quinta-feira, 28 de junho de 2007
quarta-feira, 20 de junho de 2007
quinta-feira, 14 de junho de 2007
«Tens — tu também — o dom da palavra», disseste-me. Fiquei muito feliz. Porque te quero muito, e às palavras também. Elas são parte de mim e a melhor forma que, por (demasiadas) vezes, encontro para mostrar a quem gosto que gosto, porque gosto e quanto gosto. Porque me acho desajeitado noutras maneiras, porque não sei porquê — é parvoíce, pela certa.
Como quando me fico por um olhar mais demorado, um toque no braço ou só com a ponta de um dedo num centímetro quadrado da tua pele — é quão longe consigo ir. Se me sentir protegido por uma armadura de aço, lá solto uma frase ou duas repletas da minha verdade, embora quase quase sempre sem conseguir ser olhado a olhar, a minha verdade, como dizia, de ver um contorno bonito, uma linha de volúpia, um timbre quente, um sorriso terno e o resto das coisas. Envergonhado. Com palavras.
Não é sempre assim. Ainda bem. Como ontem, quando lhes quis dizer que a sua presença ali tinha sido muito, mas mesmo muito importante, como se tivesse sido eu a chamá-los. Que por eles tenho um enorme carinho. Que neles vejo bom fundo e fico encantado. Que serei teu camarada de armas — basta que me chames — para pôr fim a essa angústia. Que cada vez que te olho me perco nas maçãs do teu rosto. E só de vos olhar, já sorrio.
E hoje, que choveu e foi cinzento como em Outubro, bem precisei.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
E fez um imenso sentido naquele exacto segundo. Como se arrancasse, não da boca, mas do peito, o que nunca conseguira que tomasse forma nas ideias, porque estava tão lá no subconsciente, mas que lhe vinha apertando o coração de uma maneira real e havia já quanto — bastante — tempo.
Não ficou mais leve; não feriu por dentro; não apagou desejos; não estragou sorrisos; não resolveu nada. Mas faz sol sempre que as peças encaixam.
E então perguntou-lhe: “entendes?”
segunda-feira, 11 de junho de 2007
- Oh, eu sei como te sentes...
- Não sabes não. E eu explico-te porquê. Queres saber?
- Vá, diz lá... — acrescentando em surdina — man, adoras mesmo o Al Pacino e os personagens retóricos que lhe dão p’ra fazer...
- Não mudes de assunto — respondeu sério.
- Não ‘tou a mudar de assunto. Só ‘tou a constatar: Devil’s Advocate, The Insider, Any Given Sunday, Heat, e isto só pra citar os mais conhecidos e que vi e que me lembro. Vais dizer-me que não veneras o gajo e que não tens quase sempre uma pergunta retórica na manga?
- E o Oceans 13?
- Não sei, porque ainda não vi.
- Óptimo, porque eu também não. Mas ‘tava a dizer-te...
- Como a Feira... — lançou, enquanto pousava a chávena do café.
- Pá! Queres apanhar?
- Desculpa.
(dois segundos de silêncio)
Acendeu mais um cigarro e atirando o isqueiro para cima da mesa, continuou:
- A razão por que te digo que não sabes como me sinto é porque não ficas com este sorriso parvo estampado na cara quando dás por ti a comentar com o Alfredo (como eu dei, hoje e ontem e antes, e como tu nunca darás porque não vês isso) que hoje o pôr-do-sol estava especialmente bonito, alaranjado mas não muito e ainda bem, luminoso, que tirei os óculos de sol para poder ver bem as cores. Ou como agora, neste momento, em que estou chateado por teres gozado com algo com que não se brinca!... — sorveu o cigarro — mas em vez disso estou aqui de lábios rasgados como que contente, incontrolado, que pareço um palerma.
- Não sei se percebi — disse, como quem diria a medo, mas gozando.
