quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Montpellier não estava nos planos de ninguém, mas só chegaríamos a Nice muito tarde pela noite e ficámos por ali. Sem conseguir encontrar o hostel que o gabinete de turismo da estação nos tinha marcado no mapa e quando as mochilas já pesavam, a Joana perguntou à Charléne onde podíamos dormir e fomos atrás dela e da amiga até à Pousada de Juventude. Afinal era fácil.
Para aumentar um pouco a tensão de não termos ainda dormido desde que entrámos no primeiro comboio, e de na estação o fulano não nos ter marcado a viagem até Florença, a etapa seguinte, porque “não tinha sistema”, coisa bem portuguesa, na pousada a recepcionista também não tinha cama para todos, só para a Joana. Olhámo-nos, cansados, tentando não desesperar, o que nem foi preciso porque meia-hora depois estávamos hospedados, nós com três austríacos e a Joana com três alemãs badalhocas, uma freak de cabelo verde, uma brasileira e mais três.
Doridos e maçados, jantámos pasta numa esplanada ali perto, como a noite abafada exigia. A baixa de Montpellier é acolhedora, com as suas ruas estreitas cheias de pequenas lojas e restaurantes, praças escondidas com bancos de jardim, e muita gente a circular. Deitámo-nos relativamente cedo com os planos para a manhã seguinte escritos na toalha de papel do restaurante.
Então, na terça-feira eu e o Rui descobrimos a Charléne na bilheteira da estação de comboios para onde fomos encaminhados porque só ela falava inglês e eu não confiei no meu francês para me explicar. Era ela quem nos tinha levado à pousada na noite anterior, aqueles olhos azul-claro não nos enganaram e ela reconheceu-nos assim que perguntámos para confirmar. Devíamos ter voltado à uma e meia e tê-la convidado para almoçar, mas com a reserva para Florença finalmente nas mãos quisemos voltar para dar a notícia ao grupo. O Rui ficou triste.
Foi durante a manhã e parte da tarde que gastámos a passear pela cidade que começou a exasperante — pelo menos para a Joana — vaga de “gabanço” às mulheres francesas. Parecíamos miúdos pequenos que vêem maminhas pela primeira vez, mas as mulheres bonitas e com pouca roupa faziam questão de se cruzar connosco a espaços de cinco minutos, o que só aumentará de intensidade para níveis nunca antes imaginados oito dias mais tarde, na Croácia, onde a Joana já estará também familiarizada com o termo “setas”.
A praia a trinta minutos de Montpellier, onde nos fomos refrescar ao final do dia, não era paradisíaca como nos postais da Côte d’Azur, mas tinha água morna e o espaço entre toalhas estava ao nível da Caparica, talvez para nos fazer sentir em casa. Mesmo assim, soube muito bem e foi ali que o Rui me explicou como é que o pessoal da Praia da Rocha tonifica os braços e os peitorais na praia e sem pagar ginásio, e que soube que o Pedro depila o peito. O Pedro é de Vila Viçosa e vai a Espanha abastecer-se de tabaco, porque fuma muito e lá é mais barato. Para a viagem trouxe o seu volume de dez maços, obviamente. E anotem isto: daqui a uns tempos será jornalista para a televisão. Depois rimo-nos dos meus sete solitários pêlos e rumámos ao autocarro, onde o fã número um do Colin McRae esperava para nos dar uma lição de rali urbano em veículo pesado de passageiros, cheio. A viagem de meia-hora ficou-se pela metade do tempo e ainda hoje o Pedro e o Rui devem acreditar que eu tenho carta de condução de pesados e que um dia fui fazer testes à Carris. Desculpem rapazes, mas soube-me tão bem pregar-vos esta peta; é, contudo, verdade tudo o resto, só não tenho mesmo a carta; e foi muito engraçado ver a forma respeitosa como desde então me trataram e consideraram as minhas opiniões sobre sistemas integrados de transportes públicos.
Regressados e devidamente banhados, saímos para jantar e para espanto meu e da Joana descobrimos o deslumbramento do Rui e do Pedro pelo MacDonalds, onde praticamente exigiram jantar, algo que se repetirá em Ljubljana, onde os acompanharei e bombardearei com perguntas na tentativa de compreender aquele quase-vício.
Na pousada reencontrámos o Julian e o outro, alemães que conhecêramos na noite anterior e que, eles sim, não arranjaram alojamento e foram dormir ao jardim da cidade com os sem-abrigo. De manhã acordaram com o sistema de rega e agora, à noite, convidaram-nos para um copo. O Julian estuda Direito e ficou contente por saber que eu partilho com ele a ideia de que é o Direito que melhor prepara um jornalista, profissão que ambos desejamos seguir. Mas mesmo com tema de conversa garantido não fui com eles bebê-las e assistir a uma prostituta levar uma tareia de um barman, não se sabe porquê. Como também não se sabe muito bem quem era o búlgaro que vivia lá na pousada e que os acompanhou, e que — palavras dele, que mal falava inglês — era procurado pela polícia na Bulgária.
Fiquei, então, na rua a ouvir a Joana conversar com a sua nova amiga holandesa de que ainda hoje não recorda o nome, e timidamente a entrar na conversa, algo que não era fácil porque elas estavam eléctricas e eu deslumbrado. Rendido. Apaixonado. E nunca tinha estado na Holanda.
