Melhor proposta pode ir até aos 390,60 euros
Salário mínimo mais longe dos Quinze
O salário mínimo nacional português é muito mais baixo do que em Espanha e na Grécia. E continuará atrás, mesmo que o Governo aceite a proposta mais arrojada de aumento.
Agência Financeira
--- Adoro estas boas notícias...
terça-feira, 14 de setembro de 2004
Luís Delgado deverá suceder a Granadeiro na Lusomundo
«O administrador-delegado da Lusa, Luís Delgado, deverá suceder a Henrique Granadeiro na presidência da Lusomundo Media, que detém títulos como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o 24 Horas e a TSF.
Henrique Granadeiro foi nomeado presidente do conselho de administração da Fundação Portuguesa Telecom. A PT decidiu também criar um conselho editorial para a Lusomundo, que deverá ser dirigido, por Mário Bettencourt Resendes.»
Diário Económico, 14Set2004
--- Mas está tudo louco? Mais um tacho para o Delgado? Para o Luís Delgado? O Luís Delgado?
«O administrador-delegado da Lusa, Luís Delgado, deverá suceder a Henrique Granadeiro na presidência da Lusomundo Media, que detém títulos como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o 24 Horas e a TSF.
Henrique Granadeiro foi nomeado presidente do conselho de administração da Fundação Portuguesa Telecom. A PT decidiu também criar um conselho editorial para a Lusomundo, que deverá ser dirigido, por Mário Bettencourt Resendes.»
Diário Económico, 14Set2004
--- Mas está tudo louco? Mais um tacho para o Delgado? Para o Luís Delgado? O Luís Delgado?
segunda-feira, 13 de setembro de 2004
Lição de humanidade em 39 minutos, foi o que foi. O Homem é um ser social, mas socialmente egoísta e mostraste-me como contrariar isso mesmo. E como se deve começar por aqueles que estão mais perto. Porque o amor é transversal.
Vivo num eterno depois, quando deveria fazê-lo sim no agora. E como isso me incomoda. Tal como Miles, que adoro e bebo sempre, mas que é impossível fazer acompanhar de letras. Porque estas pedem acordes electrónicos e vozes quentes.
Há semanas que não leio os meus habituais de sábado. Há meses que não vou lá, com tempo de espreitar o mar e simplesmente respirar. Há muito que não te vejo.
Vivo num eterno depois, quando deveria fazê-lo sim no agora. E como isso me incomoda. Tal como Miles, que adoro e bebo sempre, mas que é impossível fazer acompanhar de letras. Porque estas pedem acordes electrónicos e vozes quentes.
Há semanas que não leio os meus habituais de sábado. Há meses que não vou lá, com tempo de espreitar o mar e simplesmente respirar. Há muito que não te vejo.
domingo, 5 de setembro de 2004
É estranho, nevoeiro em tempo de verão. Tolda-me a visão, não vejo a poucos metros mais, mas não é claro como o de Dezembro ou Janeiro. Esse é água. Este é escuro. Não me recordo o dia em que se abateu tanto no vale como no pico, mas sei que não levanta. E já me perdi. Desde que chegou que não sei por onde ir.
terça-feira, 24 de agosto de 2004
sexta-feira, 30 de julho de 2004
«… as pessoas estão abananadas…»
Horário nobre na televisão portuguesa e no noticiário da SIC, a repórter, em directo, ao telefone de um local onde um forte incêncio lavrava, proferiu essa fantástica sequência de palavras. Ora, abananar é dar forma ou gosto de banana; aturdir; espantar; perder a energia; aparvalhar-se. É tudo isto, sim senhor. Mas, em jornalismo?
As vagas de incêndios têm esta particularidade, em Portugal: protenciam autênticos atentados ao jornalismo. Quando o país arde, é ver repórteres relatando horrores, em pânico e por isso sobressaltando quem os vê e ouve. Uma autêntica palhaçada. E palhaços são os editores e chefes de redacção que os destacam para aqueles cenários, para fazerem aquele tipo de reportagem. E palhaços são também aqueles ditos jornalistas que, com ou sem experiência, estão para ali fazendo e dizendo parvoíces, dificultando as movimentações, interrogando os populares das formas mais estapafúrdias, tossindo do fumo, louvando o Canadair e a descarga que fez mesmo em cima das suas cabeças vazias e agora molhadas.
Palhaçada: acto ou dito de palhaço; cena ridícula e burlesca; mascarada; grupo de palhaços.
Horário nobre na televisão portuguesa e no noticiário da SIC, a repórter, em directo, ao telefone de um local onde um forte incêncio lavrava, proferiu essa fantástica sequência de palavras. Ora, abananar é dar forma ou gosto de banana; aturdir; espantar; perder a energia; aparvalhar-se. É tudo isto, sim senhor. Mas, em jornalismo?
As vagas de incêndios têm esta particularidade, em Portugal: protenciam autênticos atentados ao jornalismo. Quando o país arde, é ver repórteres relatando horrores, em pânico e por isso sobressaltando quem os vê e ouve. Uma autêntica palhaçada. E palhaços são os editores e chefes de redacção que os destacam para aqueles cenários, para fazerem aquele tipo de reportagem. E palhaços são também aqueles ditos jornalistas que, com ou sem experiência, estão para ali fazendo e dizendo parvoíces, dificultando as movimentações, interrogando os populares das formas mais estapafúrdias, tossindo do fumo, louvando o Canadair e a descarga que fez mesmo em cima das suas cabeças vazias e agora molhadas.
Palhaçada: acto ou dito de palhaço; cena ridícula e burlesca; mascarada; grupo de palhaços.
sábado, 24 de julho de 2004
«sabiam que o que faziam nascia do que os desfazia»
Os Lamb vão acabar? Não me surpreende. É pôr cobro a um vazio criativo que há anos sofria, gritava e gemia em discos iguais e secos.
«A relação entre Andy Barlow e Louise Rhodes sempre foi volátil. Altamente instável. Perigosa para quem se encontrava à volta. O "background" musical era muito diverso: o multi-instrumentista vinha da área da electrónica de dança, a vocalista do folk. Ela é dez anos mais velha do que ele. Mas foi da dificuldade de relacionamento e das díspares expectativas estéticas que se construiu uma carreira tão singular como a do duo inglês.» Eurico Monchique, Y
Não se enganem: eu gosto, gostei, dos Lamb. Sobretudo quando os conheci e pela maneira como me chegaram - através de uma remistura dos Fila Brazillia para "Cotton Wool", no The Rebirth Of Cool vol.6, de 1996.
-----------------------------------------------
Aula de jornalismo
"Manual" para uma entrevista: texto e áudio
Os Lamb vão acabar? Não me surpreende. É pôr cobro a um vazio criativo que há anos sofria, gritava e gemia em discos iguais e secos.
«A relação entre Andy Barlow e Louise Rhodes sempre foi volátil. Altamente instável. Perigosa para quem se encontrava à volta. O "background" musical era muito diverso: o multi-instrumentista vinha da área da electrónica de dança, a vocalista do folk. Ela é dez anos mais velha do que ele. Mas foi da dificuldade de relacionamento e das díspares expectativas estéticas que se construiu uma carreira tão singular como a do duo inglês.» Eurico Monchique, Y
Não se enganem: eu gosto, gostei, dos Lamb. Sobretudo quando os conheci e pela maneira como me chegaram - através de uma remistura dos Fila Brazillia para "Cotton Wool", no The Rebirth Of Cool vol.6, de 1996.
