O objectivo era fazer música, com toda a bagagem de quem já leva uns anos no ofício. O jazz, categorização que se não lhes impõem, veio porque os três gostam do género e porque queriam fazer música instrumental, em parte improvisada. “Esquece Tudo O Que Aprendeste” é o resultado, o disco de estreia dos DEP, colectivo formado pelos músicos portuenses Danim, Eduardo e Peixe.
» i'm back in the business, here
Nem o epíteto Cool serviu para aligeirar a faixa etária do público que na quente noite de 13 se deslocou ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para ouvir Jacinta, num excelente concerto no âmbito do Cool Jazz Fest (CJF).
» and here
sexta-feira, 9 de julho de 2004
«Mas agora, quando por fim nos disseram que a luz estava ao fundo do túnel, percebemos que a luz era, afinal, a de um comboio em sentido contrário pronto a dar-nos cabo do caminho. (...) Quem vem dentro desse comboio? Aparentemente, todos os que o apanharam em andamento no instante em que Durão Barroso decidiu emigrar. Na política, a arte de apanhar o comboio em andamento é uma habilidade própria de artistas de circo.»
PRD | DNa
PRD | DNa
domingo, 4 de julho de 2004
30x diazepam 10mg
Volta e meia e é o mesmo. As meias tintas. O costume.
Quando me confronto com isto, o estômago fica vazio, o coração abranda, os olhos param, as mãos apertam-se. Boneco de trapos e uma tesoura de autópsia que me corta e tira toda a espuma que me enche. Espuma de mar, volátil.
As interrogações, são as mesmas. E quantas...
Nada que o tempo não resolva, claro está. Já que não tenho coragem para o fazer. Cobarde.
A coisa que tem que ver com nada mas que acaba tendo que ver com tudo. Extraordinário, o processo, despoletado por uma insignificância material, que se relaciona com um terceiro e um grande prejuizo pessoal. E explicar, ter que descodificar, tentar tornar ligeiramente perceptível o impercebível, suportando-me em argumentos vazios, porque virtuais, mesmo apesar dos discos físicos e de uma caixa de alumínio. E que menor é tudo isto.
Volta e meia e é o mesmo. As meias tintas. O costume.
Quando me confronto com isto, o estômago fica vazio, o coração abranda, os olhos param, as mãos apertam-se. Boneco de trapos e uma tesoura de autópsia que me corta e tira toda a espuma que me enche. Espuma de mar, volátil.
As interrogações, são as mesmas. E quantas...
Nada que o tempo não resolva, claro está. Já que não tenho coragem para o fazer. Cobarde.
A coisa que tem que ver com nada mas que acaba tendo que ver com tudo. Extraordinário, o processo, despoletado por uma insignificância material, que se relaciona com um terceiro e um grande prejuizo pessoal. E explicar, ter que descodificar, tentar tornar ligeiramente perceptível o impercebível, suportando-me em argumentos vazios, porque virtuais, mesmo apesar dos discos físicos e de uma caixa de alumínio. E que menor é tudo isto.
sábado, 3 de julho de 2004
sexta-feira, 2 de julho de 2004
sábado, 26 de junho de 2004
«Quem não perceber a relação íntima
entre o cagalhão e o limão não percebe nada»
«(…) O que me traz aos ovos. Hoje em dia é proibido mencionar que as galinhas têm cu – mas têm. É por onde saem os ovos, desculpem lá. (...)»
Miguel Esteves Cardoso, DNa
E do DNa digo: foi premiado internacionalmente, mais uma vez, como excelente produto de imprensa que é.
----------------------------------
«(…) Nós somos um povo triste. Não sabemos rir. Não sabemos aplaudir. Não sabemos incentivar as pessoas. Somos um povo triste e envergonhado e isso não sei de onde é que vem. Os espanhóis são alegres, têm as castanholas. Nós ouvimos o fado em silêncio. “Silêncio que se vai cantar o fado”! Quando o que nós deveríamos fazer era falar muito. Mas não sabemos improvisar. Qualquer brasileiro fala praí uma hora, que nunca mais acaba. Nós não.»
Eládio Clímaco, em entrevista à 365
E da 365 digo, neste #15, que outro também não conheço: artistas armados ao pingarelho, a 10 mil exemplares todos os meses. É barrete que não enfio outra vez.
----------------------------------
Que é feito da Paula Moura Pinheiro?
Digo eu, da Grande Reportagem
E da GR digo: ainda não terminei.
----------------------------------
Continuam a faltar: All Jazz, Volta ao Mundo, Egoísta, Epícur, Sábado e Os Fazedores de Letras #58, assim que me lembre.
----------------------------------
É aproveitar, isto e o Euro, porque os próximos meses serão:
- um website e uma revista, num desafio pessoal extremamente aliciante, além de muito duro;
- voltar a escrever sobre jazz, sobre música (e começa já com uma entrevista, na 3ª-feira, a um novo colectivo jazzístico) para um meio de comunicação electrónico, o que me deixou tremendamente motivado;
- pouca praia, pois então.
entre o cagalhão e o limão não percebe nada»
«(…) O que me traz aos ovos. Hoje em dia é proibido mencionar que as galinhas têm cu – mas têm. É por onde saem os ovos, desculpem lá. (...)»
Miguel Esteves Cardoso, DNa
E do DNa digo: foi premiado internacionalmente, mais uma vez, como excelente produto de imprensa que é.
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«(…) Nós somos um povo triste. Não sabemos rir. Não sabemos aplaudir. Não sabemos incentivar as pessoas. Somos um povo triste e envergonhado e isso não sei de onde é que vem. Os espanhóis são alegres, têm as castanholas. Nós ouvimos o fado em silêncio. “Silêncio que se vai cantar o fado”! Quando o que nós deveríamos fazer era falar muito. Mas não sabemos improvisar. Qualquer brasileiro fala praí uma hora, que nunca mais acaba. Nós não.»
Eládio Clímaco, em entrevista à 365
E da 365 digo, neste #15, que outro também não conheço: artistas armados ao pingarelho, a 10 mil exemplares todos os meses. É barrete que não enfio outra vez.
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Que é feito da Paula Moura Pinheiro?
Digo eu, da Grande Reportagem
E da GR digo: ainda não terminei.
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Continuam a faltar: All Jazz, Volta ao Mundo, Egoísta, Epícur, Sábado e Os Fazedores de Letras #58, assim que me lembre.
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É aproveitar, isto e o Euro, porque os próximos meses serão:
- um website e uma revista, num desafio pessoal extremamente aliciante, além de muito duro;
- voltar a escrever sobre jazz, sobre música (e começa já com uma entrevista, na 3ª-feira, a um novo colectivo jazzístico) para um meio de comunicação electrónico, o que me deixou tremendamente motivado;
- pouca praia, pois então.
Vacances
Apaixonado pelo periódico e pela palavra impressa, pelo desenho desses produtos de consumo, em papel de diferentes gramagens e formatos, cores, composições e temas também diversos, e fui-me para uma daquelas qualquer-coisa-press que por “CCs” e Fóruns se multiplica, olhar para a oferta disponível. Balbúrdia geral e parti em busca de alguns títulos de que levava vontade de folhear. Mas não passou disso mesmo, do desejo, porque ali, havendo de tudo, nada havia. Questionados os funcionários, continuava não havendo e não se sabendo se alguma vez houvera.
Ali trabalha-se, por turnos, 14 horas sem intervalo e não é isso que enjeito, dado ter a experiência própria das exigências de tal serviço – o part-time dos 450 euros mais comissões de Caixeiro Ajudante de 1º Ano que sabe bem a quem termina o 12º na palhaçada que é o Recorrente –, que seis dias a rodar não deixam espaço a que se saiba seja o que for sobre o que se deveria saber.
E se tomamos mais um minuto que seja ao único caixeiro disponível, questionando sobre o paradeiro de um outro qualquer título «pseudo-intelectualóide armado em cosmopolita fashion de sexta-feira à tarde», logo salta o tipo do mocassin envernizado, calça beije, camisa azul claro de manga dobrada, cabelo grisalho aparado à cota que acha que a loura re-pintada e esticada de 50, sardenta de solário, vestido branco transparente e cueca fio-dental que o acompanha ainda bomba; logo salta o gajo, de cigarrilha esfumaçante, impaciente para que seja atendido e possa pagar, com o cartãozito dourado que um banco qualquer lhe vendeu, a sua caixa de cigarrilhas, os Davidoff da gaja, a Lux, a Caras, o Expresso, a Visão e os DVD todos da colecção, a Evasões e a National Geographic, sem não antes pousar a chave do Audi e o Nokia computador em cima do balcão. Adorei o espectáculo.
Comércio tradicional no ramo dos periódicos, precisa-se. Com a mesma, ou talvez um pouco mais selecta oferta; sem dúvida com maior arrumação; sobretudo com mais tempo e conhecimento para informar devidamente o cliente. E fora destes “fórúns”, por favor!
Não obstante o sucedido, fui-me dali com um terço do que procurava. Hoje, durante um café, uma “borbulhenta” e um moscatel, numa esplanada à sombra, estive de férias.
Apaixonado pelo periódico e pela palavra impressa, pelo desenho desses produtos de consumo, em papel de diferentes gramagens e formatos, cores, composições e temas também diversos, e fui-me para uma daquelas qualquer-coisa-press que por “CCs” e Fóruns se multiplica, olhar para a oferta disponível. Balbúrdia geral e parti em busca de alguns títulos de que levava vontade de folhear. Mas não passou disso mesmo, do desejo, porque ali, havendo de tudo, nada havia. Questionados os funcionários, continuava não havendo e não se sabendo se alguma vez houvera.
Ali trabalha-se, por turnos, 14 horas sem intervalo e não é isso que enjeito, dado ter a experiência própria das exigências de tal serviço – o part-time dos 450 euros mais comissões de Caixeiro Ajudante de 1º Ano que sabe bem a quem termina o 12º na palhaçada que é o Recorrente –, que seis dias a rodar não deixam espaço a que se saiba seja o que for sobre o que se deveria saber.
