipe, os resistentes; o Rui, o Lino e a Inês, os meninos, por esta ordem. Quase dois anos sem ver alguma desta malta e logo se fica com todos uns dois anos de produção cinematográfica para pôr em dia em conversa com estes tipos que, falando muito a sério, são uns verdadeiros especialistas na matéria.

Às oito e pouco li o jornal na sala de convívio. Ainda pensei em me estender por um pedaço, mas ao abrir a porta do quarto veio o bafo bafiento e então saí e não paguei. O hostel até tinha umas casas de banho e duches limpos, pessoal simpático, quartos temáticos, um chão que não rangia e paredes que vão ficar de pé mais uns bons anos, além de estar a cinco metros do Rivoli. A companhia é que, enfim. Logo me cheirou a esturro quando me apresentei e “desculpa lá mas há aqui um problema com a reserva e não temos o quarto individual”. Resultado: já tomei o duche na residencial Conga, duas estrelas — e sem mais comentários, que não espero deitar-me cem por cento sóbrio, de qualquer forma.

E Gaia, pelo que se vê da Avenida da República, é feia.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ele há coisas que nunca mudam
Um gajo chega ao Rivoli para o Fantasporto e dá de caras com o Filipe :)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Eu até que podia podia trabalhar na cidade onde o miúdo faz xixi
O sumo de laranja do parlamento europeu vem da Oxfam, para um mundo mais justo e sustentável. E não sabe tanto a casca como alguns sumos 100 por cento que se vendem nos supermercados, à base de concentrados onde é a casca da laranja, e não a polpa, quem está em maior concentração. As moças jeitosas também: algumas são jornalistas correspondentes e outras são funcionárias, entre os milhares de pessoas que trabalham nestes dois enormes complexos, a comissão e o parlamento europeus. Há imensas loiras.

É unânime que a União Europeia não chega aos cidadãos e que o principal desafio dos jornalistas que tratam os assuntos europeus é convencer os leitores, os ouvintes e os telespectadores a gastarem o seu tempo lendo, ouvindo e vendo as nossas peças sobre a Europa. Foi isso que me trouxe a Bruxelas e a resposta é apenas uma: só se consegue fazê-lo sendo “muito bom” e com “enorme criatividade”. Isto dito por um correspondente espanhol que ao fim de quatro anos quis deixar de o ser, quando toda a gente está preocupada com o decréscimo da participação nas eleições europeias nos últimos 20 anos.

Nas conversas de alto nível que o grupo manteve com alguns eurodeputados (socialistas) portugueses ficou bem claro que às onze da noite é difícil encontrar aberto um bar minimamente aceitável. Diz que há um, ali à Grand Place, que fica na antiga cave de um banco, onde foi o cofre-forte. Também não há dúvidas que as listas do partido para o parlamento europeu já estão, se não fechadas, pelo menos muito orientadas. Mas foi só sorrisos.

A noite foi de mexilhões, no La Côtelete, que estava vazio de clientes às dez da noite e por isso o empregado nos abordou na rua com uma proposta irrecusável: por doze euros comemos duas entradas diferentes, uma panela de mexilhões com batatas fritas, um gauffre com chocolate para compor e estava tudo bom. A água é que custa o mesmo que a cerveja, ou seja, cinco euros. A bandeirada no táxi, com chamada e na tarifa de dia, é de dois euros e sessenta, menos vinte cêntimos do que em Lisboa — é só esquecer que aqui se ganha três vezes mais do que em Portugal.

À Europa esperam grandes desafios, neste e nos próximos cinco anos. Responder ao apelo norte-americano de cooperação: chegou a hora de os 27 provarem o merecimento da aliança. Resolver a crise económica: as políticas proteccionistas a nível nacional não podem nunca ser a solução, dizem os populares europeus. Barroso reúne um elevado consenso para dirigir a comissão durante mais cinco anos, não obstante os três chumbos que levou, com os referendos à reforma e depois com o “não” de Dublin a Lisboa. Mas o impasse institucional deve, no entanto, ser resolvido em breve, com as concessões já feitas aos irlandeses.