Ela era de Haia, tinha feito Erasmus em Sevilha, e estava a fazer praia no sul de França. Por isso tinha a pele morena, uma combinação explosiva com o cabelo loiro pelos ombros e os olhos azuis. Era muito divertida e engraçada na forma como falava de tudo com uma voz semi-rouca e quente, e tinha um detalhe que me deitou por terra, qual estocada final, e que desde já alerto para a impossibilidade de descrever convenientemente. Quando falava formava-se-lhe na boca uma espuminha — eu avisei... — extremamente sensual, e que para os que sabem do que falo é muito parecido ao que acontece a uma outra mulher muito bonita que conheço. O vestidinho azul pelo joelho, as sabrinas brancas e as pernas apetitosamente bem desenhadas são a última coisa que recordo, em suspiro.
Doze horas depois partiríamos para Florença, mas não sem antes tomar um croissant e um café por um euro e meio, para alegria geral dados os preços franceses, e de o Rui ter finalmente comprado fiambre às fatias no mercado da cidade. Da mesma forma que a Joana não come carne e que o Pedro fuma cigarros, o Rui só come pão se tiver fiambre.
Antes de entrar no comboio para Nice, que nos deixará num outro para Florença, durante toda a noite, e de almoçar conservas ou sanduíches sentados no chão da estação, a Joana sobressaltou-nos com uma má notícia: o siso rebelde continuava a dar luta e a massa que o dentista tinha colocado para remendar a incompetência e um pedaço partido, caíra e fora pelo lavatório abaixo, deixando-a com dores insuportáveis.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
“O coronel Aureliano Buendia promoveu trinta e dois levantamentos armados e perdeu-os todos. Teve dezassete filhos varões de dezassete mulheres diferentes, que foram exterminados, um após outro, numa única noite, antes de o mais velho fazer trinta e cinco anos”, que foi quando o Rui perdeu o livro, entre Madrid e Barcelona. Dias mais tarde comprará, por dez euros, um pedaço de lixo literário inglês que desejará, esse sim, ter perdido algures. O Rui, de Portimão, um metro e oitenta e três de altura, é um cabeça de vento e perdeu nesta viagem quase tudo o que havia para perder, como se verá.
Dias antes de partir o João disse-me: “Lembra-te que tudo o que estás a planear pode correr mal”, que é o que dá piada à coisa, e efectivamente chegámos a Madrid e para Barcelona já só havia plazas no comboio das seis e vinte e cinco da manhã seguinte. Merda, pensámos em conjunto. Começava bem a viagem, a 12 de Agosto de 2007.
Sem sítio onde dormir e porque a estação de Atocha fecha entre a uma e as cinco da madrugada, ainda ponderámos ficar na entrada do prédio de um hostel onde fomos insultados com os preços pedidos, ou com o sem abrigo com quem eu e o Pedro confirmámos o fecho da estação e que nos ofereceu cartões, mas o Rui e a Joana precisaram ir à casa de banho de um café ali ao lado e assim descobrimos o El Pando, um pequeno tasco que nunca fecha.
Entre hamburguesas gordurentas pedidas à vez para esticar o tempo e conservar a mesa, canecas de cerveja, pratinhos de azeitonas e amendoins que o senhor Daniel nos oferecia, e perguntas parvas acerca de como se diz em castelhano fiambre e presunto, ficámos até às cinco e meia, que acho que foi quando a Joana engoliu mais um de muitos analgésicos potentíssimos para suportar as dores e a infecção de uma tentativa falhada de extracção de um siso, quatro dias antes, por um dentista jovem e inexperiente. E partimos.
Até Barcelona o comboio foi um luxo e eu até dormi, a Joana dormiu, o Pedro dormiu e o Rui, depois de dormir também, foi o resto da viagem a dar charme a uma catalã loira e bem gira que estava ao lado dele. Repetirá a proeza na última jornada, a caminho da República Checa, com uma viajante irlandesa solitária. O Rui é um galã.
Na estação de Saints, de manhã, comemos sentados no chão, o Rui deu pela falta do livro e ficou de trombas o resto do dia, o Pedro fumou dois ou três cigarros de rajada à porta da estação enquanto certamente pensou na vida dele quando Portugal adoptar com o mesmo rigor a lei anti-tabaco que os espanhóis já tanto acarinham, e a Joana, a curtir a tripe, estava feliz e sorria. Seguimos para Cerbere, na fronteira, e daí para Montpellier, no primeiro comboio de compartimentos até então. Um dia gasto a andar de comboio.
Enquanto eles dormiam, uma constante em toda a viagem e porque eu não consigo cair no sono em nenhum transporte, ajudei a Débora a arrumar a mochila no compartimento, e fiquei um bocado perdido no rosto e no decote dela, que pouco falava inglês, e foi a mímica de sorrisos e olhares que nos entreteve até a Joana acordar e começar a falar francês. A Joana foi sempre a mais afoita a falar com os nativos de todos os sítios por onde passámos, um gesto de valor que todos lhe agradecemos. Residente no Seixal, é fluente em inglês, francês e espanhol, além de dar uns toques no checo, holandês e italiano. Praga, onde viveu seis meses, será o último destino desta viagem.
