Eles é a indústria da noite, os processos, as penhoras...
E muito mais?
Noticiou o DN que os bens do gabinete do reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) vão ser penhorados. A acção foi decidida pelo Tribunal do Trabalho, em resolução de um processo levantado por uma professora da instituição, que deliberou o pagamento de uma indemnização no valor de 100 mil euros a seu favor. Ao que parece, a UCP não cumpriu com o contrato que tinha com Maria José Craveiro, passando a pagar-lhe à hora e acabando por despedi-la sem justa causa, depois de ela ter começado a sua tese de doutoramento.
A notícia original está aqui e mereceu uma chamada na primeira página na edição daquele dia do DN. O Público e o Diário Digital, tanto quanto sei, noticiaram posteriormente, porém sem acrescentar dados novos. O Público, de que é director José Manuel Fernandes - que também colabora/lecciona na UCP -, refere o assunto apenas na sua edição on-line "Última-Hora". [Um aparte: responderá isto à sua questão, Professor?]
Mas pela (minha) blogosfera fora, também se escreveu sobre o assunto, nomeadamente no Barnabé.
Ainda no Barnabé se pode ler, mais abaixo, o seguinte:
«Que seria de nós, na verdade, sem os professores da Católica? O negócio é o seguinte: nós contribuímos generosamente para uma instituição que cobra caro pelos seus serviços, foi e continua a ser protegida da concorrência. Em troca, recebemos uns cromos inestimáveis como Braga da Cruz, Mário Pinto ou César das Neves.»
Voltando ao texto publicado pelo DN, cito o seguinte:
«Ao que o DN apurou, existe algum mal-estar entre alguns docentes (...). Motivo de críticas também tem sido o facto de o director da Faculdade de Ciência Humanas, Mário Pinto, ser simultaneamente presidente do Conselho Científico sem que detenha os graus de mestre ou de doutor, contaram ao DN vários docentes.»
Eu apenas digo: interessante e investigável, o comportamento da UCP – nas suas variadas vertentes.
quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Novas mudanças no Grupo PT
O Jornal de Negócios avançou, há dias, com a notícia de que Clara Ferreira Alves será a nova directora do Diário de Notícias. A verificar-se, seria a primeira mulher no cargo, em cento e alguns anos.
Na edição desta semana, o Expresso confirma e acrescenta Pedro Rolo Duarte como sub-director.
Hoje, o Diário Económico desmente: «O presidente da comissão executiva da PT (...) desmente qualquer decisão no sentido de mudar o actual director do Diário de Notícias»
Em que ficamos?
O Jornal de Negócios avançou, há dias, com a notícia de que Clara Ferreira Alves será a nova directora do Diário de Notícias. A verificar-se, seria a primeira mulher no cargo, em cento e alguns anos.
Na edição desta semana, o Expresso confirma e acrescenta Pedro Rolo Duarte como sub-director.
Hoje, o Diário Económico desmente: «O presidente da comissão executiva da PT (...) desmente qualquer decisão no sentido de mudar o actual director do Diário de Notícias»
Em que ficamos?
segunda-feira, 18 de outubro de 2004
Ecos de um fim-de-semana impresso
[o “caso” Marcelo Rebelo de Sousa] «É um ‘case study’ para quem se interesse pelo liberalismo e suas perversões. Ou para quem estude jornalismo e tenha ilusões.»
Pedro Rolo Duarte,
DNa 15Out2004
«Acho que a música chill out é bastante fria, é uma coisa que funciona bem como música ambiente mas, se queremos emoções diferentes na música é preciso ir procurar outras coisas, outra música.
(…) jazz dos anos 50 e 60, que me influencia bastante e tem um lugar muito importante no meu coração e na minha vida.»
Nicola Conte,
em entrevista ao DnMúsica, sobre o seu novo disco, Other Directions
[o “caso” Marcelo Rebelo de Sousa] «É um ‘case study’ para quem se interesse pelo liberalismo e suas perversões. Ou para quem estude jornalismo e tenha ilusões.»
Pedro Rolo Duarte,
DNa 15Out2004
«Acho que a música chill out é bastante fria, é uma coisa que funciona bem como música ambiente mas, se queremos emoções diferentes na música é preciso ir procurar outras coisas, outra música.
(…) jazz dos anos 50 e 60, que me influencia bastante e tem um lugar muito importante no meu coração e na minha vida.»
Nicola Conte,
em entrevista ao DnMúsica, sobre o seu novo disco, Other Directions
segunda-feira, 11 de outubro de 2004
quinta-feira, 7 de outubro de 2004
«Ele [Jorge Sampaio] não percebeu o tipo de gente a que deu posse»
Miguel Sousa Tavares,
in Público 07Out2004
De longe, o melhor que já li, em relação ao XVI Governo Constitucional português.
Mas há mais:
«(...) persistem em Portugal dois males antigos que fazem com que sejamos uma democracia pouco liberal. Primeiro, porque as tentações de os governos controlarem a informação não desapareceram, antes recrudesceram com o actual Executivo, e o império da PT- criado sob o PS, alimentado e protegido pelo PSD - permite ter uma terrível arma de intervenção capaz de condicionar mesmo os grupos privados, na televisão e não só.
(...) um governo acossado e fraco, desorientado e acéfalo, incapaz de resistir à tentação da manipulação e desesperado por não perceber que o mal não está em quem divulga as más notícias, mas em quem lhes dá origem: eles próprios.»
José Manuel Fernandes,
in Público 07Out2004
«Se somarmos a tudo isto o controlo da televisão e da rádio públicas, que já vinha do anterior Governo, as mudanças que se estão a dar nas chefias no grupo Lusomundo dependente da PT, colocando todo seu sector mediático sob o controlo de Luís Delgado, um jornalista cuja promoção não tem outra explicação que não seja o seu proselitismo político, usando instrumentos que o PS preparou com o mesmo objectivo de controlo, o panorama é preocupante. Existem ainda suspeitas de pressões políticas e económicas sobre os grupos empresariais de comunicação, para que se "portem bem", escassamente conhecidas fora das administrações do sector e escapando ao escrutínio público.
(...)
