sexta-feira, 20 de abril de 2007

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Pareço um miudo. E sortudo, ainda por cima. Há uma semana atrás recebi de oferta um MacBook. O preto. Lindo. Sete dias depois, escrevo uma pequena nota de avaliação. Cá vai disto.




Estética e física O portátil é muito bonito – vejam por vocês mesmos (fotos de terceiros). O preto fica-lhe muito bem, embora as dedadas insistam em se marcar na tampa. O tamanho é pouco maior que o de uma folha A4, talvez mais 1cm em cada lado, e a espessura reduzida favorece a portabilidade.
O teclado parece-me de elevada qualidade e a posição das teclas não é muito diferente de um PC – contudo, as funções são bastante diferentes. O ecrã brilhante é um das grandes a mais-valia do MacBook, com leitura facílima com a luminosidade apenas a um ponto – e são 16 ajustes no total –, o que ajuda na poupança de energia. A bateria é outro ponto favorável, com cerca de cinco horas em qualquer operação que não exija muito do processador, como vídeo ou o jogo Chess!! As colunas de som estão ao nível da Toshiba.

Ponto fraco - ainda aquece...
Os rumores de aquecimento excessivo dos primeiros MacBook não estão totalmente dissipados com esta nova geração equipada com Intel Core 2 Duo. Os processadores Intel são autênticos fornos e a espessura diminuta do MacBook fá-lo aquecer à esquerda, na zona onde estão concentradas as portas dos periféricos e alguns circuitos (ver foto; o espaço vazio é da bateria; à direita está a drive CD/DVD e o disco; ao centro o processador, com ventoinha). E isso incomoda o pulso, embora não dê para fritar ovos. Mas incomoda, ao fim de umas horas a processar texto. Resta saber se este não é o calcanhar de Aquiles do MacBook, pronto a sacrificar a sua longevidade. Esperemos que não.


Software
O Mac OS X é um sistema operativo muito mais intuitivo, simples, leve e criativo/animado do que o Windows XP ou Vista.
Instalação e remoção de programas estupendamente simples – arrastar o ícone para a pasta Aplications, para instalar, ou para o caixote do lixo para remover.
De série vêm algumas aplicações muito úteis e engraçadas, das quais destaco o Stickies, post-it digitais, amarelinhos e tudo, que podemos programar para ficar no ecrã cada vez que iniciamos o computador.
Existem imensas aplicações alternativas para tudo o que se possa imaginar: dezenas de vizualizadores de vídeo, de programas de chat a usar protocolo MSN, de compactadores, de tudo e mais alguma coisa e muitas vezes freeware; existem várias suites Office – incluindo a versão para Mac, do tio Bill – e programas específicos como os do universo Adobe têm versão para Mac. E os nomes dos programas são engraçados: Stuffit, Safari, Toast, etc.
O Mac OS X também tem um “Ctrl-Alt-Del” para abrir o gestor de programas e forçar a fechar alguma aplicação que tenha encravado – os tipos dizem que os programas podem encravar, mas o sistema operativo nunca congelará, como faz o Windows amiúde.
Certas configirações não demoram mais de 30segs. Exemplo: configurar a net wireless e-U que no estaminé onde estudo não é de acesso aberto, precisa utilizador e password, faz-se no Mac em 30segs, numa só janela e preenchendo quatro campos, enquanto que no Windows é preciso descarregar um certificado, instalá-lo, configurar especificidades na ligação, etc e tal e uns 5min depois é que estamos a navegar.

Ponto fraco - Safari, esse sacana
O browser da Mac, o Safari, tem alguma dificuldade em abrir, por exemplo, as páginas dos serviços de home-banking e do Blogger, o que me irrita solenemente. Isto deve-se a que 90% da internet seja feita para o browser da Microsoft, o Internet Explorer, creio eu. Mas precisamente para colmatar essas falhas é que existem outros browsers para Mac e eu ando a testar o famoso Firefox, para estas páginas que o Safari não abre. Usar dois browsers é chato, mas com o hábito vou lá.

Hardware
Agora a Mac usa equipamentos Intel. Este MacBook tem um processador Core 2 Duo a 2GHz com 4MB de cache, 1GB de RAM e gráfica Intel com 64MB. Até agora isto chega e sobra (muito…). O disco de 120GB é Toshiba, o que inspira fiabilidade, e é extremamente silencioso. A drive CD/DVD é Matsushita, fabricante japonês com tradição, o que também inspira confiança.
Quanto a algo que muito me irritava no PC, a antena wireless ou o software que a geria, no MacBook nunca perco uma ligação à rede. Ou é da antena em si ou é do Airport, programa que a gere, a qualidade é alta.

Usabilidade - e a função Delete!!
Nos primeiros dias foi muito difícil perceber o Mac porque os atalhos do teclado são totalmente diferentes. Mas depois de chatear uns amigos, de ler o guia da Apple em 101 passos para quem muda de Windows para Mac, e de pesquisar um pouquito na net e no Spotlight – o fenomenal sistema de pesquisa e ajuda do Mac, que mete o Help ou o Search do Windows a um canto – lá percebi para que serve o Control; o Alt; o Apple; que a tecla Fn tem que ser activada nas Preferences; como usar o Pg Up, Down, Home e End; como saltar de palavra em palavra no Word; etc.
O que mais me incomodava acabei de resolver há dois minutos: o MacBook não tem a tecla/função Delete, aquela que apaga para a direita do cursor – e não para a esquerda, que essa é o Backspace – mas eu descobri e informo que o Delete no Word ou qualquer outro programa se faz assim Fn + Backspace (a tecla “apagar”)! Rejubilem…

E pronto, desta forma se contorna o vazio criativo, o monumental volume de trabalho presente e se escreve alguma coisa neste Pudim fora de prazo…

segunda-feira, 19 de março de 2007

Directamente de Madrid
O jornalista e documentarista Filipe Araújo e o fotógrafo Guillaume Pazat produzem e realizam Madrid Expresso, um podcast multimédia semanal dedicado à capital europeia mais próxima de Lisboa, para o jornal Expresso.