A Débora era morena, tinha um cabelo preto comprido, olhos castanhos resguardados por uns óculos com hastes de massa preta, e mãos de menina que não paravam de ajeitar o cabelo em direcção ao peito, para cobrir o que dele conseguisse, que era pouco. Regressava de um festival de música e ia para Avignon, umas horas depois da nossa paragem.
Quando acordou, o Rui quis logo saber o que era aquele prato gigante de tecido que ocupava o banco ao lado. Estava longe de imaginar estar perante uma maravilha da tecnologia terrestre mais simples de todas: uma tenda que se arma sozinha depois de atirada ao ar, como lhe explicou a Débora. “You throw and fsssssssiu tchcpum” (com gestos a explicar a coisa). Ela era muito gira. Mas giro giro, pelo menos para nós, porque ela não deve ter percebido bem, foi quando o Rui resolveu apresentar-nos à miúda e traduzir os nossos nomes para francês, ficando uma Joana que era Joanna D’Arc, um João que era Jean, um Rui que era Rui, e para gargalhada geral um Pedro que se tornou “Pitérre”, de Piérre. O Rui foi o bom palerma da viagem, como ele próprio confirmará. E tudo começou bem cedo quando à saída de Badajoz, onde começámos, percebeu que tinha deixado algures em casa o carregador do leitor de MP3, comprado a propósito para a viagem.
Adeus Débora, chegámos a Montpellier, a primeira paragem, onde me apaixonarei à segunda e última noite por uma das mulheres mais sensuais que vi até hoje.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
segunda-feira, 30 de julho de 2007
O concerto de encerramento do FMM no castelo de Sines — porque a festa continuou no palco da praia — foi avassalador. Gogol Bordello, um colectivo de sete músicos, dos EUA à Ucrânia, apresentando-se como uma proposta de punk-cigano, tocou sem interrupção durante uma hora e meia. Literalmente. E sempre num ritmo alucinante.
O tradicional fogo de artifício que fecha o festival disparou durante o concerto, criando um cenário extasiante — os tipos pulando e gritando em palco e os foguetes luminosos rebentando por detrás deles, foi lindo! O público esteve sempre aos saltos, os braços sempre no ar, e desconfio que houve mosh ali junto ao fosso. E os gajos ainda voltaram para dois encores.
Vejam os vídeos e imaginem como foi em Sines. Depois comprem bilhete para Paredes de Coura, pois estes senhores vão lá fechar uma das noites. Imperdível.
domingo, 29 de julho de 2007
O Festival Músicas do Mundo (FMM), em Sines, é provavelmente a melhor proposta festivaleira nacional. Ou se paga 70eur para ver aqueles que se repetem nas rádios e na TV, e também ano após ano nos sudoestes ou nas paredes; ou se paga 10eur/dia, entre oito à escolha, e se parte à descoberta dos sons mais insuspeitos, mais distantes e mais desconhecidos, totalmente descomprometido. Foi essa a minha escolha, à nona edição, com o compromisso do regresso em 2008.
Só no FMM se pode apreciar este clássico
Revisitado desta maneira
Pelo “camarada” argelino
Rachid Taha e sua banda, naquilo que chamo de “folk argelino com momentos funk-rock ali do Magrebe”, cantado em árabe ou em francês, marcou o penúltimo dia do FMM, sexta-feira.
Embriagado quanto-baste (felizmente não muito), Rachid deu um espectáculo divertido e envolvente. O público respondeu à altura, dançando muito — eu, que sou pé-de-chumbo, “abanei-me” bastante... ele há coisas que estão a mudar... ou então e muito simplesmente: ao som disto, como não? —, e os encores sucederam-se até perto das quatro da manhã. O cenário esteve perfeito: o castelo de Sines — com o chão coberto de feno (e hortelã, ao início da tarde, pra disfarçar cheiros) — repleto de gente. E nunca um alaúde soou tão rock.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Assim, em linguagem que tu conheces. Ou preferes em inglês, dado que mal falas português?
Mas, não fosses tu a tomar de assalto o Centro de Exposições do CCB e eu nunca veria o World Press Photo no Museu da Electricidade. Deve ficar um cenário espectacular. Assim como tu. “Bem hajas!” (ou “bem ajas?”)
World Press Photo em Lisboa, entre 17 de Agosto e 9 de Setembro, no Museu da Electricidade.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
terça-feira, 10 de julho de 2007
Um hálito de sonho
E não há muitas palavras que expliquem nem lotes de Colgate contrafeitos que cheguem para me contrariar. Porque eu vejo como vejo. E aqui sou rei e senhor.
Mesmo quando me magoo. Rei e senhor.
Mais rei, que senhor.
Rei sem reino.