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Aula de jornalismo
"Manual" para uma entrevista: texto e áudio
Em dia que para mim foi de World Press Photo no CCB e pouco mais, Amália faria anos e Carlos Paredes partiu - recordo-lhe "Verdes Anos" e logo me surge o ferry vagaroso no Tejo, ao fim do dia, de um dia em que lá ao fundo o céu fique alaranjado, atracando no cais da margem norte ou sul, que tanto faz pois a magia é a mesma.
Comprei jornais, dois, mas só lhes li umas poucas páginas. Fica para amanhã.
Durante uma hora e meia vi um clássico.
Noite dentro, cruzei-me com as duzentas e algumas páginas do Programa do 16º Governo Constitucional, aka A Palhaçada. Guardei-o, porque electrónico, mas sem motivo. Não o lerei, não.
Quase no fim de tudo, o arquivo de programas da TSF. Uma pérola! Disponível à distância de um clique e deveras interessante. A explorar.
E hoje soube a pouco *
Comprei jornais, dois, mas só lhes li umas poucas páginas. Fica para amanhã.
Durante uma hora e meia vi um clássico.
Noite dentro, cruzei-me com as duzentas e algumas páginas do Programa do 16º Governo Constitucional, aka A Palhaçada. Guardei-o, porque electrónico, mas sem motivo. Não o lerei, não.
Quase no fim de tudo, o arquivo de programas da TSF. Uma pérola! Disponível à distância de um clique e deveras interessante. A explorar.
E hoje soube a pouco *
segunda-feira, 19 de julho de 2004
«A política já tinha batido no fundo - faltava alguém que lhe atirasse terra para cima e nos explicasse o que vale o nosso voto, o que vale o tempo perdido a ouvir um homem gritar "se eu ganhar eu faço..."»
PRD, DNa
Um excelente suplemento de imprensa e alguém que começo a ganhar o hábito de ler... e concordar.
PRD, DNa
Um excelente suplemento de imprensa e alguém que começo a ganhar o hábito de ler... e concordar.
sábado, 17 de julho de 2004
O objectivo era fazer música, com toda a bagagem de quem já leva uns anos no ofício. O jazz, categorização que se não lhes impõem, veio porque os três gostam do género e porque queriam fazer música instrumental, em parte improvisada. “Esquece Tudo O Que Aprendeste” é o resultado, o disco de estreia dos DEP, colectivo formado pelos músicos portuenses Danim, Eduardo e Peixe.
» i'm back in the business, here
Nem o epíteto Cool serviu para aligeirar a faixa etária do público que na quente noite de 13 se deslocou ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para ouvir Jacinta, num excelente concerto no âmbito do Cool Jazz Fest (CJF).
» and here
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Nem o epíteto Cool serviu para aligeirar a faixa etária do público que na quente noite de 13 se deslocou ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para ouvir Jacinta, num excelente concerto no âmbito do Cool Jazz Fest (CJF).
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sexta-feira, 9 de julho de 2004
«Mas agora, quando por fim nos disseram que a luz estava ao fundo do túnel, percebemos que a luz era, afinal, a de um comboio em sentido contrário pronto a dar-nos cabo do caminho. (...) Quem vem dentro desse comboio? Aparentemente, todos os que o apanharam em andamento no instante em que Durão Barroso decidiu emigrar. Na política, a arte de apanhar o comboio em andamento é uma habilidade própria de artistas de circo.»
PRD | DNa
PRD | DNa
domingo, 4 de julho de 2004
30x diazepam 10mg
Volta e meia e é o mesmo. As meias tintas. O costume.
Quando me confronto com isto, o estômago fica vazio, o coração abranda, os olhos param, as mãos apertam-se. Boneco de trapos e uma tesoura de autópsia que me corta e tira toda a espuma que me enche. Espuma de mar, volátil.
As interrogações, são as mesmas. E quantas...
Nada que o tempo não resolva, claro está. Já que não tenho coragem para o fazer. Cobarde.
A coisa que tem que ver com nada mas que acaba tendo que ver com tudo. Extraordinário, o processo, despoletado por uma insignificância material, que se relaciona com um terceiro e um grande prejuizo pessoal. E explicar, ter que descodificar, tentar tornar ligeiramente perceptível o impercebível, suportando-me em argumentos vazios, porque virtuais, mesmo apesar dos discos físicos e de uma caixa de alumínio. E que menor é tudo isto.
Volta e meia e é o mesmo. As meias tintas. O costume.
Quando me confronto com isto, o estômago fica vazio, o coração abranda, os olhos param, as mãos apertam-se. Boneco de trapos e uma tesoura de autópsia que me corta e tira toda a espuma que me enche. Espuma de mar, volátil.
As interrogações, são as mesmas. E quantas...
Nada que o tempo não resolva, claro está. Já que não tenho coragem para o fazer. Cobarde.
A coisa que tem que ver com nada mas que acaba tendo que ver com tudo. Extraordinário, o processo, despoletado por uma insignificância material, que se relaciona com um terceiro e um grande prejuizo pessoal. E explicar, ter que descodificar, tentar tornar ligeiramente perceptível o impercebível, suportando-me em argumentos vazios, porque virtuais, mesmo apesar dos discos físicos e de uma caixa de alumínio. E que menor é tudo isto.
sábado, 3 de julho de 2004
sexta-feira, 2 de julho de 2004
sábado, 26 de junho de 2004
«Quem não perceber a relação íntima
entre o cagalhão e o limão não percebe nada»
«(…) O que me traz aos ovos. Hoje em dia é proibido mencionar que as galinhas têm cu – mas têm. É por onde saem os ovos, desculpem lá. (...)»
Miguel Esteves Cardoso, DNa
E do DNa digo: foi premiado internacionalmente, mais uma vez, como excelente produto de imprensa que é.
----------------------------------
«(…) Nós somos um povo triste. Não sabemos rir. Não sabemos aplaudir. Não sabemos incentivar as pessoas. Somos um povo triste e envergonhado e isso não sei de onde é que vem. Os espanhóis são alegres, têm as castanholas. Nós ouvimos o fado em silêncio. “Silêncio que se vai cantar o fado”! Quando o que nós deveríamos fazer era falar muito. Mas não sabemos improvisar. Qualquer brasileiro fala praí uma hora, que nunca mais acaba. Nós não.»
Eládio Clímaco, em entrevista à 365
E da 365 digo, neste #15, que outro também não conheço: artistas armados ao pingarelho, a 10 mil exemplares todos os meses. É barrete que não enfio outra vez.
----------------------------------
Que é feito da Paula Moura Pinheiro?
Digo eu, da Grande Reportagem
E da GR digo: ainda não terminei.
----------------------------------
Continuam a faltar: All Jazz, Volta ao Mundo, Egoísta, Epícur, Sábado e Os Fazedores de Letras #58, assim que me lembre.
----------------------------------
É aproveitar, isto e o Euro, porque os próximos meses serão:
- um website e uma revista, num desafio pessoal extremamente aliciante, além de muito duro;
- voltar a escrever sobre jazz, sobre música (e começa já com uma entrevista, na 3ª-feira, a um novo colectivo jazzístico) para um meio de comunicação electrónico, o que me deixou tremendamente motivado;
- pouca praia, pois então.
entre o cagalhão e o limão não percebe nada»
«(…) O que me traz aos ovos. Hoje em dia é proibido mencionar que as galinhas têm cu – mas têm. É por onde saem os ovos, desculpem lá. (...)»