E se tomamos mais um minuto que seja ao único caixeiro disponível, questionando sobre o paradeiro de um outro qualquer título «pseudo-intelectualóide armado em cosmopolita fashion de sexta-feira à tarde», logo salta o tipo do mocassin envernizado, calça beije, camisa azul claro de manga dobrada, cabelo grisalho aparado à cota que acha que a loura re-pintada e esticada de 50, sardenta de solário, vestido branco transparente e cueca fio-dental que o acompanha ainda bomba; logo salta o gajo, de cigarrilha esfumaçante, impaciente para que seja atendido e possa pagar, com o cartãozito dourado que um banco qualquer lhe vendeu, a sua caixa de cigarrilhas, os Davidoff da gaja, a Lux, a Caras, o Expresso, a Visão e os DVD todos da colecção, a Evasões e a National Geographic, sem não antes pousar a chave do Audi e o Nokia computador em cima do balcão. Adorei o espectáculo.
Comércio tradicional no ramo dos periódicos, precisa-se. Com a mesma, ou talvez um pouco mais selecta oferta; sem dúvida com maior arrumação; sobretudo com mais tempo e conhecimento para informar devidamente o cliente. E fora destes “fórúns”, por favor!
Não obstante o sucedido, fui-me dali com um terço do que procurava. Hoje, durante um café, uma “borbulhenta” e um moscatel, numa esplanada à sombra, estive de férias.
quinta-feira, 10 de junho de 2004
Pequenez
Passou certamente mais de um ano, desde que cortei aquele pedacito de papel e o colei no meu caderno de então. Porque me lembrava de o ter feito, procurei-o. E li-o. E depois de tudo o que se tem passado lá no "estaminé", faz sentido. Disse-o António Feio, ao DNa:
«A Igreja em si é um lugar demasiado solene, que reduz as pessoas a uma certa pequenez, onde tudo é muito proibido, e o seu funcionamento sempre esteve completamente afastado da realidade e das pessoas.»
Ainda bem que guardo os cadernos usados.
Passou certamente mais de um ano, desde que cortei aquele pedacito de papel e o colei no meu caderno de então. Porque me lembrava de o ter feito, procurei-o. E li-o. E depois de tudo o que se tem passado lá no "estaminé", faz sentido. Disse-o António Feio, ao DNa:
«A Igreja em si é um lugar demasiado solene, que reduz as pessoas a uma certa pequenez, onde tudo é muito proibido, e o seu funcionamento sempre esteve completamente afastado da realidade e das pessoas.»
Ainda bem que guardo os cadernos usados.
segunda-feira, 7 de junho de 2004
Leituras atrasadas
os Fazedores de Letras #57
«Quando, daqui a 20 anos, comemorar os 50 anos do 25 de Abril ou, daqui a 70, o seu centenário, e deixarmos de ouvir na primeira pessoa a descrição dos acontecimentos, chegaremos à altura em que a Revolução dos Cravos não será mais do que uma data no calendário nacional, com o mesmo peso e importância que têm hoje outros feitos do povo português, como a batalha de Aljubarrota e a Revolução de 1383-85, a restauração da Independência ou a implementação da República.»
e também a entrevista:
«Fornecedor de serviços de comunicação», Álvaro Costa
---------------------------------
Recortes de um habitual
«…30 anos depois, eu já percebi que ser de direita não significa ser fascista, como ser de esquerda não equivale a ser comunista. Há, entre estas duas margens, lugar para o respeito e a democracia. Mais à esquerda ou mais à direita.
…30 anos depois, eu realmente não sou um optimista. Mas sou seguramente menos pessimista do que seria se hoje vivesse num país a preto-e-branco, fechado sobre si próprio, ainda mais tacanho, ainda mais pobre, ainda mais ignorante, ainda mais estupidificado do que é. Este não é o país que sonhei quando acordei para a realidade – mas é certamente melhor que aquele que teria se, há 30 anos, não tivesse acordado um movimento de militares. Uns mais ingénuos, outros mais sabidos, todos com um mesmo objectivo: mudar. Só o verbo já inspira.
…Por tudo isto, 30 anos depois, eu já não tenho ilusões – mas há muito que deixei de ter dúvidas. Mais vale assim. Com revolução, com evolução. Mais letra, menos letra, nenhuma destas palavras é a palavra-chave. Para mim, a palavra é só uma: liberdade. Quem a tem chama-lhe sua. Todos os dias acordo a chamar-lhe minha. E não desisto.»
os Fazedores de Letras #57
«Quando, daqui a 20 anos, comemorar os 50 anos do 25 de Abril ou, daqui a 70, o seu centenário, e deixarmos de ouvir na primeira pessoa a descrição dos acontecimentos, chegaremos à altura em que a Revolução dos Cravos não será mais do que uma data no calendário nacional, com o mesmo peso e importância que têm hoje outros feitos do povo português, como a batalha de Aljubarrota e a Revolução de 1383-85, a restauração da Independência ou a implementação da República.»
e também a entrevista:
«Fornecedor de serviços de comunicação», Álvaro Costa
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Recortes de um habitual
«…30 anos depois, eu já percebi que ser de direita não significa ser fascista, como ser de esquerda não equivale a ser comunista. Há, entre estas duas margens, lugar para o respeito e a democracia. Mais à esquerda ou mais à direita.
…30 anos depois, eu realmente não sou um optimista. Mas sou seguramente menos pessimista do que seria se hoje vivesse num país a preto-e-branco, fechado sobre si próprio, ainda mais tacanho, ainda mais pobre, ainda mais ignorante, ainda mais estupidificado do que é. Este não é o país que sonhei quando acordei para a realidade – mas é certamente melhor que aquele que teria se, há 30 anos, não tivesse acordado um movimento de militares. Uns mais ingénuos, outros mais sabidos, todos com um mesmo objectivo: mudar. Só o verbo já inspira.
…Por tudo isto, 30 anos depois, eu já não tenho ilusões – mas há muito que deixei de ter dúvidas. Mais vale assim. Com revolução, com evolução. Mais letra, menos letra, nenhuma destas palavras é a palavra-chave. Para mim, a palavra é só uma: liberdade. Quem a tem chama-lhe sua. Todos os dias acordo a chamar-lhe minha. E não desisto.»
sábado, 29 de maio de 2004
domingo, 23 de maio de 2004
quarta-feira, 5 de maio de 2004
«Quando escrevo quero apenas libertar-me do que escrevo»
Porque a escrita, certa escrita, tem mesmo esse querer libertar-me daquilo, “daquilos”, na procura do sono e descanso que tanto quero. É violento, por vezes, o exercício, porque as palavras escritas materializam o sentir – qual dizer popular «olhos não vêem, coração não sente» – e esse confronto com o que, subitamente, se tornou real e existe, magoa. Cuspir o que escrevo, arrancar essa crosta – tal como, quando em miúdo, escarafunchava os joelhos “volta-e-meia” feridos, só para ver a pele rosada que ali por debaixo crescia – é outra face do cubo, é uma porta que se fecha e outra que se abre, ao novo, que há-de vir. “Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” para a calçada e seguir andando, sem olhar.
O escritor, o escritor louco, atormentado pela voz do «emissário desconhecido», que dele faz marioneta e hospedeiro, não cospe – vomita; porque um é deliberado e o outro é incontrolável. O escritor louco, que não consigo desprender da imagem do Woody neurótico, é alimentado a pão bolorento. Assim, mesmo que tarde, despejará tudo. E mais não tendo que o saceie, continuará a come-lo e a cair de joelhos sobre uma folha de papel. Aquele pão, que é uma esmola.
Talvez por isso A.L.A. tenha dito: «enche os teus livros, à custa de muito viveres com eles, de um terrível, desesperado e feliz silêncio». O terrível desespero da náusea, a felicidade do alívio, o silêncio pelo conluio de saber haver comido com o propósito de confessar.
Porque a escrita, certa escrita, tem mesmo esse querer libertar-me daquilo, “daquilos”, na procura do sono e descanso que tanto quero. É violento, por vezes, o exercício, porque as palavras escritas materializam o sentir – qual dizer popular «olhos não vêem, coração não sente» – e esse confronto com o que, subitamente, se tornou real e existe, magoa. Cuspir o que escrevo, arrancar essa crosta – tal como, quando em miúdo, escarafunchava os joelhos “volta-e-meia” feridos, só para ver a pele rosada que ali por debaixo crescia – é outra face do cubo, é uma porta que se fecha e outra que se abre, ao novo, que há-de vir. “Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” para a calçada e seguir andando, sem olhar.
O escritor, o escritor louco, atormentado pela voz do «emissário desconhecido», que dele faz marioneta e hospedeiro, não cospe – vomita; porque um é deliberado e o outro é incontrolável. O escritor louco, que não consigo desprender da imagem do Woody neurótico, é alimentado a pão bolorento. Assim, mesmo que tarde, despejará tudo. E mais não tendo que o saceie, continuará a come-lo e a cair de joelhos sobre uma folha de papel. Aquele pão, que é uma esmola.
Talvez por isso A.L.A. tenha dito: «enche os teus livros, à custa de muito viveres com eles, de um terrível, desesperado e feliz silêncio». O terrível desespero da náusea, a felicidade do alívio, o silêncio pelo conluio de saber haver comido com o propósito de confessar.
quarta-feira, 28 de abril de 2004
domingo, 25 de abril de 2004
quinta-feira, 22 de abril de 2004
segunda-feira, 19 de abril de 2004
«Se a foto não é boa é porque não estás suficientemente perto»
Capa, disse.
Cada pedaço que parte é como se fosse um bocadinho de mim. Mas tudo isto é uma manta de retalhos-fases e esta é mais uma, foi mais uma, que necessitei encerrar. Ou colocar de lado – veremos.