Onde está a cerca? Quero mandar construir um palácio. Onde haverá sempre música e uma baqueta de metal a riscar o prato. Eu aprenderei o piano, só para te embalar. E o António será visita frequente. Porque o coronel Aureliano Buendia morreu no livro. Não te arrepias? “Se me tivesses beijado tinha sido tão diferente”. Garantes? “Estou só a dizer...” Estás a ver se me distrais... (sorri) Olha que eu não quero pensar. Só quero escrever. Deixa-me escrever, sim? “Escrevemos porque ninguém nos ouve.” Eu escrevo para que me vejas. (e como quem pede, grave) “Recorda, só; não si...” Sim, descansa. (interrompi) A razão está do teu lado. Consigo vê-la. E nem preciso subir à torre do meu palácio. “Vê-se bem, não é?” (silêncio, e depois) Achas que vai ser fácil? “Hondt é; Duverger e os outros já não digo.” Tenho dois dias. “Aproveita.” (virou costas; os cabelos castanhos caindo entre as omoplatas, dois ou três sinais na pele morena)
Já te disse hoje, sem ser logo de manhã, depois de acordar, quando já vestiste o vestidinho branco curto que contrasta com as tuas pernas bronzeadas, as alças fininhas nos teus ombros queimados, o decote que mostra um pouco mais da curva dos teus seios — esse sinal aí à esquerda —, os teus pés descalços no chão fresco que sabe tão bem porque é Verão, os teus olhos que não me olham enquanto sorris, matreira, e despejas o leite na tigela dos cereais, e eu sigo as tuas sobrancelhas e a tua boca e as tuas mãos com a atenção e o desejo de quem desenha um nu; já te disse hoje? Já te contei hoje, porque não sei cantar, ou já terei posto hoje a tocar, quando saíste do duche, aquela canção em que o Jorge diz que “fazes pinturas de sonhos, e pintas o sol na minha mão”, já?
Já te disse hoje que tens um hálito de sonho?
“Um hálito de sonho”, a música que sonoriza e dá nome a este rabisco, faz parte de “Movimentos Perpétuos, Música para Carlos Paredes” (2003)
Pode seguir-se a agenda de João Lobo, um dos intérpretes, aqui
terça-feira, 3 de julho de 2007
quinta-feira, 28 de junho de 2007
quarta-feira, 20 de junho de 2007
quinta-feira, 14 de junho de 2007
«Tens — tu também — o dom da palavra», disseste-me. Fiquei muito feliz. Porque te quero muito, e às palavras também. Elas são parte de mim e a melhor forma que, por (demasiadas) vezes, encontro para mostrar a quem gosto que gosto, porque gosto e quanto gosto. Porque me acho desajeitado noutras maneiras, porque não sei porquê — é parvoíce, pela certa.
Como quando me fico por um olhar mais demorado, um toque no braço ou só com a ponta de um dedo num centímetro quadrado da tua pele — é quão longe consigo ir. Se me sentir protegido por uma armadura de aço, lá solto uma frase ou duas repletas da minha verdade, embora quase quase sempre sem conseguir ser olhado a olhar, a minha verdade, como dizia, de ver um contorno bonito, uma linha de volúpia, um timbre quente, um sorriso terno e o resto das coisas. Envergonhado. Com palavras.
Não é sempre assim. Ainda bem. Como ontem, quando lhes quis dizer que a sua presença ali tinha sido muito, mas mesmo muito importante, como se tivesse sido eu a chamá-los. Que por eles tenho um enorme carinho. Que neles vejo bom fundo e fico encantado. Que serei teu camarada de armas — basta que me chames — para pôr fim a essa angústia. Que cada vez que te olho me perco nas maçãs do teu rosto. E só de vos olhar, já sorrio.
E hoje, que choveu e foi cinzento como em Outubro, bem precisei.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
E fez um imenso sentido naquele exacto segundo. Como se arrancasse, não da boca, mas do peito, o que nunca conseguira que tomasse forma nas ideias, porque estava tão lá no subconsciente, mas que lhe vinha apertando o coração de uma maneira real e havia já quanto — bastante — tempo.
Não ficou mais leve; não feriu por dentro; não apagou desejos; não estragou sorrisos; não resolveu nada. Mas faz sol sempre que as peças encaixam.
E então perguntou-lhe: “entendes?”
segunda-feira, 11 de junho de 2007
- Oh, eu sei como te sentes...
- Não sabes não. E eu explico-te porquê. Queres saber?
- Vá, diz lá... — acrescentando em surdina — man, adoras mesmo o Al Pacino e os personagens retóricos que lhe dão p’ra fazer...
- Não mudes de assunto — respondeu sério.
- Não ‘tou a mudar de assunto. Só ‘tou a constatar: Devil’s Advocate, The Insider, Any Given Sunday, Heat, e isto só pra citar os mais conhecidos e que vi e que me lembro. Vais dizer-me que não veneras o gajo e que não tens quase sempre uma pergunta retórica na manga?
- E o Oceans 13?
- Não sei, porque ainda não vi.
- Óptimo, porque eu também não. Mas ‘tava a dizer-te...
- Como a Feira... — lançou, enquanto pousava a chávena do café.
- Pá! Queres apanhar?
- Desculpa.
(dois segundos de silêncio)
Acendeu mais um cigarro e atirando o isqueiro para cima da mesa, continuou:
- A razão por que te digo que não sabes como me sinto é porque não ficas com este sorriso parvo estampado na cara quando dás por ti a comentar com o Alfredo (como eu dei, hoje e ontem e antes, e como tu nunca darás porque não vês isso) que hoje o pôr-do-sol estava especialmente bonito, alaranjado mas não muito e ainda bem, luminoso, que tirei os óculos de sol para poder ver bem as cores. Ou como agora, neste momento, em que estou chateado por teres gozado com algo com que não se brinca!... — sorveu o cigarro — mas em vez disso estou aqui de lábios rasgados como que contente, incontrolado, que pareço um palerma.