Miguel Esteves Cardoso, DNa
E do DNa digo: foi premiado internacionalmente, mais uma vez, como excelente produto de imprensa que é.
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«(…) Nós somos um povo triste. Não sabemos rir. Não sabemos aplaudir. Não sabemos incentivar as pessoas. Somos um povo triste e envergonhado e isso não sei de onde é que vem. Os espanhóis são alegres, têm as castanholas. Nós ouvimos o fado em silêncio. “Silêncio que se vai cantar o fado”! Quando o que nós deveríamos fazer era falar muito. Mas não sabemos improvisar. Qualquer brasileiro fala praí uma hora, que nunca mais acaba. Nós não.»
Eládio Clímaco, em entrevista à 365
E da 365 digo, neste #15, que outro também não conheço: artistas armados ao pingarelho, a 10 mil exemplares todos os meses. É barrete que não enfio outra vez.
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Que é feito da Paula Moura Pinheiro?
Digo eu, da Grande Reportagem
E da GR digo: ainda não terminei.
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Continuam a faltar: All Jazz, Volta ao Mundo, Egoísta, Epícur, Sábado e Os Fazedores de Letras #58, assim que me lembre.
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É aproveitar, isto e o Euro, porque os próximos meses serão:
- um website e uma revista, num desafio pessoal extremamente aliciante, além de muito duro;
- voltar a escrever sobre jazz, sobre música (e começa já com uma entrevista, na 3ª-feira, a um novo colectivo jazzístico) para um meio de comunicação electrónico, o que me deixou tremendamente motivado;
- pouca praia, pois então.
Vacances
Apaixonado pelo periódico e pela palavra impressa, pelo desenho desses produtos de consumo, em papel de diferentes gramagens e formatos, cores, composições e temas também diversos, e fui-me para uma daquelas qualquer-coisa-press que por “CCs” e Fóruns se multiplica, olhar para a oferta disponível. Balbúrdia geral e parti em busca de alguns títulos de que levava vontade de folhear. Mas não passou disso mesmo, do desejo, porque ali, havendo de tudo, nada havia. Questionados os funcionários, continuava não havendo e não se sabendo se alguma vez houvera.
Ali trabalha-se, por turnos, 14 horas sem intervalo e não é isso que enjeito, dado ter a experiência própria das exigências de tal serviço – o part-time dos 450 euros mais comissões de Caixeiro Ajudante de 1º Ano que sabe bem a quem termina o 12º na palhaçada que é o Recorrente –, que seis dias a rodar não deixam espaço a que se saiba seja o que for sobre o que se deveria saber.
E se tomamos mais um minuto que seja ao único caixeiro disponível, questionando sobre o paradeiro de um outro qualquer título «pseudo-intelectualóide armado em cosmopolita fashion de sexta-feira à tarde», logo salta o tipo do mocassin envernizado, calça beije, camisa azul claro de manga dobrada, cabelo grisalho aparado à cota que acha que a loura re-pintada e esticada de 50, sardenta de solário, vestido branco transparente e cueca fio-dental que o acompanha ainda bomba; logo salta o gajo, de cigarrilha esfumaçante, impaciente para que seja atendido e possa pagar, com o cartãozito dourado que um banco qualquer lhe vendeu, a sua caixa de cigarrilhas, os Davidoff da gaja, a Lux, a Caras, o Expresso, a Visão e os DVD todos da colecção, a Evasões e a National Geographic, sem não antes pousar a chave do Audi e o Nokia computador em cima do balcão. Adorei o espectáculo.
Comércio tradicional no ramo dos periódicos, precisa-se. Com a mesma, ou talvez um pouco mais selecta oferta; sem dúvida com maior arrumação; sobretudo com mais tempo e conhecimento para informar devidamente o cliente. E fora destes “fórúns”, por favor!
Não obstante o sucedido, fui-me dali com um terço do que procurava. Hoje, durante um café, uma “borbulhenta” e um moscatel, numa esplanada à sombra, estive de férias.
Apaixonado pelo periódico e pela palavra impressa, pelo desenho desses produtos de consumo, em papel de diferentes gramagens e formatos, cores, composições e temas também diversos, e fui-me para uma daquelas qualquer-coisa-press que por “CCs” e Fóruns se multiplica, olhar para a oferta disponível. Balbúrdia geral e parti em busca de alguns títulos de que levava vontade de folhear. Mas não passou disso mesmo, do desejo, porque ali, havendo de tudo, nada havia. Questionados os funcionários, continuava não havendo e não se sabendo se alguma vez houvera.
Ali trabalha-se, por turnos, 14 horas sem intervalo e não é isso que enjeito, dado ter a experiência própria das exigências de tal serviço – o part-time dos 450 euros mais comissões de Caixeiro Ajudante de 1º Ano que sabe bem a quem termina o 12º na palhaçada que é o Recorrente –, que seis dias a rodar não deixam espaço a que se saiba seja o que for sobre o que se deveria saber.
E se tomamos mais um minuto que seja ao único caixeiro disponível, questionando sobre o paradeiro de um outro qualquer título «pseudo-intelectualóide armado em cosmopolita fashion de sexta-feira à tarde», logo salta o tipo do mocassin envernizado, calça beije, camisa azul claro de manga dobrada, cabelo grisalho aparado à cota que acha que a loura re-pintada e esticada de 50, sardenta de solário, vestido branco transparente e cueca fio-dental que o acompanha ainda bomba; logo salta o gajo, de cigarrilha esfumaçante, impaciente para que seja atendido e possa pagar, com o cartãozito dourado que um banco qualquer lhe vendeu, a sua caixa de cigarrilhas, os Davidoff da gaja, a Lux, a Caras, o Expresso, a Visão e os DVD todos da colecção, a Evasões e a National Geographic, sem não antes pousar a chave do Audi e o Nokia computador em cima do balcão. Adorei o espectáculo.
Comércio tradicional no ramo dos periódicos, precisa-se. Com a mesma, ou talvez um pouco mais selecta oferta; sem dúvida com maior arrumação; sobretudo com mais tempo e conhecimento para informar devidamente o cliente. E fora destes “fórúns”, por favor!
Não obstante o sucedido, fui-me dali com um terço do que procurava. Hoje, durante um café, uma “borbulhenta” e um moscatel, numa esplanada à sombra, estive de férias.
quinta-feira, 10 de junho de 2004
Pequenez
Passou certamente mais de um ano, desde que cortei aquele pedacito de papel e o colei no meu caderno de então. Porque me lembrava de o ter feito, procurei-o. E li-o. E depois de tudo o que se tem passado lá no "estaminé", faz sentido. Disse-o António Feio, ao DNa:
«A Igreja em si é um lugar demasiado solene, que reduz as pessoas a uma certa pequenez, onde tudo é muito proibido, e o seu funcionamento sempre esteve completamente afastado da realidade e das pessoas.»
Ainda bem que guardo os cadernos usados.
Passou certamente mais de um ano, desde que cortei aquele pedacito de papel e o colei no meu caderno de então. Porque me lembrava de o ter feito, procurei-o. E li-o. E depois de tudo o que se tem passado lá no "estaminé", faz sentido. Disse-o António Feio, ao DNa:
«A Igreja em si é um lugar demasiado solene, que reduz as pessoas a uma certa pequenez, onde tudo é muito proibido, e o seu funcionamento sempre esteve completamente afastado da realidade e das pessoas.»