Soprou o fumo e desistiu, sorrindo:
- Epá, vai à merda!
domingo, 10 de junho de 2007
quinta-feira, 7 de junho de 2007
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Quatro anos depois, terminou. Quatro anos depois vai começar. Sempre que penso nisto, que me lembro disto, que sinto isto, invade-me uma tremenda nostalgia e saudade e quase choro, sobretudo de alegria e de paixão. Como explicar? A Inês tinha razão, quando nos disse que muito mudaria ali, que seria dali que levaríamos connosco as fundações para um resto de percurso de vida.
Quando era mais miúdo, pela primeira de muitas vezes naquela escola, quando às oito e um quarto a Isabel ainda não tinha chegado, eu corria para o campo com os rapazes para jogar à bola. A Isabel, que nos ia buscar um por um segurando-nos pelo braço, no fim haveria de dizer que me percebia o desinteresse por aquilo e porque estava a minha cabeça noutro lugar.
O Américo pôs tudo em pratos limpos desde o dia em que me conheceu e sempre que podia atirava-me, com um sorriso, que não percebia — embora percebendo — porque insistia em fazer aquilo. O Américo tem uma quota de responsabilidade enorme, e ainda bem que é assim. Como quando me disse que era apaixonadíssimo pela mulher e pelos filhos e que era por isso que se estava marimbando para o clube e que todo o tempo livre que tinha, entre a escola, o atelier e o jornal, era para eles. E não se pense que era pouco, mesmo quando era, porque o Américo era muito ginasticado para os quase dois metros de altura, cem quilos de peso e meia dúzia de cabelos na careca. Um dia confessei-lhe querer para mim, quando fosse a altura, o mesmo brilho que ganhavam os olhos dele quando me contava coisas deles. Não perdes por esperar.
Já o Raul ensinou-me vida e isso não se quantifica. Melhor ainda: continua ensinando, com a mesma paixão e entrega com que nos explicava o êntero e o celêntero e o resto. Não me esqueço quando ele disse que me entendia, que eu não me preocupasse em demasia e que deveria, então, retirar dali o melhor, o que era especial, o pedaço mais saboroso. Hoje, quando me vê, repete-me se não acho que valeu a pena. Valeu, pois. Porque foi difícil.
Não fosse pela Isabel, pelo Américo, pelo Raul e por tudo o resto e todos os que me acompanharam desde então, e nada teria sido como foi, e nada seria como vai ser. Quando cheguei, em 2003, cheguei na altura certa. «Ena, mais gajos»? Certamente. «Olha, queres namorar comigo?» Mas eu só tinha acabado de explicar como se usavam atalhos do Word para formatar as tabelas... Assim começava o período mais rico da minha vida. Que é feito de pessoas. Afinal, não é por isso que andamos por cá?
Estranhei, conheci, mostrei, sorri, entreguei e recebi, ri à gargalhada, chorei em soluços, aprendi e ensinei, compreendi e repliquei, apaixonei-me como até então nunca e cresci com o reconhecimento do que é isso, então, das paixões. Porque é disso que se trata, de diferentes paixões, e de ser esse o mote para tudo — e aqui não há lugar a contestações. De tão cheio que vou, é parvoíce sentir-me vazio agora e com um nó na garganta.
Conforme me chegam à cabeça: Joana, Maria, João, Rui, Raquel, Diana, Maria, João, Marta, Mariana, mais uma Maria, André, Patrícia, Catarina, Bruno, Pedro, Joana, Rui, Miguel, Bruno, outro Miguel, Filipa, André, Sandra, Sara, Carlos, José, outro José, um homónimo João, André, Tiago, Ricardo, mais um José e ainda outro José, Ana, Marcos, Rita, Sofia, António, Rosário, ainda outra Joana, Alberto, Mariana, Isabel, António, Margarida, mais uma Maria e acho que estão todos ou então perdoe-me algum. Agradeço-vos. E porquê?