- Não sei se percebi — disse, como quem diria a medo, mas gozando.
Soprou o fumo e desistiu, sorrindo:
- Epá, vai à merda!
domingo, 10 de junho de 2007
quinta-feira, 7 de junho de 2007
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Quatro anos depois, terminou. Quatro anos depois vai começar. Sempre que penso nisto, que me lembro disto, que sinto isto, invade-me uma tremenda nostalgia e saudade e quase choro, sobretudo de alegria e de paixão. Como explicar? A Inês tinha razão, quando nos disse que muito mudaria ali, que seria dali que levaríamos connosco as fundações para um resto de percurso de vida.
Quando era mais miúdo, pela primeira de muitas vezes naquela escola, quando às oito e um quarto a Isabel ainda não tinha chegado, eu corria para o campo com os rapazes para jogar à bola. A Isabel, que nos ia buscar um por um segurando-nos pelo braço, no fim haveria de dizer que me percebia o desinteresse por aquilo e porque estava a minha cabeça noutro lugar.
O Américo pôs tudo em pratos limpos desde o dia em que me conheceu e sempre que podia atirava-me, com um sorriso, que não percebia — embora percebendo — porque insistia em fazer aquilo. O Américo tem uma quota de responsabilidade enorme, e ainda bem que é assim. Como quando me disse que era apaixonadíssimo pela mulher e pelos filhos e que era por isso que se estava marimbando para o clube e que todo o tempo livre que tinha, entre a escola, o atelier e o jornal, era para eles. E não se pense que era pouco, mesmo quando era, porque o Américo era muito ginasticado para os quase dois metros de altura, cem quilos de peso e meia dúzia de cabelos na careca. Um dia confessei-lhe querer para mim, quando fosse a altura, o mesmo brilho que ganhavam os olhos dele quando me contava coisas deles. Não perdes por esperar.
Já o Raul ensinou-me vida e isso não se quantifica. Melhor ainda: continua ensinando, com a mesma paixão e entrega com que nos explicava o êntero e o celêntero e o resto. Não me esqueço quando ele disse que me entendia, que eu não me preocupasse em demasia e que deveria, então, retirar dali o melhor, o que era especial, o pedaço mais saboroso. Hoje, quando me vê, repete-me se não acho que valeu a pena. Valeu, pois. Porque foi difícil.
Não fosse pela Isabel, pelo Américo, pelo Raul e por tudo o resto e todos os que me acompanharam desde então, e nada teria sido como foi, e nada seria como vai ser. Quando cheguei, em 2003, cheguei na altura certa. «Ena, mais gajos»? Certamente. «Olha, queres namorar comigo?» Mas eu só tinha acabado de explicar como se usavam atalhos do Word para formatar as tabelas... Assim começava o período mais rico da minha vida. Que é feito de pessoas. Afinal, não é por isso que andamos por cá?
Estranhei, conheci, mostrei, sorri, entreguei e recebi, ri à gargalhada, chorei em soluços, aprendi e ensinei, compreendi e repliquei, apaixonei-me como até então nunca e cresci com o reconhecimento do que é isso, então, das paixões. Porque é disso que se trata, de diferentes paixões, e de ser esse o mote para tudo — e aqui não há lugar a contestações. De tão cheio que vou, é parvoíce sentir-me vazio agora e com um nó na garganta.
Conforme me chegam à cabeça: Joana, Maria, João, Rui, Raquel, Diana, Maria, João, Marta, Mariana, mais uma Maria, André, Patrícia, Catarina, Bruno, Pedro, Joana, Rui, Miguel, Bruno, outro Miguel, Filipa, André, Sandra, Sara, Carlos, José, outro José, um homónimo João, André, Tiago, Ricardo, mais um José e ainda outro José, Ana, Marcos, Rita, Sofia, António, Rosário, ainda outra Joana, Alberto, Mariana, Isabel, António, Margarida, mais uma Maria e acho que estão todos ou então perdoe-me algum. Agradeço-vos. E porquê?
Uns e outros, assim e assados. Pela felicidade que me trazem ao estar comigo. Pela dedicação. Pelo ensinamento. Por me ter permitido sentir intensamente. Pela admiração que tenho. Pela força dada. Pelo respeito mútuo. Pela sinceridade e boa-fé. Pela simplicidade. Pela humildade. Pela entrega. Porque me apetece sempre acarinhar. Pelo estalo. Por me fazerem rir e sorrir. Pela partilha. Pela paciência e pela impaciência. Porque me permitiu descobrir coisas tão bonitas. Pela protecção. Pela beleza. Pela convicção. Pelo debate e pelo combate. Pela surpresa. Pela confiança. Pelo acompanhamento. Pelo crescimento. Por chorar de surpresa. Por chorar de tristeza e de alegria. Por ser tão especial. Por me provocar um enorme desejo de fazer e dizer coisas que nunca tinha feito. Por serem tão ricos. Por tudo o que se passou. Uns e outros, diferentemente assim e assados. De todos gostando muito, por alguns apaixonado como nunca até então. Levo-vos comigo.