Ainda bem que guardo os cadernos usados.
segunda-feira, 7 de junho de 2004
Leituras atrasadas
os Fazedores de Letras #57
«Quando, daqui a 20 anos, comemorar os 50 anos do 25 de Abril ou, daqui a 70, o seu centenário, e deixarmos de ouvir na primeira pessoa a descrição dos acontecimentos, chegaremos à altura em que a Revolução dos Cravos não será mais do que uma data no calendário nacional, com o mesmo peso e importância que têm hoje outros feitos do povo português, como a batalha de Aljubarrota e a Revolução de 1383-85, a restauração da Independência ou a implementação da República.»
e também a entrevista:
«Fornecedor de serviços de comunicação», Álvaro Costa
---------------------------------
Recortes de um habitual
«…30 anos depois, eu já percebi que ser de direita não significa ser fascista, como ser de esquerda não equivale a ser comunista. Há, entre estas duas margens, lugar para o respeito e a democracia. Mais à esquerda ou mais à direita.
…30 anos depois, eu realmente não sou um optimista. Mas sou seguramente menos pessimista do que seria se hoje vivesse num país a preto-e-branco, fechado sobre si próprio, ainda mais tacanho, ainda mais pobre, ainda mais ignorante, ainda mais estupidificado do que é. Este não é o país que sonhei quando acordei para a realidade – mas é certamente melhor que aquele que teria se, há 30 anos, não tivesse acordado um movimento de militares. Uns mais ingénuos, outros mais sabidos, todos com um mesmo objectivo: mudar. Só o verbo já inspira.
…Por tudo isto, 30 anos depois, eu já não tenho ilusões – mas há muito que deixei de ter dúvidas. Mais vale assim. Com revolução, com evolução. Mais letra, menos letra, nenhuma destas palavras é a palavra-chave. Para mim, a palavra é só uma: liberdade. Quem a tem chama-lhe sua. Todos os dias acordo a chamar-lhe minha. E não desisto.»
os Fazedores de Letras #57
«Quando, daqui a 20 anos, comemorar os 50 anos do 25 de Abril ou, daqui a 70, o seu centenário, e deixarmos de ouvir na primeira pessoa a descrição dos acontecimentos, chegaremos à altura em que a Revolução dos Cravos não será mais do que uma data no calendário nacional, com o mesmo peso e importância que têm hoje outros feitos do povo português, como a batalha de Aljubarrota e a Revolução de 1383-85, a restauração da Independência ou a implementação da República.»
e também a entrevista:
«Fornecedor de serviços de comunicação», Álvaro Costa
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Recortes de um habitual
«…30 anos depois, eu já percebi que ser de direita não significa ser fascista, como ser de esquerda não equivale a ser comunista. Há, entre estas duas margens, lugar para o respeito e a democracia. Mais à esquerda ou mais à direita.
…30 anos depois, eu realmente não sou um optimista. Mas sou seguramente menos pessimista do que seria se hoje vivesse num país a preto-e-branco, fechado sobre si próprio, ainda mais tacanho, ainda mais pobre, ainda mais ignorante, ainda mais estupidificado do que é. Este não é o país que sonhei quando acordei para a realidade – mas é certamente melhor que aquele que teria se, há 30 anos, não tivesse acordado um movimento de militares. Uns mais ingénuos, outros mais sabidos, todos com um mesmo objectivo: mudar. Só o verbo já inspira.
…Por tudo isto, 30 anos depois, eu já não tenho ilusões – mas há muito que deixei de ter dúvidas. Mais vale assim. Com revolução, com evolução. Mais letra, menos letra, nenhuma destas palavras é a palavra-chave. Para mim, a palavra é só uma: liberdade. Quem a tem chama-lhe sua. Todos os dias acordo a chamar-lhe minha. E não desisto.»
sábado, 29 de maio de 2004
domingo, 23 de maio de 2004
quarta-feira, 5 de maio de 2004
«Quando escrevo quero apenas libertar-me do que escrevo»
Porque a escrita, certa escrita, tem mesmo esse querer libertar-me daquilo, “daquilos”, na procura do sono e descanso que tanto quero. É violento, por vezes, o exercício, porque as palavras escritas materializam o sentir – qual dizer popular «olhos não vêem, coração não sente» – e esse confronto com o que, subitamente, se tornou real e existe, magoa. Cuspir o que escrevo, arrancar essa crosta – tal como, quando em miúdo, escarafunchava os joelhos “volta-e-meia” feridos, só para ver a pele rosada que ali por debaixo crescia – é outra face do cubo, é uma porta que se fecha e outra que se abre, ao novo, que há-de vir. “Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” para a calçada e seguir andando, sem olhar.
O escritor, o escritor louco, atormentado pela voz do «emissário desconhecido», que dele faz marioneta e hospedeiro, não cospe – vomita; porque um é deliberado e o outro é incontrolável. O escritor louco, que não consigo desprender da imagem do Woody neurótico, é alimentado a pão bolorento. Assim, mesmo que tarde, despejará tudo. E mais não tendo que o saceie, continuará a come-lo e a cair de joelhos sobre uma folha de papel. Aquele pão, que é uma esmola.
Talvez por isso A.L.A. tenha dito: «enche os teus livros, à custa de muito viveres com eles, de um terrível, desesperado e feliz silêncio». O terrível desespero da náusea, a felicidade do alívio, o silêncio pelo conluio de saber haver comido com o propósito de confessar.
Porque a escrita, certa escrita, tem mesmo esse querer libertar-me daquilo, “daquilos”, na procura do sono e descanso que tanto quero. É violento, por vezes, o exercício, porque as palavras escritas materializam o sentir – qual dizer popular «olhos não vêem, coração não sente» – e esse confronto com o que, subitamente, se tornou real e existe, magoa. Cuspir o que escrevo, arrancar essa crosta – tal como, quando em miúdo, escarafunchava os joelhos “volta-e-meia” feridos, só para ver a pele rosada que ali por debaixo crescia – é outra face do cubo, é uma porta que se fecha e outra que se abre, ao novo, que há-de vir. “Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” para a calçada e seguir andando, sem olhar.
O escritor, o escritor louco, atormentado pela voz do «emissário desconhecido», que dele faz marioneta e hospedeiro, não cospe – vomita; porque um é deliberado e o outro é incontrolável. O escritor louco, que não consigo desprender da imagem do Woody neurótico, é alimentado a pão bolorento. Assim, mesmo que tarde, despejará tudo. E mais não tendo que o saceie, continuará a come-lo e a cair de joelhos sobre uma folha de papel. Aquele pão, que é uma esmola.
Talvez por isso A.L.A. tenha dito: «enche os teus livros, à custa de muito viveres com eles, de um terrível, desesperado e feliz silêncio». O terrível desespero da náusea, a felicidade do alívio, o silêncio pelo conluio de saber haver comido com o propósito de confessar.
quarta-feira, 28 de abril de 2004
domingo, 25 de abril de 2004
quinta-feira, 22 de abril de 2004
segunda-feira, 19 de abril de 2004
«Se a foto não é boa é porque não estás suficientemente perto»
Capa, disse.
Cada pedaço que parte é como se fosse um bocadinho de mim. Mas tudo isto é uma manta de retalhos-fases e esta é mais uma, foi mais uma, que necessitei encerrar. Ou colocar de lado – veremos.