Uns e outros, assim e assados. Pela felicidade que me trazem ao estar comigo. Pela dedicação. Pelo ensinamento. Por me ter permitido sentir intensamente. Pela admiração que tenho. Pela força dada. Pelo respeito mútuo. Pela sinceridade e boa-fé. Pela simplicidade. Pela humildade. Pela entrega. Porque me apetece sempre acarinhar. Pelo estalo. Por me fazerem rir e sorrir. Pela partilha. Pela paciência e pela impaciência. Porque me permitiu descobrir coisas tão bonitas. Pela protecção. Pela beleza. Pela convicção. Pelo debate e pelo combate. Pela surpresa. Pela confiança. Pelo acompanhamento. Pelo crescimento. Por chorar de surpresa. Por chorar de tristeza e de alegria. Por ser tão especial. Por me provocar um enorme desejo de fazer e dizer coisas que nunca tinha feito. Por serem tão ricos. Por tudo o que se passou. Uns e outros, diferentemente assim e assados. De todos gostando muito, por alguns apaixonado como nunca até então. Levo-vos comigo.
domingo, 3 de junho de 2007
Existe uma certa poesia numa mulher naturalmente bonita, de vestido preto de baile, casaco vermelho, uma bandelete no cabelo com um lacinho pequenino, e nos pés umas chinelas havaianas brancas, atravessando uma rua de empedrado de basalto ali próximo do rio, às seis e pouco da manhã de um dia de sol, para chegar até onde beber um chocolate quente.
terça-feira, 22 de maio de 2007
domingo, 20 de maio de 2007
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Não percebo o que dizes e ainda menos o que deixas por dizer. Como quando a bola passa mesmo a milímetros da raquete e nós vamos esticadinhos para a frente como quem corta uma meta e a derrapar no pó de tijolo, de sorriso na cara e depois: «sacaninha…» Ou então sou eu que faço o filme. Porque há filmes que consigo fazer e são muito fáceis. Com charriot e travellings.
Como quando o Jorge me veio buscar, sem me conhecer, porque era tarde e eu não tinha como chegar — eu era apenas um nome perto da bomba de gasolina e o teu desejo naquela noite. Entrei no carro sem saber sequer para onde ia e ele estava drogadíssimo, aceleradíssimo, felicíssimo, como quem satisfaz um desejo de morangos com chantili a altas horas da noite a uma mulher, à nossa mulher, grávida. Foi o delírio, para todos. E nunca tinha descido aquela calçada sem travões, só para sentir como era.
Sete anos depois, continuo a voltar lá. Não há um sítio melhor em toda a cidade. E não só não travo como também desengato o carro nas subidas e nas descidas, só para sentir como é — pleno, como a orquestra em Berlim, sabes? Sabes, ou não me teria desfeito em lágrimas, com e sem motivos de jeito.
É que nunca recebi um postal de Itália.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
domingo, 13 de maio de 2007
- Tenho comichão no coração. Consigo lembrar-me de duas possíveis razões para isso. Ou é do mini-escaldão que apanhei na praia no outro dia; ou é porque tenho mesmo comichão no coração. Porque é que me apetece coçar o coração? Porque alguma coisa lhe faz, me faz, cócegas. Consigo lembrar-me de duas possíveis razões para isso. Ou é da pele seca que quer saltar, por causa do mini-escaldão que apanhei na praia no outro dia; ou é por tua causa.
- Por minha causa?
- Consigo lembrar-me de duas possíveis razões para isso. Ou é porque te ouvi, um dia; ou é porque te conheci, noutro.
- Hã?
A partir de “The question concerning technology”, de M. Heidegger; e de “Ascent”, de B. Sassetti.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
quinta-feira, 3 de maio de 2007
segunda-feira, 30 de abril de 2007
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Há dias em que apetece que tudo seja diferente e este era um deles por isso mesmo, porque só apetecia e não acontecia. «É simplesmente complicado», quis dizer, tentando explicar-lhe porque aparecia daquela forma que lhe pareceu estranha e daí a pergunta dele, às sete da tarde, sol quase posto na Avenida da Liberdade que ficava cinzenta a espaços de cinco minutos, com os arrumadores ocupando os seus lugares e pedindo um cigarro a quem passava. «Não tenho, pá».