domingo, 3 de junho de 2007
Existe uma certa poesia numa mulher naturalmente bonita, de vestido preto de baile, casaco vermelho, uma bandelete no cabelo com um lacinho pequenino, e nos pés umas chinelas havaianas brancas, atravessando uma rua de empedrado de basalto ali próximo do rio, às seis e pouco da manhã de um dia de sol, para chegar até onde beber um chocolate quente.
terça-feira, 22 de maio de 2007
domingo, 20 de maio de 2007
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Não percebo o que dizes e ainda menos o que deixas por dizer. Como quando a bola passa mesmo a milímetros da raquete e nós vamos esticadinhos para a frente como quem corta uma meta e a derrapar no pó de tijolo, de sorriso na cara e depois: «sacaninha…» Ou então sou eu que faço o filme. Porque há filmes que consigo fazer e são muito fáceis. Com charriot e travellings.
Como quando o Jorge me veio buscar, sem me conhecer, porque era tarde e eu não tinha como chegar — eu era apenas um nome perto da bomba de gasolina e o teu desejo naquela noite. Entrei no carro sem saber sequer para onde ia e ele estava drogadíssimo, aceleradíssimo, felicíssimo, como quem satisfaz um desejo de morangos com chantili a altas horas da noite a uma mulher, à nossa mulher, grávida. Foi o delírio, para todos. E nunca tinha descido aquela calçada sem travões, só para sentir como era.
Sete anos depois, continuo a voltar lá. Não há um sítio melhor em toda a cidade. E não só não travo como também desengato o carro nas subidas e nas descidas, só para sentir como é — pleno, como a orquestra em Berlim, sabes? Sabes, ou não me teria desfeito em lágrimas, com e sem motivos de jeito.
É que nunca recebi um postal de Itália.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
domingo, 13 de maio de 2007
- Tenho comichão no coração. Consigo lembrar-me de duas possíveis razões para isso. Ou é do mini-escaldão que apanhei na praia no outro dia; ou é porque tenho mesmo comichão no coração. Porque é que me apetece coçar o coração? Porque alguma coisa lhe faz, me faz, cócegas. Consigo lembrar-me de duas possíveis razões para isso. Ou é da pele seca que quer saltar, por causa do mini-escaldão que apanhei na praia no outro dia; ou é por tua causa.
- Por minha causa?
- Consigo lembrar-me de duas possíveis razões para isso. Ou é porque te ouvi, um dia; ou é porque te conheci, noutro.
- Hã?
A partir de “The question concerning technology”, de M. Heidegger; e de “Ascent”, de B. Sassetti.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
quinta-feira, 3 de maio de 2007
segunda-feira, 30 de abril de 2007
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Há dias em que apetece que tudo seja diferente e este era um deles por isso mesmo, porque só apetecia e não acontecia. «É simplesmente complicado», quis dizer, tentando explicar-lhe porque aparecia daquela forma que lhe pareceu estranha e daí a pergunta dele, às sete da tarde, sol quase posto na Avenida da Liberdade que ficava cinzenta a espaços de cinco minutos, com os arrumadores ocupando os seus lugares e pedindo um cigarro a quem passava. «Não tenho, pá».
Começou bem, quando a sala escureceu, soaram os primeiros acordes e apareceram as primeiras imagens do chunga pedindo trocos com a cantiga do bandido de sempre do estou preso aqui, roubaram-me tudo e nem tenho uma camisola para vestir, «tou-te a pedir, não tou-t’a roubar, tás a ver?», e eu sei que não és de cá, estás aqui de férias e basta-me dois dólares, se fazes o favor.
«É simplesmente complicado», quero dizer, tentando explicar porque apareci daquela forma estranha e daí a pergunta, às sete da tarde e até agora, sol já posto há horas na Avenida da Liberdade e aqui, agora eu cinzento a espaços de cinco minutos, com os arrumadores de ideias sem braços e ocupando lugares ao molho todos encavalitados e amolgados enquanto pedem cigarros a mim que me passo. «Não consigo, pá».
Porque tudo, isso, isto, significa demasiado para mim, não entendes? Alegra-me, fico mal disposto, é violento, é cru, é enternecedor, preenche-me, choca-me, faz-me sentir privilegiado, não me tranquiliza no cinema, faz-me gostar... Como num osciloscópio e no filme.
Life in Loops, Megacities remixed, de Timo Novotny e Michael Glawogger a partir do original deste último, filme de abertura do Indie Lisboa 2007, hoje reposto no S.Jorge. Para mim, que venho gostando dos trabalhos de Glawogger, foi sublime. Apesar de tudo.
domingo, 22 de abril de 2007
sexta-feira, 20 de abril de 2007
A intenção original era dizer que fiz um bom negócio quando, há umas semanas, comprei um disco rígido externo de 400GB da Toshiba por 120 euros – fruto de marcação incorrecta numa loja –, quando o dito custa 150 na Chip7 e 180 na Fnac. E porque foi um bom negócio? Porque o raio do disco é tão lento, que dói. E seria insuportável ter pago mais ainda por tão baixa qualidade.