Aqui ficam alguns dos primeiros vídeos já disponibilizados, de uma série de 24. Depois é favor passar pelo site do jornal, ao fim-de-semana, e procurar as novidades. Um abraço ao Filipe!

A fuga ## O porto de Madrid ## Leituras subterrâneas ## Alcatraz espanhol ## Olé!

Mais info em www.blablablamedia.com

sexta-feira, 16 de março de 2007

:)
Só por isso valeu a pena.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Esta história eu não sou capaz de escrever
Ali.
Quando ainda estava quente.
No cinema.
No miradouro.
Sentado na cadeira.
No bar, a meia luz.
Na Ribeira.
No 28.
À mesa, por aí.
Com ele, com ela.
Comigo.
Na carruagem nº 5 e na cadeira nº 11.
No hotel.
No carro.
Na fundação.
No Basta.
Flamenco.
Nas letras.
Nos discos, aquele velho e os outros.
Quando está sol.
Mesmo se choveu.
E…
Esta história eu não sou capaz de escrever.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Contagem decrescente
A noite é de Óscares, mas eu estou mesmo à espera é de me enfiar no comboio até ao Porto. Isso sim.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

O João, o André e os outros
Está quase a fazer um ano que numa tarde que era mais quente no Jardim da Estrela do que em qualquer outro lugar de Lisboa, o João e o André me falaram do seu segundo projecto de cinema conjunto, enquanto realizadores. Pedras e cigarrilhas depois, levei para casa o guião.

Agora, quando muito já se alterou desde então; quando tudo está com fenomenal bom aspecto; porque acredito muito no João e no André, no seu talento, trabalho, dedicação e esforço; e porque também não me esqueço da equipa que trabalha com eles, igualmente talentosa e esforçada; é altura de lhes dedicar umas linhas.

Brevemente estreará a curta-metragem “Dez Beta”. Este filme de 10 minutos antecede e promove um outro projecto mais ambicioso, a longa-metragem “O Dez”. Mas enquanto este projecto ainda não saltou do guião, o outro, o “Dez Beta”, já foi todo filmado e está em pós-produção. E está muito, mas mesmo muito catita, pelo que pude ver nas filmagens e nalgumas cenas já montadas.

O “Dez Beta” tem um elenco profissional onde constam nomes conhecidos como José Pedro Gomes e Cláudia Semedo. Foi filmado em tecnologia Sony HD — para quem não sabe, isso é high definition; e eu posso assegurar que é mesmo high definition. E mais não digo, não faço sinopses, não conto a estória, nada nadinha, para vocês descobrirem sozinhos nos endereços que indico abaixo. Vá, apenas lhes roubo umas fotografias de cena, para vos aguçar o apetite.

Se quiserem saber mais, é muito simples:

1. Vão a www.odez.net e registem-se (na página principal, à esquerda, em baixo). Os rapazes precisam de muitos registos e assim vocês também ficam aptos a receber informações de ambos os projectos por email.

2. Naveguem pelo site www.odez.net, que é a tal longa-metragem “O Dez”, sim, essa que ainda não saiu do papel e que é uma obra conjunta de dez realizadores e dez argumentistas. Leiam sobre a ideia e a estória que lhe subjaz. Vejam os dez oráculos, um pequeno vídeo por cada estória. Leiam um pedacito de cada argumento e vejam quem são os autores e realizadores (no meio dos desconhecidos estão Nuno Markl e Filipe Homem de Fonseca…).

3. Voltem a www.odez.net e entrem como utilizadores registados (login na página principal, à direita, em baixo). Naveguem à vontade.

4. Passem pelo blogue do projecto, em http://www.projectodez.blogspot.com/.

5. Fiquem atentos. Vai valer a pena ver a curta-metragem “Dez Beta”. Tal como vai valer a pena ver a longa “O Dez”, logo que os rapazes consigam os meios para a pôr em marcha.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Sorri…
…quando os vi subir a calçada, ele puxando-a pela mão, ela de olhos vendados e rindo e pedindo que lhe dissesse onde estava. Passei por eles, olhei para cima e sorri novamente.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Porque voto como voto - actualizado
A duas semanas do referendo à despenalização do aborto percebi que não estava seguro da minha opção de voto. Nesse momento obriguei-me a estudar o assunto, ouvir os diferentes argumentos, percebê-los e pensar sobre tudo para tomar nova posição de voto, mais esclarecida e fundamentada, após reflexão cuidada. No momento em que parto para escrever este texto, ainda não decidi como vou votar. Talvez já saiba quando terminar a última linha.

Não escrevo este texto para justificar ou explicar a minha posição, porque não precisa de justificação. Escrevo-o somente para partilhar o caminho que fiz até chegar a uma decisão, para partilhar as minhas opiniões sobre toda esta problemática, a minha posição e a minha opção de voto.

O que eu gostava mesmo...
...era ser como a Helena Vieira, da TSF. Pelo trabalho que fez na moderação dos debates acerca do referendo ao longo desta semana (e que acredito voltem a ficar online em arquivo após o dia 11).

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Da Grande Entrevista...
...ao cardeal José Policarpo e ao cientista Alexandre Quintanilha fica isto: já vai sendo altura de insonorizar o estúdio/local onde se faz aquele programa! Ele é telefones a tocar, martelos a martelar... Que raio.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

A tirania do Blogger/Google obrigou-me a mudar para o "new blogger". Agora os comentários aparecem anônimos para os conhecidos e anônimos para os brasileiros. E outros bugs... A ver o que consigo resolver nos próximos dias.
Começo a ficar farto do Professor Marcelo...
... e da sua mania de confundir quem o ouve.

(...) Marcelo Rebelo de Sousa afirmou correr-se o risco, “se o sim ganhar”, de haver “luz verde para avançar” aquilo que designou o “sim” hard, ou seja, “poder alterar a lei para as 12, 14 semanas”.

Ora, a Lei Orgânica do Referendo expressa especificamente que, caso o referendo seja vinculativo, a AR tem de vançar com um “acto legislativo de sentido correspondente” à pergunta do referendo. A pergunta do referendo estipula que a despenilzação só é permitida “nas 10 primeiras semanas”.