O caminho que faltava percorrer até que me satisfizesse com os resultados era longo demais para a altura. E a opção, decerto nada fácil, acabou por ser inevitável. Porque quando as coisas não resultam preciso... Que resultem? Quando não, ao menos que esteja em posição de as fazer resultar. E não estava.
Tempo – é falso.
Olho – válido.
Vontade – aquieta-me, de certo modo, pensar nisso.
Coragem – o principal.
Mercantilização e obsessão pela utilidade/uso que não o próprio – definitivamente.
Sempre pensar no “que depois de isto sim, haverá condições” – paro por aqui ou tombo.
Como começo hoje a perceber, comigo, ou dá ou não dá. Não existe um ‘vai dando’. Preciso sentir-me em preparo de fazer dar, ou acabo coxo. Porque quero tudo e que tudo o que quero dê. (e porque alguém me disse que há que fazer opções, para que dê)
É assim, comigo, nas coisas e nA coisa.
Nas coisas suporto. nA coisa não tenho mão no que acaba correndo-me nas veias.
E sei que, mais que as coisas, A coisa me atormenta.
No fundo, obsessão por um controlo impossível/inexistente?
Capa, disse.
Cada pedaço que parte é como se fosse um bocadinho de mim. Mas tudo isto é uma manta de retalhos-fases e esta é mais uma, foi mais uma, que necessitei encerrar. Ou colocar de lado – veremos.
O caminho que faltava percorrer até que me satisfizesse com os resultados era longo demais para a altura. E a opção, decerto nada fácil, acabou por ser inevitável. Porque quando as coisas não resultam preciso... Que resultem? Quando não, ao menos que esteja em posição de as fazer resultar. E não estava.
Tempo – é falso.
Olho – válido.
Vontade – aquieta-me, de certo modo, pensar nisso.
Coragem – o principal.
Mercantilização e obsessão pela utilidade/uso que não o próprio – definitivamente.
Sempre pensar no “que depois de isto sim, haverá condições” – paro por aqui ou tombo.
Como começo hoje a perceber, comigo, ou dá ou não dá. Não existe um ‘vai dando’. Preciso sentir-me em preparo de fazer dar, ou acabo coxo. Porque quero tudo e que tudo o que quero dê. (e porque alguém me disse que há que fazer opções, para que dê)
É assim, comigo, nas coisas e nA coisa.
Nas coisas suporto. nA coisa não tenho mão no que acaba correndo-me nas veias.
E sei que, mais que as coisas, A coisa me atormenta.
No fundo, obsessão por um controlo impossível/inexistente?
sábado, 10 de abril de 2004
sexta-feira, 9 de abril de 2004
Não existe coisa alguma que traduza isto por palavras. Porque isto não se vê – sente-se. Não se toca – vive-se. Não se cheira – metaboliza-se.
Eu não sei o que é isto. Por outro, sei o que é isto. Não conheço, sim, não conheço o que está para além de isto, o passo seguinte a isto.
Neste momento sinto, isto. E não queria, não quero.
Isto traz-me todas as dúvidas que não quero ter. Acorda-as com força, atira-as contra mim violentamente, obriga-me a olhá-las e comê-las. Porque as dúvidas se comem, se engolem em seco.
Quando isto me acontece é um limbo e uma descrença.
AMA, disse-me brincando, era essa a sigla. Não é tanto isso que me perturba – é mesmo isto. Não saber se sou, se valho; julgar que, por isto, não sou e não valho.
Eu não sei o que é isto. Por outro, sei o que é isto. Não conheço, sim, não conheço o que está para além de isto, o passo seguinte a isto.
Neste momento sinto, isto. E não queria, não quero.
Isto traz-me todas as dúvidas que não quero ter. Acorda-as com força, atira-as contra mim violentamente, obriga-me a olhá-las e comê-las. Porque as dúvidas se comem, se engolem em seco.
Quando isto me acontece é um limbo e uma descrença.
AMA, disse-me brincando, era essa a sigla. Não é tanto isso que me perturba – é mesmo isto. Não saber se sou, se valho; julgar que, por isto, não sou e não valho.
quarta-feira, 7 de abril de 2004
“Quando eu era mais novo, havia uma coisa muito bonita, que era a sedução”
(sAm tHe kiD, beats vol. 1)
Não foi quando te vi quase derramar uma lágrima, que fiquei assim. Foi antes, pouco depois do início. Quando te percebi sensível, carinhosa e meiga. Por isso que o teu número de telefone foi um dos primeiros que quis ter.
Nunca o usei, no entanto. Até aquele dia, quando julguei ser oportuno.
As conversas que tivémos, despreocupadas, sobre nós e o nosso, deixaram-me cada vez mais intrigado, curioso. Queria descobrir-te.
Mas de repente o chão abriu-se e foi silêncio. E escuro.
E agora não sei muito bem onde estou.
(sAm tHe kiD, beats vol. 1)
Não foi quando te vi quase derramar uma lágrima, que fiquei assim. Foi antes, pouco depois do início. Quando te percebi sensível, carinhosa e meiga. Por isso que o teu número de telefone foi um dos primeiros que quis ter.
Nunca o usei, no entanto. Até aquele dia, quando julguei ser oportuno.
As conversas que tivémos, despreocupadas, sobre nós e o nosso, deixaram-me cada vez mais intrigado, curioso. Queria descobrir-te.
Mas de repente o chão abriu-se e foi silêncio. E escuro.
E agora não sei muito bem onde estou.
segunda-feira, 29 de março de 2004
terça-feira, 23 de março de 2004
sexta-feira, 19 de março de 2004
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
“e eu toda atrapalhada a explicar mais ou menos e ele todo contente”
Quando me falas de sentimentos e do que estás agora a sentir por ele, novo, lembro-me que sou pessoa e fico triste. Sem razões para tal, mas invade-me aquela tristeza egoísta que sentimos quando estamos sozinhos e somos – porque somos! – os maiores desgraçados de todo o universo.
Quando me falas de sentimentos e do que estás agora a sentir por ele, novo, lembro-me que sou pessoa e fico triste. Sem razões para tal, mas invade-me aquela tristeza egoísta que sentimos quando estamos sozinhos e somos – porque somos! – os maiores desgraçados de todo o universo.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004
Escarreta
Dá a chuva lugar a um dia de sol e é vê-la, na típica calçada portuguesa, olhando-nos com desdém, orgulhosa do seu voo até à alva pedra de calcário, a escarreta. Desviamos da dita a sola do nosso sapato, levantamos do chão os olhos lamentando pela educação de quem ali a largou e logo em frente, mais à esquerda, espera-nos outra. Fintamo-la também, desta vez resmungando a falta de apuro de quem conspurca assim o passeio. No desvio do trajecto, alto! que quase se pisava mais uma, desta feita à direita e aí não há quem nos segure! Soltamos um “porco” em meia voz, indignamo-nos do mais fundo do nosso ser, arrancando novamente e agora decididos em bater no próximo que surpreendermos em flagrante delito.