Mais uma vez se verifica que o nosso estado tem uma presença excessiva na comunicação social, que tudo está demasiado partidarizado e que quem tem o poder nunca o cede e usa-o. O PS fê-lo, o PSD está agora a fazê-lo.
(...)
Quando um membro do Governo apela a que a Alta-Autoridade para a Comunicação Social interfira na liberdade de opinião, tal como é expressa numa televisão privada, está a exigir censura do que lhe é incómodo.
(...)
Marcelo é previsível nas suas críticas e nos seus silêncios, nos seus venenos e nos seus ajustes de contas, nas suas verdades e nas suas meia-verdades, só que uma coisa é ter do outro lado alguém convicto do que está a fazer, ou sabendo o que está a fazer, e outra alguém que se desintegra de medo perante o "professor".»
José Pacheco Pereira,
in Público 07Out2004
«(...) convém impedir que quem discorde fale. Já o núcleo do PSD do Norte, constituído, como se sabe, por algumas das maiores cabeças do país (estou a falar do tamanho, claro), tinha vindo mostrar toda a sua indignação com os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa. Não basta ser-se do partido do Governo, é preciso aparecer como porta-voz do pensamento do Governo. O que a médio prazo pode levar à esquizofrenia, dado que o Governo tem em si pensamentos diversos, e o próprio Santana Lopes pensa coisas diferentes no mesmo dia (o que mostra como é um espaço de liberdade e pluralismo). Desta vez, temos o extraordinário Rui Gomes da Silva, espaldado por Morais Sarmento num dos seus momentos menos felizes, a começar por exigir que se moderem os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Estes comentários são hoje uma verdadeira instituição nacional, e com o apoio de gente desnorteada como o referido ministro (vão lá arranjar "contraditório" para esta afirmação...) arriscam-se a valer tanto como um partido político. Cabeças mais atiladas devem ter explicado, aparentemente com êxito, que afirmações destas não se fazem e que Gomes da Silva estava a criar um caso político onde ele não existia. O que só se compreende porque Marcelo, ao comentar a constituição deste sempre surpreendente Governo, traçou um retrato pouco abonatório deste admirável governante a quem o país tanto deve. O caso veio acrescentar-se ao clima de proibições que se pretende instalar: regulação de horários de discotecas, proibição de mini-saias numa escola de Colares, e agora tentativa de impor a Marcelo um contraditório. E ainda veremos o PSD do Norte propor que cada comentador de um jornal tenha o seu contraditório - que poderá mesmo ser um polícia de serviço.»
Eduardo Prado Coelho,
in Público 07Out2004
(Toda a crónica de EPC está, aliás, deliciosa.)
Não consegui aceder ao DN na internet...
«O director-geral e de informação da TVI [José Eduardo Moniz] tem a esperança de voltar a ter Marcelo Rebelo de Sousa nos ecrãs da estação televisiva. José Eduardo Moniz disse, no Fórum da TSF, que espera que a saída do comentador político seja “um equívoco”.»
in TSF,
07Out2004
«(...) Pedro Santana Lopes transformou o adversário num herói. Criou uma celebridade, vestindo o lobo com pele de cordeiro.»
Raúl Vaz,
in Diário Económico 07Out2004
Miguel Sousa Tavares,
in Público 07Out2004
De longe, o melhor que já li, em relação ao XVI Governo Constitucional português.
Mas há mais:
«(...) persistem em Portugal dois males antigos que fazem com que sejamos uma democracia pouco liberal. Primeiro, porque as tentações de os governos controlarem a informação não desapareceram, antes recrudesceram com o actual Executivo, e o império da PT- criado sob o PS, alimentado e protegido pelo PSD - permite ter uma terrível arma de intervenção capaz de condicionar mesmo os grupos privados, na televisão e não só.
(...) um governo acossado e fraco, desorientado e acéfalo, incapaz de resistir à tentação da manipulação e desesperado por não perceber que o mal não está em quem divulga as más notícias, mas em quem lhes dá origem: eles próprios.»
José Manuel Fernandes,
in Público 07Out2004
«Se somarmos a tudo isto o controlo da televisão e da rádio públicas, que já vinha do anterior Governo, as mudanças que se estão a dar nas chefias no grupo Lusomundo dependente da PT, colocando todo seu sector mediático sob o controlo de Luís Delgado, um jornalista cuja promoção não tem outra explicação que não seja o seu proselitismo político, usando instrumentos que o PS preparou com o mesmo objectivo de controlo, o panorama é preocupante. Existem ainda suspeitas de pressões políticas e económicas sobre os grupos empresariais de comunicação, para que se "portem bem", escassamente conhecidas fora das administrações do sector e escapando ao escrutínio público.
(...)
Mais uma vez se verifica que o nosso estado tem uma presença excessiva na comunicação social, que tudo está demasiado partidarizado e que quem tem o poder nunca o cede e usa-o. O PS fê-lo, o PSD está agora a fazê-lo.
(...)
Quando um membro do Governo apela a que a Alta-Autoridade para a Comunicação Social interfira na liberdade de opinião, tal como é expressa numa televisão privada, está a exigir censura do que lhe é incómodo.
(...)
Marcelo é previsível nas suas críticas e nos seus silêncios, nos seus venenos e nos seus ajustes de contas, nas suas verdades e nas suas meia-verdades, só que uma coisa é ter do outro lado alguém convicto do que está a fazer, ou sabendo o que está a fazer, e outra alguém que se desintegra de medo perante o "professor".»
José Pacheco Pereira,
in Público 07Out2004
«(...) convém impedir que quem discorde fale. Já o núcleo do PSD do Norte, constituído, como se sabe, por algumas das maiores cabeças do país (estou a falar do tamanho, claro), tinha vindo mostrar toda a sua indignação com os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa. Não basta ser-se do partido do Governo, é preciso aparecer como porta-voz do pensamento do Governo. O que a médio prazo pode levar à esquizofrenia, dado que o Governo tem em si pensamentos diversos, e o próprio Santana Lopes pensa coisas diferentes no mesmo dia (o que mostra como é um espaço de liberdade e pluralismo). Desta vez, temos o extraordinário Rui Gomes da Silva, espaldado por Morais Sarmento num dos seus momentos menos felizes, a começar por exigir que se moderem os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Estes comentários são hoje uma verdadeira instituição nacional, e com o apoio de gente desnorteada como o referido ministro (vão lá arranjar "contraditório" para esta afirmação...) arriscam-se a valer tanto como um partido político. Cabeças mais atiladas devem ter explicado, aparentemente com êxito, que afirmações destas não se fazem e que Gomes da Silva estava a criar um caso político onde ele não existia. O que só se compreende porque Marcelo, ao comentar a constituição deste sempre surpreendente Governo, traçou um retrato pouco abonatório deste admirável governante a quem o país tanto deve. O caso veio acrescentar-se ao clima de proibições que se pretende instalar: regulação de horários de discotecas, proibição de mini-saias numa escola de Colares, e agora tentativa de impor a Marcelo um contraditório. E ainda veremos o PSD do Norte propor que cada comentador de um jornal tenha o seu contraditório - que poderá mesmo ser um polícia de serviço.»