No plenário, sobre Gaza, o liberal democrata — ? — Graham Watson pede, sob aplausos, que o seu compatriota Tony Blair visite Gaza — a guerra já terminou há um mês — e em nome do Quarteto tome uma posição. Ou simplesmente que diga qualquer coisa.

De Bruxelas vi muito pouco. Choveu, fez frio, o hotel era afastado do centro. Passeei pela Grand Place, vi o que vi das janelas do táxi, do autocarro, da comissão e do parlamento. Não comprei, nem comi, chocolates. E o miúdo continua a fazer xixi.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Afinal, porque são importantes as eleições em Israel para quem vive em Lisboa?
Gostava ter resposta pronta para esta pergunta.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A malvada da crise deixou-me a pele muito mais seca
Isto da crise económica mundial é um bocado sério. Ainda não percebi como é que começou — alguém percebeu? — mas não tenho dúvidas de que é bem real. Sinto-o na pele, da cara.

Contudo, sou um privilegiado: ainda tenho emprego. É que isto da crise pode trazer vantagens para aqueles que tiverem trabalho, com a inflação a cair, o petróleo a embaratecer e os bancos centrais a cortar nos juros. Mesmo assim, para mim a crise chegou em má altura. Há um punhado de meses mudei-me de uma zona barata, barulhenta e suja da cidade para um bairro burguês, organizado, sossegado e caro. A casa nova estava vazia, o meu rendimento disponível diminuiu e deixei actividades paralelas, não fui aumentado e não pertenço sequer à geração dos mil euros. Mas eu não desanimo: tenho a receita para vencer a crise.

Durante anos ouvimos apelos à poupança. Pois agora chegou a altura de gastar dinheiro. Se não o fizermos então as fábricas vão mesmo fechar todinhas. Consuma-se — mas procurando o bom e barato, para acautelar o mealheiro, que não sabemos quem é que vai ficar em casa amanhã.

Esta é a história da minha espuma de barbear “hidratante e dermoprotectora com aroma a lavanda”, Ach. Brito. É portuguesa e vem de Vila do Conde, por oposição à L’Oréal “men expert mousse anti-irritação para peles sensíveis com perfume neutro, sem álcool, de alta protecção, com película hidra protectora active defense system que reforça a resistência natural da pele”, que nem sei onde é feita e vinha usando até agora, com excelentes resultados epidérmicos. Mas o combate à crise exige homens de barba rija e não meninos.

A espuma de barbear portuguesa tem o saber e a tradição de pelo menos cento e vinte anos a amolecer o pêlo ao pessoal e ela mesma já está a fazer a sua parte para vencer a crise: a Ach. Brito arregaçou as mangas e comprou no mês passado a concorrente Confiança, de Braga, a segunda mais antiga saboneteira da península ibérica. Agora quer duplicar o volume de negócios e aumentar as exportações, que actualmente já chegam a quarenta países. E não despediu uma pessoa, que se saiba.

Mas a espuma de barbear portuguesa tem mais argumentos. Por exemplo, tem mais glamour. Enquanto a estrangeira está cheia de letras miudinhas difíceis de ler, bonecos a explicar os efeitos especiais e tiradas de marketing como “a L’Oréal aplica toda a sua experiência do tratamento da pele nesta mousse de barbear”, a portuguesa, embora seja espuma e não mousse, não está pejada de frases em grego que ninguém percebe. A rude espuma, e não mousse, está numa lata verde garrafa e é muito mais cosmopolita: as indicações estão na língua de Pessoa, de Shakespeare e de Voltaire. Por fim, cada duzentos mililitros de mousse importada vende-se a cinco euros e trinta e nove cêntimos, enquanto a Ach. Brito traz mais cinquenta mililitros, o que ainda dá umas barbas, e custa apenas três euros e oitenta.

É um facto que a espuma de barbear me deixa as bochechas bem esticadinhas, ardentemente frescas e cheirosas a lavanda, enquanto que a mousse era mais gentil. Mas a L’Oréal gasta balúrdios em anúncios com o Pierce Brosnan e com aquele gajo da série Lost. Uma parte dos quase dois euros que custa a mais vai para o bolso deles e isso não me parece uma atitude correcta em tempos de crise.