Mas depois de terminar a transferência de ficheiros do Acer para o disco, liguei-o ao MacBook para deslocar novamente o material e eis senão quando o pachorrento disco ganhou nova vida, rapidez de Schumacker e transferiu os vários gigas num terço do tempo que tinha levado no PC. Moral da história: as portas USB 2.0 do MacBook são melhores que as do meu ex-Acer? E o disco foi, realmente, um negócio da Tailândia.Outra coisa que me fascina no MacBook, pela sua utilidade, é a aplicação Dictionary. Este pequeno programinha é um dicionário de inglês, instalado de série e que corre offline, ou seja, não é preciso ter acesso à net para tirar aquela dúvida que nos assaltou ao ler o Guardian ou assim. É por estas e por outras que o MacBook soma pontos e segue.
quarta-feira, 18 de abril de 2007



Estética e física O portátil é muito bonito – vejam por vocês mesmos (fotos de terceiros). O preto fica-lhe muito bem, embora as dedadas insistam em se marcar na tampa. O tamanho é pouco maior que o de uma folha A4, talvez mais 1cm em cada lado, e a espessura reduzida favorece a portabilidade.
O teclado parece-me de elevada qualidade e a posição das teclas não é muito diferente de um PC – contudo, as funções são bastante diferentes. O ecrã brilhante é um das grandes a mais-valia do MacBook, com leitura facílima com a luminosidade apenas a um ponto – e são 16 ajustes no total –, o que ajuda na poupança de energia. A bateria é outro ponto favorável, com cerca de cinco horas em qualquer operação que não exija muito do processador, como vídeo ou o jogo Chess!! As colunas de som estão ao nível da Toshiba.
Ponto fraco - ainda aquece...
Os rumores de aquecimento excessivo dos primeiros MacBook não estão totalmente dissipados com esta nova geração equipada com Intel Core 2 Duo. Os processadores Intel são autênticos fornos e a espessura diminuta do MacBook fá-lo aquecer à esquerda, na zona onde estão concentradas as portas dos periféricos e alguns circuitos (ver foto; o espaço vazio é da bateria; à direita está a drive CD/DVD e o disco; ao centro o processador, com ventoinha). E isso incomoda o pulso, embora não dê para fritar ovos. Mas incomoda, ao fim de umas horas a processar texto. Resta saber se este não é o calcanhar de Aquiles do MacBook, pronto a sacrificar a sua longevidade. Esperemos que não.

Software
O Mac OS X é um sistema operativo muito mais intuitivo, simples, leve e criativo/animado do que o Windows XP ou Vista.
Instalação e remoção de programas estupendamente simples – arrastar o ícone para a pasta Aplications, para instalar, ou para o caixote do lixo para remover.
De série vêm algumas aplicações muito úteis e engraçadas, das quais destaco o Stickies, post-it digitais, amarelinhos e tudo, que podemos programar para ficar no ecrã cada vez que iniciamos o computador.
Existem imensas aplicações alternativas para tudo o que se possa imaginar: dezenas de vizualizadores de vídeo, de programas de chat a usar protocolo MSN, de compactadores, de tudo e mais alguma coisa e muitas vezes freeware; existem várias suites Office – incluindo a versão para Mac, do tio Bill – e programas específicos como os do universo Adobe têm versão para Mac. E os nomes dos programas são engraçados: Stuffit, Safari, Toast, etc.
O Mac OS X também tem um “Ctrl-Alt-Del” para abrir o gestor de programas e forçar a fechar alguma aplicação que tenha encravado – os tipos dizem que os programas podem encravar, mas o sistema operativo nunca congelará, como faz o Windows amiúde.
Certas configirações não demoram mais de 30segs. Exemplo: configurar a net wireless e-U que no estaminé onde estudo não é de acesso aberto, precisa utilizador e password, faz-se no Mac em 30segs, numa só janela e preenchendo quatro campos, enquanto que no Windows é preciso descarregar um certificado, instalá-lo, configurar especificidades na ligação, etc e tal e uns 5min depois é que estamos a navegar.
Ponto fraco - Safari, esse sacana
O browser da Mac, o Safari, tem alguma dificuldade em abrir, por exemplo, as páginas dos serviços de home-banking e do Blogger, o que me irrita solenemente. Isto deve-se a que 90% da internet seja feita para o browser da Microsoft, o Internet Explorer, creio eu. Mas precisamente para colmatar essas falhas é que existem outros browsers para Mac e eu ando a testar o famoso Firefox, para estas páginas que o Safari não abre. Usar dois browsers é chato, mas com o hábito vou lá.
Hardware
Agora a Mac usa equipamentos Intel. Este MacBook tem um processador Core 2 Duo a 2GHz com 4MB de cache, 1GB de RAM e gráfica Intel com 64MB. Até agora isto chega e sobra (muito…). O disco de 120GB é Toshiba, o que inspira fiabilidade, e é extremamente silencioso. A drive CD/DVD é Matsushita, fabricante japonês com tradição, o que também inspira confiança.
Quanto a algo que muito me irritava no PC, a antena wireless ou o software que a geria, no MacBook nunca perco uma ligação à rede. Ou é da antena em si ou é do Airport, programa que a gere, a qualidade é alta.