O caminho que faltava percorrer até que me satisfizesse com os resultados era longo demais para a altura. E a opção, decerto nada fácil, acabou por ser inevitável. Porque quando as coisas não resultam preciso... Que resultem? Quando não, ao menos que esteja em posição de as fazer resultar. E não estava.
Tempo – é falso.
Olho – válido.
Vontade – aquieta-me, de certo modo, pensar nisso.
Coragem – o principal.
Mercantilização e obsessão pela utilidade/uso que não o próprio – definitivamente.
Sempre pensar no “que depois de isto sim, haverá condições” – paro por aqui ou tombo.
Como começo hoje a perceber, comigo, ou dá ou não dá. Não existe um ‘vai dando’. Preciso sentir-me em preparo de fazer dar, ou acabo coxo. Porque quero tudo e que tudo o que quero dê. (e porque alguém me disse que há que fazer opções, para que dê)
É assim, comigo, nas coisas e nA coisa.
Nas coisas suporto. nA coisa não tenho mão no que acaba correndo-me nas veias.
E sei que, mais que as coisas, A coisa me atormenta.
No fundo, obsessão por um controlo impossível/inexistente?
Capa, disse.
Cada pedaço que parte é como se fosse um bocadinho de mim. Mas tudo isto é uma manta de retalhos-fases e esta é mais uma, foi mais uma, que necessitei encerrar. Ou colocar de lado – veremos.
O caminho que faltava percorrer até que me satisfizesse com os resultados era longo demais para a altura. E a opção, decerto nada fácil, acabou por ser inevitável. Porque quando as coisas não resultam preciso... Que resultem? Quando não, ao menos que esteja em posição de as fazer resultar. E não estava.
Tempo – é falso.
Olho – válido.
Vontade – aquieta-me, de certo modo, pensar nisso.
Coragem – o principal.
Mercantilização e obsessão pela utilidade/uso que não o próprio – definitivamente.
Sempre pensar no “que depois de isto sim, haverá condições” – paro por aqui ou tombo.
Como começo hoje a perceber, comigo, ou dá ou não dá. Não existe um ‘vai dando’. Preciso sentir-me em preparo de fazer dar, ou acabo coxo. Porque quero tudo e que tudo o que quero dê. (e porque alguém me disse que há que fazer opções, para que dê)
É assim, comigo, nas coisas e nA coisa.
Nas coisas suporto. nA coisa não tenho mão no que acaba correndo-me nas veias.
E sei que, mais que as coisas, A coisa me atormenta.
No fundo, obsessão por um controlo impossível/inexistente?
sábado, 10 de abril de 2004
sexta-feira, 9 de abril de 2004
Não existe coisa alguma que traduza isto por palavras. Porque isto não se vê – sente-se. Não se toca – vive-se. Não se cheira – metaboliza-se.
Eu não sei o que é isto. Por outro, sei o que é isto. Não conheço, sim, não conheço o que está para além de isto, o passo seguinte a isto.
Neste momento sinto, isto. E não queria, não quero.
Isto traz-me todas as dúvidas que não quero ter. Acorda-as com força, atira-as contra mim violentamente, obriga-me a olhá-las e comê-las. Porque as dúvidas se comem, se engolem em seco.
Quando isto me acontece é um limbo e uma descrença.
AMA, disse-me brincando, era essa a sigla. Não é tanto isso que me perturba – é mesmo isto. Não saber se sou, se valho; julgar que, por isto, não sou e não valho.
Eu não sei o que é isto. Por outro, sei o que é isto. Não conheço, sim, não conheço o que está para além de isto, o passo seguinte a isto.
Neste momento sinto, isto. E não queria, não quero.
Isto traz-me todas as dúvidas que não quero ter. Acorda-as com força, atira-as contra mim violentamente, obriga-me a olhá-las e comê-las. Porque as dúvidas se comem, se engolem em seco.
Quando isto me acontece é um limbo e uma descrença.
AMA, disse-me brincando, era essa a sigla. Não é tanto isso que me perturba – é mesmo isto. Não saber se sou, se valho; julgar que, por isto, não sou e não valho.
quarta-feira, 7 de abril de 2004
“Quando eu era mais novo, havia uma coisa muito bonita, que era a sedução”
(sAm tHe kiD, beats vol. 1)
Não foi quando te vi quase derramar uma lágrima, que fiquei assim. Foi antes, pouco depois do início. Quando te percebi sensível, carinhosa e meiga. Por isso que o teu número de telefone foi um dos primeiros que quis ter.
Nunca o usei, no entanto. Até aquele dia, quando julguei ser oportuno.
As conversas que tivémos, despreocupadas, sobre nós e o nosso, deixaram-me cada vez mais intrigado, curioso. Queria descobrir-te.
Mas de repente o chão abriu-se e foi silêncio. E escuro.
E agora não sei muito bem onde estou.
(sAm tHe kiD, beats vol. 1)
Não foi quando te vi quase derramar uma lágrima, que fiquei assim. Foi antes, pouco depois do início. Quando te percebi sensível, carinhosa e meiga. Por isso que o teu número de telefone foi um dos primeiros que quis ter.
Nunca o usei, no entanto. Até aquele dia, quando julguei ser oportuno.
As conversas que tivémos, despreocupadas, sobre nós e o nosso, deixaram-me cada vez mais intrigado, curioso. Queria descobrir-te.
Mas de repente o chão abriu-se e foi silêncio. E escuro.
E agora não sei muito bem onde estou.
segunda-feira, 29 de março de 2004
terça-feira, 23 de março de 2004
sexta-feira, 19 de março de 2004
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
“e eu toda atrapalhada a explicar mais ou menos e ele todo contente”
Quando me falas de sentimentos e do que estás agora a sentir por ele, novo, lembro-me que sou pessoa e fico triste. Sem razões para tal, mas invade-me aquela tristeza egoísta que sentimos quando estamos sozinhos e somos – porque somos! – os maiores desgraçados de todo o universo.
Quando me falas de sentimentos e do que estás agora a sentir por ele, novo, lembro-me que sou pessoa e fico triste. Sem razões para tal, mas invade-me aquela tristeza egoísta que sentimos quando estamos sozinhos e somos – porque somos! – os maiores desgraçados de todo o universo.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004
Escarreta
Dá a chuva lugar a um dia de sol e é vê-la, na típica calçada portuguesa, olhando-nos com desdém, orgulhosa do seu voo até à alva pedra de calcário, a escarreta. Desviamos da dita a sola do nosso sapato, levantamos do chão os olhos lamentando pela educação de quem ali a largou e logo em frente, mais à esquerda, espera-nos outra. Fintamo-la também, desta vez resmungando a falta de apuro de quem conspurca assim o passeio. No desvio do trajecto, alto! que quase se pisava mais uma, desta feita à direita e aí não há quem nos segure! Soltamos um “porco” em meia voz, indignamo-nos do mais fundo do nosso ser, arrancando novamente e agora decididos em bater no próximo que surpreendermos em flagrante delito.
A escarreta, o escarro, [s. m.] matéria viscosa segregada pelas mucosas (em especial das vias respiratórias) e expelida pela boca; expectoração; [pop.] mácula; mancha; nódoa; coisa mal feita; porcaria; [fig.] pessoa desprezível; afronta; insulto; é apontado como um dos piores hábitos portugueses – sem dúvida que sim. Não há muitos anos, em locais públicos e consultórios médicos, era vulgar encontrar um escarrador, recipiente de porcelana branca destinado a receber de quem lhe aprouvesse, um escarro – corria a década de 50 e a tuberculose em Portugal era uma verdade temida, por tão presente e aziaga. Incitava-se, portanto, à escarradela condicionada, erguidos que estavam valores mais altos, como os da salubridade. Na rua não, no escarrador sim.
Resulta que o escarro, além de desprezível, indecente e sujo, é um dos meios mais eficazes de propagação de doenças. No chão, ao sol e ao ar, o escarro leva dias a evaporar, lançando para a atmosfera micróbios, bactérias, bacilos (como o de Koch, aqui para o caso) e demais microorganismos ruins que um cidadão menos sadio e rijo possa transportar, colocando em risco todo e qualquer corpo humano mais imprecavido de vitaminas e defesas.
Não é tanto pelo barulho que acompanha o impropério, aquele “rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” repugnante – que mesmo por entre os adeptos já motivou a constituição de um movimento ‘escarreta mas com classe’, denominado TUP (a parte subtil e última da soada) –, mas sim pelo perigo real e bem escusado que representa para a saúde.
Não cuspam para o chão, seus porcos! Façam-no para a mão e guardem no bolso.
Dá a chuva lugar a um dia de sol e é vê-la, na típica calçada portuguesa, olhando-nos com desdém, orgulhosa do seu voo até à alva pedra de calcário, a escarreta. Desviamos da dita a sola do nosso sapato, levantamos do chão os olhos lamentando pela educação de quem ali a largou e logo em frente, mais à esquerda, espera-nos outra. Fintamo-la também, desta vez resmungando a falta de apuro de quem conspurca assim o passeio. No desvio do trajecto, alto! que quase se pisava mais uma, desta feita à direita e aí não há quem nos segure! Soltamos um “porco” em meia voz, indignamo-nos do mais fundo do nosso ser, arrancando novamente e agora decididos em bater no próximo que surpreendermos em flagrante delito.
A escarreta, o escarro, [s. m.] matéria viscosa segregada pelas mucosas (em especial das vias respiratórias) e expelida pela boca; expectoração; [pop.] mácula; mancha; nódoa; coisa mal feita; porcaria; [fig.] pessoa desprezível; afronta; insulto; é apontado como um dos piores hábitos portugueses – sem dúvida que sim. Não há muitos anos, em locais públicos e consultórios médicos, era vulgar encontrar um escarrador, recipiente de porcelana branca destinado a receber de quem lhe aprouvesse, um escarro – corria a década de 50 e a tuberculose em Portugal era uma verdade temida, por tão presente e aziaga. Incitava-se, portanto, à escarradela condicionada, erguidos que estavam valores mais altos, como os da salubridade. Na rua não, no escarrador sim.