A crise é económica, não de valores. Pelo menos até acabar o frasquinho do creme hidratante L’Oréal men expert hydra energetic que uso depois de me cortar todo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

“Fingir que estás no pensamento sem razão”
Croissants do Careca. Sol e praia. Tu, porra. A estrada para o Algarve em duas rodas ao final da tarde de sexta-feira com o céu cor de laranja. Nós, todos juntos sem o que pensar, simplesmente a passar o tempo às gargalhadas. Ou apenas uma noite de sono bem dormido.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Diferenças

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Já me lixaste, Fisk
Escrevi que Robert Fisk veio a Lisboa falar de quão mau é o jornalismo hoje. Eu estou na profissão há um ano e também acho que o jornalismo dos meus dias vai deixando muito a desejar. Há razões para isso. Na impossibilidade de mais, deixo uns exemplos concretos sobre o que acho que é um desses motivos.

Ninguém dirá que há jornalistas suficientes na sua redacção, seja um jornal, uma rádio ou uma televisão, para o volume de informação que é produzido e tratado diariamente. Um número limitado de mãos exige que cada par produza mais do que uma coisa, uma notícia, uma história, durante um dia de trabalho — em cada redacção são raros os que não têm de o fazer. Por aí se percebe que a especialização hoje não existe e a prática declarada em vários órgãos de comunicação foi mesmo acabar com as editorias, os supostos especialistas. Mantêm-se o desporto e a política, com equipas mais ou menos definidas, e os jornalistas que habitualmente e pela antiguidade tratam a justiça e a economia, e pouco mais. Sem especialização os conhecimentos de uma temática são superficiais, os erros e as imprecisões são comuns, e é com facilidade que se aceita o discurso oficial por não se possuir o conhecimento necessário a que num segundo se faça luz e se nos perguntemos “epá, espera, então e?...”.

Imagine-se isto.

Às nove da noite de um domingo o senhor Secretário de Estado da Educação liga para as redacções das rádios nacionais oferecendo-se para anunciar e explicar um despacho assinado naquele dia e que altera o Estatuto do Aluno. A conversa tem de ser gravada já, não pode ser daqui a uma hora. O despacho não pode ser fornecido previamente porque só amanhã vai ser tornado público e, afinal, é para isso que o senhor Secretário de Estado está a ligar.

A um domingo à noite a redacção de uma rádio está reduzida ao mínimo indispensável, com o editor de serviço e um ou dois jornalistas mais, e talvez um estagiário curricular de uma universidade qualquer. Não há ninguém especialista ou que trate habitualmente os temas de Educação para poder questionar convenientemente o senhor Secretário de Estado, que assim acaba por dizer o que bem entender durante cinco minutos sem questões lá pelo meio. Na hora seguinte a “notícia” já está no ar, a não ser que tenha embargo até às sete da manhã, que é quando começa o horário nobre da rádio. O modus operandi é o mesmo para as obras públicas que são inauguradas ou lançadas à segunda-feira de manhã.

À noite nenhum editor de serviço vai recusar gravar o senhor Secretário de Estado se ele não aceitar fornecer previamente os documentos e ainda esperar uma hora para que a redacção tenha tempo de ligar ao colega que costuma tratar aqueles assuntos e perguntar “ouve lá, isto é novo? isto é bem assim? isto é notícia?” Nenhuma rádio vai deixar de gravar o governante porque não pode correr o risco de, na manhã seguinte, a concorrência ter o senhor Secretário de Estado no ar, gravado da noite, e nós não.

Na manhã de segunda-feira a rádio não conseguiu evitar ser um veículo de informação governamental sem questionamento, sem análise, sem profundidade, apenas a mensagem original, pura e dura. Neste caso será de esperar que nessa noite as televisões tragam o assunto já dissecado, e no dia seguinte os jornais ainda acrescentam mais alguma coisa. Mas o que se assiste é que na segunda-feira à noite a televisão replica a mensagem original e o jornal do dia seguinte não faz qualquer análise ou contraditório. Isto não é bom jornalismo.

Imagine-se outro caso que, há uns dias rezou assim.