Começou bem, quando a sala escureceu, soaram os primeiros acordes e apareceram as primeiras imagens do chunga pedindo trocos com a cantiga do bandido de sempre do estou preso aqui, roubaram-me tudo e nem tenho uma camisola para vestir, «tou-te a pedir, não tou-t’a roubar, tás a ver?», e eu sei que não és de cá, estás aqui de férias e basta-me dois dólares, se fazes o favor.
«É simplesmente complicado», quero dizer, tentando explicar porque apareci daquela forma estranha e daí a pergunta, às sete da tarde e até agora, sol já posto há horas na Avenida da Liberdade e aqui, agora eu cinzento a espaços de cinco minutos, com os arrumadores de ideias sem braços e ocupando lugares ao molho todos encavalitados e amolgados enquanto pedem cigarros a mim que me passo. «Não consigo, pá».
Porque tudo, isso, isto, significa demasiado para mim, não entendes? Alegra-me, fico mal disposto, é violento, é cru, é enternecedor, preenche-me, choca-me, faz-me sentir privilegiado, não me tranquiliza no cinema, faz-me gostar... Como num osciloscópio e no filme.
Life in Loops, Megacities remixed, de Timo Novotny e Michael Glawogger a partir do original deste último, filme de abertura do Indie Lisboa 2007, hoje reposto no S.Jorge. Para mim, que venho gostando dos trabalhos de Glawogger, foi sublime. Apesar de tudo.
domingo, 22 de abril de 2007
sexta-feira, 20 de abril de 2007
A intenção original era dizer que fiz um bom negócio quando, há umas semanas, comprei um disco rígido externo de 400GB da Toshiba por 120 euros – fruto de marcação incorrecta numa loja –, quando o dito custa 150 na Chip7 e 180 na Fnac. E porque foi um bom negócio? Porque o raio do disco é tão lento, que dói. E seria insuportável ter pago mais ainda por tão baixa qualidade.
Mas depois de terminar a transferência de ficheiros do Acer para o disco, liguei-o ao MacBook para deslocar novamente o material e eis senão quando o pachorrento disco ganhou nova vida, rapidez de Schumacker e transferiu os vários gigas num terço do tempo que tinha levado no PC. Moral da história: as portas USB 2.0 do MacBook são melhores que as do meu ex-Acer? E o disco foi, realmente, um negócio da Tailândia.Outra coisa que me fascina no MacBook, pela sua utilidade, é a aplicação Dictionary. Este pequeno programinha é um dicionário de inglês, instalado de série e que corre offline, ou seja, não é preciso ter acesso à net para tirar aquela dúvida que nos assaltou ao ler o Guardian ou assim. É por estas e por outras que o MacBook soma pontos e segue.
quarta-feira, 18 de abril de 2007



Estética e física O portátil é muito bonito – vejam por vocês mesmos (fotos de terceiros). O preto fica-lhe muito bem, embora as dedadas insistam em se marcar na tampa. O tamanho é pouco maior que o de uma folha A4, talvez mais 1cm em cada lado, e a espessura reduzida favorece a portabilidade.
O teclado parece-me de elevada qualidade e a posição das teclas não é muito diferente de um PC – contudo, as funções são bastante diferentes. O ecrã brilhante é um das grandes a mais-valia do MacBook, com leitura facílima com a luminosidade apenas a um ponto – e são 16 ajustes no total –, o que ajuda na poupança de energia. A bateria é outro ponto favorável, com cerca de cinco horas em qualquer operação que não exija muito do processador, como vídeo ou o jogo Chess!! As colunas de som estão ao nível da Toshiba.
Ponto fraco - ainda aquece...
Os rumores de aquecimento excessivo dos primeiros MacBook não estão totalmente dissipados com esta nova geração equipada com Intel Core 2 Duo. Os processadores Intel são autênticos fornos e a espessura diminuta do MacBook fá-lo aquecer à esquerda, na zona onde estão concentradas as portas dos periféricos e alguns circuitos (ver foto; o espaço vazio é da bateria; à direita está a drive CD/DVD e o disco; ao centro o processador, com ventoinha). E isso incomoda o pulso, embora não dê para fritar ovos. Mas incomoda, ao fim de umas horas a processar texto. Resta saber se este não é o calcanhar de Aquiles do MacBook, pronto a sacrificar a sua longevidade. Esperemos que não.