Resulta que o escarro, além de desprezível, indecente e sujo, é um dos meios mais eficazes de propagação de doenças. No chão, ao sol e ao ar, o escarro leva dias a evaporar, lançando para a atmosfera micróbios, bactérias, bacilos (como o de Koch, aqui para o caso) e demais microorganismos ruins que um cidadão menos sadio e rijo possa transportar, colocando em risco todo e qualquer corpo humano mais imprecavido de vitaminas e defesas.
Não é tanto pelo barulho que acompanha o impropério, aquele “rrrrrrrrrrrrrrrrrrrróóóiiiiiiiccccctup” repugnante – que mesmo por entre os adeptos já motivou a constituição de um movimento ‘escarreta mas com classe’, denominado TUP (a parte subtil e última da soada) –, mas sim pelo perigo real e bem escusado que representa para a saúde.
Não cuspam para o chão, seus porcos! Façam-no para a mão e guardem no bolso.
domingo, 1 de fevereiro de 2004
Bernardo
«Olá! Eh pá, há anos que não te via!» e é verdade, meu (agora) velho Bernardo, que ainda ontem nos davas chumbadas para os nossos ensaios pesqueiros de domingo manhã cedo, ali para os lados do Olho-de-Boi. «No outro dia estive para perguntar à tua mãe o que era feito de ti…» mas não há necessidade: aqui estou, pergunta-me o que quiseres ou diz-me porque cheiras a bebida às quatro da tarde de uma quinta-feira de chuva. Não, não te percas pelas peripécias que fazíamos, nós, enquanto miúdos, lá na rua, na praceta. Não recordes as tardes sem fim, vistas da tua varanda de reformado, fosse verão ou inverno, a bola que teimava – e não obstante os nossos mais que óbvios talentos futebolísticos – em bater no vidro da cabeleireira ou na janela da alentejana Bárbara ou no Honda Civic daquele sujeito, que até um alarme especial pôs no carro para ralhar connosco de cada vez que o esférico lhe tomava o gosto da chapa branca. Não vás por aí.
Fala-me de ti, que sei que queres. Fala-me dos teus setentas. Fala-me das razões que te fazem já não subir a rua carregado com os sacos das compras. Fala-me do teu Renault cinzento, agora sempre parado. Fala-me da tua filha, que é explorada naquele instituto público onde a hora de saída raramente se faz antes das sete. Fala-me da tua neta, alegria dos teus olhos, que agora vês de quando em quando, porque a senhora divorciada do teu filho foi de patins para Viseu. Fala-me deste teu andar trémulo e de como te custa esperar de pé. Fala-me do teu olhar vago e das palavras que entaramelas. Fala-me dessa tua descrença em chegar a 2005 para ver o metro, que na nossa cidade andará à superfície.
Falta muito para que saia o 101? Não. Mas chove que se farta, raio de dia este, eu com os pés encharcados pela minha teimosia de não carregar um guarda-chuva, tu que agora usas boina para camuflar a careca e que vens de beber o teu brandy numa qualquer taberna do Calhariz.
O Gonçalo? O Ricardo? Sim, crescemos todos. Ele está a acabar Direito, o outro está a braços com as informáticas. Eu? Estudo para jornalista. «Eh pá, mas não faças como aqueles jornalistas que a gente vê na televisão, aqueles que fazem perguntas que até metem dó. No outro dia vi um…» – sossega, que não me verás à frente de uma câmara de TV. «Antigamente ainda tínhamos o Mário Castrim, mas agora não há nenhum crítico de televisão. N’A Capital ainda há um sujeito que escreve, esqueço-me agora o nome…». Não cedes aos futebóis e comentas o exagero que foi o trato dado à morte daquele húngaro, como de repente acabou a pedofilia e a Casa Pia e a estagnação salarial na Função Pública.
«Eh pá, mas eu te peço, não faças como aqueles jornalistas que a gente vê…» – descansa, meu velho Bernardo, que por ti ou por mim ou por todos os que me estão perto ou por este sonho ou desejo que tenho, te honrarei no pedido.
«Gostei de te ver!» Eu também, saudinha da boa e talvez ainda bebamos um, ali no Calhariz.
«Olá! Eh pá, há anos que não te via!» e é verdade, meu (agora) velho Bernardo, que ainda ontem nos davas chumbadas para os nossos ensaios pesqueiros de domingo manhã cedo, ali para os lados do Olho-de-Boi. «No outro dia estive para perguntar à tua mãe o que era feito de ti…» mas não há necessidade: aqui estou, pergunta-me o que quiseres ou diz-me porque cheiras a bebida às quatro da tarde de uma quinta-feira de chuva. Não, não te percas pelas peripécias que fazíamos, nós, enquanto miúdos, lá na rua, na praceta. Não recordes as tardes sem fim, vistas da tua varanda de reformado, fosse verão ou inverno, a bola que teimava – e não obstante os nossos mais que óbvios talentos futebolísticos – em bater no vidro da cabeleireira ou na janela da alentejana Bárbara ou no Honda Civic daquele sujeito, que até um alarme especial pôs no carro para ralhar connosco de cada vez que o esférico lhe tomava o gosto da chapa branca. Não vás por aí.
Fala-me de ti, que sei que queres. Fala-me dos teus setentas. Fala-me das razões que te fazem já não subir a rua carregado com os sacos das compras. Fala-me do teu Renault cinzento, agora sempre parado. Fala-me da tua filha, que é explorada naquele instituto público onde a hora de saída raramente se faz antes das sete. Fala-me da tua neta, alegria dos teus olhos, que agora vês de quando em quando, porque a senhora divorciada do teu filho foi de patins para Viseu. Fala-me deste teu andar trémulo e de como te custa esperar de pé. Fala-me do teu olhar vago e das palavras que entaramelas. Fala-me dessa tua descrença em chegar a 2005 para ver o metro, que na nossa cidade andará à superfície.
Falta muito para que saia o 101? Não. Mas chove que se farta, raio de dia este, eu com os pés encharcados pela minha teimosia de não carregar um guarda-chuva, tu que agora usas boina para camuflar a careca e que vens de beber o teu brandy numa qualquer taberna do Calhariz.
O Gonçalo? O Ricardo? Sim, crescemos todos. Ele está a acabar Direito, o outro está a braços com as informáticas. Eu? Estudo para jornalista. «Eh pá, mas não faças como aqueles jornalistas que a gente vê na televisão, aqueles que fazem perguntas que até metem dó. No outro dia vi um…» – sossega, que não me verás à frente de uma câmara de TV. «Antigamente ainda tínhamos o Mário Castrim, mas agora não há nenhum crítico de televisão. N’A Capital ainda há um sujeito que escreve, esqueço-me agora o nome…». Não cedes aos futebóis e comentas o exagero que foi o trato dado à morte daquele húngaro, como de repente acabou a pedofilia e a Casa Pia e a estagnação salarial na Função Pública.
«Eh pá, mas eu te peço, não faças como aqueles jornalistas que a gente vê…» – descansa, meu velho Bernardo, que por ti ou por mim ou por todos os que me estão perto ou por este sonho ou desejo que tenho, te honrarei no pedido.
«Gostei de te ver!» Eu também, saudinha da boa e talvez ainda bebamos um, ali no Calhariz.
VIP – Very Important Photographs
Concentração nos media está na ordem do dia. Por agora muito se escreve, publica e edita sobre o assunto, deveras importante – a revista Media XXI dedica-lhe um dossier central, Elsa Costa e Silva, jornalista do DN, assina “Os Donos da Notícia – Concentração da Propriedade dos Media em Portugal” (Porto Editora), só para exemplificar.
A linhas tantas de um texto da Grande Reportagem de ontem, surgiu-me a vontade de partilhar alguns dados:
O ‘arquivo Bettmann’, colecção de fotografias do alemão judeu Otto Ludwig Bettmann, conservador de livros e negociante de imagens nos idos anos 30, foi comprado pela Corbis Corporation, empresa pertencente a Bill Gates – que também detem a Saba Press, (Nova Iorque; proprietária de um milhão de imagens), a agência fotográfica Sygma (Paris; reúne 30 milhões de imagens) e o departamento fotográfico da United Press International (10 milhões de imagens).
O ‘arquivo Bettmann’ soma 11 milhões de fotografias de valor inquantificável, pois “abarca a arte e a vida do mais importante século da humanidade”. Nele se podem encontrar virtualmente todas as fotografias-marco de que nos possamos lembrar, desde a língua de Einstein, passando por Marilyn sobre um respiradouro do metropolitano, Buzz Aldrin a passear-se na Lua, a cobertura extensiva das duas Guerras Mundiais e do Vietname, assim como um amplo leque documentando os vários presidentes norte-americanos.
O ‘arquivo Bettmann’ está guardado numa antiga mina de calcário, numa montanha da Pensilvânia, 70 metros abaixo do solo, a temperaturas abaixo e perto de zero graus. A Montanha de Ferro, como é apelidado o complexo, “tem serviço de bombeiros próprio, força de segurança armada, sistemas de filtragem de ar e água, desumidificadores gigantes e geradores de electricidade que permitem o funcionamento autónomo do complexo durante, pelo menos, uma semana, caso aconteça alguma coisa à superfície.”
O projecto da Corbis Corporation? Digitalização do monumental arquivo, tendo em vista a sua conservação – espírito missionário – e posterior comercialização das imagens. “A ideia de uma ‘McDonaldização’ da cultura, como lhe chamam, em que pequenas empresas são engolidas por grandes companhias até existirem apenas dois Golias – no caso da fotografia, a Corbis e a Getty Images – é aberrante para muitos fotógrafos.”
E não será?