Eduardo Prado Coelho,
in Público 07Out2004
(Toda a crónica de EPC está, aliás, deliciosa.)
Não consegui aceder ao DN na internet...
«O director-geral e de informação da TVI [José Eduardo Moniz] tem a esperança de voltar a ter Marcelo Rebelo de Sousa nos ecrãs da estação televisiva. José Eduardo Moniz disse, no Fórum da TSF, que espera que a saída do comentador político seja “um equívoco”.»
in TSF,
07Out2004
«(...) Pedro Santana Lopes transformou o adversário num herói. Criou uma celebridade, vestindo o lobo com pele de cordeiro.»
Raúl Vaz,
in Diário Económico 07Out2004
quinta-feira, 30 de setembro de 2004
terça-feira, 21 de setembro de 2004
sexta-feira, 17 de setembro de 2004
terça-feira, 14 de setembro de 2004
Melhor proposta pode ir até aos 390,60 euros
Salário mínimo mais longe dos Quinze
O salário mínimo nacional português é muito mais baixo do que em Espanha e na Grécia. E continuará atrás, mesmo que o Governo aceite a proposta mais arrojada de aumento.
Agência Financeira
--- Adoro estas boas notícias...
Salário mínimo mais longe dos Quinze
O salário mínimo nacional português é muito mais baixo do que em Espanha e na Grécia. E continuará atrás, mesmo que o Governo aceite a proposta mais arrojada de aumento.
Agência Financeira
--- Adoro estas boas notícias...
Luís Delgado deverá suceder a Granadeiro na Lusomundo
«O administrador-delegado da Lusa, Luís Delgado, deverá suceder a Henrique Granadeiro na presidência da Lusomundo Media, que detém títulos como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o 24 Horas e a TSF.
Henrique Granadeiro foi nomeado presidente do conselho de administração da Fundação Portuguesa Telecom. A PT decidiu também criar um conselho editorial para a Lusomundo, que deverá ser dirigido, por Mário Bettencourt Resendes.»
Diário Económico, 14Set2004
--- Mas está tudo louco? Mais um tacho para o Delgado? Para o Luís Delgado? O Luís Delgado?
«O administrador-delegado da Lusa, Luís Delgado, deverá suceder a Henrique Granadeiro na presidência da Lusomundo Media, que detém títulos como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o 24 Horas e a TSF.
Henrique Granadeiro foi nomeado presidente do conselho de administração da Fundação Portuguesa Telecom. A PT decidiu também criar um conselho editorial para a Lusomundo, que deverá ser dirigido, por Mário Bettencourt Resendes.»
Diário Económico, 14Set2004
--- Mas está tudo louco? Mais um tacho para o Delgado? Para o Luís Delgado? O Luís Delgado?
segunda-feira, 13 de setembro de 2004
Lição de humanidade em 39 minutos, foi o que foi. O Homem é um ser social, mas socialmente egoísta e mostraste-me como contrariar isso mesmo. E como se deve começar por aqueles que estão mais perto. Porque o amor é transversal.
Vivo num eterno depois, quando deveria fazê-lo sim no agora. E como isso me incomoda. Tal como Miles, que adoro e bebo sempre, mas que é impossível fazer acompanhar de letras. Porque estas pedem acordes electrónicos e vozes quentes.
Há semanas que não leio os meus habituais de sábado. Há meses que não vou lá, com tempo de espreitar o mar e simplesmente respirar. Há muito que não te vejo.
Vivo num eterno depois, quando deveria fazê-lo sim no agora. E como isso me incomoda. Tal como Miles, que adoro e bebo sempre, mas que é impossível fazer acompanhar de letras. Porque estas pedem acordes electrónicos e vozes quentes.
Há semanas que não leio os meus habituais de sábado. Há meses que não vou lá, com tempo de espreitar o mar e simplesmente respirar. Há muito que não te vejo.
domingo, 5 de setembro de 2004
É estranho, nevoeiro em tempo de verão. Tolda-me a visão, não vejo a poucos metros mais, mas não é claro como o de Dezembro ou Janeiro. Esse é água. Este é escuro. Não me recordo o dia em que se abateu tanto no vale como no pico, mas sei que não levanta. E já me perdi. Desde que chegou que não sei por onde ir.
terça-feira, 24 de agosto de 2004
sexta-feira, 30 de julho de 2004
«… as pessoas estão abananadas…»
Horário nobre na televisão portuguesa e no noticiário da SIC, a repórter, em directo, ao telefone de um local onde um forte incêncio lavrava, proferiu essa fantástica sequência de palavras. Ora, abananar é dar forma ou gosto de banana; aturdir; espantar; perder a energia; aparvalhar-se. É tudo isto, sim senhor. Mas, em jornalismo?
As vagas de incêndios têm esta particularidade, em Portugal: protenciam autênticos atentados ao jornalismo. Quando o país arde, é ver repórteres relatando horrores, em pânico e por isso sobressaltando quem os vê e ouve. Uma autêntica palhaçada. E palhaços são os editores e chefes de redacção que os destacam para aqueles cenários, para fazerem aquele tipo de reportagem. E palhaços são também aqueles ditos jornalistas que, com ou sem experiência, estão para ali fazendo e dizendo parvoíces, dificultando as movimentações, interrogando os populares das formas mais estapafúrdias, tossindo do fumo, louvando o Canadair e a descarga que fez mesmo em cima das suas cabeças vazias e agora molhadas.