É tão claro quanto isto.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Era isto que me faltava para decidir
Tecnologia à parte, outros indicadores dão a medida da diferença de estilo, de classe social, relativamente à comunidade do "sim", mais heterogénea e desmazelada. O beijo, por exemplo. Entre os grupos do "sim" prevalecem largamente os dois beijos na cara, sendo excepções um ou outro socialista beirão deslumbrado com o trato do jet set de Cascais e, de forma irregular, Paula Teixeira da Cruz. No "não", pelo contrário, só é admissível o beijo unifacial. Sem excepções. Sempre.


Prosa de primeira. Por Ricardo Dias Felner.
Posto isto, se o cumprimento do "sim" representa a tradição mais vulgarizada em Portugal, nesta matéria, que significado tem o beijo unifacial? É ele um beijo elitista? Serão as pessoas do "não" elitistas?Ora, não é a primeira vez que o beijo unifacial é usado para definir um dos lados da barricada, numa campanha eleitoral. Ele já foi referido nas campanhas do CDS-PP e do PSD, em anteriores referendos (regionalização e IVG), bem como em cerimónias várias envolvendo Santana Lopes. Na sequência desses textos, já houve quem se insurgisse contra estas generalizações, chamando-lhes sociologia de algibeira, preconceito ferroviário (contra a linha do Estoril) ou religioso. É certo que faltam estudos que permitam extrapolações mais rigorosas sobre a origem social e a conta bancária de quem assim beija. E que beijar assim não condena ninguém. Mas uma coisa parece indesmentível. Esse não é o cumprimento tradicional dos sindicalistas, nem dos utentes dos barcos da Soflusa, nem das empregadas domésticas, nem das lojistas do centro comercial de Odivelas, nem dos agricultores de Sobral de Monte Agraço.

(...)

E não há nem a preocupação, nem a habilidade, nem a serenidade política para escolher as pessoas mais dotadas para fazerem essa comunicação. Esta falha resulta, em boa medida, de quezílias antigas, decorrentes de conflitos históricos e pessoais entre as várias esquerdas no terreno. Há pessoas do PS que não se sentam na mesma sala com pessoas do Bloco de Esquerda; há pessoas do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim que não se sentam à mesma mesa com pessoas do Movimento Voto Sim; e há pessoas do PCP que não se sentam à mesma mesa com ninguém. Por outro lado, existirão também à esquerda muitos políticos querendo assumir protagonismo na matéria, o que não é mau em si. O problema é que se trata, quase sempre, de um protagonismo preguiçoso, displicente, aquém do empenho posto nas disputas partidárias, quer do ponto de vista táctico, quer do ponto de vista estratégico, quer do ponto de vista dos recursos e da retórica.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

O bolo de bolacha
Apesar de não ser o dia, ele sabia que áquela hora já estava no frigorífico e por isso exigiu falar com a cozinheira. A empregada julgou-o melindrado com alguma coisa e obedeceu prontamente, receosa. O nervosismo só lhe abandonou o rosto quando ouviu um muito sorridente «ó meu filho, então estás cá hoje e não dizias nada?» A sexta-feira é que é o dia do bolo de bolacha, mas na noite anterior a dona Olinda já o tem pronto, no frio, no escuro, gozando as suas primeiras e últimas horas de vida, e que vida, antes de se dasfazer em delícias nas barriguinhas, e que barriguinhas, dos comensais do último almoço da semana. «Claro que sim! Ó Isabel, enceta lá o bolo aqui para o Henrique. Que seja uma fatia grande, ouviste?», ordenou enquanto se sentava, para saber se tinha gostado das lulinhas, que «estavam boas, não estavam?», dele, do trabalho e de quando é que lhe apresentava a noiva que não tinha, ou então deve é trabalhar menos, olhar mais para as pernas delas e elogiá-las, as mulheres.

Já ninguém nos restaurantes faz bolo de bolacha como a dona Olinda, e mesmo ela só faz um, para aí com dois quilos, é certo, mas só um e que desaparece em menos de nada, todas as sextas-feiras. São camadas sobrepostas da melhor bolacha Maria, carinhosamente embebidas em café de grão moído na hora e arrefecido numa leiteira de porcelana, para não ganhar o sabor do alumínio, e depois coladas por um creme de açúcar e manteiga açoreana com sal, amarelinho. Demora várias horas a fazer e o castelo não fica tão bonito quanto saboroso. Mas, «dona Olinda, há semanas que sonhava com isto», confessou depois da primeira garfada e enquanto ela lhe dava uma palmada na mão que tinha estendida na mesa, como que apoiando-o para não cair com o arrepio de prazer por tão espantosa sobremesa, e antes de se levantar em desculpas porque tinha de voltar para a cozinha, mas que Henrique ficasse à vontade, «filho».

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

A metáfora dos lápis de cor
Hoje magoaste-me sozinho. Estava a fumar-te, um prazer que vou achando cada vez mais imbecil, e a escrever. Sozinho. E não dei pelo calor, pelo teu calor, frio de lâmina, junto aos meus dedos. Disparatei em surdina, para não parecer mal. Apaguei logo o que restava de ti e prometi não fumar mais. Nem mesmo amanhã, quando me apetecer muito. Prometi, hein!

Enquanto estava ocupado nesta discussão, neste promete e não cumpre, o sujeito da mesa em frente disse-me: «podem aumentar o preço quanto quiserem, que isso a mim não me impede… porque gosto…». Sorri-lhe, anuindo e soprando os dedos.

O João chegou, entretanto, e ao mesmo tempo que puxava para trás a cadeira onde se ia sentar: «Estive a ler o que me enviaste e a minha primeira opinião é que a metáfora dos lápis de cor é como a das escapatórias de gravilha das pistas de Fórmula 1. Não se ultrapassa, mas continua-se em prova. Ou em pista, que são duas coisas diferentes.» Não consegui responder-lhe de outra forma: «Queimei-me, foda-se!...»

domingo, 21 de janeiro de 2007

Rai's parta!
Interromperem-me sistematicamente quando estou a tentar escrever isto, quererá dizer alguma coisa?

sábado, 13 de janeiro de 2007

Dos homens... ou melhor, de alguns homens
acerca do aborto

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Fosse como fosse
Aniceto era taxativo: «eu sei onde é que está o “Big” Laden, hã? Eu sei, porque eu estive lá…». Era possível. Afinal, aos 60 anos de idade Aniceto já tinha viajado por 43 países diferentes. E estudos? Nenhuns. E para quê?