Concentração nos media está na ordem do dia. Por agora muito se escreve, publica e edita sobre o assunto, deveras importante – a revista Media XXI dedica-lhe um dossier central, Elsa Costa e Silva, jornalista do DN, assina “Os Donos da Notícia – Concentração da Propriedade dos Media em Portugal” (Porto Editora), só para exemplificar.
A linhas tantas de um texto da Grande Reportagem de ontem, surgiu-me a vontade de partilhar alguns dados:
O ‘arquivo Bettmann’, colecção de fotografias do alemão judeu Otto Ludwig Bettmann, conservador de livros e negociante de imagens nos idos anos 30, foi comprado pela Corbis Corporation, empresa pertencente a Bill Gates – que também detem a Saba Press, (Nova Iorque; proprietária de um milhão de imagens), a agência fotográfica Sygma (Paris; reúne 30 milhões de imagens) e o departamento fotográfico da United Press International (10 milhões de imagens).
O ‘arquivo Bettmann’ soma 11 milhões de fotografias de valor inquantificável, pois “abarca a arte e a vida do mais importante século da humanidade”. Nele se podem encontrar virtualmente todas as fotografias-marco de que nos possamos lembrar, desde a língua de Einstein, passando por Marilyn sobre um respiradouro do metropolitano, Buzz Aldrin a passear-se na Lua, a cobertura extensiva das duas Guerras Mundiais e do Vietname, assim como um amplo leque documentando os vários presidentes norte-americanos.
O ‘arquivo Bettmann’ está guardado numa antiga mina de calcário, numa montanha da Pensilvânia, 70 metros abaixo do solo, a temperaturas abaixo e perto de zero graus. A Montanha de Ferro, como é apelidado o complexo, “tem serviço de bombeiros próprio, força de segurança armada, sistemas de filtragem de ar e água, desumidificadores gigantes e geradores de electricidade que permitem o funcionamento autónomo do complexo durante, pelo menos, uma semana, caso aconteça alguma coisa à superfície.”
O projecto da Corbis Corporation? Digitalização do monumental arquivo, tendo em vista a sua conservação – espírito missionário – e posterior comercialização das imagens. “A ideia de uma ‘McDonaldização’ da cultura, como lhe chamam, em que pequenas empresas são engolidas por grandes companhias até existirem apenas dois Golias – no caso da fotografia, a Corbis e a Getty Images – é aberrante para muitos fotógrafos.”
E não será?
sábado, 24 de janeiro de 2004
(...)
R - “Detestas vigaristas, mas olha que Portugal está cheio deles. Putas e vigaristas é o que menos falta.”
J - “Lá nisso somos bem abastecidos, em quantidade. Já em qualidade, como em quase tudo, até nisso deixamos a desejar. Os vigaristas são amadores e as putas são feias. Nos países civilizados as putas são bonitas e os vigaristas usam gravata, têm grandes mansões e rabejam a justiça sem fugir do jardim.”
(...)
R - “Detestas vigaristas, mas olha que Portugal está cheio deles. Putas e vigaristas é o que menos falta.”
J - “Lá nisso somos bem abastecidos, em quantidade. Já em qualidade, como em quase tudo, até nisso deixamos a desejar. Os vigaristas são amadores e as putas são feias. Nos países civilizados as putas são bonitas e os vigaristas usam gravata, têm grandes mansões e rabejam a justiça sem fugir do jardim.”
(...)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2004
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
terça-feira, 6 de janeiro de 2004
Bala de borracha que resultou mortal
Disse o que não devia ou o que custou ouvir. Não tenho o dom impossível da verdade mas, o que disse, sinto-o – não há qualquer interesse nas minhas palavras. Disse o que disse porque realmente o penso. Mas sim, talvez não tenha pensado antes de o dizer.
Creio, contudo, que não fui interpretado na totalidade. Mas quando se gosta é difícil achar o contrário. Assusta até a própria ideia. Pode mesmo magoar.
E magoei. Noto agora que feri, apunhalei uma convicção, um sentimento. E o sangue que escorre não é possível deter com as minhas mãos, porque me passa por entre os dedos e escapa, veloz e fatal; porque a vítima nem deixa que lhe toque, asco, pânico, dor e cólera pelo que fiz – vê-se nos seus olhos, que não me olham, e nos gritos mudos que dá.
Qual criança que, partida a jarra, soluça em choro por a não conseguir juntar de novo, atabalhoado perco a acção e a força e caio do alto de mim, desmorono-me no reconhecimento do mal que fiz e que me não cabe desfazer.
Sou muito estúpido e o pior é que por um crime destes não se vai preso – é-se eternamente julgado.
Disse o que não devia ou o que custou ouvir. Não tenho o dom impossível da verdade mas, o que disse, sinto-o – não há qualquer interesse nas minhas palavras. Disse o que disse porque realmente o penso. Mas sim, talvez não tenha pensado antes de o dizer.
Creio, contudo, que não fui interpretado na totalidade. Mas quando se gosta é difícil achar o contrário. Assusta até a própria ideia. Pode mesmo magoar.
E magoei. Noto agora que feri, apunhalei uma convicção, um sentimento. E o sangue que escorre não é possível deter com as minhas mãos, porque me passa por entre os dedos e escapa, veloz e fatal; porque a vítima nem deixa que lhe toque, asco, pânico, dor e cólera pelo que fiz – vê-se nos seus olhos, que não me olham, e nos gritos mudos que dá.
Qual criança que, partida a jarra, soluça em choro por a não conseguir juntar de novo, atabalhoado perco a acção e a força e caio do alto de mim, desmorono-me no reconhecimento do mal que fiz e que me não cabe desfazer.
Sou muito estúpido e o pior é que por um crime destes não se vai preso – é-se eternamente julgado.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2004
Foguetes de 03 para 04
A mercearia da Adelina
Hoje, uns bons sete ou mesmo oito anos desde a última vez que ali entrei, cheirei os mesmos cheiros, encontrei o pão e as bolachas e o arroz e a farinha e o Nestum e as garrafas de Sumol todos nas mesmas prateleiras, nos mesmos exactos lugares. “Então já tens vinte e quantos?”
Réveillon
Em panfleto de papel azul de 70 gramas, a Academia Almadense convidou-me para a “Grande Noite de Réveillon, abrilhantada pelo conjunto musical Via Verde”, na maior alegria da maravilhosa soirée, com “marcação de mesas na Secretaria” e não fazendo esquecido o “Esmerado Serviço de Bar”.
Vacances
Tanta merda para fazer, mas tão pouca vontade de cagar.
Transcrição
“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde está o palácio se o não fizerem ali?” | BS (FP)
SONB$ - local de encontro de intelectuais e oligarcas
A fotografia a preto-e-branco mostra uma mulher morena, de cabelo escuro, com ligeiras sardas no nariz e abaixo dos olhos, lábios bem desenhados, mãos cuidadas e unhas pintadas de negro (ou vermelho?); veste uma camisola sem mangas, podendo ler-se “Rich” no peito; as calças são claras, largas e de cintura descida, sustidas por um cinto negro; é toda uma figura cosmopolita, urbana; está sentada num sofá branco, com a mala ao lado, e olha-me de forma… sedutora?
“Imagine um local onde as mulheres são todas modelos e os homens são todos milionários. Onde a ementa só tem iguarias do outro lado do planeta e uma garrafa de vodka custa mais de 500 euros.”
Seis da tarde depois de uma directa
É um contentamento quase infantil, aquele que sinto quando me sento e a tinta flúi, com gosto e certo gozo, por entre temas e estórias de treta, mesmo apesar do monte de merdas que tenho para fazer.
Subscrevo
“É preciso começar por reconhecer que escrever, sem ser para um destinatário concreto (…), não é uma actividade natural. É contra-natura.” | MEC
A mercearia da Adelina
Hoje, uns bons sete ou mesmo oito anos desde a última vez que ali entrei, cheirei os mesmos cheiros, encontrei o pão e as bolachas e o arroz e a farinha e o Nestum e as garrafas de Sumol todos nas mesmas prateleiras, nos mesmos exactos lugares. “Então já tens vinte e quantos?”
Réveillon
Em panfleto de papel azul de 70 gramas, a Academia Almadense convidou-me para a “Grande Noite de Réveillon, abrilhantada pelo conjunto musical Via Verde”, na maior alegria da maravilhosa soirée, com “marcação de mesas na Secretaria” e não fazendo esquecido o “Esmerado Serviço de Bar”.
Vacances
Tanta merda para fazer, mas tão pouca vontade de cagar.
Transcrição
“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde está o palácio se o não fizerem ali?” | BS (FP)
SONB$ - local de encontro de intelectuais e oligarcas
A fotografia a preto-e-branco mostra uma mulher morena, de cabelo escuro, com ligeiras sardas no nariz e abaixo dos olhos, lábios bem desenhados, mãos cuidadas e unhas pintadas de negro (ou vermelho?); veste uma camisola sem mangas, podendo ler-se “Rich” no peito; as calças são claras, largas e de cintura descida, sustidas por um cinto negro; é toda uma figura cosmopolita, urbana; está sentada num sofá branco, com a mala ao lado, e olha-me de forma… sedutora?
“Imagine um local onde as mulheres são todas modelos e os homens são todos milionários. Onde a ementa só tem iguarias do outro lado do planeta e uma garrafa de vodka custa mais de 500 euros.”
Seis da tarde depois de uma directa
É um contentamento quase infantil, aquele que sinto quando me sento e a tinta flúi, com gosto e certo gozo, por entre temas e estórias de treta, mesmo apesar do monte de merdas que tenho para fazer.