Usabilidade - e a função Delete!!
Nos primeiros dias foi muito difícil perceber o Mac porque os atalhos do teclado são totalmente diferentes. Mas depois de chatear uns amigos, de ler o guia da Apple em 101 passos para quem muda de Windows para Mac, e de pesquisar um pouquito na net e no Spotlight – o fenomenal sistema de pesquisa e ajuda do Mac, que mete o Help ou o Search do Windows a um canto – lá percebi para que serve o Control; o Alt; o Apple; que a tecla Fn tem que ser activada nas Preferences; como usar o Pg Up, Down, Home e End; como saltar de palavra em palavra no Word; etc.
O que mais me incomodava acabei de resolver há dois minutos: o MacBook não tem a tecla/função Delete, aquela que apaga para a direita do cursor – e não para a esquerda, que essa é o Backspace – mas eu descobri e informo que o Delete no Word ou qualquer outro programa se faz assim Fn + Backspace (a tecla “apagar”)! Rejubilem…
E pronto, desta forma se contorna o vazio criativo, o monumental volume de trabalho presente e se escreve alguma coisa neste Pudim fora de prazo…
segunda-feira, 19 de março de 2007
O jornalista e documentarista Filipe Araújo e o fotógrafo Guillaume Pazat produzem e realizam Madrid Expresso, um podcast multimédia semanal dedicado à capital europeia mais próxima de Lisboa, para o jornal Expresso.
Aqui ficam alguns dos primeiros vídeos já disponibilizados, de uma série de 24. Depois é favor passar pelo site do jornal, ao fim-de-semana, e procurar as novidades. Um abraço ao Filipe!
A fuga ## O porto de Madrid ## Leituras subterrâneas ## Alcatraz espanhol ## Olé!
Mais info em www.blablablamedia.com
sexta-feira, 16 de março de 2007
segunda-feira, 12 de março de 2007
Ali.
Quando ainda estava quente.
No cinema.
No miradouro.
Sentado na cadeira.
No bar, a meia luz.
Na Ribeira.
No 28.
À mesa, por aí.
Com ele, com ela.
Comigo.
Na carruagem nº 5 e na cadeira nº 11.
No hotel.
No carro.
Na fundação.
No Basta.
Flamenco.
Nas letras.
Nos discos, aquele velho e os outros.
Quando está sol.
Mesmo se choveu.
E…
Esta história eu não sou capaz de escrever.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
A noite é de Óscares, mas eu estou mesmo à espera é de me enfiar no comboio até ao Porto. Isso sim.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
O João, o André e os outros
Está quase a fazer um ano que numa tarde que era mais quente no Jardim da Estrela do que em qualquer outro lugar de Lisboa, o João e o André me falaram do seu segundo projecto de cinema conjunto, enquanto realizadores. Pedras e cigarrilhas depois, levei para casa o guião.
Agora, quando muito já se alterou desde então; quando tudo está com fenomenal bom aspecto; porque acredito muito no João e no André, no seu talento, trabalho, dedicação e esforço; e porque também não me esqueço da equipa que trabalha com eles, igualmente talentosa e esforçada; é altura de lhes dedicar umas linhas.
Brevemente estreará a curta-metragem “Dez Beta”. Este filme de 10 minutos antecede e promove um outro projecto mais ambicioso, a longa-metragem “O Dez”. Mas enquanto este projecto ainda não saltou do guião, o outro, o “Dez Beta”, já foi todo filmado e está em pós-produção. E está muito, mas mesmo muito catita, pelo que pude ver nas filmagens e nalgumas cenas já montadas.
O “Dez Beta” tem um elenco profissional onde constam nomes conhecidos como José Pedro Gomes e Cláudia Semedo. Foi filmado em tecnologia Sony HD — para quem não sabe, isso é high definition; e eu posso assegurar que é mesmo high definition. E mais não digo, não faço sinopses, não conto a estória, nada nadinha, para vocês descobrirem sozinhos nos endereços que indico abaixo. Vá, apenas lhes roubo umas fotografias de cena, para vos aguçar o apetite.

Se quiserem saber mais, é muito simples:
1. Vão a www.odez.net e registem-se (na página principal, à esquerda, em baixo). Os rapazes precisam de muitos registos e assim vocês também ficam aptos a receber informações de ambos os projectos por email.
2. Naveguem pelo site www.odez.net, que é a tal longa-metragem “O Dez”, sim, essa que ainda não saiu do papel e que é uma obra conjunta de dez realizadores e dez argumentistas. Leiam sobre a ideia e a estória que lhe subjaz. Vejam os dez oráculos, um pequeno vídeo por cada estória. Leiam um pedacito de cada argumento e vejam quem são os autores e realizadores (no meio dos desconhecidos estão Nuno Markl e Filipe Homem de Fonseca…).
3. Voltem a www.odez.net e entrem como utilizadores registados (login na página principal, à direita, em baixo). Naveguem à vontade.
4. Passem pelo blogue do projecto, em http://www.projectodez.blogspot.com/.
5. Fiquem atentos. Vai valer a pena ver a curta-metragem “Dez Beta”. Tal como vai valer a pena ver a longa “O Dez”, logo que os rapazes consigam os meios para a pôr em marcha.