Chegado à rádio antes das 13h, o dia começou com um problema informático que me apagou tudo o que pertencia à minha área na rede, emails, agenda, ficheiros, etc. Os técnicos demoram uma hora para resolver o meu problema e repor o meu computador como estava na sexta-feira passada, paciência, enfim, mas finalmente posso trabalhar. Perdi uma hora, aquela que uso para olhar a imprensa estrangeira e passar em revista o que a manhã e a imprensa produziram nas minhas áreas de interesse. Paciência e enfim outra vez, bebi um café, olhei os jornais em papel, conversei com uns colegas.

Às 14h falta uma hora para o primeiro noticiário da minha equipa. Escrevo duas notícias de internacional e a cinco minutos da hora vou a correr gravar uma peça de uma repórter que está numa reunião do Governo com sindicatos, pelo meio a secretária da redacção vem dizer-me que tenho a engenheira da DECO ao telefone para a entrevista marcada de véspera, peço-lhe que adie a coisa por 20 minutos, continuo com a repórter em linha, ao telefone, e ela engana-se e eu tenho de editar o som, corro de novo para a redacção e escrevo os dois parágrafos que vão dar entrada à peça, imprimo e corro para o estúdio onde o noticiário está a começar, peço para alinhar a peça que recebi pelo telefone, entro com o texto estendido na mão e dou-o ao editor. Começou.

Às 15h10 estou de volta ao meu posto, tiro um café, reúno as folhas que vou levar para o estúdio e às 15h15, mais coisa menos coisa, já estou à conversa com a minha entrevistada. A entrevista dura uns 10 minutos, não preciso mais, o assunto é muito concreto, e regresso à redacção onde tenho que escrever uma síntese de notícias para ler às 16h, quatro andares acima, noutra rádio do grupo. Pelo meio ainda actualizo as notícias de internacional da hora anterior e quando faltam oito minutos tenho que pegar nas folhas e arrancar para o microfone. A entrevista que fiz é para uma peça para a manhã seguinte.

Regresso a tempo de ouvir o final do noticiário das 16h na rádio principal e até às 17h tenho que tentar ligação com um Ministro que está no estrangeiro para conversarmos sobre o Conselho Europeu que decorre em Bruxelas, o que consigo apenas já perto das cinco da tarde. A entrevista demora uns 15 minutos e traz novidades, uma suposta antecipação ao que Bruxelas vai anunciar mais logo, e preciso perceber melhor e avaliar, o que me vai obrigar a reler algumas peças que fiz nos últimos tempos sobre o assunto, ligar ao nosso repórter em Bruxelas para ele me dar um olhar pelo que se discute, acerca daquele assunto, lá no Conselho e nos corredores do Conselho, e ainda discutir com o editor. Mas antes das 17h é-me pedido que escreva um texto para recuperar um material de cultura que passou de manhã, pelo que tenho de ouvir os sons, ler o texto da manhã e arranjar uma nova abordagem.

Não vou ao estúdio ouvir o noticiário das 17h porque a próxima hora vai ser muito apertada. Começo por adiantar uma nova síntese de notícias que vou ter de ir ler às 18h ao quarto andar, enquanto espero feedback do nosso homem em Bruxelas vou cortando dois sons de um bruto que gravei na véspera para uma peça de cultura que me tinha sido pedida para as 19h de hoje, Bruxelas demora e tenho tempo de terminar a peça e ir gravá-la ao estúdio e entregar ao editor, pego novamente e termino a tal síntese, a cinco minutos de ter de subir ao quarto andar pedem-me que dobre um inglês para montar numa peça que veio de não sei onde, vou para o estúdio e faço-o e só me resta tempo para chegar ao computador e dar ordem de impressão da tal síntese, agarrar nas folhas e subir.

Regresso a meio do noticiário das 18h da rádio principal, mas mais uma vez não o vou ouvir. Começo a tentar perceber onde vou cortar o Ministro, o que vou retirar da entrevista que lhe fiz, dois sons não muito extensos, 40 segundos cada um no máximo, espalho as folhas com o contexto em cima da secretária, corto e colo, corto e colo, ligo para Bruxelas e recebo algumas indicações, telefono a um editor que trata aqueles assuntos há dez anos para me ajudar a perceber as implicações da questão que tenho em mãos, corto e colo, escrevo e reescrevo, peço que um par de olhos frescos reveja o texto rapidamente, dou por fechado o trabalho e entrego ao editor. Em poucos minutos tenho de escrever uma nova síntese de notícias para ler no quarto andar e é quando estou a terminar que me pedem que faça uma nova dobragem, não há mais ninguém?, pergunto, é que tem de ser um homem e o coiso está ocupado e o outro não sei quê, respondem-me, e pego nas folhas e mecanicamente dobro os 30 segundos do mesmo inglês da hora passada. Corro para o quarto andar quando faltam poucos minutos para as 19h e gravo a síntese, não fico para a conversa com aqueles meus colegas que vejo todos os dias, com quem trabalho todos os dias, os do quarto andar, porque tenho de descer rapidamente para a redacção e o editor está a entrar para o estúdio.