Software
O Mac OS X é um sistema operativo muito mais intuitivo, simples, leve e criativo/animado do que o Windows XP ou Vista.
Instalação e remoção de programas estupendamente simples – arrastar o ícone para a pasta Aplications, para instalar, ou para o caixote do lixo para remover.
De série vêm algumas aplicações muito úteis e engraçadas, das quais destaco o Stickies, post-it digitais, amarelinhos e tudo, que podemos programar para ficar no ecrã cada vez que iniciamos o computador.
Existem imensas aplicações alternativas para tudo o que se possa imaginar: dezenas de vizualizadores de vídeo, de programas de chat a usar protocolo MSN, de compactadores, de tudo e mais alguma coisa e muitas vezes freeware; existem várias suites Office – incluindo a versão para Mac, do tio Bill – e programas específicos como os do universo Adobe têm versão para Mac. E os nomes dos programas são engraçados: Stuffit, Safari, Toast, etc.
O Mac OS X também tem um “Ctrl-Alt-Del” para abrir o gestor de programas e forçar a fechar alguma aplicação que tenha encravado – os tipos dizem que os programas podem encravar, mas o sistema operativo nunca congelará, como faz o Windows amiúde.
Certas configirações não demoram mais de 30segs. Exemplo: configurar a net wireless e-U que no estaminé onde estudo não é de acesso aberto, precisa utilizador e password, faz-se no Mac em 30segs, numa só janela e preenchendo quatro campos, enquanto que no Windows é preciso descarregar um certificado, instalá-lo, configurar especificidades na ligação, etc e tal e uns 5min depois é que estamos a navegar.
Ponto fraco - Safari, esse sacana
O browser da Mac, o Safari, tem alguma dificuldade em abrir, por exemplo, as páginas dos serviços de home-banking e do Blogger, o que me irrita solenemente. Isto deve-se a que 90% da internet seja feita para o browser da Microsoft, o Internet Explorer, creio eu. Mas precisamente para colmatar essas falhas é que existem outros browsers para Mac e eu ando a testar o famoso Firefox, para estas páginas que o Safari não abre. Usar dois browsers é chato, mas com o hábito vou lá.
Hardware
Agora a Mac usa equipamentos Intel. Este MacBook tem um processador Core 2 Duo a 2GHz com 4MB de cache, 1GB de RAM e gráfica Intel com 64MB. Até agora isto chega e sobra (muito…). O disco de 120GB é Toshiba, o que inspira fiabilidade, e é extremamente silencioso. A drive CD/DVD é Matsushita, fabricante japonês com tradição, o que também inspira confiança.
Quanto a algo que muito me irritava no PC, a antena wireless ou o software que a geria, no MacBook nunca perco uma ligação à rede. Ou é da antena em si ou é do Airport, programa que a gere, a qualidade é alta.
Usabilidade - e a função Delete!!
Nos primeiros dias foi muito difícil perceber o Mac porque os atalhos do teclado são totalmente diferentes. Mas depois de chatear uns amigos, de ler o guia da Apple em 101 passos para quem muda de Windows para Mac, e de pesquisar um pouquito na net e no Spotlight – o fenomenal sistema de pesquisa e ajuda do Mac, que mete o Help ou o Search do Windows a um canto – lá percebi para que serve o Control; o Alt; o Apple; que a tecla Fn tem que ser activada nas Preferences; como usar o Pg Up, Down, Home e End; como saltar de palavra em palavra no Word; etc.