Palhaçada: acto ou dito de palhaço; cena ridícula e burlesca; mascarada; grupo de palhaços.
Horário nobre na televisão portuguesa e no noticiário da SIC, a repórter, em directo, ao telefone de um local onde um forte incêncio lavrava, proferiu essa fantástica sequência de palavras. Ora, abananar é dar forma ou gosto de banana; aturdir; espantar; perder a energia; aparvalhar-se. É tudo isto, sim senhor. Mas, em jornalismo?
As vagas de incêndios têm esta particularidade, em Portugal: protenciam autênticos atentados ao jornalismo. Quando o país arde, é ver repórteres relatando horrores, em pânico e por isso sobressaltando quem os vê e ouve. Uma autêntica palhaçada. E palhaços são os editores e chefes de redacção que os destacam para aqueles cenários, para fazerem aquele tipo de reportagem. E palhaços são também aqueles ditos jornalistas que, com ou sem experiência, estão para ali fazendo e dizendo parvoíces, dificultando as movimentações, interrogando os populares das formas mais estapafúrdias, tossindo do fumo, louvando o Canadair e a descarga que fez mesmo em cima das suas cabeças vazias e agora molhadas.
Palhaçada: acto ou dito de palhaço; cena ridícula e burlesca; mascarada; grupo de palhaços.
sábado, 24 de julho de 2004
«sabiam que o que faziam nascia do que os desfazia»
Os Lamb vão acabar? Não me surpreende. É pôr cobro a um vazio criativo que há anos sofria, gritava e gemia em discos iguais e secos.
«A relação entre Andy Barlow e Louise Rhodes sempre foi volátil. Altamente instável. Perigosa para quem se encontrava à volta. O "background" musical era muito diverso: o multi-instrumentista vinha da área da electrónica de dança, a vocalista do folk. Ela é dez anos mais velha do que ele. Mas foi da dificuldade de relacionamento e das díspares expectativas estéticas que se construiu uma carreira tão singular como a do duo inglês.» Eurico Monchique, Y
Não se enganem: eu gosto, gostei, dos Lamb. Sobretudo quando os conheci e pela maneira como me chegaram - através de uma remistura dos Fila Brazillia para "Cotton Wool", no The Rebirth Of Cool vol.6, de 1996.
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Aula de jornalismo
"Manual" para uma entrevista: texto e áudio
Os Lamb vão acabar? Não me surpreende. É pôr cobro a um vazio criativo que há anos sofria, gritava e gemia em discos iguais e secos.
«A relação entre Andy Barlow e Louise Rhodes sempre foi volátil. Altamente instável. Perigosa para quem se encontrava à volta. O "background" musical era muito diverso: o multi-instrumentista vinha da área da electrónica de dança, a vocalista do folk. Ela é dez anos mais velha do que ele. Mas foi da dificuldade de relacionamento e das díspares expectativas estéticas que se construiu uma carreira tão singular como a do duo inglês.» Eurico Monchique, Y
Não se enganem: eu gosto, gostei, dos Lamb. Sobretudo quando os conheci e pela maneira como me chegaram - através de uma remistura dos Fila Brazillia para "Cotton Wool", no The Rebirth Of Cool vol.6, de 1996.
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Aula de jornalismo
"Manual" para uma entrevista: texto e áudio
Em dia que para mim foi de World Press Photo no CCB e pouco mais, Amália faria anos e Carlos Paredes partiu - recordo-lhe "Verdes Anos" e logo me surge o ferry vagaroso no Tejo, ao fim do dia, de um dia em que lá ao fundo o céu fique alaranjado, atracando no cais da margem norte ou sul, que tanto faz pois a magia é a mesma.
Comprei jornais, dois, mas só lhes li umas poucas páginas. Fica para amanhã.
Durante uma hora e meia vi um clássico.
Noite dentro, cruzei-me com as duzentas e algumas páginas do Programa do 16º Governo Constitucional, aka A Palhaçada. Guardei-o, porque electrónico, mas sem motivo. Não o lerei, não.
Quase no fim de tudo, o arquivo de programas da TSF. Uma pérola! Disponível à distância de um clique e deveras interessante. A explorar.
E hoje soube a pouco *
Comprei jornais, dois, mas só lhes li umas poucas páginas. Fica para amanhã.
Durante uma hora e meia vi um clássico.
Noite dentro, cruzei-me com as duzentas e algumas páginas do Programa do 16º Governo Constitucional, aka A Palhaçada. Guardei-o, porque electrónico, mas sem motivo. Não o lerei, não.
Quase no fim de tudo, o arquivo de programas da TSF. Uma pérola! Disponível à distância de um clique e deveras interessante. A explorar.
E hoje soube a pouco *
segunda-feira, 19 de julho de 2004
«A política já tinha batido no fundo - faltava alguém que lhe atirasse terra para cima e nos explicasse o que vale o nosso voto, o que vale o tempo perdido a ouvir um homem gritar "se eu ganhar eu faço..."»
PRD, DNa
Um excelente suplemento de imprensa e alguém que começo a ganhar o hábito de ler... e concordar.
PRD, DNa
Um excelente suplemento de imprensa e alguém que começo a ganhar o hábito de ler... e concordar.
sábado, 17 de julho de 2004
O objectivo era fazer música, com toda a bagagem de quem já leva uns anos no ofício. O jazz, categorização que se não lhes impõem, veio porque os três gostam do género e porque queriam fazer música instrumental, em parte improvisada. “Esquece Tudo O Que Aprendeste” é o resultado, o disco de estreia dos DEP, colectivo formado pelos músicos portuenses Danim, Eduardo e Peixe.
» i'm back in the business, here
Nem o epíteto Cool serviu para aligeirar a faixa etária do público que na quente noite de 13 se deslocou ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para ouvir Jacinta, num excelente concerto no âmbito do Cool Jazz Fest (CJF).
» and here
» i'm back in the business, here
Nem o epíteto Cool serviu para aligeirar a faixa etária do público que na quente noite de 13 se deslocou ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para ouvir Jacinta, num excelente concerto no âmbito do Cool Jazz Fest (CJF).