A escarreta, o escarro, [s. m.] matéria viscosa segregada pelas mucosas (em especial das vias respiratórias) e expelida pela boca; expectoração; [pop.] mácula; mancha; nódoa; coisa mal feita; porcaria; [fig.] pessoa desprezível; afronta; insulto; é apontado como um dos piores hábitos portugueses – sem dúvida que sim. Não há muitos anos, em locais públicos e consultórios médicos, era vulgar encontrar um escarrador, recipiente de porcelana branca destinado a receber de quem lhe aprouvesse, um escarro – corria a década de 50 e a tuberculose em Portugal era uma verdade temida, por tão presente e aziaga. Incitava-se, portanto, à escarradela condicionada, erguidos que estavam valores mais altos, como os da salubridade. Na rua não, no escarrador sim.
Resulta que o escarro, além de desprezível, indecente e sujo, é um dos meios mais eficazes de propagação de doenças. No chão, ao sol e ao ar, o escarro leva dias a evaporar, lançando para a atmosfera micróbios, bactérias, bacilos (como o de Koch, aqui para o caso) e demais microorganismos ruins que um cidadão menos sadio e rijo possa transportar, colocando em risco todo e qualquer corpo humano mais imprecavido de vitaminas e defesas.
Não é tanto pelo barulho que acompanha o impropério, aquele “rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” repugnante – que mesmo por entre os adeptos já motivou a constituição de um movimento ‘escarreta mas com classe’, denominado TUP (a parte subtil e última da soada) –, mas sim pelo perigo real e bem escusado que representa para a saúde.
Não cuspam para o chão, seus porcos! Façam-no para a mão e guardem no bolso.
Dá a chuva lugar a um dia de sol e é vê-la, na típica calçada portuguesa, olhando-nos com desdém, orgulhosa do seu voo até à alva pedra de calcário, a escarreta. Desviamos da dita a sola do nosso sapato, levantamos do chão os olhos lamentando pela educação de quem ali a largou e logo em frente, mais à esquerda, espera-nos outra. Fintamo-la também, desta vez resmungando a falta de apuro de quem conspurca assim o passeio. No desvio do trajecto, alto! que quase se pisava mais uma, desta feita à direita e aí não há quem nos segure! Soltamos um “porco” em meia voz, indignamo-nos do mais fundo do nosso ser, arrancando novamente e agora decididos em bater no próximo que surpreendermos em flagrante delito.
A escarreta, o escarro, [s. m.] matéria viscosa segregada pelas mucosas (em especial das vias respiratórias) e expelida pela boca; expectoração; [pop.] mácula; mancha; nódoa; coisa mal feita; porcaria; [fig.] pessoa desprezível; afronta; insulto; é apontado como um dos piores hábitos portugueses – sem dúvida que sim. Não há muitos anos, em locais públicos e consultórios médicos, era vulgar encontrar um escarrador, recipiente de porcelana branca destinado a receber de quem lhe aprouvesse, um escarro – corria a década de 50 e a tuberculose em Portugal era uma verdade temida, por tão presente e aziaga. Incitava-se, portanto, à escarradela condicionada, erguidos que estavam valores mais altos, como os da salubridade. Na rua não, no escarrador sim.
Resulta que o escarro, além de desprezível, indecente e sujo, é um dos meios mais eficazes de propagação de doenças. No chão, ao sol e ao ar, o escarro leva dias a evaporar, lançando para a atmosfera micróbios, bactérias, bacilos (como o de Koch, aqui para o caso) e demais microorganismos ruins que um cidadão menos sadio e rijo possa transportar, colocando em risco todo e qualquer corpo humano mais imprecavido de vitaminas e defesas.
Não é tanto pelo barulho que acompanha o impropério, aquele “rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” repugnante – que mesmo por entre os adeptos já motivou a constituição de um movimento ‘escarreta mas com classe’, denominado TUP (a parte subtil e última da soada) –, mas sim pelo perigo real e bem escusado que representa para a saúde.
Não cuspam para o chão, seus porcos! Façam-no para a mão e guardem no bolso.
domingo, 1 de fevereiro de 2004
Bernardo
«Olá! Eh pá, há anos que não te via!» e é verdade, meu (agora) velho Bernardo, que ainda ontem nos davas chumbadas para os nossos ensaios pesqueiros de domingo manhã cedo, ali para os lados do Olho-de-Boi. «No outro dia estive para perguntar à tua mãe o que era feito de ti…» mas não há necessidade: aqui estou, pergunta-me o que quiseres ou diz-me porque cheiras a bebida às quatro da tarde de uma quinta-feira de chuva. Não, não te percas pelas peripécias que fazíamos, nós, enquanto miúdos, lá na rua, na praceta. Não recordes as tardes sem fim, vistas da tua varanda de reformado, fosse verão ou inverno, a bola que teimava – e não obstante os nossos mais que óbvios talentos futebolísticos – em bater no vidro da cabeleireira ou na janela da alentejana Bárbara ou no Honda Civic daquele sujeito, que até um alarme especial pôs no carro para ralhar connosco de cada vez que o esférico lhe tomava o gosto da chapa branca. Não vás por aí.
Fala-me de ti, que sei que queres. Fala-me dos teus setentas. Fala-me das razões que te fazem já não subir a rua carregado com os sacos das compras. Fala-me do teu Renault cinzento, agora sempre parado. Fala-me da tua filha, que é explorada naquele instituto público onde a hora de saída raramente se faz antes das sete. Fala-me da tua neta, alegria dos teus olhos, que agora vês de quando em quando, porque a senhora divorciada do teu filho foi de patins para Viseu. Fala-me deste teu andar trémulo e de como te custa esperar de pé. Fala-me do teu olhar vago e das palavras que entaramelas. Fala-me dessa tua descrença em chegar a 2005 para ver o metro, que na nossa cidade andará à superfície.
Falta muito para que saia o 101? Não. Mas chove que se farta, raio de dia este, eu com os pés encharcados pela minha teimosia de não carregar um guarda-chuva, tu que agora usas boina para camuflar a careca e que vens de beber o teu brandy numa qualquer taberna do Calhariz.
O Gonçalo? O Ricardo? Sim, crescemos todos. Ele está a acabar Direito, o outro está a braços com as informáticas. Eu? Estudo para jornalista. «Eh pá, mas não faças como aqueles jornalistas que a gente vê na televisão, aqueles que fazem perguntas que até metem dó. No outro dia vi um…» – sossega, que não me verás à frente de uma câmara de TV. «Antigamente ainda tínhamos o Mário Castrim, mas agora não há nenhum crítico de televisão. N’A Capital ainda há um sujeito que escreve, esqueço-me agora o nome…». Não cedes aos futebóis e comentas o exagero que foi o trato dado à morte daquele húngaro, como de repente acabou a pedofilia e a Casa Pia e a estagnação salarial na Função Pública.
«Eh pá, mas eu te peço, não faças como aqueles jornalistas que a gente vê…» – descansa, meu velho Bernardo, que por ti ou por mim ou por todos os que me estão perto ou por este sonho ou desejo que tenho, te honrarei no pedido.
«Gostei de te ver!» Eu também, saudinha da boa e talvez ainda bebamos um, ali no Calhariz.
«Olá! Eh pá, há anos que não te via!» e é verdade, meu (agora) velho Bernardo, que ainda ontem nos davas chumbadas para os nossos ensaios pesqueiros de domingo manhã cedo, ali para os lados do Olho-de-Boi. «No outro dia estive para perguntar à tua mãe o que era feito de ti…» mas não há necessidade: aqui estou, pergunta-me o que quiseres ou diz-me porque cheiras a bebida às quatro da tarde de uma quinta-feira de chuva. Não, não te percas pelas peripécias que fazíamos, nós, enquanto miúdos, lá na rua, na praceta. Não recordes as tardes sem fim, vistas da tua varanda de reformado, fosse verão ou inverno, a bola que teimava – e não obstante os nossos mais que óbvios talentos futebolísticos – em bater no vidro da cabeleireira ou na janela da alentejana Bárbara ou no Honda Civic daquele sujeito, que até um alarme especial pôs no carro para ralhar connosco de cada vez que o esférico lhe tomava o gosto da chapa branca. Não vás por aí.