Alheios a tudo aquilo, ou não tanto, Leonel e Pedro continuavam jantando, bebendo aquele tinto e falando de amor, de trabalho, de coisas, e de amor — acabavam sempre lá. É que Leonel estava apaixonado e isso via-se nos seus olhos azuis, que desde há cinco dias tinham um brilho que, não sendo diferente, era maior e mais… bonito? Fosse como fosse.

Terminando o resto do café de um gole, Pedro encaixou a cigarrilha bem entre o início dos dedos, pegou no telefone e escreveu: «Perdoa-me dizer-te isto, mas hoje estavas tão bonita que me apeteceu passar-te a mão no rosto, ajeitar-te o cabelo e beijar-te a bochecha». Chegando à mesa com a conta paga e a factura na mão, Leonel perguntou: «então, que fazes?». «Asneiras», respondeu Pedro. «Acabei de pedir perdão».

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

(queria escrever um título mas, sinceramente, não consegui)
Tinha o El País em boa conta. Um jornal sério, de referência, de qualidade, pensei eu até há bocado. É que encontrei — por acaso, pois queria somente espreitar a capa de amanhã — no site do jornal o vídeo integral da execução de Saddam Hussein. Mais: os fotogramas que o jornal escolheu para assinalar o documento são, por demais, explícitos. O El Mundo também disponibiliza o vídeo, embora com link para o Google Vídeo, assim como quem diz «epá, os outros é que têm o vídeo, nós só apontamos o caminho ao leitor», atitude igualmente condenável, para mim. Já o El País fá-lo pelo sistema de vídeos próprio.

Desde que vi o cadáver de Jonas Savimbi fazer capa de jornal em Portugal, em 2002, e porque eu era mais novo, agora não me espanto amiúde. Usar a imagem de um cadáver para provar a morte é usual, na imprensa. Acontece com anónimos, com outros; aconteceu com os filhos de Saddam há dois anos e com o próprio Saddam, agora, para contextualizar.

Mas ao que não posso ficar indiferente e com o que não posso de forma alguma concordar é com a divulgação na imprensa, seja ela de onde for, de um vídeo ou fotografias de um homem pendurado numa forca, de pescoço partido, olhos e boca abertos. Seja quem for esse homem. Daí que — a quente, que este blogue é de instantâneos — condeno o jornal espanhol El País, pela divulgação do vídeo e pelos fotogramas escolhidos para assinalar o dito na primeira página do site e na página onde se pode vê-lo. Não há valores éticos, deontológicos, ou morais? Sequer de bom senso?


Eu divulgo a imagem para fazer prova, porque amanhã ou depois o website estará diferente...
Ele há coisas que não mudam, ou como entrar bem em 2007

O primeiro pequeno-almoço do ano, às 8h e qualquer coisa de dia 1, quando estava um nevoeiro do caneco ali em Belém.

Nos primeiros dias de cada ano repete-se a magia de gastar tempo preenchendo algumas páginas da agenda. Em avanço ficam concertos, festivais de cinema, um ou outro aniversário, os exames, uma viagem... Para 2007 optei pelo tamanho de bolso.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Não te incomoda que Saddam Hussein tenha sido enforcado?
Da felicidade
Em “Câmara Clara”, programa de Paula Moura Pinheiro, aqui com João Pereira Coutinho e Ana Martins. Este é um dos melhores programas em emissão na TV portuguesa. Ver aqui.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Tsunami, Tim Roth e deitar tarde
A mini-série de dois episódios “Tsunami, the aftermath”, com a chancela da HBO, passou insuspeita e a más horas em duas noites desta semana na SIC. Apesar do receio de que se tratasse de mais uma dramatização com base em testemunhos reais a atirar para a lamechice, foi por ter visto o Tim Roth no ecrã e pensar «ena, então este tipo ainda mexe?», que me demorei a ver partes de ambos os episódios. E surpreendi-me.

Roth interpreta o papel de um jornalista de agência, um dos primeiros a chegar ao local onde se passa a história, uma localidade costeira tailandesa. É um sujeito sujo, seboso e mal-cheiroso, muito curioso e com faro, que prefere deixar as histórias banais aos outros, que são todos, e procurar as suas. Até certo ponto da série tem um colega fotojornalista, nativo, e é com ele que se dá o primeiro de alguns choques provocados pelo jornalista: Roth quer fotografias dos corpos sendo cremados em templos budistas, corpos que não tinham sido identificados, e o colega recusa-se, por respeito aos monges, à sua religião, à sua cultura. Primeiro ponto de interesse: o choque de civilizações. O que se deve sobrepôr? A tradição da libertação das almas, que é também uma medida de salubridade, ou o procedimento legal, ocidental?, de esperar pela identificação daquelas vítimas e proporcionar-lhes uma viagem até casa e um enterro?

Adiante Roth apercebe-se de dois factos, que questiona a uma representante de cadeia hoteleira ocidental: porque ficaram de pé as palmeiras e os hotéis foram arrasados? e porque estão já em campo escavadoras e equipas de trabalho limpando escombros, alisando as praias onde antes estavam hotéis, escassos dias após o tsunami? Está apontado o dedo: os hotéis não passam de “palhotas”, construções precárias, baratas, inseguras, cujo valor único é o de estar erigidas nas praias do paraíso. Mais: o que importa é reconstruir, e se se puder sacar mais umas terras às vítimas locais que não deixem herdeiros, tanto melhor. Negam? Não negaram.

O diplomata inglês, tipicamente de calça beje e camisa azul claro, chegou ao local bastante atarantado e ainda soltou uns «arranjem-me um chá», «vamos montar a base no hotel» ou «precisamos de um escritório com ar-condicionado». Saudades do consulado… Com o tempo, lá assentou os pés na terra e percebeu que tinha era de fazer qualquer coisa pelos sobreviventes. Constata-se: ninguém está, estava, preparado para agir em conformidade com o que se passou.