Subscrevo
“É preciso começar por reconhecer que escrever, sem ser para um destinatário concreto (…), não é uma actividade natural. É contra-natura.” | MEC
segunda-feira, 29 de dezembro de 2003
“Depois, num daqueles acessos de lucidez que aproveitam uma rara aberta no entupimento alcoólico para se precipitarem em direcção às cordas vocais antes de serem apanhados na confusão, tal é a ganância patética de serem exprimidos, não vá nunca mais surgir a ocasião apropriada, alinhavou uma frase inteira e, para mais, correctíssima: «Até para a maionese, a minha avó usava um bocadinho de azeite e um bocadinho de óleo Fula… É verdade, Benza-a Deus!»”
um habitual
-----------------------
“Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, «Aquela rapariga parece um rapaz». Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela, «Aquela rapariga é um rapaz». Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afecto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, «Aquele rapaz». Eu direi, «Aquela rapaz», violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de género, como de número, entre a voz substantiva e a adjectiva. E terei dito bem; terei falado em absoluto, fotograficamente, fora da chateza, da norma, da quotidianidade. Não terei falado: terei dito.”
uma redescoberta
um habitual
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“Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, «Aquela rapariga parece um rapaz». Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela, «Aquela rapariga é um rapaz». Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afecto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, «Aquele rapaz». Eu direi, «Aquela rapaz», violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de género, como de número, entre a voz substantiva e a adjectiva. E terei dito bem; terei falado em absoluto, fotograficamente, fora da chateza, da norma, da quotidianidade. Não terei falado: terei dito.”
uma redescoberta
terça-feira, 23 de dezembro de 2003
sábado, 20 de dezembro de 2003
terça-feira, 16 de dezembro de 2003
Era Saddam
Mas podia ter sido o Apolinário, que dorme ali na Almirante Reis
Encontraram Saddam Hussein. Estava num buraco exíguo e sujo, com uma mala de dólares americanos e uma pistola. O cabelo desgrenhado e a barba longa espelhavam a organização, a força da nação e exército iraquianos. E sobretudo o infindável arsenal de armas de destruição de massa – esparguete, rosquinhas ou cuscus. Não se viu? Temível!
No dia seguinte, a imagem do sem-abrigo Saddam correu o mundo, estampada em capas de jornal e acompanhada de uns garrafais “Apanhámo-lo” ou coisa do género. Por cá não foi muito diferente. Contudo, destaco a sobriedade da capa do Público, envolvendo a imagem do barbudo numa imensa moldura negra, podendo ler-se “capturado” – já o interior, era merda daquela de cagalhão enorme de Rotweiller com desinteria, esculpida pela sabedoria do editorial de José Manuel Fernandes; o Diário de Notícias optou por uma pequena e antiga fotografia de Saddam fardado, remetida para um canto – o conteúdo, não o li, portanto, mea culpa.
O que eu dava para poder ter estado em ambas as reuniões de fecho…
Mas podia ter sido o Apolinário, que dorme ali na Almirante Reis
Encontraram Saddam Hussein. Estava num buraco exíguo e sujo, com uma mala de dólares americanos e uma pistola. O cabelo desgrenhado e a barba longa espelhavam a organização, a força da nação e exército iraquianos. E sobretudo o infindável arsenal de armas de destruição de massa – esparguete, rosquinhas ou cuscus. Não se viu? Temível!
No dia seguinte, a imagem do sem-abrigo Saddam correu o mundo, estampada em capas de jornal e acompanhada de uns garrafais “Apanhámo-lo” ou coisa do género. Por cá não foi muito diferente. Contudo, destaco a sobriedade da capa do Público, envolvendo a imagem do barbudo numa imensa moldura negra, podendo ler-se “capturado” – já o interior, era merda daquela de cagalhão enorme de Rotweiller com desinteria, esculpida pela sabedoria do editorial de José Manuel Fernandes; o Diário de Notícias optou por uma pequena e antiga fotografia de Saddam fardado, remetida para um canto – o conteúdo, não o li, portanto, mea culpa.
O que eu dava para poder ter estado em ambas as reuniões de fecho…
A puta de Woody não usa aparelho
O postal que Paula Moura Pinheiro fez da “Puta de Mensa”, de Woody Allen, em que um mecânico procura prostitutas intelectuais, incorrendo em adultério não carnal, deixou-me imaginando o pequeno Woody, com os seus óculos, a sua figura pitoresca, discutindo atabalhoadamente, gaguejando e em estilo neurótico, literatura de primeira água, contrapondo mulheres louras, altivas, seguras, frias, fatais. Por mais argumentos que esgrima, vejo-o às voltas num quarto de motel, hipocondríaco, perturbado, louco, mas completamente embrenhado, devoto, discutindo intensamente, veloz, caótico, em estridente crescendo, até ao brado, à alucinação, à submissão, clímax, ejaculação, orgasmo, explosão intelectual.
(Se só “Hollywood Ending” me levou, seriamente, a ver Woody Allen, agora é certo procurá-lo. Na película e no papel.)
Mas serviu a “Puta de Mensa” para Paula Moura Pinheiro discorrer sobre o estigma daqueles que ousam cultivar-se:
“Porque em grupos alargados, em locais públicos, não se pode provocar conversas sobre o que se lê ou o que se pensa sem que sobre nós impenda a suspeita horrível da intelectualidade. Em Portugal, dizer-se de alguém que é um intelectual, é insultá-lo do pior. É considerá-lo de uma pretensão intolerável, que tem a mania de se fazer interessante, especial. (…)
Hoje, volvidos trinta anos de intensivo investimento na alfabetização, só a leitura dos rótulos dos produtos de grande consumo parece ter beneficiado francamente. E não se confunda o novo apetite pelos títulos académicos com o que não significa: o pensamento, o debate, a paixão pelo conhecimento continuam a ser actividades mal-vistas, e quem se atreva a persistir condena-se ao exílio. Profissional, social, amoroso.”
Porque não vejo a intelectualidade como erudição, mas sim como prazer em saber; porque tampouco olho para a cultura como cartilha de conhecimentos a desfolhar no propósito de um brilharete, mas sim como a única ferramenta capaz de potenciar e legitimar raciocínios, o estabelecimento de ideias próprias e alicerçar um espírito crítico; porque convivo diariamente com um exemplo desse exílio – muito provocado, é certo – pela intelectualidade e individualidade; porque me agasto numa selecção diária de informação a consumir; por tudo isto, da próxima vez que me disseres que sou “bué intelectual” ou “cromo”, sou bem capaz de te recordar que quem usa os óculos e o aparelho nos dentes não sou eu, mas tu. Isto muito educadamente, claro está.
Quase tão educadamente quanto o meu silêncio na constatação daquele momento brilhante em que alunos de Comunicação Social mostraram nunca ter aberto um jornal. Mas, lá está, eu sou o intelectual, o “velho”, o chato.
No entanto, uma certeza há: tenho muito mau feitio.
O postal que Paula Moura Pinheiro fez da “Puta de Mensa”, de Woody Allen, em que um mecânico procura prostitutas intelectuais, incorrendo em adultério não carnal, deixou-me imaginando o pequeno Woody, com os seus óculos, a sua figura pitoresca, discutindo atabalhoadamente, gaguejando e em estilo neurótico, literatura de primeira água, contrapondo mulheres louras, altivas, seguras, frias, fatais. Por mais argumentos que esgrima, vejo-o às voltas num quarto de motel, hipocondríaco, perturbado, louco, mas completamente embrenhado, devoto, discutindo intensamente, veloz, caótico, em estridente crescendo, até ao brado, à alucinação, à submissão, clímax, ejaculação, orgasmo, explosão intelectual.
(Se só “Hollywood Ending” me levou, seriamente, a ver Woody Allen, agora é certo procurá-lo. Na película e no papel.)
Mas serviu a “Puta de Mensa” para Paula Moura Pinheiro discorrer sobre o estigma daqueles que ousam cultivar-se:
“Porque em grupos alargados, em locais públicos, não se pode provocar conversas sobre o que se lê ou o que se pensa sem que sobre nós impenda a suspeita horrível da intelectualidade. Em Portugal, dizer-se de alguém que é um intelectual, é insultá-lo do pior. É considerá-lo de uma pretensão intolerável, que tem a mania de se fazer interessante, especial. (…)
Hoje, volvidos trinta anos de intensivo investimento na alfabetização, só a leitura dos rótulos dos produtos de grande consumo parece ter beneficiado francamente. E não se confunda o novo apetite pelos títulos académicos com o que não significa: o pensamento, o debate, a paixão pelo conhecimento continuam a ser actividades mal-vistas, e quem se atreva a persistir condena-se ao exílio. Profissional, social, amoroso.”
Porque não vejo a intelectualidade como erudição, mas sim como prazer em saber; porque tampouco olho para a cultura como cartilha de conhecimentos a desfolhar no propósito de um brilharete, mas sim como a única ferramenta capaz de potenciar e legitimar raciocínios, o estabelecimento de ideias próprias e alicerçar um espírito crítico; porque convivo diariamente com um exemplo desse exílio – muito provocado, é certo – pela intelectualidade e individualidade; porque me agasto numa selecção diária de informação a consumir; por tudo isto, da próxima vez que me disseres que sou “bué intelectual” ou “cromo”, sou bem capaz de te recordar que quem usa os óculos e o aparelho nos dentes não sou eu, mas tu. Isto muito educadamente, claro está.
Quase tão educadamente quanto o meu silêncio na constatação daquele momento brilhante em que alunos de Comunicação Social mostraram nunca ter aberto um jornal. Mas, lá está, eu sou o intelectual, o “velho”, o chato.
No entanto, uma certeza há: tenho muito mau feitio.
domingo, 14 de dezembro de 2003
Caramba, como gosto de o ler!
«Os “hippies” alemães, mais sábios, calaram-se. Mas tinha que haver uma lisboeta, daquelas jovens e irritantes que preferem morrer ou mesmo perder os CDs do Phil Collins a aculturar-se, que logo reclamou, naqueles tons intoleravelmente queques em que “Minha Senhora” soa pior do que “filha da puta”, exortando a zambujeirense a deixar-se de pretensões e a juntar-se ao fim da bicha.»
É um dos meus habituais. Haja alguma coisa que alegre os meus finais de semana.