Fala-me de ti, que sei que queres. Fala-me dos teus setentas. Fala-me das razões que te fazem já não subir a rua carregado com os sacos das compras. Fala-me do teu Renault cinzento, agora sempre parado. Fala-me da tua filha, que é explorada naquele instituto público onde a hora de saída raramente se faz antes das sete. Fala-me da tua neta, alegria dos teus olhos, que agora vês de quando em quando, porque a senhora divorciada do teu filho foi de patins para Viseu. Fala-me deste teu andar trémulo e de como te custa esperar de pé. Fala-me do teu olhar vago e das palavras que entaramelas. Fala-me dessa tua descrença em chegar a 2005 para ver o metro, que na nossa cidade andará à superfície.
Falta muito para que saia o 101? Não. Mas chove que se farta, raio de dia este, eu com os pés encharcados pela minha teimosia de não carregar um guarda-chuva, tu que agora usas boina para camuflar a careca e que vens de beber o teu brandy numa qualquer taberna do Calhariz.
O Gonçalo? O Ricardo? Sim, crescemos todos. Ele está a acabar Direito, o outro está a braços com as informáticas. Eu? Estudo para jornalista. «Eh pá, mas não faças como aqueles jornalistas que a gente vê na televisão, aqueles que fazem perguntas que até metem dó. No outro dia vi um…» – sossega, que não me verás à frente de uma câmara de TV. «Antigamente ainda tínhamos o Mário Castrim, mas agora não há nenhum crítico de televisão. N’A Capital ainda há um sujeito que escreve, esqueço-me agora o nome…». Não cedes aos futebóis e comentas o exagero que foi o trato dado à morte daquele húngaro, como de repente acabou a pedofilia e a Casa Pia e a estagnação salarial na Função Pública.
«Eh pá, mas eu te peço, não faças como aqueles jornalistas que a gente vê…» – descansa, meu velho Bernardo, que por ti ou por mim ou por todos os que me estão perto ou por este sonho ou desejo que tenho, te honrarei no pedido.
«Gostei de te ver!» Eu também, saudinha da boa e talvez ainda bebamos um, ali no Calhariz.
VIP – Very Important Photographs
Concentração nos media está na ordem do dia. Por agora muito se escreve, publica e edita sobre o assunto, deveras importante – a revista Media XXI dedica-lhe um dossier central, Elsa Costa e Silva, jornalista do DN, assina “Os Donos da Notícia – Concentração da Propriedade dos Media em Portugal” (Porto Editora), só para exemplificar.
A linhas tantas de um texto da Grande Reportagem de ontem, surgiu-me a vontade de partilhar alguns dados:
O ‘arquivo Bettmann’, colecção de fotografias do alemão judeu Otto Ludwig Bettmann, conservador de livros e negociante de imagens nos idos anos 30, foi comprado pela Corbis Corporation, empresa pertencente a Bill Gates – que também detem a Saba Press, (Nova Iorque; proprietária de um milhão de imagens), a agência fotográfica Sygma (Paris; reúne 30 milhões de imagens) e o departamento fotográfico da United Press International (10 milhões de imagens).
O ‘arquivo Bettmann’ soma 11 milhões de fotografias de valor inquantificável, pois “abarca a arte e a vida do mais importante século da humanidade”. Nele se podem encontrar virtualmente todas as fotografias-marco de que nos possamos lembrar, desde a língua de Einstein, passando por Marilyn sobre um respiradouro do metropolitano, Buzz Aldrin a passear-se na Lua, a cobertura extensiva das duas Guerras Mundiais e do Vietname, assim como um amplo leque documentando os vários presidentes norte-americanos.
O ‘arquivo Bettmann’ está guardado numa antiga mina de calcário, numa montanha da Pensilvânia, 70 metros abaixo do solo, a temperaturas abaixo e perto de zero graus. A Montanha de Ferro, como é apelidado o complexo, “tem serviço de bombeiros próprio, força de segurança armada, sistemas de filtragem de ar e água, desumidificadores gigantes e geradores de electricidade que permitem o funcionamento autónomo do complexo durante, pelo menos, uma semana, caso aconteça alguma coisa à superfície.”
O projecto da Corbis Corporation? Digitalização do monumental arquivo, tendo em vista a sua conservação – espírito missionário – e posterior comercialização das imagens. “A ideia de uma ‘McDonaldização’ da cultura, como lhe chamam, em que pequenas empresas são engolidas por grandes companhias até existirem apenas dois Golias – no caso da fotografia, a Corbis e a Getty Images – é aberrante para muitos fotógrafos.”
E não será?
Concentração nos media está na ordem do dia. Por agora muito se escreve, publica e edita sobre o assunto, deveras importante – a revista Media XXI dedica-lhe um dossier central, Elsa Costa e Silva, jornalista do DN, assina “Os Donos da Notícia – Concentração da Propriedade dos Media em Portugal” (Porto Editora), só para exemplificar.
A linhas tantas de um texto da Grande Reportagem de ontem, surgiu-me a vontade de partilhar alguns dados:
O ‘arquivo Bettmann’, colecção de fotografias do alemão judeu Otto Ludwig Bettmann, conservador de livros e negociante de imagens nos idos anos 30, foi comprado pela Corbis Corporation, empresa pertencente a Bill Gates – que também detem a Saba Press, (Nova Iorque; proprietária de um milhão de imagens), a agência fotográfica Sygma (Paris; reúne 30 milhões de imagens) e o departamento fotográfico da United Press International (10 milhões de imagens).
O ‘arquivo Bettmann’ soma 11 milhões de fotografias de valor inquantificável, pois “abarca a arte e a vida do mais importante século da humanidade”. Nele se podem encontrar virtualmente todas as fotografias-marco de que nos possamos lembrar, desde a língua de Einstein, passando por Marilyn sobre um respiradouro do metropolitano, Buzz Aldrin a passear-se na Lua, a cobertura extensiva das duas Guerras Mundiais e do Vietname, assim como um amplo leque documentando os vários presidentes norte-americanos.
O ‘arquivo Bettmann’ está guardado numa antiga mina de calcário, numa montanha da Pensilvânia, 70 metros abaixo do solo, a temperaturas abaixo e perto de zero graus. A Montanha de Ferro, como é apelidado o complexo, “tem serviço de bombeiros próprio, força de segurança armada, sistemas de filtragem de ar e água, desumidificadores gigantes e geradores de electricidade que permitem o funcionamento autónomo do complexo durante, pelo menos, uma semana, caso aconteça alguma coisa à superfície.”
O projecto da Corbis Corporation? Digitalização do monumental arquivo, tendo em vista a sua conservação – espírito missionário – e posterior comercialização das imagens. “A ideia de uma ‘McDonaldização’ da cultura, como lhe chamam, em que pequenas empresas são engolidas por grandes companhias até existirem apenas dois Golias – no caso da fotografia, a Corbis e a Getty Images – é aberrante para muitos fotógrafos.”