O que mais me incomodava acabei de resolver há dois minutos: o MacBook não tem a tecla/função Delete, aquela que apaga para a direita do cursor – e não para a esquerda, que essa é o Backspace – mas eu descobri e informo que o Delete no Word ou qualquer outro programa se faz assim Fn + Backspace (a tecla “apagar”)! Rejubilem…
E pronto, desta forma se contorna o vazio criativo, o monumental volume de trabalho presente e se escreve alguma coisa neste Pudim fora de prazo…
segunda-feira, 19 de março de 2007
O jornalista e documentarista Filipe Araújo e o fotógrafo Guillaume Pazat produzem e realizam Madrid Expresso, um podcast multimédia semanal dedicado à capital europeia mais próxima de Lisboa, para o jornal Expresso.
Aqui ficam alguns dos primeiros vídeos já disponibilizados, de uma série de 24. Depois é favor passar pelo site do jornal, ao fim-de-semana, e procurar as novidades. Um abraço ao Filipe!
A fuga ## O porto de Madrid ## Leituras subterrâneas ## Alcatraz espanhol ## Olé!
Mais info em www.blablablamedia.com
sexta-feira, 16 de março de 2007
segunda-feira, 12 de março de 2007
Ali.
Quando ainda estava quente.
No cinema.
No miradouro.
Sentado na cadeira.
No bar, a meia luz.
Na Ribeira.
No 28.
À mesa, por aí.
Com ele, com ela.
Comigo.
Na carruagem nº 5 e na cadeira nº 11.
No hotel.
No carro.
Na fundação.
No Basta.
Flamenco.
Nas letras.
Nos discos, aquele velho e os outros.
Quando está sol.
Mesmo se choveu.
E…
Esta história eu não sou capaz de escrever.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
A noite é de Óscares, mas eu estou mesmo à espera é de me enfiar no comboio até ao Porto. Isso sim.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
O João, o André e os outros
Está quase a fazer um ano que numa tarde que era mais quente no Jardim da Estrela do que em qualquer outro lugar de Lisboa, o João e o André me falaram do seu segundo projecto de cinema conjunto, enquanto realizadores. Pedras e cigarrilhas depois, levei para casa o guião.
Agora, quando muito já se alterou desde então; quando tudo está com fenomenal bom aspecto; porque acredito muito no João e no André, no seu talento, trabalho, dedicação e esforço; e porque também não me esqueço da equipa que trabalha com eles, igualmente talentosa e esforçada; é altura de lhes dedicar umas linhas.
Brevemente estreará a curta-metragem “Dez Beta”. Este filme de 10 minutos antecede e promove um outro projecto mais ambicioso, a longa-metragem “O Dez”. Mas enquanto este projecto ainda não saltou do guião, o outro, o “Dez Beta”, já foi todo filmado e está em pós-produção. E está muito, mas mesmo muito catita, pelo que pude ver nas filmagens e nalgumas cenas já montadas.
O “Dez Beta” tem um elenco profissional onde constam nomes conhecidos como José Pedro Gomes e Cláudia Semedo. Foi filmado em tecnologia Sony HD — para quem não sabe, isso é high definition; e eu posso assegurar que é mesmo high definition. E mais não digo, não faço sinopses, não conto a estória, nada nadinha, para vocês descobrirem sozinhos nos endereços que indico abaixo. Vá, apenas lhes roubo umas fotografias de cena, para vos aguçar o apetite.

Se quiserem saber mais, é muito simples:
1. Vão a www.odez.net e registem-se (na página principal, à esquerda, em baixo). Os rapazes precisam de muitos registos e assim vocês também ficam aptos a receber informações de ambos os projectos por email.
2. Naveguem pelo site www.odez.net, que é a tal longa-metragem “O Dez”, sim, essa que ainda não saiu do papel e que é uma obra conjunta de dez realizadores e dez argumentistas. Leiam sobre a ideia e a estória que lhe subjaz. Vejam os dez oráculos, um pequeno vídeo por cada estória. Leiam um pedacito de cada argumento e vejam quem são os autores e realizadores (no meio dos desconhecidos estão Nuno Markl e Filipe Homem de Fonseca…).
3. Voltem a www.odez.net e entrem como utilizadores registados (login na página principal, à direita, em baixo). Naveguem à vontade.