Os turistas, aparte o drama de terem perdido alguns dos seus mais próximos e de quererem, a todo o custo, ser levados dali com os sobreviventes feridos, passaram um retrato daquele tipo de turismo, que acho fiel, nunca o tendo feito. Não falam a língua, não querem saber dos nativos — que são quem os serve, quem lhes arruma o quarto e as malas, etc — e não os ajudam naquela situação, que é em tudo semelhante à deles — a série lá se apoia no personagem de um rapaz tailandês, paquete de hotel, e único sobrevivente em toda a sua família, par mostrar o “outro lado” da tragédia. Os turistas acenam com o dólar, altivos, e querem que tudo aconteça num ápice. Os turistas, se são a subsistência daquele tipo de economias, são também nojentos. É bonito ir lá, estar lá enquanto tudo corre bem, mas ao primeiro odor a esturro é vê-los gritar e virar costas. A exploração destes povos que turistas e fornecedores ocidentais deste tipo de serviços fazem na Tailândia, em África, em Cuba, em tanto sítio, enoja-me um bocado.

E mais não vi.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Foi ou não foi Zé Carlos? Pssshhht cala-te!
No final do encontro com o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, este afirmou que o Papa lhe tinha dito: “Desejamos que a Turquia faça parte da União Europeia.” Mas o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, corrigiu o que Bento XVI teria dito: “A Santa Sé olha positivamente e encoraja o caminho de diálogo, aproximação e integração” da Turquia na Europa, “na base de valores e de princípios comuns”.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Um Porto branco seco
Que se lembrasse, nunca lhe tinha acontecido uma mulher pedir-lhe o número de telefone. Muito menos ligar-lhe cinco minutos depois de ter saído. Rindo e convidando-o para um jantar, sexta-feira, na Casa do Algarve, no Chiado. Em grupo. Aceitou, claro. E deitou-se sorrindo, curioso.

Na tarde seguinte resolveu desafiá-la para uma odisseia vínica. O aniversário de Tiago, o amigo do peito, já tinha passado e ele não tinha conseguido comprar atempadamente o vinho que queria oferecer. Então reservou a tarde para correr algumas garrafeiras da cidade e quis levá-la consigo. Era um teste, sim. Conhecê-la um pouco melhor, os dois sozinhos num campo neutro, sem horários que não os do fecho das lojas, sem constrangimentos. Para ver que assuntos surgiam, para ver se ela gostava ser deixada passar primeiro, para ver como contribuía para o passeio sem programa, para ouvir o que dizia e de que forma reagiam os olhos dela aos seus filmes preferidos, discos repetidos, lugares mais queridos e se gostava do nome que ele já tinha escolhido para o primogénito, o que, aliás, era condição inegociável mas, descanse-se, pode não ser o primeiro nome. Para saber dela e dos seus. Para se mostrar, ele e os seus. E os sentimentos também.

Joaquim Pedro — e Pedro é apelido — era um rapaz introvertido até ficar confortável, até ficar seguro de si, até a falsa timidez desaparecer, que não era falsa porque fosse mentirosa, mas sim a primeira casca a sair logo que sentisse reciprocidade no contacto.

Começaram na Garrafeira de Campo de Ourique, ali próximo à rua Ferreira Borges. O bairro tinha gente, lojas de todos os tipos, eléctricos a passar, pastelarias à antiga e até uma vista sobre o rio, a ponte e o Cristo Rei. Se anoitecesse entretanto, as iluminações de Natal comporiam o cenário e nem estava muito frio. Quase perfeito. Só não o foi porque o vinho, que havia no armazém, como meia hora antes a mulher tinha afiançado, que podiam até ir beber um café e voltar logo para buscar, afinal não havia. Nem uma garrafa. «Eu sei que é desagradável perguntar, mas então e na concorrência? Pode indicar alguém aqui perto?...» Visivelmente melindrada, a mulher lá deu um número. «Pode ligar daqui», disse, virando o telefone do balcão na direcção de Joaquim. «Ora essa, não é necessário…» Quando ele saiu já Clara se ria, como aliás só ela, dona de um sorriso e de um riso encantadores, de tão genuínos.

Clara Menezes de Andrade, ou «Clara, como a água», que foi como se apresentou da primeira vez. Clara era da altura de Joaquim, tinha olhos castanhos e cabelo curto acima dos ombros, de uma cor acobreada, que Joaquim lamenta não conseguir descrever melhor, porque é manifestamente ignorante no assunto e as suas três irmãs têm todas o cabelo preto, a mãe é loira pintada, e mais longe que isso ele não vai. Acobreado, portanto. O corpo era robusto, pelo que Joaquim já tinha visto, embora não hoje, que Clara vestia um casaco cinzento até aos joelhos. Robusto no sentido oposto àqueles corpos franzinos de miúdas magras, mas não robusto de peso excessivo, nada disso. Seria mais na categoria de “ossos largos”, e por aqui se vê que Joaquim não é nenhum Eça e mete os pés pelas mãos nesta coisa das descrições. Contudo, não se duvide: era sensual, e não somente pelos seios pronunciados, como o Bernardo e outros dos seus amigos notavam, como que hipnotizados e bastante primários. As mãos — e Joaquim é um homem de mãos — eram grandes com dedos longos e para ele, numa palavra, bonitas. O resto, que era ainda o início, resumia-se assim: extrovertida, obstinada, noctívaga e louca a conduzir.

Antes tinham passado tempo numa pastelaria, de que nenhum recorda o nome, mas que tem um toldo verde e que fica numa esquina junto a um jardim. Que tem apenas três mesas com duas cadeiras cada, duas delas junto a janelas e a outra encostada a uma parede dos fundos. Dois balcões avançados até mais de meio da casa, duas senhoras e dois senhores atendendo, e reformados habituais comendo rapidamente e em pé. Bolos ou especialidades, não se sabe. Joaquim bebeu um café, cheio, e Clara um galão, que veio tão quente que escaldava os dedos e teve que ser mudado de copo. À mesa, falaram de percursos passados e da relação com os pais. Em boa verdade, falou sobretudo Joaquim, entusiasmado com as perguntas empenhadas que Clara lhe fazia. Aliás — e que fique registado —, foi ela quem puxou a conversa dos “ex” sem saber se havia alguma, porquanto não se conheciam tão bem, o que Joaquim interpretou, com bastante agrado, tratar-se de uma pergunta interessada.