Às 19h o técnico está ocupado a resolver um problema com a ligação em directo para um repórter entrar no noticiário e eu entro em estúdio com o editor e faço no computador o alinhamento dos sons que ele vai usar naquele jornal, termino já ele começou, saio para a cabine técnica, o técnico agradece-me o jeito, “ora essa”, respondo, “estamos cá é para isto” e pego numa folha e numa caneta para apontar e anotar este noticiário. É que daqui a pouco mais de 20 minutos sou eu que faço a síntese de notícias das 19h30 neste mesmo canal.

O noticiário acaba e a peça de cultura que me tinha sido pedida para as 19h caiu. Na redacção escrevo a síntese, termino a dois minutos de entrar no ar. Quando regresso a editora do turno seguinte, da noite, diz-me “ouvi dizer que tens um Ministro para mim?”, e ouviu bem. A pouco menos de meia hora para terminar o meu turno tenho de reescrever o material do Ministro e recortar um novo som para as 21h. Parte da minha equipa vai embora, há sempre quem saia mais tarde, hoje eu também sou um deles, saio das 21h30, e sinto que um comboio me passou por cima. Fiz muito, mas será que fiz bem? Isto não é bom jornalismo.

E isto é apenas um pauzinho do Mikado.
Três, dois, um
A lua está mais perto, trinta mil quilómetros. Se tomarmos bastante balanço conseguimos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Natasha Savatsky não me parece um nome sueco
“ir visitar o elefante salomão neste dia é, como talvez se venha a dizer no futuro, um acto poético, Que é um acto poético, perguntou o rei, Não se sabe, meu senhor, só damos por ele quando aconteceu” S.

É. Já estava de costas quando percebi que tinha tropeçado num enquanto descia a avenida, de um metro e oitenta de altura, as calças pretas justas por dentro das botas de cano alto, o casaco vermelho de fazenda, o cabelo castanho-alourado que esvoaçava ao vento, os olhos verdes, a pele branca, e na mão, apertados ao peito, uns papéis numa capa plástica roxa. Se não foi poesia não quero sequer saber o que terá sido.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Se me queixei de que “houve um tempo em que as pessoas faziam coisas”... Toma!, duas novas revistas
“Num ano em que se comemoram os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, os dez anos da entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago e o centenário do mais antigo realizador de cinema no activo, Manoel de Oliveira, acreditamos ter motivos de sobra para comemorar.”

Assim nasce a Magnética, revista virtual, mas a primeira que conheço no formato. Sobre cultura, arte, moda, design e arquitectura, nacional e internacional. | www.magneticamagazine.com

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

“A revista Aula Magna é um órgão de imprensa estudantil. Feita por nós e para ser lida por nós, os estudantes. Vem para falar de nós, do que fazemos, do que procuramos, do que nos rodeia. Vem fazer tudo isso por dentro, não como algo que nos é oferecido, mas como algo que nos pertence. A Aula Magna é um órgão de informação sobre todo o ensino superior, um meio de propagação de ideias e de correntes de pensamento, um espaço de debate e reflexão livre, responsável e civilizado.”

Uma nova publicação num sector que já teve tradição, a imprensa estudantil. O número zero da revista Aula Magna já está em distribuição e lá se pode encontrar Ricardo Araújo Pereira falando do seu regresso às aulas, textos sobre o novo regime jurídico do ensino superior e o seu impacto para os estudantes, e um trabalho sobre aquelas que foram bandas estudantis e hoje andam por aí a vender (alguns bons) discos.

Em Janeiro haverá número um. Por agora podem consultar aqui.