«Os “hippies” alemães, mais sábios, calaram-se. Mas tinha que haver uma lisboeta, daquelas jovens e irritantes que preferem morrer ou mesmo perder os CDs do Phil Collins a aculturar-se, que logo reclamou, naqueles tons intoleravelmente queques em que “Minha Senhora” soa pior do que “filha da puta”, exortando a zambujeirense a deixar-se de pretensões e a juntar-se ao fim da bicha.»
É um dos meus habituais. Haja alguma coisa que alegre os meus finais de semana.
terça-feira, 9 de dezembro de 2003
O(s) sentimento(s) de um ocidental
Falta um quarto de hora para as nove da manhã mas há já um rol de coisas que me acirram e provocam aquele ardor à boca do estômago. É a chuva, são os grunhos no Metro, é o frio de manhã e uma casa-de-banho sem aquecimento, é aquele compromisso que agora tem lugar sem que eu esteja presente, porque assim o escolhi. E sou eu, sobretudo eu. E este desencontro comigo – que teimo em perpetuar?
Os dias que fui passar fora não ajudaram quanto eu queria. Recordando o que uma leitura habitual me ofereceu esta sexta-feira, “há muito mais coisas que valem a pena do que as pequenas coisas que nos ocupam tempo demais e nos maçam, nos enchem, nos envelhecem sem lógica nem razão.” É assim, realmente. Por isso foi tão bom estar àquela mesa mais uma vez, a teu lado, partilhando a alegria de mais um aniversário que, no fundo – e porque o teu é em Dezembro –, marca mais um ano de amizade. E como sabemos quanto isso é importante. (Ele não esteve, mas soubemo-lo connosco)
Acordei um dia depois e trezentos quilómetros mais a sul, na companhia de uma miúda que tudo me quer e de um alemão que come arenque pela manhã. Na simplicidade de um dia que nasceu bonito, visitei família e fui cheirar o mar, na praia, ao frio. Não faltou o cão nem o jovem casal que mostrava as maravilhas de um quase Inverno ao seu rebento, embarretado até às orelhas. Terminei com um repasto superiormente cozinhado com aquele capricho nórdico, regado com um vinho alentejano de selo alemão – nunca português, porque cá há sempre algum subsídio.
Regressado à urbe, a dependência na prosa electrónica presenteou-me com uma novidade desagradável, que custo a digerir ainda, não sei muito bem porquê – mas trouxe-te o cachecol, não vá ser por isso… Deste-me atenção, ouviste-me, mostraste-te e eu – sem nunca esquecer o contexto e o que isso significa – fui abrindo o meu casaco, deixando entrar o ar e que visses o que trazia vestido. Mas volto a subir o fecho até ao pescoço, porque arrefeceu repentinamente. E porque não te quero resfriada.
São agora exactamente nove e meia da manhã e em cima desta mesa estão os meus cotovelos e o copo de água vazio – a chávena de café, já a ucraniana levou.
Falta um quarto de hora para as nove da manhã mas há já um rol de coisas que me acirram e provocam aquele ardor à boca do estômago. É a chuva, são os grunhos no Metro, é o frio de manhã e uma casa-de-banho sem aquecimento, é aquele compromisso que agora tem lugar sem que eu esteja presente, porque assim o escolhi. E sou eu, sobretudo eu. E este desencontro comigo – que teimo em perpetuar?
Os dias que fui passar fora não ajudaram quanto eu queria. Recordando o que uma leitura habitual me ofereceu esta sexta-feira, “há muito mais coisas que valem a pena do que as pequenas coisas que nos ocupam tempo demais e nos maçam, nos enchem, nos envelhecem sem lógica nem razão.” É assim, realmente. Por isso foi tão bom estar àquela mesa mais uma vez, a teu lado, partilhando a alegria de mais um aniversário que, no fundo – e porque o teu é em Dezembro –, marca mais um ano de amizade. E como sabemos quanto isso é importante. (Ele não esteve, mas soubemo-lo connosco)
Acordei um dia depois e trezentos quilómetros mais a sul, na companhia de uma miúda que tudo me quer e de um alemão que come arenque pela manhã. Na simplicidade de um dia que nasceu bonito, visitei família e fui cheirar o mar, na praia, ao frio. Não faltou o cão nem o jovem casal que mostrava as maravilhas de um quase Inverno ao seu rebento, embarretado até às orelhas. Terminei com um repasto superiormente cozinhado com aquele capricho nórdico, regado com um vinho alentejano de selo alemão – nunca português, porque cá há sempre algum subsídio.
Regressado à urbe, a dependência na prosa electrónica presenteou-me com uma novidade desagradável, que custo a digerir ainda, não sei muito bem porquê – mas trouxe-te o cachecol, não vá ser por isso… Deste-me atenção, ouviste-me, mostraste-te e eu – sem nunca esquecer o contexto e o que isso significa – fui abrindo o meu casaco, deixando entrar o ar e que visses o que trazia vestido. Mas volto a subir o fecho até ao pescoço, porque arrefeceu repentinamente. E porque não te quero resfriada.
São agora exactamente nove e meia da manhã e em cima desta mesa estão os meus cotovelos e o copo de água vazio – a chávena de café, já a ucraniana levou.
terça-feira, 2 de dezembro de 2003
segunda-feira, 1 de dezembro de 2003
É costume ler a imprensa na internet. Contudo, à sexta-feira opto pelas edições impressas: Público, Diário de Notícias e por vezes o El País e uma Heineken num terraço na António Augusto Aguiar. Ao sábado, novamente o DN e fico com leitura para horas. Deste ritual faz também parte uma ‘roller’ vermelha. Aqui ficam alguns recortes, não necessariamente noticiosos.
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«Espanha perdeu o Euro 2004 para Portugal e Portugal perdeu a America’s Cup para Espanha. Portugal constrói dez estádios, Espanha cria 15 mil postos de trabalho. Espanha receberá turistas ricos, Portugal será invadido pela tribo do futebol. Só nos saem duques.»
Diário Económico, 27|Nov|2003 (referido no Público de 28|Nov)
Miguel Coutinho
«Pode haver mais de cem golos em hora e meia. Pode fazer-se história. Pode até mudar o regime, o país e as leis. Ele não desarma. Ele cumpre. Ele é o homem mais sozinho de todos nesta noite em que todos parecem unidos, como se pertencessem à mesma família. Mas eu percebo-o: que raio, ele é o 559. Ele é o português eleito. Ele tem um poder.»
DNa, 28|Nov|2003
Pedro Rolo Duarte
«O corpo não foi autopsiado porque a questão não se colocava. Primeiro, porque há mais de um ano que os seus fiéis esperavam a sua morte. Segundo, e mais importante, porque o homem que morreu, após meses de agonia, chamava-se António de Oliveira Salazar.
(...)
Já a tia Mariquinhas tinha 44 anos e o marido mais de cinquenta. Todos a aconselharam a não ter a criança. Que podia ser perigoso, que poderia nascer aleijadinha, de tudo lhe disseram as amigas. Mas o gosto de oferecer um filho varão ao seu homem, depois de ter dado à luz Marta, Elisa, Leopoldina e Laura, foi muito mais forte.»
DNa, 28|Nov|2003
Luís Osório, num excelente trabalho sobre a casa onde nasceu Salazar
«Quando um português é agraciado por um pôr-do-sol, o apascentado conforto da consciência absoluta de “estar bem” (mesmo quando não coadjuvado por um prévio e enormíssimo charro) tolda-lhe as retinas e provoca-lhe uma lassidão no nervo óptico que o impede de explicar.»
DNa, 28|Nov|2003
Miguel Esteves Cardoso
Apascentado: de apascentar, que é ‘dar pasto (a gado); levar ao pasto; pastorear; doutrinar; deleitar-se; instruir-se’.
«Isto não é uma luta por aumentos salariais, mas sim pelas condições de trabalho»
DN, 28|Nov|2003
Sérgio Monte, sindicalista e funcionário da Carris, acerca das greves que têm afectado a empresa
«Há uma certa tristeza, também porque somos portugueses.»
DN, 28|Nov|2003
Cláudia Tomaz, na entrevista acerca do seu mais recente filme, “Nós”
«Nova Iorque é um clima, uma sombra, é fumo e são cigarros e é nesse labirinto, de bares, ‘coffee shops’ e outros obstáculos (há que contar ainda com os corpos e com o desejo) que se movimenta o predador. Roger, de seu nome, Dodger de alcunha – posto pela mãe, que sabia o que tinha em casa.»
Y, 28|Nov|2003
Vasco Câmara, acerca de “Roger Dodger”, filme que estreou no dia e que está em cena no Quarteto
Zénite: ponto da esfera celeste que, relativamente a cada lugar da Terra, é encontrado pela vertical levantada desse lugar; o ponto mais elevado; auge; fastígio; apogeu; ápice.
«Nunca foi de ideologias, era mesmo só para dar uns tiros e sentir o abismo das noites em que se sai sem saber se há-de haver dia.»
Público, 28|Nov|2003
Eduardo Dâmaso, numa opinião sobre “Os Imortais” e a guerra colonial no cinema e vida portugueses
...«nenhuma outra cidade tem 14 quilómetros sobre o estuário de um rio como o Tejo. Tirem o Tejo, a vista do Tejo, a sua presença próxima e constante, o seu lento e familiar atravessar da cidade, e Lisboa ficará uma coisa sem sentido, um aglomerado urbano caótico, desprovido de personalidade e de alma própria.»
Público, 28|Nov|2003
Miguel Sousa Tavares
«Pentágono mobiliza mais reservistas
Militares na reserva ou da Guarda Nacional, mobilizados esta semana pelo Pentágono: 14.398 para o Iraque; 3060 para o Afeganistão;
Militares na reserva ou da Guarda Nacional, alertados esta semana pelo Pentágono para a hipótese de mobilização:
7899 para o Iraque; 672 para o Afeganistão»
Público, 28|Nov|2003
Nepotismo: posição de relevo, no campo honorífico ou administrativo, dada por alguns papas a pessoas da própria família; favoritismos de certos gvernantes aos seus parentes e familiares.