E não será?
sábado, 24 de janeiro de 2004
(...)
R - “Detestas vigaristas, mas olha que Portugal está cheio deles. Putas e vigaristas é o que menos falta.”
J - “Lá nisso somos bem abastecidos, em quantidade. Já em qualidade, como em quase tudo, até nisso deixamos a desejar. Os vigaristas são amadores e as putas são feias. Nos países civilizados as putas são bonitas e os vigaristas usam gravata, têm grandes mansões e rabejam a justiça sem fugir do jardim.”
(...)
R - “Detestas vigaristas, mas olha que Portugal está cheio deles. Putas e vigaristas é o que menos falta.”
J - “Lá nisso somos bem abastecidos, em quantidade. Já em qualidade, como em quase tudo, até nisso deixamos a desejar. Os vigaristas são amadores e as putas são feias. Nos países civilizados as putas são bonitas e os vigaristas usam gravata, têm grandes mansões e rabejam a justiça sem fugir do jardim.”
(...)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2004
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
terça-feira, 6 de janeiro de 2004
Bala de borracha que resultou mortal
Disse o que não devia ou o que custou ouvir. Não tenho o dom impossível da verdade mas, o que disse, sinto-o – não há qualquer interesse nas minhas palavras. Disse o que disse porque realmente o penso. Mas sim, talvez não tenha pensado antes de o dizer.
Creio, contudo, que não fui interpretado na totalidade. Mas quando se gosta é difícil achar o contrário. Assusta até a própria ideia. Pode mesmo magoar.
E magoei. Noto agora que feri, apunhalei uma convicção, um sentimento. E o sangue que escorre não é possível deter com as minhas mãos, porque me passa por entre os dedos e escapa, veloz e fatal; porque a vítima nem deixa que lhe toque, asco, pânico, dor e cólera pelo que fiz – vê-se nos seus olhos, que não me olham, e nos gritos mudos que dá.
Qual criança que, partida a jarra, soluça em choro por a não conseguir juntar de novo, atabalhoado perco a acção e a força e caio do alto de mim, desmorono-me no reconhecimento do mal que fiz e que me não cabe desfazer.
Sou muito estúpido e o pior é que por um crime destes não se vai preso – é-se eternamente julgado.
Disse o que não devia ou o que custou ouvir. Não tenho o dom impossível da verdade mas, o que disse, sinto-o – não há qualquer interesse nas minhas palavras. Disse o que disse porque realmente o penso. Mas sim, talvez não tenha pensado antes de o dizer.
Creio, contudo, que não fui interpretado na totalidade. Mas quando se gosta é difícil achar o contrário. Assusta até a própria ideia. Pode mesmo magoar.
E magoei. Noto agora que feri, apunhalei uma convicção, um sentimento. E o sangue que escorre não é possível deter com as minhas mãos, porque me passa por entre os dedos e escapa, veloz e fatal; porque a vítima nem deixa que lhe toque, asco, pânico, dor e cólera pelo que fiz – vê-se nos seus olhos, que não me olham, e nos gritos mudos que dá.
Qual criança que, partida a jarra, soluça em choro por a não conseguir juntar de novo, atabalhoado perco a acção e a força e caio do alto de mim, desmorono-me no reconhecimento do mal que fiz e que me não cabe desfazer.
Sou muito estúpido e o pior é que por um crime destes não se vai preso – é-se eternamente julgado.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2004
Foguetes de 03 para 04
A mercearia da Adelina
Hoje, uns bons sete ou mesmo oito anos desde a última vez que ali entrei, cheirei os mesmos cheiros, encontrei o pão e as bolachas e o arroz e a farinha e o Nestum e as garrafas de Sumol todos nas mesmas prateleiras, nos mesmos exactos lugares. “Então já tens vinte e quantos?”
Réveillon
Em panfleto de papel azul de 70 gramas, a Academia Almadense convidou-me para a “Grande Noite de Réveillon, abrilhantada pelo conjunto musical Via Verde”, na maior alegria da maravilhosa soirée, com “marcação de mesas na Secretaria” e não fazendo esquecido o “Esmerado Serviço de Bar”.
Vacances
Tanta merda para fazer, mas tão pouca vontade de cagar.
Transcrição
“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde está o palácio se o não fizerem ali?” | BS (FP)
SONB$ - local de encontro de intelectuais e oligarcas
A fotografia a preto-e-branco mostra uma mulher morena, de cabelo escuro, com ligeiras sardas no nariz e abaixo dos olhos, lábios bem desenhados, mãos cuidadas e unhas pintadas de negro (ou vermelho?); veste uma camisola sem mangas, podendo ler-se “Rich” no peito; as calças são claras, largas e de cintura descida, sustidas por um cinto negro; é toda uma figura cosmopolita, urbana; está sentada num sofá branco, com a mala ao lado, e olha-me de forma… sedutora?
“Imagine um local onde as mulheres são todas modelos e os homens são todos milionários. Onde a ementa só tem iguarias do outro lado do planeta e uma garrafa de vodka custa mais de 500 euros.”
Seis da tarde depois de uma directa
É um contentamento quase infantil, aquele que sinto quando me sento e a tinta flúi, com gosto e certo gozo, por entre temas e estórias de treta, mesmo apesar do monte de merdas que tenho para fazer.
Subscrevo
“É preciso começar por reconhecer que escrever, sem ser para um destinatário concreto (…), não é uma actividade natural. É contra-natura.” | MEC
A mercearia da Adelina
Hoje, uns bons sete ou mesmo oito anos desde a última vez que ali entrei, cheirei os mesmos cheiros, encontrei o pão e as bolachas e o arroz e a farinha e o Nestum e as garrafas de Sumol todos nas mesmas prateleiras, nos mesmos exactos lugares. “Então já tens vinte e quantos?”
Réveillon
Em panfleto de papel azul de 70 gramas, a Academia Almadense convidou-me para a “Grande Noite de Réveillon, abrilhantada pelo conjunto musical Via Verde”, na maior alegria da maravilhosa soirée, com “marcação de mesas na Secretaria” e não fazendo esquecido o “Esmerado Serviço de Bar”.
Vacances
Tanta merda para fazer, mas tão pouca vontade de cagar.
Transcrição
“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde está o palácio se o não fizerem ali?” | BS (FP)
SONB$ - local de encontro de intelectuais e oligarcas
A fotografia a preto-e-branco mostra uma mulher morena, de cabelo escuro, com ligeiras sardas no nariz e abaixo dos olhos, lábios bem desenhados, mãos cuidadas e unhas pintadas de negro (ou vermelho?); veste uma camisola sem mangas, podendo ler-se “Rich” no peito; as calças são claras, largas e de cintura descida, sustidas por um cinto negro; é toda uma figura cosmopolita, urbana; está sentada num sofá branco, com a mala ao lado, e olha-me de forma… sedutora?
“Imagine um local onde as mulheres são todas modelos e os homens são todos milionários. Onde a ementa só tem iguarias do outro lado do planeta e uma garrafa de vodka custa mais de 500 euros.”
Seis da tarde depois de uma directa
É um contentamento quase infantil, aquele que sinto quando me sento e a tinta flúi, com gosto e certo gozo, por entre temas e estórias de treta, mesmo apesar do monte de merdas que tenho para fazer.
Subscrevo
“É preciso começar por reconhecer que escrever, sem ser para um destinatário concreto (…), não é uma actividade natural. É contra-natura.” | MEC
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