» and here
sexta-feira, 9 de julho de 2004
«Mas agora, quando por fim nos disseram que a luz estava ao fundo do túnel, percebemos que a luz era, afinal, a de um comboio em sentido contrário pronto a dar-nos cabo do caminho. (...) Quem vem dentro desse comboio? Aparentemente, todos os que o apanharam em andamento no instante em que Durão Barroso decidiu emigrar. Na política, a arte de apanhar o comboio em andamento é uma habilidade própria de artistas de circo.»
PRD | DNa
PRD | DNa
domingo, 4 de julho de 2004
30x diazepam 10mg
Volta e meia e é o mesmo. As meias tintas. O costume.
Quando me confronto com isto, o estômago fica vazio, o coração abranda, os olhos param, as mãos apertam-se. Boneco de trapos e uma tesoura de autópsia que me corta e tira toda a espuma que me enche. Espuma de mar, volátil.
As interrogações, são as mesmas. E quantas...
Nada que o tempo não resolva, claro está. Já que não tenho coragem para o fazer. Cobarde.
A coisa que tem que ver com nada mas que acaba tendo que ver com tudo. Extraordinário, o processo, despoletado por uma insignificância material, que se relaciona com um terceiro e um grande prejuizo pessoal. E explicar, ter que descodificar, tentar tornar ligeiramente perceptível o impercebível, suportando-me em argumentos vazios, porque virtuais, mesmo apesar dos discos físicos e de uma caixa de alumínio. E que menor é tudo isto.
Volta e meia e é o mesmo. As meias tintas. O costume.
Quando me confronto com isto, o estômago fica vazio, o coração abranda, os olhos param, as mãos apertam-se. Boneco de trapos e uma tesoura de autópsia que me corta e tira toda a espuma que me enche. Espuma de mar, volátil.
As interrogações, são as mesmas. E quantas...
Nada que o tempo não resolva, claro está. Já que não tenho coragem para o fazer. Cobarde.
A coisa que tem que ver com nada mas que acaba tendo que ver com tudo. Extraordinário, o processo, despoletado por uma insignificância material, que se relaciona com um terceiro e um grande prejuizo pessoal. E explicar, ter que descodificar, tentar tornar ligeiramente perceptível o impercebível, suportando-me em argumentos vazios, porque virtuais, mesmo apesar dos discos físicos e de uma caixa de alumínio. E que menor é tudo isto.
sábado, 3 de julho de 2004
sexta-feira, 2 de julho de 2004
sábado, 26 de junho de 2004
«Quem não perceber a relação íntima
entre o cagalhão e o limão não percebe nada»
«(…) O que me traz aos ovos. Hoje em dia é proibido mencionar que as galinhas têm cu – mas têm. É por onde saem os ovos, desculpem lá. (...)»
Miguel Esteves Cardoso, DNa
E do DNa digo: foi premiado internacionalmente, mais uma vez, como excelente produto de imprensa que é.
----------------------------------
«(…) Nós somos um povo triste. Não sabemos rir. Não sabemos aplaudir. Não sabemos incentivar as pessoas. Somos um povo triste e envergonhado e isso não sei de onde é que vem. Os espanhóis são alegres, têm as castanholas. Nós ouvimos o fado em silêncio. “Silêncio que se vai cantar o fado”! Quando o que nós deveríamos fazer era falar muito. Mas não sabemos improvisar. Qualquer brasileiro fala praí uma hora, que nunca mais acaba. Nós não.»
Eládio Clímaco, em entrevista à 365
E da 365 digo, neste #15, que outro também não conheço: artistas armados ao pingarelho, a 10 mil exemplares todos os meses. É barrete que não enfio outra vez.
----------------------------------
Que é feito da Paula Moura Pinheiro?
Digo eu, da Grande Reportagem
E da GR digo: ainda não terminei.
----------------------------------
Continuam a faltar: All Jazz, Volta ao Mundo, Egoísta, Epícur, Sábado e Os Fazedores de Letras #58, assim que me lembre.
----------------------------------
É aproveitar, isto e o Euro, porque os próximos meses serão:
- um website e uma revista, num desafio pessoal extremamente aliciante, além de muito duro;
- voltar a escrever sobre jazz, sobre música (e começa já com uma entrevista, na 3ª-feira, a um novo colectivo jazzístico) para um meio de comunicação electrónico, o que me deixou tremendamente motivado;
- pouca praia, pois então.
entre o cagalhão e o limão não percebe nada»
«(…) O que me traz aos ovos. Hoje em dia é proibido mencionar que as galinhas têm cu – mas têm. É por onde saem os ovos, desculpem lá. (...)»
Miguel Esteves Cardoso, DNa
E do DNa digo: foi premiado internacionalmente, mais uma vez, como excelente produto de imprensa que é.
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«(…) Nós somos um povo triste. Não sabemos rir. Não sabemos aplaudir. Não sabemos incentivar as pessoas. Somos um povo triste e envergonhado e isso não sei de onde é que vem. Os espanhóis são alegres, têm as castanholas. Nós ouvimos o fado em silêncio. “Silêncio que se vai cantar o fado”! Quando o que nós deveríamos fazer era falar muito. Mas não sabemos improvisar. Qualquer brasileiro fala praí uma hora, que nunca mais acaba. Nós não.»
Eládio Clímaco, em entrevista à 365
E da 365 digo, neste #15, que outro também não conheço: artistas armados ao pingarelho, a 10 mil exemplares todos os meses. É barrete que não enfio outra vez.
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Que é feito da Paula Moura Pinheiro?
Digo eu, da Grande Reportagem
E da GR digo: ainda não terminei.
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Continuam a faltar: All Jazz, Volta ao Mundo, Egoísta, Epícur, Sábado e Os Fazedores de Letras #58, assim que me lembre.
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É aproveitar, isto e o Euro, porque os próximos meses serão:
- um website e uma revista, num desafio pessoal extremamente aliciante, além de muito duro;
- voltar a escrever sobre jazz, sobre música (e começa já com uma entrevista, na 3ª-feira, a um novo colectivo jazzístico) para um meio de comunicação electrónico, o que me deixou tremendamente motivado;
- pouca praia, pois então.