«Um turista holandês, devidamente interrogado pelo jornalista, deu as suas impressões sobre o país que tinha escolhido para as férias. Em Portugal, gostava das rochas e do mar azul; apreciava a cozinha e os preços baixos; não se lembrava de nenhum nome de um português conhecido; achava que os portugueses trabalhavam demais para o dinheiro que recebiam; e que, sendo simpáticos, viviam sob stress. Terminava o seu depoimento garantindo que queria voltar a Portugal, mas que não gostaria de ver as coisas diferentes, “é bom tal como está”.
Senhor veraneante holandês: pode voltar! Portugal está na mesma!»
Público, 29|Nov|2003
António Barreto, acerca de uma reportagem daquele jornal, de 30|Ago|1995
«Kissinger deveria ser julgado, acusa Christopher Hitchens, um jornalista americano. Só por causa do Chile?»
Público, 29|Nov|2003
Teresa Lago, acerca de uma reportagem daquele jornal, de 02|Mar|2001
«Portugal lidera incidência de HIV na Europa
Portugal é o país da União Europeia com a maior taxa de incidência do vírus da sida. Por cada milhão de portugueses foram registados 76,7 casos de infecção por HIV, entre Janeiro de 1983 e Julho deste ano, dos quais resultaram já 5554 mortes. Isto quando os últimos dados disponíveis revelam que a média comunitária não vai além dos 26,1 casos por milhão de indivíduos.»
DN, 29|Nov|2003
«Sete cinemas chumbados pela DECO (...) sobre segurança contra incêndios e sistemas de evacuação.» São eles o São Jorge, Almada Fórum, CC Colombo, El Corte Inglês, Amoreiras e Mundial.
DN, 29|Nov|2003
Poesia Visual, Oficina da Poesia, Relâmpago, Hífen, Palavra em Mutação, Aquilo, Di Versos, Bumerangue, Inimigo Rumor, Plágio – revistas de poesia «circulando com dificuldades, mais ao sabor de afinidades do que de um circuito de distribuição.»
DN, 29|Nov|2003
Top Livros
Em dez, seis autores portugueses. António Lobo Antunes (2ª posição), António Damásio (3ª posição), Miguel Sousa Tavares (7ª posição), Carlos Fino (8ª posição), Mário Rui de Carvalho (9ª posição) e António Rosa Casaco (10ª posição).
DN, 29|Nov|2003
«Produtividade passa por dar condições» (de trabalho)
DN, 29|Nov|2003
«Comerciantes pedem fim dos anúncios das Finanças» (aqueles em que se incita o consumidor a pedir sempre factura)
DN, 29|Nov|2003
P.S. – Coitadinhos dos comerciantes, que agora são tidos como ladrões... Coitadinhos...
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«Espanha perdeu o Euro 2004 para Portugal e Portugal perdeu a America’s Cup para Espanha. Portugal constrói dez estádios, Espanha cria 15 mil postos de trabalho. Espanha receberá turistas ricos, Portugal será invadido pela tribo do futebol. Só nos saem duques.»
Diário Económico, 27|Nov|2003 (referido no Público de 28|Nov)
Miguel Coutinho
«Pode haver mais de cem golos em hora e meia. Pode fazer-se história. Pode até mudar o regime, o país e as leis. Ele não desarma. Ele cumpre. Ele é o homem mais sozinho de todos nesta noite em que todos parecem unidos, como se pertencessem à mesma família. Mas eu percebo-o: que raio, ele é o 559. Ele é o português eleito. Ele tem um poder.»
DNa, 28|Nov|2003
Pedro Rolo Duarte
«O corpo não foi autopsiado porque a questão não se colocava. Primeiro, porque há mais de um ano que os seus fiéis esperavam a sua morte. Segundo, e mais importante, porque o homem que morreu, após meses de agonia, chamava-se António de Oliveira Salazar.
(...)
Já a tia Mariquinhas tinha 44 anos e o marido mais de cinquenta. Todos a aconselharam a não ter a criança. Que podia ser perigoso, que poderia nascer aleijadinha, de tudo lhe disseram as amigas. Mas o gosto de oferecer um filho varão ao seu homem, depois de ter dado à luz Marta, Elisa, Leopoldina e Laura, foi muito mais forte.»
DNa, 28|Nov|2003
Luís Osório, num excelente trabalho sobre a casa onde nasceu Salazar
«Quando um português é agraciado por um pôr-do-sol, o apascentado conforto da consciência absoluta de “estar bem” (mesmo quando não coadjuvado por um prévio e enormíssimo charro) tolda-lhe as retinas e provoca-lhe uma lassidão no nervo óptico que o impede de explicar.»
DNa, 28|Nov|2003
Miguel Esteves Cardoso
Apascentado: de apascentar, que é ‘dar pasto (a gado); levar ao pasto; pastorear; doutrinar; deleitar-se; instruir-se’.
«Isto não é uma luta por aumentos salariais, mas sim pelas condições de trabalho»
DN, 28|Nov|2003
Sérgio Monte, sindicalista e funcionário da Carris, acerca das greves que têm afectado a empresa
«Há uma certa tristeza, também porque somos portugueses.»
DN, 28|Nov|2003
Cláudia Tomaz, na entrevista acerca do seu mais recente filme, “Nós”
«Nova Iorque é um clima, uma sombra, é fumo e são cigarros e é nesse labirinto, de bares, ‘coffee shops’ e outros obstáculos (há que contar ainda com os corpos e com o desejo) que se movimenta o predador. Roger, de seu nome, Dodger de alcunha – posto pela mãe, que sabia o que tinha em casa.»
Y, 28|Nov|2003
Vasco Câmara, acerca de “Roger Dodger”, filme que estreou no dia e que está em cena no Quarteto
Zénite: ponto da esfera celeste que, relativamente a cada lugar da Terra, é encontrado pela vertical levantada desse lugar; o ponto mais elevado; auge; fastígio; apogeu; ápice.
«Nunca foi de ideologias, era mesmo só para dar uns tiros e sentir o abismo das noites em que se sai sem saber se há-de haver dia.»
Público, 28|Nov|2003
Eduardo Dâmaso, numa opinião sobre “Os Imortais” e a guerra colonial no cinema e vida portugueses
...«nenhuma outra cidade tem 14 quilómetros sobre o estuário de um rio como o Tejo. Tirem o Tejo, a vista do Tejo, a sua presença próxima e constante, o seu lento e familiar atravessar da cidade, e Lisboa ficará uma coisa sem sentido, um aglomerado urbano caótico, desprovido de personalidade e de alma própria.»
Público, 28|Nov|2003
Miguel Sousa Tavares
«Pentágono mobiliza mais reservistas
Militares na reserva ou da Guarda Nacional, mobilizados esta semana pelo Pentágono: 14.398 para o Iraque; 3060 para o Afeganistão;
Militares na reserva ou da Guarda Nacional, alertados esta semana pelo Pentágono para a hipótese de mobilização:
7899 para o Iraque; 672 para o Afeganistão»
Público, 28|Nov|2003
Nepotismo: posição de relevo, no campo honorífico ou administrativo, dada por alguns papas a pessoas da própria família; favoritismos de certos gvernantes aos seus parentes e familiares.
«Um turista holandês, devidamente interrogado pelo jornalista, deu as suas impressões sobre o país que tinha escolhido para as férias. Em Portugal, gostava das rochas e do mar azul; apreciava a cozinha e os preços baixos; não se lembrava de nenhum nome de um português conhecido; achava que os portugueses trabalhavam demais para o dinheiro que recebiam; e que, sendo simpáticos, viviam sob stress. Terminava o seu depoimento garantindo que queria voltar a Portugal, mas que não gostaria de ver as coisas diferentes, “é bom tal como está”.
Senhor veraneante holandês: pode voltar! Portugal está na mesma!»
Público, 29|Nov|2003
António Barreto, acerca de uma reportagem daquele jornal, de 30|Ago|1995
«Kissinger deveria ser julgado, acusa Christopher Hitchens, um jornalista americano. Só por causa do Chile?»
Público, 29|Nov|2003
Teresa Lago, acerca de uma reportagem daquele jornal, de 02|Mar|2001
«Portugal lidera incidência de HIV na Europa
Portugal é o país da União Europeia com a maior taxa de incidência do vírus da sida. Por cada milhão de portugueses foram registados 76,7 casos de infecção por HIV, entre Janeiro de 1983 e Julho deste ano, dos quais resultaram já 5554 mortes. Isto quando os últimos dados disponíveis revelam que a média comunitária não vai além dos 26,1 casos por milhão de indivíduos.»
DN, 29|Nov|2003
«Sete cinemas chumbados pela DECO (...) sobre segurança contra incêndios e sistemas de evacuação.» São eles o São Jorge, Almada Fórum, CC Colombo, El Corte Inglês, Amoreiras e Mundial.
DN, 29|Nov|2003
Poesia Visual, Oficina da Poesia, Relâmpago, Hífen, Palavra em Mutação, Aquilo, Di Versos, Bumerangue, Inimigo Rumor, Plágio – revistas de poesia «circulando com dificuldades, mais ao sabor de afinidades do que de um circuito de distribuição.»
DN, 29|Nov|2003
Top Livros
Em dez, seis autores portugueses. António Lobo Antunes (2ª posição), António Damásio (3ª posição), Miguel Sousa Tavares (7ª posição), Carlos Fino (8ª posição), Mário Rui de Carvalho (9ª posição) e António Rosa Casaco (10ª posição).
DN, 29|Nov|2003
«Produtividade passa por dar condições» (de trabalho)
DN, 29|Nov|2003
«Comerciantes pedem fim dos anúncios das Finanças» (aqueles em que se incita o consumidor a pedir sempre factura)
DN, 29|Nov|2003
P.S. – Coitadinhos dos comerciantes, que agora são tidos como ladrões... Coitadinhos...
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