Depois de caminhar pela rua e enquanto ele descobria ao telefone que a concorrência indicada pela mulher mal disposta também não tinha o vinho, Clara olhava modelos e fazia perguntas numa sapataria. No bairro há muitas e os sapatos são uma das suas predilecções. «Porque não tenho pezinhos de princesa é difícil encontrar o que me sirva e que eu goste», explicou. Não precisava, porque não aborrecia Joaquim. A paciência para compras com mulheres só lhe faltava em centros comerciais e quando a visita tinha esse único objectivo, que aí elas parecem sempre ligar um modo de funcionamento cego ao resto e magnetizado em provadores e coisas assim. «Tenho de voltar cá» foi a deixa que confirmou: ela tinha gostado.

«Disseram-me que na João XXI há uma boa garrafeira e é possível que tenham. Vamos lá?» Ela, mais prática, preferia telefonar a perguntar. Mas acedeu. Mais do que uma garrafa de Apitiv, um Porto branco seco da casa Sandeman, que Joaquim agora já sabe que deixou de ser produzido e a haver será apenas em fundos de stock, o que ambos procuravam era passar um bom pedaço de tempo.

Pelo caminho, no carro, e para além do susto que Clara apanhou quando um sujeito recuou incauto do mau estacionamento para o meio da rua e Joaquim guinou para a esquerda buzinando, mesmo entalado por um Audi prateado que vinha desejoso de o ultrapassar, falaram de música. O Rui Veloso é que escreveu que «não se ama alguém que não ouve a mesma canção» e se fossem por aí, Clara e Joaquim estavam tramados. Mas quem é que falou em amor? Por agora, esse é como o vinho: não há em lado nenhum.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Koop @ Casino Lisboa
A proposta era atraente: os suecos Koop, em Lisboa, para rodar o novíssimo terceiro disco, “Islands”. Lá fui, ontem.

O espaço Arena Lounge do Casino Lisboa é muito acanhado e encheu rapidamente, por certo pela entrada gratuita. O que pôs a nú as más condições do local: a circulação de pessoas era extremamente difícil, como sardinhas em lata, sendo impossível mexer-se fosse para que lado fosse (óptimo, contudo, para engatar gajas… eu e a quarentona afiançamo-lo… e tenho testemunhas! :P), deixando antever que em caso de alguma emergência serão muitos os espezinhados e esmagados — num edifício moderno, senhores? caramba!... O som também estava baixo e mal ajustado às características dos instrumentos acústicos, sobretudo do contrabaixo. Mas lá ultrapassámos o desconforto, vendo a banda por detrás de uma escadaria, meio agachados…

Ao longo de hora e meia ouviram-se temas dos três álbuns, “Sons of Koop” (1997), “Waltz for Koop” (2002) e “Islands” (Nov 2006), numa performance muito equilibrada, quiçá sem grandes rasgos. Yukimi Nagano esteve muito bem, quase sem diferença vocal para os discos, entrando e saindo de palco conforme os temas. O baterista ainda solou, e bem. O homem do vibrafone foi preponderante. O contrabaixo perdeu pela má afinação do som. O trombonista prestou um bom serviço. A dupla de maestros Oscar Simonsson e Magnus Zingmark, não obstante os vestidinhos de alças e a maquilhagem à Conde Redondo, fez o que se lhe pedia: sem pregos, os samples foram entrando à hora certa, tudo bem equalizado e irrepreensível.

Ficam, no entanto, duas impressões. Primeira, falta aos Koop alguma garra de palco, não descartando a hipótese de o espaço esquisito (um palco elevado, como uma varanda) e a audiência dispersa por dois pisos e um bar, ter causado desconforto e impedido a ligação a recinto e público. Segundo, ter um conjunto de metais em palco, em vez de ter os segundos instrumentos samplados, seria sem qualquer dúvida uma grande mais-valia para o grupo.

Os Koop são mais um nome que reforça o que venho dizendo há anos: as escolas de jazz, música electrónica e experimentações fusionistas do Norte da Europa são do mais interessante que o jazz do velho continente tem para oferecer.

P.S.: Alguém exige que eu refira que ficou apaixonado pela Yukimi Nagano...

domingo, 10 de dezembro de 2006

«Arrastão mantém-se submerso em Setúbal»
Público, 07Dez2006

Depois de Carcavelos, os tipos estão só à espera que chegue o bom tempo e que a Trói(k)a do Belmiro esteja concluída, para atacarem de novo. Espertos.

sábado, 9 de dezembro de 2006

«Vendo-me manietada pelo capanga, deu-me dois estalos»
(…) Jorge e Carolina conheceram-se no Calor da Noite, casa de alterne do Porto onde a mulher de 22 anos tentava arranjar sustento para os dois filhos. Apaixonaram-se ao som de Sting, passaram a primeira noite juntos num hotel em Espanha e Carolina mostra no livro os bilhetes de amor que o presidente lhe escreveu: “Giorgio love Carolina”. E revela que gostava de frango com ovos e ‘cafuné’ para adormecer.

Só gostava de saber como foi possível a Rui Gustavo escrever isto (Expresso, 08Dez2006) por entre os espasmos de gargalhadas daquelas de rebolar no soalho. Ou não? Eu, pelo menos, dei espectáculo no café…

domingo, 3 de dezembro de 2006

Assim como quem assinala o terceiro aniversário do Pudim, que foi algures em Novembro, há novidades aí à direita. Poucas, mas há...

sábado, 2 de dezembro de 2006

Volta Pierce Brosnan, estás perdoado
Fui ver o «007 - Casino Royale» desprendido de preconceitos, sem expectativas e sem ter lido críticas. Resultado? Fraquinho.

Por muito que se tenha esforçado, Daniel Craig não conseguiu ser um Bond. Achei-o demasiado musculado, com um rosto muito duro, uma expressão de severidade — ou pretensa severidade? — muito marcada, com um puro sotaque inglês inexistente e um fato que simplesmente não lhe assenta. E a Bond girl também não me encheu as medidas... É gira e tal...