Vacances
Apaixonado pelo periódico e pela palavra impressa, pelo desenho desses produtos de consumo, em papel de diferentes gramagens e formatos, cores, composições e temas também diversos, e fui-me para uma daquelas qualquer-coisa-press que por “CCs” e Fóruns se multiplica, olhar para a oferta disponível. Balbúrdia geral e parti em busca de alguns títulos de que levava vontade de folhear. Mas não passou disso mesmo, do desejo, porque ali, havendo de tudo, nada havia. Questionados os funcionários, continuava não havendo e não se sabendo se alguma vez houvera.
Ali trabalha-se, por turnos, 14 horas sem intervalo e não é isso que enjeito, dado ter a experiência própria das exigências de tal serviço – o part-time dos 450 euros mais comissões de Caixeiro Ajudante de 1º Ano que sabe bem a quem termina o 12º na palhaçada que é o Recorrente –, que seis dias a rodar não deixam espaço a que se saiba seja o que for sobre o que se deveria saber.
E se tomamos mais um minuto que seja ao único caixeiro disponível, questionando sobre o paradeiro de um outro qualquer título «pseudo-intelectualóide armado em cosmopolita fashion de sexta-feira à tarde», logo salta o tipo do mocassin envernizado, calça beije, camisa azul claro de manga dobrada, cabelo grisalho aparado à cota que acha que a loura re-pintada e esticada de 50, sardenta de solário, vestido branco transparente e cueca fio-dental que o acompanha ainda bomba; logo salta o gajo, de cigarrilha esfumaçante, impaciente para que seja atendido e possa pagar, com o cartãozito dourado que um banco qualquer lhe vendeu, a sua caixa de cigarrilhas, os Davidoff da gaja, a Lux, a Caras, o Expresso, a Visão e os DVD todos da colecção, a Evasões e a National Geographic, sem não antes pousar a chave do Audi e o Nokia computador em cima do balcão. Adorei o espectáculo.
Comércio tradicional no ramo dos periódicos, precisa-se. Com a mesma, ou talvez um pouco mais selecta oferta; sem dúvida com maior arrumação; sobretudo com mais tempo e conhecimento para informar devidamente o cliente. E fora destes “fórúns”, por favor!
Não obstante o sucedido, fui-me dali com um terço do que procurava. Hoje, durante um café, uma “borbulhenta” e um moscatel, numa esplanada à sombra, estive de férias.
Apaixonado pelo periódico e pela palavra impressa, pelo desenho desses produtos de consumo, em papel de diferentes gramagens e formatos, cores, composições e temas também diversos, e fui-me para uma daquelas qualquer-coisa-press que por “CCs” e Fóruns se multiplica, olhar para a oferta disponível. Balbúrdia geral e parti em busca de alguns títulos de que levava vontade de folhear. Mas não passou disso mesmo, do desejo, porque ali, havendo de tudo, nada havia. Questionados os funcionários, continuava não havendo e não se sabendo se alguma vez houvera.
Ali trabalha-se, por turnos, 14 horas sem intervalo e não é isso que enjeito, dado ter a experiência própria das exigências de tal serviço – o part-time dos 450 euros mais comissões de Caixeiro Ajudante de 1º Ano que sabe bem a quem termina o 12º na palhaçada que é o Recorrente –, que seis dias a rodar não deixam espaço a que se saiba seja o que for sobre o que se deveria saber.
E se tomamos mais um minuto que seja ao único caixeiro disponível, questionando sobre o paradeiro de um outro qualquer título «pseudo-intelectualóide armado em cosmopolita fashion de sexta-feira à tarde», logo salta o tipo do mocassin envernizado, calça beije, camisa azul claro de manga dobrada, cabelo grisalho aparado à cota que acha que a loura re-pintada e esticada de 50, sardenta de solário, vestido branco transparente e cueca fio-dental que o acompanha ainda bomba; logo salta o gajo, de cigarrilha esfumaçante, impaciente para que seja atendido e possa pagar, com o cartãozito dourado que um banco qualquer lhe vendeu, a sua caixa de cigarrilhas, os Davidoff da gaja, a Lux, a Caras, o Expresso, a Visão e os DVD todos da colecção, a Evasões e a National Geographic, sem não antes pousar a chave do Audi e o Nokia computador em cima do balcão. Adorei o espectáculo.
Comércio tradicional no ramo dos periódicos, precisa-se. Com a mesma, ou talvez um pouco mais selecta oferta; sem dúvida com maior arrumação; sobretudo com mais tempo e conhecimento para informar devidamente o cliente. E fora destes “fórúns”, por favor!
Não obstante o sucedido, fui-me dali com um terço do que procurava. Hoje, durante um café, uma “borbulhenta” e um moscatel, numa esplanada à sombra, estive de férias.
quinta-feira, 10 de junho de 2004
Pequenez
Passou certamente mais de um ano, desde que cortei aquele pedacito de papel e o colei no meu caderno de então. Porque me lembrava de o ter feito, procurei-o. E li-o. E depois de tudo o que se tem passado lá no "estaminé", faz sentido. Disse-o António Feio, ao DNa:
«A Igreja em si é um lugar demasiado solene, que reduz as pessoas a uma certa pequenez, onde tudo é muito proibido, e o seu funcionamento sempre esteve completamente afastado da realidade e das pessoas.»
Ainda bem que guardo os cadernos usados.
Passou certamente mais de um ano, desde que cortei aquele pedacito de papel e o colei no meu caderno de então. Porque me lembrava de o ter feito, procurei-o. E li-o. E depois de tudo o que se tem passado lá no "estaminé", faz sentido. Disse-o António Feio, ao DNa:
«A Igreja em si é um lugar demasiado solene, que reduz as pessoas a uma certa pequenez, onde tudo é muito proibido, e o seu funcionamento sempre esteve completamente afastado da realidade e das pessoas.»
Ainda bem que guardo os cadernos usados.
segunda-feira, 7 de junho de 2004
Leituras atrasadas
os Fazedores de Letras #57
«Quando, daqui a 20 anos, comemorar os 50 anos do 25 de Abril ou, daqui a 70, o seu centenário, e deixarmos de ouvir na primeira pessoa a descrição dos acontecimentos, chegaremos à altura em que a Revolução dos Cravos não será mais do que uma data no calendário nacional, com o mesmo peso e importância que têm hoje outros feitos do povo português, como a batalha de Aljubarrota e a Revolução de 1383-85, a restauração da Independência ou a implementação da República.»
e também a entrevista:
«Fornecedor de serviços de comunicação», Álvaro Costa
---------------------------------
Recortes de um habitual
«…30 anos depois, eu já percebi que ser de direita não significa ser fascista, como ser de esquerda não equivale a ser comunista. Há, entre estas duas margens, lugar para o respeito e a democracia. Mais à esquerda ou mais à direita.