4. Passem pelo blogue do projecto, em http://www.projectodez.blogspot.com/.
5. Fiquem atentos. Vai valer a pena ver a curta-metragem “Dez Beta”. Tal como vai valer a pena ver a longa “O Dez”, logo que os rapazes consigam os meios para a pôr em marcha.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
sábado, 10 de fevereiro de 2007
A duas semanas do referendo à despenalização do aborto percebi que não estava seguro da minha opção de voto. Nesse momento obriguei-me a estudar o assunto, ouvir os diferentes argumentos, percebê-los e pensar sobre tudo para tomar nova posição de voto, mais esclarecida e fundamentada, após reflexão cuidada. No momento em que parto para escrever este texto, ainda não decidi como vou votar. Talvez já saiba quando terminar a última linha.
Não escrevo este texto para justificar ou explicar a minha posição, porque não precisa de justificação. Escrevo-o somente para partilhar o caminho que fiz até chegar a uma decisão, para partilhar as minhas opiniões sobre toda esta problemática, a minha posição e a minha opção de voto.
...era ser como a Helena Vieira, da TSF. Pelo trabalho que fez na moderação dos debates acerca do referendo ao longo desta semana (e que acredito voltem a ficar online em arquivo após o dia 11).
domingo, 4 de fevereiro de 2007
...ao cardeal José Policarpo e ao cientista Alexandre Quintanilha fica isto: já vai sendo altura de insonorizar o estúdio/local onde se faz aquele programa! Ele é telefones a tocar, martelos a martelar... Que raio.
sábado, 3 de fevereiro de 2007
... e da sua mania de confundir quem o ouve.
(...) Marcelo Rebelo de Sousa afirmou correr-se o risco, “se o sim ganhar”, de haver “luz verde para avançar” aquilo que designou o “sim” hard, ou seja, “poder alterar a lei para as 12, 14 semanas”.
Ora, a Lei Orgânica do Referendo expressa especificamente que, caso o referendo seja vinculativo, a AR tem de vançar com um “acto legislativo de sentido correspondente” à pergunta do referendo. A pergunta do referendo estipula que a despenilzação só é permitida “nas 10 primeiras semanas”.
É tão claro quanto isto.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Tecnologia à parte, outros indicadores dão a medida da diferença de estilo, de classe social, relativamente à comunidade do "sim", mais heterogénea e desmazelada. O beijo, por exemplo. Entre os grupos do "sim" prevalecem largamente os dois beijos na cara, sendo excepções um ou outro socialista beirão deslumbrado com o trato do jet set de Cascais e, de forma irregular, Paula Teixeira da Cruz. No "não", pelo contrário, só é admissível o beijo unifacial. Sem excepções. Sempre.
Prosa de primeira. Por Ricardo Dias Felner.
Posto isto, se o cumprimento do "sim" representa a tradição mais vulgarizada em Portugal, nesta matéria, que significado tem o beijo unifacial? É ele um beijo elitista? Serão as pessoas do "não" elitistas?Ora, não é a primeira vez que o beijo unifacial é usado para definir um dos lados da barricada, numa campanha eleitoral. Ele já foi referido nas campanhas do CDS-PP e do PSD, em anteriores referendos (regionalização e IVG), bem como em cerimónias várias envolvendo Santana Lopes. Na sequência desses textos, já houve quem se insurgisse contra estas generalizações, chamando-lhes sociologia de algibeira, preconceito ferroviário (contra a linha do Estoril) ou religioso. É certo que faltam estudos que permitam extrapolações mais rigorosas sobre a origem social e a conta bancária de quem assim beija. E que beijar assim não condena ninguém. Mas uma coisa parece indesmentível. Esse não é o cumprimento tradicional dos sindicalistas, nem dos utentes dos barcos da Soflusa, nem das empregadas domésticas, nem das lojistas do centro comercial de Odivelas, nem dos agricultores de Sobral de Monte Agraço.
(...)