Por outro lado, os argumentistas e o realizador (?) deixaram cair trechos fundamentais num 007: então o James não quer saber se o seu Martini é mexido ou agitado? então a deixa “Bond, James Bond” aparece só no final? então o Aston Martin fica destruido — e muito bem destruido, diga-se, que a cena do capotamento é fenomenal — sem fazer uma perseguição digna desse nome? Pá...

Contudo, tenho que reconhecer que houve momentos em que o filme me prendeu. Mas... Pois.

Para mim há dois Bond: o Sean Connery e o Pierce Brosnan. E daqui não saio.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

«É como um turbilhão, Fazendo uma miséria...»
Ainda hoje não me entendo, não sei porque acordei assim uma manhã que não teve nada de especial, além de assinalar isto. «Vivo», pensei, sorrindo.

Hoje, que já passou tempo, perco o sorriso de cada vez que leio o que escreveste. E entristece-me que assim seja, pois devia ficar feliz.

Não há explicação para me sentir cheio ao olhar-te. Não há explicação para querer tocar-te. Não há explicação para querer fazer-te sorrir. Não há explicação para o aperto no estômago quando chegavas. Não há explicação para o nervoso miudinho quando ias. Não há explicação para as falhas de comunicação disparatadas. Não há explicação para ficar chateado com elas. Só há explicação para isto, agora. E é tremendamente simples. De uma linearidade incómoda.

É como diz o Chico.

sábado, 18 de novembro de 2006

Detesto que os senhores que gerem a rede wireless da universidade bloqueiem o Messenger e o streaming de rádio (queria ouvir o Álvaro) ou de TV (queria recuperar a Paula), ou seja lá do que for! Nos computadores fixos da instituição, tudo bem. Mas se existe wireless para usar com os computadores pessoais de cada um, não metam o bedelho, ok? F***-se!
Detesto não conseguir escrever.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Perdidos na cidade
A porta está colocada a meio da parede da sala rectangular. Em frente as janelas e portadas de madeira escura estão fechadas. O cheiro é húmido, a mofo, do tempo que tudo esteve fechado? O tecto de estuque bem acabado e à antiga está amarelecido e remendado. No soalho encontram-se, à esquerda e à direita, conjuntos de sapatos usados, dispostos em pares, geometricamente. De mulheres, homens e crianças. Nas paredes de topo, imagens. À esquerda um televisor mostra vídeos institucionais de promoção ao recrutamento militar — canadianos (os tipos que não trancam a porta de casa), israelitas, paquistaneses (ritmo marcha militar com arranjo bollywood), de empresas privadas de armamento norte-americanas, tudo sonorizado. À direita uma tela amarrotada reflecte sequências mudas de bombardeamentos, manobras de aviões, desembarques aéreos de tanques blindados, o icónico verde da CNN naqueles dias em 1991. À esquerda e à direita, o elogio do belicismo. No chão, as vítimas.

Encontrámos a Casa d’Os Dias da Água no final de um dia que me foi cinzento. O pretexto? “Teatros de Guerra”, de Thomas Walgrave, até 12 Nov. Da instalação de três salas, destaco — e acho que tu também — a segunda. Esta. Mas Walgrave também compõe «alguns dos paradoxos que decorrem das situações de guerra, utilizando para isso textos (convenções, resoluções da ONU, tratados de paz) e material de vídeo (spots publicitários do construtor aéreo Macdonald-Douglas, imagens de bombardeamentos de precisão), que depois relaciona com meios populares de marketing, como t-shirts

A Casa d’Os Dias da Água fica no n.º 175 da rua D. Estefânia e é um espaço de utilizações múltiplas pela companhia Sensurround e outras. Hoje teve problemas de energia e as luzes apagaram-se a espaços, mas não fez mal. Ao lado e nas traseiras, o Basta – café jardim, muito curioso.

A ti, gostava de lá te ter levado. Quando?

terça-feira, 31 de outubro de 2006


Se soprar muito o balão amarelo rebenta na cara com um estalo seco. Sem aviso. E não como as bolas de sabão, que fazem ‘puf’. É com um estalo seco.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Três quartos que ontem sairam da sala sorrindo
ou a continuação do (meu) DocLisboa
Há filmes que têm o dom de nos fazer sair da sala sorrindo. “La Consultation” é um deles. O clínico geral Luc Perino é tão mais que um médico e a medicina, como ele diz, é o bocal do funil onde desemboca toda a sociedade. Por isso ele é urologista, psicólogo, obstetra, ginecologista, pai e mãe, filho, conselheiro.

Com um sentido de humor refinado, Luc Perino dá vida ao que podiam ser histórias banais e algumas vezes tristes. A do esquizofrénico, a do jovem casal que vai ter um filho: «Está grávida? Então parabéns! Ou… ou não?». A da rapariga que chega com os sintomas e o diagnóstico e o tratamento já na ponta da língua: «Então adeus. Porque veio cá?». A da senhora de 76 anos que pensa em suicidar-se desde que foi viver para um lar de idosos, a do alcoólico que não tem na mulher o incentivo que diz precisar para parar de beber, a da rapariga que a uma semana das férias do call-center vai pedir um atestado de doença para semanas porque não aguenta mais o ritmo de trabalho: «Trabalha há um ano… Então e como vão ser os próximos 40?» A da mulher que o consulta para “ir às compras” com a sua extensa lista de prescrições: «Mais alguma coisa?».

O filme de Hélène de Crécy, incluido na competição internacional, foi visionado por um auditório a três quartos. Três quartos que ontem sairam da sala sorrindo. E isso é certo.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Três bons filmes ou o (meu) DocLisboa até agora
DocLisboa 2006 termina no próximo domingo, 29 Out. Decorre na Culturgest.

“The Emperor’s Naked Army Marches On” foi a primeira agradável surpresa do DocLisboa. Neste documentário do japonês Kazuo Hara, filmado entre 1982 e 1987, somos levados a entrar na vida de Okuzaki Kenzo, soldado sobrevivente da II Guerra Mundial, do teatro de operações da Nova Guiné, e na sua obsessiva busca de provas que responsabilizem o império japonês por mortes obscuras de soldados seus compatriotas.