…30 anos depois, eu realmente não sou um optimista. Mas sou seguramente menos pessimista do que seria se hoje vivesse num país a preto-e-branco, fechado sobre si próprio, ainda mais tacanho, ainda mais pobre, ainda mais ignorante, ainda mais estupidificado do que é. Este não é o país que sonhei quando acordei para a realidade – mas é certamente melhor que aquele que teria se, há 30 anos, não tivesse acordado um movimento de militares. Uns mais ingénuos, outros mais sabidos, todos com um mesmo objectivo: mudar. Só o verbo já inspira.
…Por tudo isto, 30 anos depois, eu já não tenho ilusões – mas há muito que deixei de ter dúvidas. Mais vale assim. Com revolução, com evolução. Mais letra, menos letra, nenhuma destas palavras é a palavra-chave. Para mim, a palavra é só uma: liberdade. Quem a tem chama-lhe sua. Todos os dias acordo a chamar-lhe minha. E não desisto.»
os Fazedores de Letras #57
«Quando, daqui a 20 anos, comemorar os 50 anos do 25 de Abril ou, daqui a 70, o seu centenário, e deixarmos de ouvir na primeira pessoa a descrição dos acontecimentos, chegaremos à altura em que a Revolução dos Cravos não será mais do que uma data no calendário nacional, com o mesmo peso e importância que têm hoje outros feitos do povo português, como a batalha de Aljubarrota e a Revolução de 1383-85, a restauração da Independência ou a implementação da República.»
e também a entrevista:
«Fornecedor de serviços de comunicação», Álvaro Costa
---------------------------------
Recortes de um habitual
«…30 anos depois, eu já percebi que ser de direita não significa ser fascista, como ser de esquerda não equivale a ser comunista. Há, entre estas duas margens, lugar para o respeito e a democracia. Mais à esquerda ou mais à direita.
…30 anos depois, eu realmente não sou um optimista. Mas sou seguramente menos pessimista do que seria se hoje vivesse num país a preto-e-branco, fechado sobre si próprio, ainda mais tacanho, ainda mais pobre, ainda mais ignorante, ainda mais estupidificado do que é. Este não é o país que sonhei quando acordei para a realidade – mas é certamente melhor que aquele que teria se, há 30 anos, não tivesse acordado um movimento de militares. Uns mais ingénuos, outros mais sabidos, todos com um mesmo objectivo: mudar. Só o verbo já inspira.
…Por tudo isto, 30 anos depois, eu já não tenho ilusões – mas há muito que deixei de ter dúvidas. Mais vale assim. Com revolução, com evolução. Mais letra, menos letra, nenhuma destas palavras é a palavra-chave. Para mim, a palavra é só uma: liberdade. Quem a tem chama-lhe sua. Todos os dias acordo a chamar-lhe minha. E não desisto.»
sábado, 29 de maio de 2004
domingo, 23 de maio de 2004
quarta-feira, 5 de maio de 2004
«Quando escrevo quero apenas libertar-me do que escrevo»
Porque a escrita, certa escrita, tem mesmo esse querer libertar-me daquilo, “daquilos”, na procura do sono e descanso que tanto quero. É violento, por vezes, o exercício, porque as palavras escritas materializam o sentir – qual dizer popular «olhos não vêem, coração não sente» – e esse confronto com o que, subitamente, se tornou real e existe, magoa. Cuspir o que escrevo, arrancar essa crosta – tal como, quando em miúdo, escarafunchava os joelhos “volta-e-meia” feridos, só para ver a pele rosada que ali por debaixo crescia – é outra face do cubo, é uma porta que se fecha e outra que se abre, ao novo, que há-de vir. “Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” para a calçada e seguir andando, sem olhar.
O escritor, o escritor louco, atormentado pela voz do «emissário desconhecido», que dele faz marioneta e hospedeiro, não cospe – vomita; porque um é deliberado e o outro é incontrolável. O escritor louco, que não consigo desprender da imagem do Woody neurótico, é alimentado a pão bolorento. Assim, mesmo que tarde, despejará tudo. E mais não tendo que o saceie, continuará a come-lo e a cair de joelhos sobre uma folha de papel. Aquele pão, que é uma esmola.
Talvez por isso A.L.A. tenha dito: «enche os teus livros, à custa de muito viveres com eles, de um terrível, desesperado e feliz silêncio». O terrível desespero da náusea, a felicidade do alívio, o silêncio pelo conluio de saber haver comido com o propósito de confessar.
Porque a escrita, certa escrita, tem mesmo esse querer libertar-me daquilo, “daquilos”, na procura do sono e descanso que tanto quero. É violento, por vezes, o exercício, porque as palavras escritas materializam o sentir – qual dizer popular «olhos não vêem, coração não sente» – e esse confronto com o que, subitamente, se tornou real e existe, magoa. Cuspir o que escrevo, arrancar essa crosta – tal como, quando em miúdo, escarafunchava os joelhos “volta-e-meia” feridos, só para ver a pele rosada que ali por debaixo crescia – é outra face do cubo, é uma porta que se fecha e outra que se abre, ao novo, que há-de vir. “Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” para a calçada e seguir andando, sem olhar.
O escritor, o escritor louco, atormentado pela voz do «emissário desconhecido», que dele faz marioneta e hospedeiro, não cospe – vomita; porque um é deliberado e o outro é incontrolável. O escritor louco, que não consigo desprender da imagem do Woody neurótico, é alimentado a pão bolorento. Assim, mesmo que tarde, despejará tudo. E mais não tendo que o saceie, continuará a come-lo e a cair de joelhos sobre uma folha de papel. Aquele pão, que é uma esmola.