E não há nem a preocupação, nem a habilidade, nem a serenidade política para escolher as pessoas mais dotadas para fazerem essa comunicação. Esta falha resulta, em boa medida, de quezílias antigas, decorrentes de conflitos históricos e pessoais entre as várias esquerdas no terreno. Há pessoas do PS que não se sentam na mesma sala com pessoas do Bloco de Esquerda; há pessoas do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim que não se sentam à mesma mesa com pessoas do Movimento Voto Sim; e há pessoas do PCP que não se sentam à mesma mesa com ninguém. Por outro lado, existirão também à esquerda muitos políticos querendo assumir protagonismo na matéria, o que não é mau em si. O problema é que se trata, quase sempre, de um protagonismo preguiçoso, displicente, aquém do empenho posto nas disputas partidárias, quer do ponto de vista táctico, quer do ponto de vista estratégico, quer do ponto de vista dos recursos e da retórica.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Apesar de não ser o dia, ele sabia que áquela hora já estava no frigorífico e por isso exigiu falar com a cozinheira. A empregada julgou-o melindrado com alguma coisa e obedeceu prontamente, receosa. O nervosismo só lhe abandonou o rosto quando ouviu um muito sorridente «ó meu filho, então estás cá hoje e não dizias nada?» A sexta-feira é que é o dia do bolo de bolacha, mas na noite anterior a dona Olinda já o tem pronto, no frio, no escuro, gozando as suas primeiras e últimas horas de vida, e que vida, antes de se dasfazer em delícias nas barriguinhas, e que barriguinhas, dos comensais do último almoço da semana. «Claro que sim! Ó Isabel, enceta lá o bolo aqui para o Henrique. Que seja uma fatia grande, ouviste?», ordenou enquanto se sentava, para saber se tinha gostado das lulinhas, que «estavam boas, não estavam?», dele, do trabalho e de quando é que lhe apresentava a noiva que não tinha, ou então deve é trabalhar menos, olhar mais para as pernas delas e elogiá-las, as mulheres.
Já ninguém nos restaurantes faz bolo de bolacha como a dona Olinda, e mesmo ela só faz um, para aí com dois quilos, é certo, mas só um e que desaparece em menos de nada, todas as sextas-feiras. São camadas sobrepostas da melhor bolacha Maria, carinhosamente embebidas em café de grão moído na hora e arrefecido numa leiteira de porcelana, para não ganhar o sabor do alumínio, e depois coladas por um creme de açúcar e manteiga açoreana com sal, amarelinho. Demora várias horas a fazer e o castelo não fica tão bonito quanto saboroso. Mas, «dona Olinda, há semanas que sonhava com isto», confessou depois da primeira garfada e enquanto ela lhe dava uma palmada na mão que tinha estendida na mesa, como que apoiando-o para não cair com o arrepio de prazer por tão espantosa sobremesa, e antes de se levantar em desculpas porque tinha de voltar para a cozinha, mas que Henrique ficasse à vontade, «filho».
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Hoje magoaste-me sozinho. Estava a fumar-te, um prazer que vou achando cada vez mais imbecil, e a escrever. Sozinho. E não dei pelo calor, pelo teu calor, frio de lâmina, junto aos meus dedos. Disparatei em surdina, para não parecer mal. Apaguei logo o que restava de ti e prometi não fumar mais. Nem mesmo amanhã, quando me apetecer muito. Prometi, hein!
Enquanto estava ocupado nesta discussão, neste promete e não cumpre, o sujeito da mesa em frente disse-me: «podem aumentar o preço quanto quiserem, que isso a mim não me impede… porque gosto…». Sorri-lhe, anuindo e soprando os dedos.
O João chegou, entretanto, e ao mesmo tempo que puxava para trás a cadeira onde se ia sentar: «Estive a ler o que me enviaste e a minha primeira opinião é que a metáfora dos lápis de cor é como a das escapatórias de gravilha das pistas de Fórmula 1. Não se ultrapassa, mas continua-se em prova. Ou em pista, que são duas coisas diferentes.» Não consegui responder-lhe de outra forma: «Queimei-me, foda-se!...»