Na Nova Guiné, já no final do conflito, as tropas japonesas foram deixadas a morrer à fome, cenário que deu origem a episódios de canibalismo entre camaradas militares — os soldados rasos eram sacrificados. Ou então, dias depois de finda a guerra, soldados dados como desertores eram executados sem julgamento.

Kenzo procura oficiais na reforma, envelhecidos como ele, e arranca-lhes — sim, arranca, porque chega a usar a violência — depoimentos que confirmam as suas suspeitas.

São vários os aspectos que acho interessantes na fita. Por um lado os factos escabrosos que apresenta, e que eu desconhecia. Por outro, relembra o que é a guerra, qualquer guerra: horror indescritível. É também um estimulante retrato da complexa sociedade japonesa, embebida numa cultura imperial há milénios, complexidade essa que encontro na relação e respeito pelos espaços privados, ou na honradez dos extensos cumprimentos, ou no brio com que Kenzo pede desculpa àquele que momentos antes agrediu, ou na cuidadosa e respeitadora acção das autoridades quando são chamadas a intervir nos desacatos e manifestações solitárias que Kenzo promove.


“Logo Existo”, de Graça Castanheira, apresentou-se em estreia absoluta num Grande Auditório que creio ter esgotado. A minha expectativa pessoal acerca da fita era elevada. De facto, desde as declarações pretensiosas e arrogantes — e francas e realistas? — que ouvi da realizadora aquando do festival Panorama – Mostra de Documentário Português, em Janeiro último, que vinha esperando que as corroborasse com trabalho vivo. E isso aconteceu ontem, com “Logo Existo”. Tecnicamente excelente e irrepreensível, interessante na abordagem ao tema, maduro na realização, ao filme bati palmas com prazer.

“Logo Existo” parte de histórias de renascimento após acidente vascular cerebral e toca assuntos relacionados com o estudo da mente e a relação que com ele têm a religião e filosofia, incluindo ainda algumas notas informativas — à falta de melhor palavra… — sobre neurobiologia.

Pessoalmente, a fita agoniou-me em vários momentos. A possibilidade real de um AVC aos 30 anos assusta qualquer um, e a quem, por vezes, salta noites, bebe mais café que o estritamente necessário ao gosto, corre em horários, etc e tal, ainda dá mais motivos para pensar. Merece ser visto. (acredito que passe na TV em breve)


“Sisters in Law” chegou premiado a Lisboa. Prémio do público no festival de cinema documental de Amesterdão, prémio CICAE em Cannes, e nomeação para melhor documentário britânico nos British Independent Film Awards, tudo em 2005.

O filme de Florence Ayisi e Kim Longinotto retrata duas juristas camaronesas que executam a lei e a justiça num contexto marcado pela tradição, abuso e violência, sobre as mulheres e as crianças.

Agradou-me o olhar pelo emaranhado cultural (social, religioso), que espelha muitos dos países africanos, a questão do poder nas mãos das mulheres — não tendo ainda chegado à política, são elas que tocam o país para a frente nos cargos de poder que ocupam —, e o relembrar da desestruturação transversal que grassa em África.


O DocLisboa continua amanhã.

sábado, 21 de outubro de 2006

Uma semana
Daquelas que são para esquecer ou recordar. Como a revista, que vai ficar na memória, sem qualquer dúvida. Um fecho improvável, trabalho violento, um gozo tremendo e uma aprendizagem de valor incalculável. Foi sempre assim, caramba. E a vós devo tudo isso.

Já à chuva quero cobrar o cinzentismo dos dias e do humor. Caraças, tinhas que chegar?! Ao menos o almoço com vista sobre o Tejo, num recanto bem catita da parte alta da baixa da cidade. E os doces algarvios, não os têm? Caricato, no mínimo.

“Paraíso Agora”, que já saiu das salas, foi um belo murro no estômago. Recorda-me um título que escrevi há dias: olhar de frente as contradições de Israel. Não esperei que aqueles suicidas tivessem o fim que tiveram, nem que o episódio da última ceia de Cristo fosse caricaturado, nem de achar a Lubna Azabal tão gira, nem que no final todos os intervenientes questionassem o acto em silêncio, nem que não houvesse qualquer sonorização aí, nem esperei que fossemos cinco na sala. Nem que a companhia fosse tão agradável. A repetir.

Não sei se gosto ou não daqueles cafés metidos burgueses, mas a esplanada coberta daquele à Guerra Junqueiro deu bastante jeito, não deu? Tínhamos tomado banho, não precisasses de comprar tabaco e falar das dúvidas. E eu sempre saciei o desejo com um falso pastel de nata.

Tu foste embora. Os meus horários, não é?... És um belo enigma.

Antes, a tua clarividência. Sempre pertinente e que sempre procuro. Há pessoas que amo, tu és uma delas. A sensação de possuir tal privilégio há já anos é muito, muito boa.

Para jantar desaconselho vivamente o Maio. A casa vem nos guias e isso dá direito a receber a conta que não foi pedida, para vagar mesa. E se há coisa que detesto é isso. Tudo estava impecavelmente confeccionado, e a torta de amêndoa é mesmo paradisíaca, mas tais preços por tal serviço, não. Perderam este cliente em estreia e todos os que conseguir demover. O euro acompanhado de “goodbye” sabe melhor que aquele acompanhando o “obrigado”? Bardamerda…

De microfone em punho, o fado no Bairro Alto. Todas, mas mesmo todas as casas, que a chuvinha miúda não meteu medo. Até porque, caramba, estávamos com a Tété. É, realmente, um mundo à parte.

No início da maratona no estúdio, o teu gesto. Surpreendeste-me. E deixaste-me curioso. Além de que me salvaste, verdadeiramente. E agora?

Mozart, em esforço para não adormecer sentado, e um quinteto de sportinguistas que se achava engraçado. Não, não me leiam mal: Mozart foi bom.

O Expresso chega-me, finalmente, às mãos. Gosto do papel e do formato. A Única parece-me, mais que nunca, uma Caras. E isso chateia-me. Vamos ao filme japonês?