Talvez por isso A.L.A. tenha dito: «enche os teus livros, à custa de muito viveres com eles, de um terrível, desesperado e feliz silêncio». O terrível desespero da náusea, a felicidade do alívio, o silêncio pelo conluio de saber haver comido com o propósito de confessar.
quarta-feira, 28 de abril de 2004
domingo, 25 de abril de 2004
quinta-feira, 22 de abril de 2004
segunda-feira, 19 de abril de 2004
«Se a foto não é boa é porque não estás suficientemente perto»
Capa, disse.
Cada pedaço que parte é como se fosse um bocadinho de mim. Mas tudo isto é uma manta de retalhos-fases e esta é mais uma, foi mais uma, que necessitei encerrar. Ou colocar de lado – veremos.
O caminho que faltava percorrer até que me satisfizesse com os resultados era longo demais para a altura. E a opção, decerto nada fácil, acabou por ser inevitável. Porque quando as coisas não resultam preciso... Que resultem? Quando não, ao menos que esteja em posição de as fazer resultar. E não estava.
Tempo – é falso.
Olho – válido.
Vontade – aquieta-me, de certo modo, pensar nisso.
Coragem – o principal.
Mercantilização e obsessão pela utilidade/uso que não o próprio – definitivamente.
Sempre pensar no “que depois de isto sim, haverá condições” – paro por aqui ou tombo.
Como começo hoje a perceber, comigo, ou dá ou não dá. Não existe um ‘vai dando’. Preciso sentir-me em preparo de fazer dar, ou acabo coxo. Porque quero tudo e que tudo o que quero dê. (e porque alguém me disse que há que fazer opções, para que dê)
É assim, comigo, nas coisas e nA coisa.
Nas coisas suporto. nA coisa não tenho mão no que acaba correndo-me nas veias.
E sei que, mais que as coisas, A coisa me atormenta.
No fundo, obsessão por um controlo impossível/inexistente?
Capa, disse.
Cada pedaço que parte é como se fosse um bocadinho de mim. Mas tudo isto é uma manta de retalhos-fases e esta é mais uma, foi mais uma, que necessitei encerrar. Ou colocar de lado – veremos.
O caminho que faltava percorrer até que me satisfizesse com os resultados era longo demais para a altura. E a opção, decerto nada fácil, acabou por ser inevitável. Porque quando as coisas não resultam preciso... Que resultem? Quando não, ao menos que esteja em posição de as fazer resultar. E não estava.
Tempo – é falso.
Olho – válido.
Vontade – aquieta-me, de certo modo, pensar nisso.
Coragem – o principal.
Mercantilização e obsessão pela utilidade/uso que não o próprio – definitivamente.
Sempre pensar no “que depois de isto sim, haverá condições” – paro por aqui ou tombo.
Como começo hoje a perceber, comigo, ou dá ou não dá. Não existe um ‘vai dando’. Preciso sentir-me em preparo de fazer dar, ou acabo coxo. Porque quero tudo e que tudo o que quero dê. (e porque alguém me disse que há que fazer opções, para que dê)
É assim, comigo, nas coisas e nA coisa.
Nas coisas suporto. nA coisa não tenho mão no que acaba correndo-me nas veias.
E sei que, mais que as coisas, A coisa me atormenta.
No fundo, obsessão por um controlo impossível/inexistente?
sábado, 10 de abril de 2004
sexta-feira, 9 de abril de 2004
Não existe coisa alguma que traduza isto por palavras. Porque isto não se vê – sente-se. Não se toca – vive-se. Não se cheira – metaboliza-se.
Eu não sei o que é isto. Por outro, sei o que é isto. Não conheço, sim, não conheço o que está para além de isto, o passo seguinte a isto.
Neste momento sinto, isto. E não queria, não quero.
Isto traz-me todas as dúvidas que não quero ter. Acorda-as com força, atira-as contra mim violentamente, obriga-me a olhá-las e comê-las. Porque as dúvidas se comem, se engolem em seco.
Quando isto me acontece é um limbo e uma descrença.
AMA, disse-me brincando, era essa a sigla. Não é tanto isso que me perturba – é mesmo isto. Não saber se sou, se valho; julgar que, por isto, não sou e não valho.
Eu não sei o que é isto. Por outro, sei o que é isto. Não conheço, sim, não conheço o que está para além de isto, o passo seguinte a isto.
Neste momento sinto, isto. E não queria, não quero.
Isto traz-me todas as dúvidas que não quero ter. Acorda-as com força, atira-as contra mim violentamente, obriga-me a olhá-las e comê-las. Porque as dúvidas se comem, se engolem em seco.
Quando isto me acontece é um limbo e uma descrença.
AMA, disse-me brincando, era essa a sigla. Não é tanto isso que me perturba – é mesmo isto. Não saber se sou, se valho; julgar que, por isto, não sou e não valho.
quarta-feira, 7 de abril de 2004
“Quando eu era mais novo, havia uma coisa muito bonita, que era a sedução”
(sAm tHe kiD, beats vol. 1)
Não foi quando te vi quase derramar uma lágrima, que fiquei assim. Foi antes, pouco depois do início. Quando te percebi sensível, carinhosa e meiga. Por isso que o teu número de telefone foi um dos primeiros que quis ter.
Nunca o usei, no entanto. Até aquele dia, quando julguei ser oportuno.
As conversas que tivémos, despreocupadas, sobre nós e o nosso, deixaram-me cada vez mais intrigado, curioso. Queria descobrir-te.
Mas de repente o chão abriu-se e foi silêncio. E escuro.
E agora não sei muito bem onde estou.
(sAm tHe kiD, beats vol. 1)
Não foi quando te vi quase derramar uma lágrima, que fiquei assim. Foi antes, pouco depois do início. Quando te percebi sensível, carinhosa e meiga. Por isso que o teu número de telefone foi um dos primeiros que quis ter.
Nunca o usei, no entanto. Até aquele dia, quando julguei ser oportuno.
As conversas que tivémos, despreocupadas, sobre nós e o nosso, deixaram-me cada vez mais intrigado, curioso. Queria descobrir-te.
Mas de repente o chão abriu-se e foi silêncio. E escuro.
E agora não sei muito bem onde estou.
segunda-feira, 29 de março de 2004
terça-feira, 23 de março de 2004
sexta-feira, 19 de março de 2004
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